Aula de História na “Pátria Educadora”. Proibido ficar pelado no mato.


por Ras Adauto*

imagem:arquivo interno do livro escolar

imagem:arquivo interno do meu livro escolar “dantão”

Aula de História na “Pátria Educadora”
do meu tempo de primário.

No meu tempo de história no primário
o Egito era branco
a Grécia era o berço da humanidade
a Queda da Bastilha era o fato
mais importante da “nossa história”
os africanos tinham sido escravos
que foram libertados pela Princesa Isabel
os índios viviam pelados lá no mato
e eu tinha que desenhar os
heróis da nossa pátria,
senão era zero na caderneta;
e toque eu a desenhar retratos
de Duque de Caxias,
os Dons Pedros, o pai e o filho
o bandeirante Domingos Jorge Velho,
o bandeirante Fernão Dias Pais, o Caçador de Esmeraldas
o Almirante Tamandaré
o José Bonifácio, o Patriarca da Independência
o Marechal Deodoro da Fonseca, o proclamador da República
o Rui Barbosa, o Águia de Haia
e outros tantos “Vultos Históricos”
e o únicos negros que eu me lembro
que tive que desenhar foram o José do Patrocínio
e negros acorrentados para ilustrar
um trabalho do 13 de maio
Nesse trabalho o José do Patrocínio
estava de joelhos beijando a mão da Princesa Isabel
que eu tive que reproduzir de algum jornal antigo.

Um dia levei um zero redondo na caderneta
quando a Fessora de História
arguindo a turma sobre os personagens
da nossa história que queríamos ser
e quando chegou a minha vez de responder
eu disse que queria ser:
“um índio pelado lá no mato”.

Fui expulso da sala de aula
e tive que ficar até o final das aulas
em pé de castigo atrás da porta
da sala da diretora, virado para a parede.

Levei zero e advertência para meus
pais na caderneta e ainda ter que
escrever duzentas vezes uma mesma frase
que começava assim “Nao devo…blá-blá-blá!

Foi assim que “aprendi” a História no Brasil no meu primário.

negra panther.

imagem/arquivointern “os heróis do meu tempo de primário”.

ras-adauto* Ras Adauto é cineasta e jornalista brasileiro. É ativista do Movimento Negro Internacional. Vive em Berlim onde realiza programas para a juventude na televisão local.

Editor da  PPABerlin News (Pindorama Press Agentur Berlin)

Racismo contra aluna negra e bolsista na faculdade de arquitetura da PUC-Campinas


Única mulher, negra e bolsista da PUC-Campinas no curso de Arquitetura e Urbanismo entre 200 alunos, narra sina de perseguições e ofensas racistas dentro da universidade de Campinas

Prezada Sthefanie, nossa solidariedade do Sos-Racismo aqui do Rio de Janeiro.
Você está no caminho certo em tornar público o seu caso, que demonstra o poder do racismo institucional.
Este caminho longo de sofrimento que você passou e passa deve ser reverberado para todos os cantos do país e do mundo.
Muita gente já passou por isto calada, e até hoje paga psicanalistas, para descobrir onde errou para ser massacrada sistematicamente em sua humanidade por racistas dentro da universidade.
Alunos, professores, administradores e direção desta faculdade são agentes e cúmplices deste crime de racismo continuado e inafiançável contra você e toda pessoa negra do Brasil.
Você deve continuar nesta faculdade, pois é a sua vontade e direito.
Este lugar é seu e temos que fazer piquetes presenciais e virtuais para lhe garantir a sua integridade pessoal. O corpo e a alma das pessoas são intocáveis. Além dos ataques racistas você está sendo vítima de tortura psicológica e mental!#marcosromaoreflexoes

Única mulher, negra e bolsista da PUC-Campinas no curso de Arquitetura e Urbanismo entre 200 alunos narra sina de perseguições e ofensas racistas dentro da universidade

Por Stephanie Ribeiro

fonte Blogueiras Negras

Não é de hoje que discutimos o papel do negro nas universidades, erram os que pensam que o assunto é cotas, mas sim a forma como as universidades se preparam pra receber alunos negros, porque independente da que estamos falando, quando o assunto são as grandes universidades brasileiras, públicas ou particulares o acesso de negros é restrito, umas nem aderir a cotas raciais tiveram coragem de fazer, porém não assumem também que são um ambiente branco e elitizado. Por trás de toda uma película acadêmica de local “universal” se esconde o racismo da Casa de Engenho, e parece que ninguém tem muita vontade de quebrar essas barreiras. Mas se engana quem pensa que não vamos resistir, invadir e ocupar esses espaços que são nossos também. Se o Brasil existe, ele deve muito a nós, ao nosso trabalho não valorizado, a nossa luta que a mídia não mostra, e a nossa inteligência também, que não é aproveitada porque nos segregam e excluem.  Porém o problema só aumenta quando se é MULHER e NEGRA, a luta é duas vezes maior e as agressões tem mais do que uma motivação.

Eu sou estudante e bolsista de Arquitetura e Urbanismo, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, aonde eu sofro perseguição por conta das minhas ideias, defesas e focos. Não achei que seria assim, não acreditei que além de elitizado e branco, o ambiente também seria conformado e moralista, alguns assuntos só podem ser ditos baixinho e com determinados alunos, porque outros vivem numa bolha de ignorância que é praticamente impossível de ser estourada e o racismo é evidente, não é à toa que negros só são maioria na faxina e não na sala de aula.

O que acontece é que eu represento algo provocativo naquele local, e junto com as ideias que eu tenho a situação é maior, mesmo que eu só queira ir lá e ser uma Arquiteta e Urbanista, eu incomodo, e isso começou a dar indícios quando o meu Facebook começou a se tornar assunto, eu não podia postar nada que ia contra a “moral e bons costumes” que virava assunto de corredor, até ai eu aceitei, o problema é que isso começou a resultar em agressões ainda mais quando eu expus que era feminista, ao ponto de pixarem meu armário da faculdade com a frase “Não ligamos para as bostas que você posta no Facebook”, sendo que essa rede social tem ferramentas que permitem não só excluir como bloquear usuários que te incomodam. Ou seja, é muito fácil não me ter nessa rede, mas parece que não é essa opção que resolveram tomar, preferiram mensagens anônimas e vário in box como os a seguir:

(Imagem: Reprodução/Facebook)

(Imagem: Reprodução/Facebook)

(Imagem: Reprodução/Facebook)

(Imagem: Reprodução/Facebook)

E assim foi 2012, quando procurei a secretária pra falar sobre meu armário disseram que não podiam fazer nada e que as câmeras não gravavam e que eu deveria dar nomes se quisesse que algo fosse feito, com o fim do ano nas férias eu ainda recebia algumas mensagens, me perguntando o porquê de não ir nas festas, o que me fez começar a ter receio de frequentar tais festas, porque se essas pessoas me zoavam no corredor, me mandavam esses in box, e pixavam meu armário, o que não poderiam fazer comigo se eu estivesse numa festa sozinha? Então não frequento e não pretendo ir nas festas da minha faculdade.

Início de 2013, eu estava no segundo ano da faculdade, e comecei a fazer alguns trabalhos em grupos, duplas e por ai vai, o que aconteceu é que no primeiro semestre uma pessoa que dizia ser minha amiga, no meio de um trabalho disse: “Não quero ser racista, mas já perceberam como negros normalmente fedem mais que brancos, tem um cheiro mais forte.” Ei fiquei em choque, as pessoas concordaram com aquilo, e eu ali, pra completar essa pessoa disse “Mas você Ste é diferente, é cheirosa.”

Eu entendi a gravidade dessa frase só depois de um tempo e foi agressivo pra mim, as pessoas que diziam ser minhas “amigas” não entenderam a minha reação, nem a minha indignação, sendo que no segundo semestre em outro trabalho, em determinado momento alguém disse “somos todos iguais” e a mesma pessoa da frase acima esfregou a mão da própria pele e disse “menos a Stephanie.” Olha isso foi visto como brincadeira de mau gosto pelos demais, por mim foi visto como Racismo, e sim isso é racismo.

O que posso deixar claro é que dessas pessoas, eu resolvi me afastar foi um processo complicado, porque era gente que eu via como amigo, mas acho que não posso ser próxima de quem acha que é piada racismo. Além do mais, ouve uma briga na faculdade, onde um namorado de uma aluna, invadiu o local e agrediu um aluno. Diante desse fato, um dos seguranças de PUC, se manifestou com a seguinte frase “Quem devia ter apanhado era essa menina.” O fato é que independente do porquê da briga, independente de quem fez algo ou não, agressão é intolerável a agressão a mulher num país com números como o nosso, e isso não devia nem ter sido cogitado por quem devia zelar pela nossa segurança.  Quando eu manifestei minha opinião sobre a fala do tal segurança. Meu Facebook foi novamente invadido pelos alunos da Faculdade de Arquitetura da Pontifícia Universidade Católica, dessa vez defendendo agressão a mulher. Sim, eles defenderam que dependendo da justificativa uma mulher poderia ser agredida.

Meu post foi esse:

(Imagem: Reprodução/Facebook)

Que resultaram nos seguintes comentários dos alunos, destacados em preto:

SR 8

SR 6SR 7

Esses foram os comentários dos alunos diante o machismo, da fala do segurança, eles não só colocaram que havia um contexto, como deram a entender que bater em mulher é uma “solução” viável as vezes. Para piorar novamente invadiram meu facebook, mesmo alguns que já estava bloqueados, usavam o facebook de amigos para manifestar ódio, inclusive me ameaçar de agressão caso não ficasse quieta:

(Imagem: Reprodução/Facebook)

Enfim, essa história passou e eu vi até pessoas que se diziam minhas “amigas” ficando do lado desses determinados alunos que estavam não só defendendo agressão como me ameaçando.

Finalmente 2013 acabou, eu comecei a dar indícios de tristeza e ficar muito deprimida. Às vezes eu preferia me trancar na minha casa e chorar a ir a aula, ninguém entendia e nem eu.

Começou 2014, agora estou no terceiro ano, me afastei dos “amigos” citados, me afastei de várias coisas que me faziam mal, sim, cada vez mais sozinha. Me sentindo estranha naquele lugar, eu escuto que sou a maior racista comigo mesma, que deveria trocar de curso, pois levo tudo pro social, então deveria fazer ciências sociais. E assim fui levando esse começo de semestre, até que um professor numa determinada aula disse:

“Até você que tem a pele mais escurinha, consegue perceber diferentes cores de luz na sua pele.”

Enfim, eu desmoronei.

Eu não tenho vontade de ir na aula, não tenho vontade de conversar com as pessoas, eu quero ficar em casa chorando. Eu me encontro triste, comecei terapia, e a psicóloga só conseguiu dizer que eu era racista comigo mesma e que eu estava no curso errado, porque a universidade não vai mudar por mim.

E mais uma vez essa semana mostraram como o mundo é estranho, primeiro ironia lidando com o assunto sério que são vagas com definição de gênero.

(Imagem: Reprodução/Facebook)

Claro que ninguém achou isso idiota, só “uma piada”, claro que quando eu falei que é desnecessário, que eu não gostei, quando eu falo tudo que eu acho desse mundo branco/elitista/reaça, surge um moço pra dizer “Relaxa e Goza”, ai o cara da frase, me manda “Calar a boca.” e sim, o outro me zoa falando “faz print” e pra finalizar uma menina branca diz ” Stephanie, calma, eu sempre leio seus posts e tento entender seu ponto de vista, mas não tem um pouco de vitimismo de sua parte tbm?… Não me xinga, não me chame de “branca” e que eu não sei pelo q vc passa, eu já sofri MUITO preconceito tbm, mas de outras formas….Enfim, se quiser podemos conversar, mas pra ja, vamos com calma que ninguém está te atacando!”

Isso que eu estou passando é o que acontece quando uma mulher NEGRA E FEMINISTA, entra na universidade, num curso elitizado. Eu conquistei esse espaço eu não posso abandonar uma coisa que as pessoas como eu não tem acesso. Arquitetura e Urbanismo e pra gente como eu, não só pra ficarem falando em palestras como objeto de estudo, não só pros alunos usarem nós como temas de iniciação cientifica, Arquitetura e Urbanismo é pra ser cursada por gente como eu, Arquitetura e Urbanismo tem que chegar nas pessoas como eu, tem que atingir, tem que mudar a vida delas.

Pode ser Universidade pública ou privada elas devem conscientizar alunos, que tragam o Movimento Negro e o Movimento Feminista pra dentro de seus campus. Porque desde quando passamos a ter alunos medíocres e não formadores de opinião dentro dos jovens de 20 e poucos anos? Desde quando a Universidade se tornou um local de oprimir e não de lutar?

Enquanto tiver aluno bolsista passando fome pra fazer faculdade. Não me calarão.

Enquanto tiver aluno sem ter onde dormir pra fazer faculdade. Não me calarão.

Enquanto nos mulheres estivermos ganhando menos que homens. Não me calarão.

Enquanto nos mulheres estivermos sujeitas a agressão e estupros. Não me calarão.

Enquanto o meu canteiro de obras for mais negro que minha sala de aula. Não me calarão.

Enquanto o Brasil não superar os quase 400 anos de escravidão. Não me calarão.

Enquanto eu for a única mulher, negra e bolsista da Pontifícia Universidade Católica no curso de Arquitetura e Urbanismo do meu ano que tem mais de 200 alunos. Não me calarão.

Thayná Trindade insiste e consegue finalmente registrar como racismo, a discriminação racial que sofreu no Ponto Frio do Plaza-Shopping Niterói


por marcos romão

Nesta última terça-feira, 25.03 Thayná Trindade conseguiu finalmente registrar como racismo, a violência racista que sofreu na loja do Ponto Frio Bonzão no Plaza Shopping de Niterói, no final de fevereiro deste ano.

Conforme a Mamapress divulgou no início de março, Thayná Trindade, jovem mulher negra de 25 anos, mãe de um bebê com poucos meses de idade, foi discriminada racialmente no dia 26.02, por um vendedor da Loja Ponto Frio, no Shopping Plaza de Niterói.

foto: léo fonseca

foto: léo fonseca

Junto com uma testemunha que se prontificou ir com ela até a delegacia, Thayná se confrontou-se com o problema, que praticamente todas as vítimas de racismo encontram ao irem dar queixa de racismo: Ao contrário do que afirmava ter sido racismo, caso foi registrado na 76º DP de Niterói como injúria racial, o que para ela não definia o racismo que sofrera quanto à sua raça e cor.

Depois de várias mobilizações e denúncias nas redes sociais,  no movimento negro, além de ter  procurado a ajuda da CEPPIR Niterói, que a colocou desde o primeiro momento em contato com o Dr. Tito Mineiro da Comissão de Igualdade Racial da OAB, Thayná esteve na delegacia para nesta última terça-feira,25.03, para acrescentar o ítem racismo à sua queixa.

A presença de 4 advogados da CIR-OAB-RJ, inclusive seu presidente Marcelo Dias, de representante da Ceppir-Niterói e de um representante do grupo negro Advocacia e Militância Social, assim como o apoio que Thayná tem recebido do movimento negro e da sociedade civil, deram um maior peso à queixosa nesta segunda ida à delegacia de polícia, pois apoiada  pelos advogados da OAB, acrescentou ao registro de seu depoimento anterior: “Que não se sentiu somente vítima de uma injúria e sim vítima de racismo, já que as atitudes, palavras e gestos do vendedor e preposto do Ponto Frio foram claras e objetivas quanto à sua raça e cor”.

Este caso junto com outros que tem acontecido no Estado do Rio de Janeiro, conseguiu além dar um exemplo em como superar as armadilhas do artigo 140º(injúria racial), que faz com que as vítimas se sintam duplamente humilhadas e violentadas, a primeira vez através do ato racista em si e a segunda quando nas delegacias não levam à serio as suas palavras. Conseguiu também demonstrar, que o trabalho coletivo do movimento negro e da sociedade civil indignados, junto com ações de Instituições como a CIR-OAB além do apoio de prefeituras locais, através de seus órgãos PIR, podem funcionar quando todos levam em contar que a dignidade da vítima e a sua reparação dos danos causados violência racial que sofre,  é o principal objetivo no combate ao racismo.

Racismo que cresce e assume novas formas e para as quais temos todos agir rapidamente para cortar o mal pela raiz.

PARENTES GUAJAJARA ENFRENTAM A FRENTE MADEIREIRA E APREENDEM CAMINHÕES NA TERRA INDÍGENA ARARIBOIA


Matéria da Resistêcia Indígena por Luar Sateré MawéOs Tentehar/Guajajara da aldeia Mucura resolveram enfrentar a frente madeireira, que há muitos anos vem explorando o território e assassinando parentes, cansados de esperar que as autoridades competentes agissem com eficácia no combate à exploração madeireira ilegal.

As lideranças dos parentes Guajajara da aldeia Mucura, localizada na Terra Indígena Arariboia, sudoeste do estado do Maranhão, apreenderam na última quinta-feira, dia 7 de fevereiro, dois caminhões e um jerico que retiravam madeira ilegal da área indígena. Os indígenas aguardam a presença de representantes da Funai e da Polícia Federal para retirar os veículos do seu território.

O clima na aldeia é tenso, cerca de 100 madeireiros ameaçam invadir a aldeia. Os indígenas temem que aconteça a invasão, uma vez que tais ameaças e práticas já ocorreram na Arariboia, bem como em outras terras indígenas do Maranhão.Luar Sateré Mawé

A prática de invasões madeireiras nas terras indígenas no Maranhão tem sido uma constante e esbarra na falta de fiscalização permanente por parte dos órgãos responsáveis, em especial, a Secretaria de Meio Ambiente do Estado (SEMA). As serrarias da cidade de Amarante não são fiscalizadas, beneficiando o trato das toneladas de madeiras ilegais, oriundas das Terras Indígenas Arariboia e Governador.

Os parentes já comunicaram o fato à Funai e estão aguardando respostas. Esperando que as providências sejam tomadas, o mais breve possível, no sentido se evitar uma invasão à aldeia, bem como que outras violências sejam cometidas contra a comunidade. A luta dos Tentehar/Guajajara pela preservação de seu território é árdua, mas as lideranças indígenas destacam que não vão continuar resistindo.

Na Arariboia o histórico remonta assassinato e confrontos. Em 2007, os madeireiros invadiram a aldeia Lagoa Comprida e assassinaram Tomé Guajajara. Em 2008, os madeireiros invadiram essa mesma aldeia para retirar um caminhão que tinha sido apreendido pelos parentes. Na ocasião, houve troca de tiros e parte da floresta foi incendiada pelos madeireiros.

Os Awá-Guajá, que vivem em situação de isolamento, habitam as terras da Arariboia. Vivem fugindo da frente madeireira, que a cada ano avança mais sobre o seu território, destruindo locais de caça e coleta, deixando os parentes sem condições de viverem em paz. Em 2011, os madeireiros colocaram fogo em um acampamento dos Awá-Guajá sem contato e derrubaram as árvores em que os parentes coletavam mel.

Em janeiro deste ano, cerca de 20 homens armados invadiram a base montada pelo povo Ka’apor para proteger o território das invasões. Esses homens humilharam o grupo, agrediram os parentes, ameaçaram matar lideranças e levaram o “jerico” que tinha sido apreendido pelos Ka’apor.

E a palavra de ordem é RESISTÊNCIA!!!

A barbárie mora ao seu lado: O Depoimento à Veja, pelo menino de rua de 15 anos, brutalizado e preso a um poste em pleno bairro do Flamengo


O depoimento dado à Revista Veja à jornalista Pamela Oliveira:

“O adolescente detalhou, em depoimento, seus passos na noite de sexta-feira. Contou que seguia para Copacabana com três amigos, também moradores de rua, para tomar “banho de mar”. Depois de passar pelo local onde funciona uma academia ao ar livre, no Aterro do Flamengo, o grupo foi perseguido pelos cerca de 30 jovens que estavam no local, alguns deles motociclistas, segundo conta. Um dos homens estava armado com uma pistola, disse. Dois dos amigos moradores de rua escaparam. Com o rapaz que não conseguiu fugir, ele passou a ser agredido e ameaçado. Em dado momento, o outro jovem também escapou, e passou a ser ele o único em poder do grupo. Os homens o acusavam de roubar bicicletas e praticar assaltos naquela região.

Os agressores aplicaram uma “banda” e ele foi ao chão. Começaram, então, agressões com capacetes, pontapés e várias humilhações. Acusado de roubos, ele acreditava que seria morto pelos jovens que descreveu como “brancos e fortes” e “playboys” – apenas um deles era “pardo”, segundo contou o rapaz a um funcionário da Secretaria Municipal de Desenvolvimento social. O pardo, segundo conta, pediu desculpas.

Depois do fim da sessão de agressões, ele foi atado ao poste, e passou a sentir medo de ser assassinado por um dos jovens agressores, que poderiam retornar para terminar o “serviço”. O rapaz foi localizado e socorrido por alguns moradores do Flamengo – entre eles a artista plástica Yvonne Bezerra de Mello, fundadora da ONG Projeto Uerê, de educação infantil. Depois de medicado, ele se desvencilhou e procurou ajuda em um abrigo da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social no Centro, onde estava desde então, sem ser identificado. Outro dos quatro perseguidos também ficou no abrigo, anonimamente.

Na tarde desta quarta-feira, segundo contou, a diretora do abrigo o reconheceu, e comunicou o caso à Secretaria, que auxiliou o rapaz a prestar depoimento. A delegada Monique Vidal apresentou a ele fotografias dos 14 detidos na noite da última segunda-feira, em um tumulto no Flamengo, no qual dois menores disseram ter sido ameaçados. O jovem não reconheceu nenhum deles, o que, por ora, descarta a suspeita de que os casos estejam conectados e que sejam grupos de agressores com integrantes em comum.

A delegada Monique Vidal tenta, agora, encontrar imagens das cenas de perseguição, tortura e humilhações ocorridas entre a noite de sexta-feira e madrugada de sábado, para tentar chegar aos agressores. A Polícia Civil informou que o adolescente tem uma passagem pela Delegacia Especial de Proteção à Criação e ao Adolescente, que cuida de crimes cometidos por menores, mas não detalhou que delito foi atribuído a ele.

Funcionários da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social descreveram o jovem com um menino calado, pacato e muito querido pelas assistentes sociais. Ao ser identificado pela diretora do abrigo, ele chorou compulsivamente.

leia a matéria completa

Nota da Mamapress

Desde 2010 está acontecendo  a mesma prática de violência praticadas por bandos da classe média, nesta área no bairro do Flamengo em .

No dia 09 de janeiro de 2010 na Avenida Pasteur, quase em frente à IBM, motoqueiros despiram um rapaz negro e o amarraram nu, sob sol escaldante na calçada quente.
A apreensão do rapaz, a quem acusavam de ter tentado furtar uma moto, fora feita por um bombeiro do Salva-Mar. O bombeiro se retirou deixando a custódia do rapaz com os motoqueiros.
Existe uma semelhança e uma coincidência com os fatos de 2014 com a utilização dos mesmos métodos de tortura e humilhação.
A Rede Rádio Mamaterra observou nas trocas de conversa nos grupos sociais do facebook de moradores da mesma área em 2014, a participação de motoqueiros e bombeiros que lá moram.
Esta prática fez escola e tem lideranças. Cabe ao ministério público investigar à fundo esta quadrilha que parece operar há anos no Bairro.

Se o MP e a polícia, não estão ainda fazendo, devem fazê-lo, pois a linha de tempo destes facínoras está gravada. É só pesquisar.
A grande imprensa e a mídia em internet também pode fazê-lo. Estas pessoas criminosas estão tão certas de sua impunidade. Que deixaram o rabo à vista na internet.

9 de fevereiro de 2010 no Flamengo

9 de fevereiro de 2010 no Flamengo

A morte é uma curva no meio do caminho; Morrer é só não ser visto. Da linha de vida de José dos Santos Oliveira


por marcos romão

Comunico com pesar a morte do militante Jose Dos Santos Oliveira.

O enterro será no  Cemitério do Caju – CAPELA F . do dia 6 de fevereiro de 2014, às 13 horas.

Recebemos esta mensagem de vários amigos, Paulo Roberto(Diop) dos Santos, Tito, Ana Carolina, Jota Antunes e tantos mais.

José Santos Oliveira era uma unanimidade pois tinha amigos por todos os cantos.

Desescalação e diálogo eram seu motes de vida. Vai fazer falta esta voz da paz em nosso país.

Com fotos de seu perfil no Facebook, traçamos uma linha do tempo, em que o poema de Fernando Pessoa sobre a morte, José dos Santos Oliveira colocou em destaque antes de morrer.

A morte é uma curva no meio do caminho; Morrer é só não ser visto.

Prefeita de Traipu Maria da Conceição Tavares, manda parar Banda na festa Quilombola para o “Senhor dos Pobres”.


por Manuel Oliveira, Traipu, Alagoas, Brasil.
Presidente da Associação Clube Jovem Senhor dos Pobres de Traipu

Manuel Oliveira

Manuel Oliveira

Falta de vergonha na cara a Prefeita de Traipu Maria da Conceição Tavares, chamar a Guarda e a Policia Militar que deveria esta dando proteção ao cidadão para mandar parar uma Banda que estava animando as Festividades de Senhor dos Pobres, alegando politicagem no Quilombo Mumbaça.
É bom lembrar que não é a Primeira vez que esta Prefeita faz isto não contra o Quilombo Mumbaça, desrespeitando os artigos 15 e 16 da Constituição Federal, já que se trata de Cultura e, as festividades de Senhor dos Pobres que não tem nada haver com a política local.
Só que ela se esquece que Mumbaça além de ser Quilombo tem o Estatuto da Igualdade Racial que defende nossos Direitos, além da Convenção 169.
O sargento que comandava ao mandar parar a Banda, chegou inicialmente ainda grosseiro com o Líder da Instituição Local e Coordenador das Comunidades Negras e Coordenador da CONAQ NACIONAL em Alagoas, que alegava que teria comunicado das Festividades ao ministério Público e à Polícia Civil e Militar além do Juiz e, eles nem queriam ouvir.
Após um boa conversa mandaram ao mesmo buscar os documentos que comprovasse as informação e a lei que ampara a cultura Brasileira dos Quilombolas que é uma festa com tradição de Anos.
Além do vexame e a vergonha que o líder teve de enfrentar, eles ainda chegaram mandar ele se calar. É claro que alegava que o Terreno que é da Igreja era da Prefeitura e ai fica a pergunta o Terreno é da Igreja ou da Prefeitura como eles falaram?
É claro que o Terreno é da Igreja, mas o chefe da Guarda, senhor Humberto insistiu para que a polícia mandasse a Banda parar e aí após verem a documentação ele mandaram continuar.
Além do constrangimento com o líder quilombola e é claro o desrespeito a população e aos visitantes que vêm todo ano ao Quilombo Mumbaça, é claro que como sempre, que quem manda na Polícia nem é a Justiça é mas sim a Prefeita, porque se chama pra guarnição ninguém vem, mas para servir a politicagem sim.
Nesse país de Mãe preta e Pai João a injustiça continua e quem tem o direito termina usurpado, só que o Sargento vendo o constrangimento causado ao líder e sua comunidade, falou que uma reunião tem que ser feita para poder ver os Direitos dos Quilombolas melhores e vocês que agora veem essa matéria compartilhe e peçam para os Quilombos serem respeitados, pois a Eescravidão acabou e a prefeita de Traipu ainda acha que somos escravos.

Igreja de Traipu, Alagoas

Igreja de Traipu, Alagoas