#somostodosxuxa no dia Nacional da Consciência Negra e de Zumbi dos Palmares: a Globo e a consciência do poder branco:


foto ripada por José Ricardo de Almeida

foto ripada por José Ricardo de Almeida

por marcos romão– rede rádio mamaterramamapress

A Globo e seu sistema,  desde a sua instalação no Brasil, tem declaradamente, um projeto ideológico de análise da questão racial brasileira.

Seus mentores intelectuais interpretam o mundo, como aquele mundo de 1930, em que acreditava-se numa tal “mistura de sangue” como a solução para o racismo no Brasil e no mundo.

Em 1930 esta visão de que no “sangue” estaria o caráter e, com sua mistura formaria-se o “homem novo”, era até progressista e revolucionária de certa forma, em relação às idéias eugênicas européias  que predominavam na época, que afirmavam que a “mistura de sangue” degenerava o homem e vis a vis a humanidade.

As duas premissas estão erradas pois, sangue não tem “caráter” , nem ideologia e é todo da mesma cor, o vermelho. Pele sim tem cor e faz a diferença e, que diferenças trágicas para os povos não brancos.

Acontece que a Globo com suas novelas, programas infantis e jornais nacionais, é a maior difusora da ideologia, que afirma que a tal “mistura de sangue” acaba com racismo. O sistema Globo é o maior difusor desta ideologia do ” Racismo à Brasileira”,  mas não é seu produtor principal.

A produção desta visão e interpretação racista de uma tal de “mistura de sangue”, como solução para a violência e genocídio cordial do negro brasileiro, está instalada e enlatada nos ministérios de educação e cultura e nas universidades e escolas, dos anos 30 para cá sem exceção.

Todos os ministros da cultura e da educação, até os que se dizem negros, batem no peito diante dos microfones e, dizem que são o fruto deste tal de “sangue misturado” do negro, do índio e do branco. Este é um dos mais poderosos mecanismos, que o “poder branco” de produção do pensamento encontrou, para esconder debaixo do tapete e tornar palatável, o genocídio continuado do negro e do índio brasileiro.

Esta máquina colonial negadora do negro e do índio, está instalada no âmago dos ministérios de produção da “visão ideológica” do Brasil baseada no “Mito das 3 Raças” e, incluo neste rol,  os ministérios de progaganda, informação e comunicação, desde o DIP do Getúlio até a Secom de hoje em dia, uma das maiores financiadoras da máquina de produção de pesadêlos platinados para os povos negros e indígenas brasileiros.

A Globo como boa empresa produtora de sonhos, com o faro para descobrir onde está o dinheiro para os financiamentos de suas máquinas de ilusões, transformou-se assim de 1864** para cá,  com invenção de suas “xuxas”, “pica-paus amarelos” e outras produções esbranquiçadas, no grande departamento de propaganda, informação e formação de cabeças racistas e neoracistas, diluidoras e escamoteadoras do enfrentamento, mais que necessário e, combate ao racismo que destrói a mente de todos nós brasileiros.
Quando ouço cabecinhas inteligentes a dizer,  #somostodosmisturados, #temostodoscumpénacazinha e #somostodoshumanos, só tenho a dizer:

Lavaram legal as nosssas cabeças e #somostodosxuxa

Nota da Redação:

Este artigo-líbelo foi inspirado no atiçamento, das perguntas trazidas pelo meu amigo professor da Rede Pública do Rio de Janeiro Eduardo Papa

** Correção: A data é 1964, ano de instalação da ditadura militar. Acontece que eu estava incorporado entre outros pelo Luiz Gama, na hora em que baixou o artigo. Descobri a falha, graças a um dos Cambonos e Zeladores da Mamapress, Luiz Augusto Gollo.(MR)

“Não vamos ser mortos e mortas sem reagir”


Texto e fotos: Fabiana Guia, da redação do Correio Nagô

Imagens: Rosalvo Neto

III Marcha contra o Genocídio do Povo Negro mobiliza jovens de Salvador

A politica combativa de repúdio ao racismo e genocídio da população negra da campanha Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto, mobilizou a população para mostrar nas ruas a revolta pelos casos de brutalidade nas ações policiais, como a chacina do Cabula, a morte de Geovane Mascarenhas e de muitos outros negros de periferia, na tarde da última segunda-feira (24) e juntou o povo negro, jovens em sua maioria, que caminharam pelo centro da capital baiana, na III Marcha Internacional Contra o Genocídio do Povo Negro. Estavam presentes também vítimas da violência.

Veja o vídeo da marcha

Do Largo dos Aflitos à Praça da Piedade, cerca de cinco mil pessoas marcharam em um filão puxados pelos integrantes da “Campanha Reaja”, que formavam uma barreira uniforme, vestidos de luto, em memória aos negros violentamente assassinados pelas investidas policiais, não só em Salvador, como também, em outras partes do Brasil. Uma multidão que entoava protestos com as temáticas bases da Campanha, como o fim da militarização, o repúdio à PEC 171, que versa sobre a redução da maioridade penal de 18 anos para 16, durante todo o percurso.

Os gritos de ordem eram liderados pelo fundador da campanha, o advogado e ativista do Quilombo X, Hamilton Borges. De cima de um mini trio elétrico, ele entoava o comandos como: ‘Povo forte, marchem!’, ‘Chega de chacina, eu quero o fim da polícia assassina’, ‘ Não acabou, tem que acabar. Eu quero o fim da Policia Militar’. Hamilton disse não acreditar na igualdade que apenas homens brancos fazem. “Precisamos tomar as ruas com as pessoas que estão aqui. Irmãs, irmãos, parentes de vítimas desse modelo que tem aqui a sua máquina de moer gente preta. E sabemos disso depois do massacre do Cabula. O governo convocou alguns pretos para promover a dancinha da igualdade”, completou Borges, após a execução do hino da União Africana, que deu inicio ao percurso.

Ao final do percurso, em frente à sede da Secretaria de Segurança Pública, os organizadores da marcha continuaram o protesto contra a violência policial. “Nossa vida, as vidas negras não estão à venda. Estamos aqui por nossa conta. Não vamos ser mortos e mortas sem reagir”, garantiu a militante Andreia Beatriz, fazendo a chamada dos representantes da Campanha nas cidades do interior baiano, em outros estados do Brasil e, ainda, dos países como Colômbia, Áustria e Estados Unidos presentes no ato.

CONVENÇÃO PARA A PREVENÇÃO E A REPRESSÃO DO CRIME DE GENOCÍDIO (1948)*


Mateus Alves- jovem negro brasileiro assassinado

Mateus Alves- jovem negro brasileiro assassinado

As Partes Contratantes,

Considerando que a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, em sua Resolução 96 (I), de 11 de dezembro de 1946, declarou que o genocídio é um crime contra o Direito Internacional, contrário ao espírito e aos fins das Nações Unidas e que o mundo civilizado condena;

Reconhecendo que em todos os períodos da história o genocídio causou grandes perdas à humanidade;

Convencidas de que, para libertar a humanidade de flagelo tão odioso, a cooperação internacional é necessária;

Convêm no seguinte:

Art. I – As Partes Contratantes confirmam que o genocídio, quer cometido em tempo de paz, quer em tempo de guerra, é um crime contra o Direito Internacional, o qual elas se comprometem a prevenir e a punir.

 Art. II – Na presente Convenção, entende-se por genocídio qualquer dos seguintes atos, cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, tal como:

(a)assassinato de membros do grupo;

(b) dano grave à integridade física ou mental de membros do grupo;

(c) submissão intencional do grupo a condições de existência que lhe ocasionem a destruição física total ou parcial;

(d) medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo;

(e) transferência forçada de menores do grupo para outro grupo.

 Art. III – Serão punidos os seguintes atos:

(a) o genocídio;

(b) o conluio para cometer o genocídio;

(c) a incitação direta e pública a cometer o genocídio;

(d) a tentativa de genocídio;

(e) a cumplicidade no genocídio.

 Art. IV – As pessoas que tiverem cometido o genocídio ou qualquer dos outros atos enumerados do art. III serão punidas, sejam governantes, funcionários ou particulares.

 Art. V – As Partes Contratantes assumem o compromisso de tomar, de acordo com as respectivas Constituições, as medidas legislativas necessárias a assegurar a aplicação das disposições da presente Convenção e, sobretudo, a estabelecer sanções penais eficazes aplicáveis às pessoas culpadas de genocídio ou de qualquer dos outros atos enumerados no art. III.

 Art. VI – As pessoas acusadas de genocídio ou de qualquer dos outros atos enumerados no art. III serão julgadas pelos tribunais competentes do Estado em cujo território foi o ato cometido ou pela corte penal internacional competente com relação às Partes Contratantes que lhe tiverem reconhecido a jurisdição.

 Art. VII – O genocídio e os outros atos enumerados no art. III não serão considerados crimes políticos para efeitos de extradição.

As Partes Contratantes se comprometem, em tal caso, a conceder a extradição de acordo com sua legislação e com os tratados em vigor.

 Art. VIII – Qualquer Parte Contratante pode recorrer aos órgãos competentes das Nações Unidas, a fim de que estes tomem, de acordo com a Carta das Nações Unidas, as medidas que julguem necessárias para a prevenção e a repressão dos atos de genocídio ou de qualquer dos outros atos enumerados no art. III.

 Art. IX – As controvérsias entre as Partes Contratantes relativas à interpretação, aplicação ou execução da presente Convenção, bem como as referentes à responsabilidade de um Estado em matéria de genocídio ou de qualquer dos outros atos enumerados no art. III, serão submetidas à Corte Internacional de Justiça, a pedido de uma das Partes na controvérsia.

 Art. X – A presente Convenção, cujos textos em chinês, espanhol, francês, inglês e russo serão igualmente autênticos, terá a data de 9 de dezembro de 1948.

 Art. XI – A presente Convenção ficará aberta, até 31 de dezembro de 1949, à assinatura de todos os membros da Nações Unidas e de todo Estado não-membro ao qual a Assembléia Geral houver enviado um convite para esse fim.

A presente Convenção será ratificada e dos instrumentos de ratificação far-se-á depósito no Secretariado das Nações Unidas.

A partir de 1.º de janeiro de 1950, qualquer membro das Nações Unidas e qualquer Estado não-membro que houver recebido o convite acima mencionado poderá aderir à presente Convenção.

Os instrumentos de adesão serão depositados no Secretariado das Nações Unidas.

 Art. XII – Qualquer Parte Contratante poderá, a qualquer tempo, por notificação dirigida ao Secretário-Geral das Nações Unidas, estender a aplicação da presente Convenção a todos os territórios ou a qualquer dos territórios de cujas relações exteriores seja responsável.

 Art. XIII – Na data em que os vinte primeiros instrumentos de ratificação ou adesão tiverem sido depositados, o Secretário-Geral lavrará a ata e transmitirá cópia da mesma a todos os membros das Nações Unidas e aos Estados não-membros a que se refere o art. XI.

A presente Convenção entrará em vigor noventa dias após a data do depósito do vigésimo instrumento de ratificação ou adesão.

Qualquer ratificação ou adesão efetuada posteriormente à última data entrará em vigor noventa dias após o depósito do instrumento de ratificação ou adesão.

 Art. XIV – A presente Convenção vigorará por dez anos a partir da data de sua entrada em vigor.

Ficará, posteriormente, em vigor por um período de cinco anos e assim sucessivamente com relação às Partes Contratantes que não a tiverem denunciado pelo menos seis meses antes do termo do prazo.

A denúncia será feita por notificação escrita dirigida ao Secretário-Geral das Nações Unidas.

 Art. XV – Se, em conseqüência de denúncias, o número das Partes na presente Convenção se reduzir a menos de dezesseis, a Convenção cessará de vigorar a partir da data na qual a última dessas denúncias entrar em vigor.

 Art. XVI – A qualquer tempo, qualquer Parte Contratante poderá formular pedido de revisão da presente Convenção, por meio de notificação escrita dirigida ao Secretário-Geral.

A Assembléia Geral decidirá com relação às medidas que se devam tomar, se for o caso, com relação a esse pedido.

 

Art. XVII – O Secretário-Geral das Nações Unidas notificará todos os membros das Nações Unidas e os Estados não-membros mencionados no art. XI:

(a) das assinaturas, ratificações e adesões recebidas de acordo com o art. XI;

(b) das notificações recebidas de acordo com o art. XII;

(c) da data em que a presente Convenção entrar em vigor de acordo com o art. XIII;

(d) das denúncias recebidas de acordo com o art. XIV;

(e) da ab-rogação da Convenção de acordo com o art. XV;

(f) das notificações recebidas de acordo com o art. XVI.

 Art. XVIII – O original da presente Convenção será depositado nos arquivos da Organização das Nações Unidas.

Enviar-se-á cópia autenticada a todos os membros das Nações Unidas e aos Estados não-membros mencionados no art. XI.

 Art. XIX – A presente Convenção será registrada pelo Secretário-Geral das Nações Unidas na data de sua entrada em vigor.

 

 

 

Campanha alerta para mortes ‘invisíveis’ de jovens negros


Na faixa etária de 15 a 29 anos, 77% das vítimas são pretos ou pardosdados da tragédia do genocidio de negros jovens

por Fernanda Escossia fonte o globo

“Os dados ainda são escandalosos, mas o problema não entra na agenda política nacional. O objetivo da campanha é tirar esse tema do armário” Átila Roque Diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil

Um jovem negro sai de casa. Na rua, no baile, na quadra, no ônibus, encontra amigos invisíveis. As roupas, a pipa, os fones e a bola se movem sem que se veja quem está ali. Correria, gritaria, um tiro. O jovem cai. Assim o vídeo de lançamento da campanha “Jovem Negro Vivo”, da Anistia Internacional, que será lançada hoje no Aterro do Flamengo, alerta para um problema antigo, mas ainda invisível para a maioria da sociedade: os homicídios de jovens negros no Brasil.

Em todo o país, sete jovens são mortos a cada duas horas — o tempo de uma sessão de cinema. São 82 jovens mortos por dia, 30 mil por ano, todos com idades de 15 a 29 anos. E, entre os jovens assassinados, 77% são negros (somando aqui os pretos e pardos, pelos critérios do IBGE).

Os números são do Mapa da Violência, estudo realizado desde 1998 pelo sociólogo Julio Jacobo Weiselfisz com base em dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde. A versão 2014 do trabalho traz as últimas informações disponíveis, referentes ao ano de 2012, e foi realizada em conjunto com a Secretaria Nacional de Juventude da SecretariaGeral da Presidência da República e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

A campanha da Anistia usa os números do Mapa da Violência. Hoje, no Aterro, esculturas de arame lembrando jovens mortos, os tais invisíveis, e um desafio entre grupos de passinho, a dança frenética que virou mania entre adolescentes e crianças, vão tentar atrair a atenção da população para o problema.

— Os dados ainda são escandalosos, mas o problema não entra na agenda política nacional. O objetivo da campanha é tirar esse tema do armário. Hoje, tudo leva a crer que a sociedade não se importa com isso — afirma o sociólogo Átila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil e um dos coordenadores da campanha Jovem Negro Vivo.

Para quem vai ao Aterro passear ou perder calorias extras, o duelo de grupos de passinho pode parecer só diversão. Mas a alegria da dança é uma das apostas da campanha para chamar a atenção para a vida de jovens da periferia que, como os acrobatas do passinho, são mais pobres, estão mais longe da escola e mais perto de situações de risco.

De 2002 a 2012, os homicídios de jovens negros cresceram 32,4%; os de jovens brancos, 32,3%. Considerando a relação com a população, entre jovens negros a taxa de homicídios por cem mil habitantes cresceu 6,5%; entre jovens brancos caiu 28,6%.

No Rio, a taxa de homicídios no conjunto da população do estado caiu 50%, uma queda consistente, de 2002 a 2012. Com isso, as taxas de homicídios entre jovens também caíram 51,7%. E as mortes de jovens negros tiveram redução maior ainda, de 65,4%. Mas ainda foram 1.680 jovens negros assassinados em 2012 no estado. Nos últimos dois anos, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), os homicídios voltaram a cair em agosto e setembro, após 20 meses de altas seguidas.

— Mesmo assim, o Rio ainda precisa intensificar suas políticas. Muita criatividade está surgindo nesses territórios mais pobres, e queremos aproveitar isso, dar ênfase à juventude da periferia. São várias vidas interrompidas. É como se o jovem negro pobre estivesse destinado a morrer — diz o sociólogo Átila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil e um dos coordenadores da campanha Jovem Negro Vivo.

CASO DG NÃO FOI ESCLARECIDO

O lema da campanha é “Mais chocante que a realidade, só a indiferença. Você se importa?” Quem se importa com tantas mortes, pede a campanha, pode assinar um manifesto reivindicando políticas públicas mais efetivas no combate à violência e à mortalidade de jovens negros. Voluntários estarão no Aterro colhendo assinaturas.

Das mortes invisíveis de jovens negros no Rio, uma das que tiveram maior visibilidade foi a de Douglas Rafael da Silva Pereira, o DG, dançarino do programa “Esquenta!”, da TV Globo. Em abril deste ano, Douglas foi morto com um tiro nas costas durante um confronto entre PMs e traficantes no Morro Pavão-Pavãozinho, em Copacabana.

A autoria do crime até agora não foi esclarecida. Em julho, O GLOBO mostrou que o tiro que matou DG partiu de uma pistola calibre .40, arma de uso exclusivo das polícias e que supostamente foi disparada por um soldado da PM durante a troca de tiros.

O caso provocou protestos e apresentou à cidade a técnica de enfermagem Maria de Fátima da Silva, mãe do dançarino, que se transformou em mais um dos símbolos de mães que cobram justiça para as mortes de seus filhos. Ela organizou passeatas cobrando providências e alimenta o site do filho. Virou personagem do documentário “Mater dolorosa”, de Tamur Aimara e Daniel Caetano, sobre os protestos que se seguiram à morte de DG.

EU NÃO VOU ROUBÁ-LO


Bem arrumado e elegante, cheiroso e todo style, desço do metrô, e pego a escada rolante que da acesso a praça Cinelândia. Alguns degraus acima, vai uma moça de tés clara, perfil de estudante universitária. Ao olhar pra trás e me ver, ela logo sentiu-se desconfortável, e segurou a bolsa.Fiz de conta que não percebi. Assim que a escada aproximou-se do seu objetivo final e, mal o degrau recolheu-se – ; a menina se antecipou e acelerou o passo. Foi-se a direita, na mesma direção da calçada do consulado; aonde eu estava indo buscar o visto. Ao me ver novamente, ela entrou em pânico -, e começou a correr desesperada pela calçada e pediu socorro a um homem que vinha do lado contrário.O homenzarrão a abraçou prontamente, no intuito de protege-la. Fechou a cara e veio ao meu encontro. Como na verdade ele viu que eu estava arrumado, pensou duas vezes. Foi o tempo de eu gritar, – que eu não ia roubá-lo, e não precisava rouba-la. Atônitos, passaram correndo os dois por mim. E logo foram socorridos por outros transeuntes.

Quanto a mim, só coube desabafar com um senhor que varria a frente de um comércio. E o medo que dali criassem uma turba e viessem os “justiceiros”. Talvez seja o momento de eu estampar uma camiseta para dar segurança as pessoas de bem com o slogan, ” EU NÃO VOU ROUBÁ-LO “.

Para Frei David com a saída do Ministro Barbosa, os protestos, as revoltas irão crescer mais. Os políticos e os magistrados precisam refundar o Brasil.


por Frei davida

Joaquim-BarbosaA Família EDUCAFRO agradece ao Ministro Joaquim Barbosa pelos excelentes serviços prestados à nação.

 

Ser autoridade do Judiciário e ter postura isenta custa caro a qualquer cidadão corajoso e o nosso irmão NEGRO, Joaquim Barbosa, não quis continuar pagando este alto preço, prejudicando sua vida e sua saúde.

 

Ele foi ao limite de doação pela ética na Política e na Justiça! Cabe a nós sociedade dar continuidade!

 

Com a saída do Ministro, os protestos, as revoltas irão crescer mais ainda, especialmente se os políticos e os Magistrados não refundarem urgentemente o BRASIL. Temos que sair de uma nação afundada em corrupção e favores. O povo brasileiro acreditou muito em mudanças e não merece ser decepcionado. Queremos urgente reforma politica e na justiça!

 

Joaquim foi uma das poucas autoridades que o povo sentia nos seus olhos o desejo de mudança sincera, sem estar preocupado em agradar à direita ou à esquerda.

Barbosa revelou que sempre votou no PT para a Presidência. A perseguição que o PT fez às Instituições, combatendo e dando outras interpretações às corajosas posições dele, enfraqueceu as Instituições, especialmente o STF.

Um país só será forte quando suas Instituições são respeitadas e por isto, fortes.

NESSA PÁSCOA NÃO TEREMOS MAIS CACAU!


por adriana martins

Houve um tempo em que apesar das adversidades sociais podíamos comemorar a páscoa com todos  os seus ingredientes: almoço em família e ovos de páscoa para as crianças. Contudo  a páscoa deste ano será amarga como fel. Não teremos mais CACAU para adoçar a vida de seus familiares.

Claudia-da-Silva-FerreiraAliás assim como ela, não teremos Amarildo, Rolezinho e tant@s outros negr@s que por qualquer desculpa esfarrapada principalmente como alto de resistência, foram exterminad@ s pela polícia racista brasileira. Mas CACAU sempre trabalhou e como a maioria das mulheres negras, além de criar seus filhos ainda  cuidava de vários sobrinhos com seu digno salário. Exercia a função de serviços gerais e era estimada pelos colegas de trabalho. Era uma mulher moradora de comunidade, negra, pobre, e que tinha muita dignidade. Ela só não sabia que no dia dezesseis de março, seria mais uma vítima do racismo brasileiro  que vem ganhando novas roupagens  com velhos objetivos conhecidos.

O objetivo do extermínio.   É mais fácil exterminar do que  criar uma política eficaz ao combate do tráfico de drogas.

Uma vez que, nas comunidades não há laboratórios para processamentos de entorpecentes e muito menos áreas para cultivos, o lucro é incalculável e o exército que tomba  são de jovens na maioria negros e agora também  mulheres negras.

A maioria dos jovens são cooptados pela  “vida “ oferecida pelo submundo do tráfico, é uma vida  em que o próprio  Estado de consumo capitalista  diz o tempo todo  o que nossos jovens negros precisam consumir para serem o “cara”.

Convenhamos,  o salário mínimo vigente no país não sustenta  o consumo massificado  pela mídia.  Isso quando  se tem o emprego.

Não há uma política de emprego para a juventude em geral, e, principalmente a  negra no Brasil. É mais fácil exterminar-la, porque não há espaço  para essa juventude dentro do  novo formato  capitalista global  corporativo  que vem tornando-se  a cada dia mais agressivo.

Não é possível a inclusão e muito menos  relativizar desigualdades dentro  de um país, que foi construído economicamente  sobre   pilares da escravidão.

É necessário criar uma política de reparação, verdadeiramente eficaz  dentro estado brasileiro para com os descendentes de escravizados no Brasil.

Claudia-da-Silva-Ferreira2CACAU, era uma mulher negra e de fibra que foi brutalmente assassinada  e arrastada pelas ruas do Rio de Janeiro, como  nos tempos da idade média. Essa  nossa irmã  só não  foi associada ao tráfico  ou sua morte registrada como auto de resistência, por conta  da ação de um cinegrafista amador que, registrou  tudo. Mesmo assim, após dois dias  de detenção os assassinos foram colocados em liberdade.

O tratamento que foi dado a essa afrodescendente, deixou-me   paralisada diante da TV,  tentando negar meus sentidos de aquilo não estava acontecendo.

Assim como eu,  tenho a certeza que a indignação foi de conjunto. Éramos poucos, mas fomos às ruas,  mostrar a família e ao Estado Brasileiro, que essa atrocidade  não nos  calará e não fará que a luta pelo fim do racismo  seja freada pelas cooptações governamentais.

Chega de EXTERMÍNIO DO POVO NEGRO!

Chega da falsa “redução de política de desigualdade”.

Chega de marketing político. Receber a família, e enviar nota  de pesares, não resolve o problemas, e muito menos, evitará novos extermínios do nosso povo negro. Não resolve de fato a estrutura racista existente em nosso país e jogado há centenas de anos  para de baixo  do tapete com discursos  do mito da democracia racial.

Quem matou e arrastou Cacau? Você  de imediato responderia os PMS  do 9º Batalhão-Irajá-RJ. Mas eles só são os executores. Quem matou Cacau, foi a inexistência de uma  política e falta de coragem  do governo brasileiro de meter o dedo na ferida estrutural do racismo.

Claudia Silva FerreiraCacau não dará chocolate aos seus filhos nessa páscoa , mas nos deixa uma lição antiga e infelizmente muito atual, defendida pelo Movimento Negro Unificado:

REAJA OU SERÁ MORT@. Está na hora de fazer barulho, repensar para que estão servindo os equipamentos governamentais  para políticas de “inclusão” e redução das “desigualdades”,  temos de  repensar  uma atuação coletiva com a qual  possamos de fato reagir. Não podemos mais permitir nosso extermínio como baratas.  E muito menos permitir que falsas políticas executivas, sirvam apenas para sustentar o Brasil racista.  A minha,  a nossa solidariedade  a família de Claudia Silva Ferreira. A Cacau do Morro da Congonhas-RJ.

 

Adriana Martins

Ativista feminista anti-racista

Articulação de Mulheres Brasileiras

Yaô- Asé Bangbosé