Oficial de justiça abre as portas da senzala com restrições, diz líder quilombola. Quilombo do Sacopã permanece na condicional.


Luis Sacopa ao centro recebe representantes do Cedine-Paulo Santos e da SUPIR-Marcelo Dias

Somente ontem, sexta-feira às 17:00 horas, foram abertos os portões de entrada do Quilombo do Sacopã na ladeira com o mesmo nome, em frente à Lagoa Rodrigo de Freitas em Ipanema.
O oficial de justiça chegou com o alvará de liberação , cinco dias depois da juiza ter emitido o documento.
“Abriram as portas da Senzala”, afirmou Luis Sacopã ao telefone, indignado com as restrições, que o oficial de justiça lhe transmitiu: fazer uma lista de todos os carros de propriedade dos moradores do Quilombo, horário de entrada em saída, e a proibição de estacionarem carros no local.

Segundo Luis, o que mais lhe revoltou foi o oficial de justiça ter lhe recomendado ficar quieto e não manifestar-se publicamente. Além do mais, que ele esperasse até segunda-feira para usar a área, quando a comunidade terá um encontro com a juiza, para serem informados das normas que teem que obedecer.
Segunda-feira 13:30, Luis Sacopã está convocado, como representante da comunidade a comparecer à 8. Vara de Justiça, para ser ouvido pela primeira vez pela Juíza Dra Maria da Glória, e poder expor seus argumentos.
Luis Sacopã nos informou que os prejuízos causados à comunidade do Sacopã já foram enormes. Ele pessoalmente, nos conta, teve que tirar sua filha da escolinha de arte, por não como pagar esta semana.

” Nesta semana vendemos apenas dois pratos de comida em nosso restaurante. O Bráulio que é deficiente físico, faltou 2 vezes a fisioterapia, e arrisca perder a matrícula, e vocês sabem o quanto é dificil ter uma vaga”, falou Luis para nossa reportagem , mais triste do que revoltado.
A Mamapress contatou por telefone o Superintende de Igualdade e Promoção Racial do RJ, o advogado Marcelo Dias, que esteve na última quarta-feira em visita de solidariedade ao Quilombo do Sacopã, acompanhado dopresidente do Cedine, Paulo dos Santos e ele nos informou que estará na segunda feira no tibunal, junto com Paulo dos Santos e o Deputado Edson Santos.

Falando de Tambor, Mamapress vai “está là”!


Com Carlos Negreiros o Ministro do Tambor.

sexta, 8 de julho · 19:00 – 22:00

Espaço Musical Laranjeiras; End. Travessa Euricles de Matos 36 – Laranjeiras – RJ

Valor: agasalho para doação.
Vagas limitadas!

Inscrições: espacomusicallaranjeiras@mail.com

“Carlos Augusto de Negreiros Ferreira é um percussionista, compositor e cantor brasileiro. Sua musicalidade têm influência cultural afro-brasileira e indígena.

Estudioso dos ritmos afro-brasileiros, ministrou aulas de percussão no Centro Cultural da UERJ, onde criou e dirigiu a Orquestra de Tambores e de Formação em Percussão e em Música para Diretores de Harmonia das principais escolas de samba do Rio de Janeiro, ligadas a Sodheserj. Recentemente participou como professor de percussão popular da 22ª edição do Encontro Internacional da Escola de Música de Brasília. Como percussionista, integrou a Orquestra Afro-Brasileira do maestro Abgail Moura, primeira orquestra a colocar sistematicamente a percussão como elemento solo em peças musicais.”

texto extraído da wikipédia

13 de maio:Bombeiros e Animadores Culturais esperam o cumprimento da Lei de Libertação


Passeata em Copacabana


13 de Maio no Rio Janeiro, dia que eu conhecia como criança como o dia da Redentora. Meu pequeno irmão Paulinho, trocando letras, chamava de dia da Rebentora.
Logo depois da Abolição inventaram a Lei da Vadiagem, negro se promoveu de escravo à “chave-de-cadeia”.
Dois dias depois desta filmagem por acaso, quando eu vinha de Niterói, foi todo mundo em cana. Parece que nada mudou desde 1888
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2 minutos plis–Altonale Ende– Mamaterra


Altonale é uma festa de rua que acontece todos os anos no bairro alternativo de Hamburgo, chamado Altona.
Até tres anos atrás, acontecia nos final da festa, sempre um domingo, um desfile tipo carnaval, no qual se apresentavam as culturas e os povos que aqui vivem.
Isto acabou, a Altonale ficou comportada, não tem mais desfile, e o comécio impera, é mais barato comer num restaurante.
Mas os artistas insistem. No finalzinho, eu já ia prá casa, quando me apareceu uma figura do outro mundo, dois metros de altura, um hábito de monge beneditino, sandálias franciscanas, guizos de Angola nos tornozelos, longos cabelos louros e uma máscara de um porco simpático. Tocava gaita de fole. As crianças o seguiam. Apareceu um pouco de sol. A multiculturalidade ainda está viva em meu bairro.

15 anos Batida do Samba em Hamburgo “Série Memórias da Mamaterra”


Tobias Alegria Lecker Lecker

Mestre Tobia foi o difusor da expressão “lecker, lecker” na Alemanha. “Lecker”, que significa saborosa em alemão, quando lhe perguntei porque sempre falava duas vezes “lecker”, Tobias me respondeu que a palavra parecia com “legal, legal “, depois de esclarecido sobre o verdadeiro siginificado da palavra, ficou mais contente ainda, pois sabia que a sua caipirinha era mesmo muito legal e saborosa!

Se ele fosse chinês, ganhava um prêmio na Praça da Paz, se fosse francês uma um chapéu na Torre Eiffel, alemão se fosse, uma viagem ao Brasil prá assistir ao carnaval.
Aconteceu que Tobias nasceu brasileiro. Ministérios das Culturas e Itamaratys gostavam de outras bossas mais ipanemenhas e, o topete do Tobias não tinha trejeitos de surfista sensação.
Ficou a ver navios com seus projetos de um homem do povo com visão futurista. Veio pretizar com seu sorriso verde amarelo a Alemanha.
Hoje em dia Pitú é marca de limão na Teutônia, e não se dança com o ventre na Turquia, sem antes se tomar uma caipirinha, pois nem os ecologistas, reclamam deste nosso alcool não etanol, que se espalha pelo mundo.
Tobias faleceu numa barraca da Feira Nordestina do Rio de Janeiro,sem bandas de músicas nem carros de bombeiros.
Mais um herói migrante que emigra no anomimato para outro mundo. O Brasil não gosta do Brasil! A Alegria gosta do Brasil. Êta cachaça colonial!
Marcos Romão

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a propósito: lecker pronuncia-se léca.

O Radical Carinhoso e sua Raiva Santa.


O Radical Carinhoso e sua Raiva Santa.marcos romão

Tres baleiros de rua me cercavam curiosos, com seus parcos panos cobrindo suas pele pretas de seus corpos mirrados. Circulavam em meio àquela pequena multidão de mulheres e homens negros na Cinelândia. Os olhos vivos da menina e dos dois meninos não me pediam trocados. Eram apenas olhares de crianças curiosas ao verem ao mesmo tempo, tantas pretas e pretos juntos e com roupas tão bonitas
A Kombi da funerária chegou em frente das escadarias da Câmara de Vereadores do muncípio do Rio de Janeiro. Trazia o corpo matéria de Abdias Nascimento.
Velhos ativistas do movimento negro brasileiro, escolhidos por antiguidade, preparavam-se para levarem o caixão escada acima em revezamento, para ser velado no saguão da casa dos representantes do povo, da cidade que Abdias ainda jovem, escolhera para ser o palco de seu combate contra o racismo no Brasil.
Não haviam multidões de negros como no paço da princesa Isabel nem na república dos donos de escravos. Não estavam presentes nem as fanfarras oficiais nem guardas de segurança, como seria de praxe para um senador da República. Lá estavam apenas aquele monte de negros e negras paramentadas e os tres Erês curiosos.
É um morto, vão enterrar ali dentro? Me perguntaram. Quem é o morto? Repetiram. Era um homem que defendia os negros, repondi olhando para nossas peles mal cobertas pelos farrapos.
Meu paletó, minha calças, minhas cuecas, minhas meias, camisa e sapatos, não escondiam a minha nudez naquela praça. Éramos todos Pretos Novos, recém-chegados da África, guardando aquele corpo guerreiro, na praça mais famosa de nossa república.
Podemos ficar aqui, podemos ir lá dentro? Me perguntaram. Meu olhar aquiescente não foi necessário, ninguém precisava autorizá-los, eles sabiam que eram convidados de honra do mestre Abdias. Seus olhares tinham aquela certeza de crianças de rua de nosso Brasil, a certeza de que são donos do pouco tempo que teem nesta vida.
Chegaram autoridades, deputados, vereadores, artistas, jornalistas, até o ex-presidente Lula acompanhado pelo governador do estado. Chegaram judeus, muçulmanos e cristãos, todos para reverenciarem aquele homem defensor da religião dos Orişas, que foi o homem de 2 séculos para a maioria do povo brasileiro. Maioria que ganhou algumas liberdades, mas não sabem a quem agradecer, confundidos pelos reis, rainhas príncipes e princesas de plantão, que lhes distribuem pão-dormido.
Foram momentos contritos naquele saguão solene, a menina e os dois meninos estavam paramentados com as roupas de nossa dignidade e suas caixinhas de drops.
A paz do rosto do companheiro Abdias Nascimento, refletia a certeza que em nossa terra estava plantada a raiva santa. Os Erês o protegiam em sua caminhada para o Orum. Sua voz seguirá em uma criança negra que escape ao silvo da bala de aço do racismo à brasileira.

Lula comparece ao velório de Abdias Nascimento


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