Brasileiros em Hamburgo protestam contra escola de samba que excluiria brasileiros


Recebemos este email de participantes da escola de Samba Unidos de Hamburgo e colocamos no ar;

A rádio mamaterra acompanha há 11 anos as atividades musicais da cidade de Hamburgo. Percebemos que a participação do “SOM” brasileiro é cada vez maior. Notamos também que a participação de brasileiros é cada vez mais diminuta. Quais as são as causas? Vamos seguir este debate que no Facebook já está rolando.

A seguir o manifesto do pessoal:

Conscientização e protesto pacífico hoje no Planten un blomen. Virem as costas pro palco no show da Unidos de Hamburgo.

Conscientização
Esses três primeiros shows valem realmente serem vistos

* MARACATU NATION STERN DER ELBE
* TRIO CAFÉ BRASIL & FREUDEN
* MIRIAM DA SILVA ( TANZ)

Sobre a assim chamada EdS Unidos de Hamburgo eu tenho a dizer, que esse é um grupo que existe desde 2004 e que sistematicamente vem excluindo os seus integrantes brasileiros.
Sendo que hoje já não há mais nenhum sócio brasileiro no grupo.

Caso vocês vejam algum de nossos compatriotas no show tocando ou cantando pra eles podem estar seguros que sao hóspedes de outras cidades e que esses nao estao a par do que acontece dentro do grupo.

Nós, brasileiros no grupo (tirando as baianas essas eram quase 40) éramos em torno de 30 (músicos e passistas).

Eu fui o último a sair, pois tentei de tudo pra intermediar por ser o mais integrado na sociedade pelos conhecimentos de idioma e cultura.

Mas quando finalmente percebi que as intenções da direção só era de nos tolerar, até que o conhecimento tivesse sido absorvido em áreas diferentes (dança, instrumentos, canto, etc…) resolvi sair.

Como protesto deveríamos no 4° Encontro do Planten un Blomen, virar as costas pro palco como protesto por essa política de exclusão.

Obrigado pela atenção.

Saudacoes,

Amiru Sabiá

Assistam a MamaterraTV

Colheita de feijão preto em Hamburgo no Quilombo Multicultural


O Quilombo Brasil de Hamburgo é mais do que a sede da Rádio Mamaterra. Nosso Quilombo no miolo de Hamburgo, direto no mercado de peixes na Beira do Rio Elba, é um ponto cultural de experimentos e cruzamentos de culturas.

Vivemos de projetos e economia solidária, onde o princípio é o da receita da sopa de pedra, quem chega põe o que tem e a panela dá de sobra prá todo mundo.

Ortrun Gutke, nossa supervisora de realizações, é também uma camponesa na alma, dessas de tirar leite das pedras com sua mãos mágicas. Já é o terceiro ano que podemos colher o feijãozinho preto germanicodescedente, em nosso pequeno jardim no meio da calçada.

A Europa precisa de gente assim.

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JARDIM PÚBLCO EM FRENTE AO QUILOMBO BRASIL DE HAMBURGO, OCUPADO PELAS FORÇAS DO BEM.

Coragem é coisa de mulher!


No 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, realizado em Santo Domingo (República Dominicana) em 25 de julho de 1992, definiu-se que este dia seria o marco internacional da luta e resistência da mulher negra. E assim o é.
Aproveitamos para perguntar a você, quantas mulheres negras tem ao seu lado no seu local de trabalho?

Sem dinheiro não há Quilombo. Viva a cultura do Sacopã!


M. Romão e seu filho Jorge Samora na festa de lançamento da Rádio Mamaterra no Quilombo do Sacopã um dia depois do 13 de maio de 2011.

Amigas e amigos do Rio e do mundo.

Posso parecer chato, quando temos tantos casos, de discriminações em bancos e supermercados, brigas por cotas e bate-bocas no big-brother além de crises com artistas na globo.

Afinal são temas que a mídia dá certa atenção, pois descobrem aos poucos que também tem negro classe média com poder de compra, nem que seja no borrachudo.

No Quilombo do Sacopã está acontecendo um caso paradigmático para os negros no Brasil, que vivem na beira da bolsa-familia e em busca da  sobrevivência mínima.  Eles estão ameaçados.

Uma sentença de 94, resultado de um processo de 89, que não permitia aos então, às familias dos “posseiros há 122 anos” dos 23 alqueires no meio do paraíso dos cariocas abastados, venderem ou comercializarem qualquer coisa em suas moradas.

Esta duvidosa sentença de 94, que proibia qualquer uso çomercial do local, foi utilizada para justificar um novo ato judicial que põe em dúvidas a isenção e respeito à isonomia da justiça para com todos cidadãos, ao ser ordenado sumariamente, sem ouvir as partes, o lacramento do portal de entrada para as residências de 7 famílias quilombolas (32 pessoas ao todo).  O que caracteriza cárcere privado para as pessoas que não podem se locomover sem o auxílio de um carro.
Isto aconteceu, depois que ainda no governo de Benedita da Silva, eles foram reconhecidos como Quilombolas, lhes dando proteção estadual e pelo INCRA na área federal.
Sei que muitos poderão dizer que os cidadãos e cidadãs nascidos e criados e que vivem no Quilombo do Sacopã, destoam com suas festas e cultos, da harmonia local. Sei também que muitos poderão dizer que lá não se produz cultura e sim “comércio”.
Quantos condomínios no Rio de Janeiro não alugam vagas para terceiros em seus estacionamentos e seus salões de festas para pessoas de fora? Alguém já ouviu falar da “justiça” fechar um condomínio por estes motivos? E as lojinhas, bares, farmácias e boates debaixo dos prédios?
Dois pesos e duas medidas é o que acontece.
E o que é cultural para um quilombola?
A primeira coisa que um quilombola precisa fazer para manter sua cultura é se manter vivo, alimentar-se para sobreviver.
A ordem judicial da juíza da 8a Vara Civil do Rio de Janeiro, foi o primeiro passo para o estrangulamento da comunidade do Sacopã.
Muitos também poderão dizer que faltam projetos culturais no Quilombo do Sacopã. Mas o que foi feito pelos governos federal, estadual e municipal para melhora do local onde os quilombolas vivem e fazem seus negócios, entre os quais a  produção de cultura?
No dia 24 de junho de 2011, em Caraíva-BA, um líder quilombola foi morto por policiais em sua própria casa diante da família e depois teve o corpo levado até uma boca-de-fumo em um outro município, onde após uma suposta troca de tiros entre a polícia e um cadáver, foi levado para um hospital para constatarem a morte.
Qual foi o suposto crime dele? Era carvoeiro e a empresa plantadora de eucaliptos, suspeitava que ele roubava madeira nas terras que foram tomadas de sua comunidade ancestral.
Muito vão dizer que eles não produziam cultura, não eram quilombolas. Não mereciam a solidariedade do movimento negro.
Em muitos quilombos do Brasil, a única ajuda que recebem é a cruz dos missionários e uma merreca em alimentos. Param de dançar jongo e realizarem outras manifestações não cristãs e falecem de suas culturas. Mais uma vez está justificada a inação do movimento negro, da sociedade, do estado brasileiro.

Os novos “antronegropólogos” que adoram estátuas e culturas empalhadas, podem descansar. Quilombola vivo, nem pensar. Eles suam e não são profissionais em lidar com o poder branco. São objetos em extinção mesmo…

Mas feito os quilombolas não escrevo aqui para chororô. Há muito o que fazer. O Rio tem o privilégio de ter negros no governo municipal e estadual, além de contarem com o apoio do governo federal.
Está na hora de fazer uma ação (projeto não) de resgate econômico desta comunidade. Os quilombolas do Sacopã tem orgulho suficiente para olharem de igual para igual seus vizinhos abastados, mas sem dinheiro no bolso, um dia a casa cai.
Mas não só nossos negros e negras nos governos tem que fazer alguma coisa. Todos nós que queremos os quilombolas vivos, temos que transformar nossa solidariedade em ação. O que fazer? Perguntem, conversem com eles, eles sabem as soluções para os seus problemas, só falta incentivo financeiro que lhes garantam a sustentabilidade.

Marcos Romão

Oficial de justiça abre as portas da senzala com restrições, diz líder quilombola. Quilombo do Sacopã permanece na condicional.


Luis Sacopa ao centro recebe representantes do Cedine-Paulo Santos e da SUPIR-Marcelo Dias

Somente ontem, sexta-feira às 17:00 horas, foram abertos os portões de entrada do Quilombo do Sacopã na ladeira com o mesmo nome, em frente à Lagoa Rodrigo de Freitas em Ipanema.
O oficial de justiça chegou com o alvará de liberação , cinco dias depois da juiza ter emitido o documento.
“Abriram as portas da Senzala”, afirmou Luis Sacopã ao telefone, indignado com as restrições, que o oficial de justiça lhe transmitiu: fazer uma lista de todos os carros de propriedade dos moradores do Quilombo, horário de entrada em saída, e a proibição de estacionarem carros no local.

Segundo Luis, o que mais lhe revoltou foi o oficial de justiça ter lhe recomendado ficar quieto e não manifestar-se publicamente. Além do mais, que ele esperasse até segunda-feira para usar a área, quando a comunidade terá um encontro com a juiza, para serem informados das normas que teem que obedecer.
Segunda-feira 13:30, Luis Sacopã está convocado, como representante da comunidade a comparecer à 8. Vara de Justiça, para ser ouvido pela primeira vez pela Juíza Dra Maria da Glória, e poder expor seus argumentos.
Luis Sacopã nos informou que os prejuízos causados à comunidade do Sacopã já foram enormes. Ele pessoalmente, nos conta, teve que tirar sua filha da escolinha de arte, por não como pagar esta semana.

” Nesta semana vendemos apenas dois pratos de comida em nosso restaurante. O Bráulio que é deficiente físico, faltou 2 vezes a fisioterapia, e arrisca perder a matrícula, e vocês sabem o quanto é dificil ter uma vaga”, falou Luis para nossa reportagem , mais triste do que revoltado.
A Mamapress contatou por telefone o Superintende de Igualdade e Promoção Racial do RJ, o advogado Marcelo Dias, que esteve na última quarta-feira em visita de solidariedade ao Quilombo do Sacopã, acompanhado dopresidente do Cedine, Paulo dos Santos e ele nos informou que estará na segunda feira no tibunal, junto com Paulo dos Santos e o Deputado Edson Santos.

Falando de Tambor, Mamapress vai “está là”!


Com Carlos Negreiros o Ministro do Tambor.

sexta, 8 de julho · 19:00 – 22:00

Espaço Musical Laranjeiras; End. Travessa Euricles de Matos 36 – Laranjeiras – RJ

Valor: agasalho para doação.
Vagas limitadas!

Inscrições: espacomusicallaranjeiras@mail.com

“Carlos Augusto de Negreiros Ferreira é um percussionista, compositor e cantor brasileiro. Sua musicalidade têm influência cultural afro-brasileira e indígena.

Estudioso dos ritmos afro-brasileiros, ministrou aulas de percussão no Centro Cultural da UERJ, onde criou e dirigiu a Orquestra de Tambores e de Formação em Percussão e em Música para Diretores de Harmonia das principais escolas de samba do Rio de Janeiro, ligadas a Sodheserj. Recentemente participou como professor de percussão popular da 22ª edição do Encontro Internacional da Escola de Música de Brasília. Como percussionista, integrou a Orquestra Afro-Brasileira do maestro Abgail Moura, primeira orquestra a colocar sistematicamente a percussão como elemento solo em peças musicais.”

texto extraído da wikipédia

13 de maio:Bombeiros e Animadores Culturais esperam o cumprimento da Lei de Libertação


Passeata em Copacabana


13 de Maio no Rio Janeiro, dia que eu conhecia como criança como o dia da Redentora. Meu pequeno irmão Paulinho, trocando letras, chamava de dia da Rebentora.
Logo depois da Abolição inventaram a Lei da Vadiagem, negro se promoveu de escravo à “chave-de-cadeia”.
Dois dias depois desta filmagem por acaso, quando eu vinha de Niterói, foi todo mundo em cana. Parece que nada mudou desde 1888
.

2 minutos plis–Altonale Ende– Mamaterra


Altonale é uma festa de rua que acontece todos os anos no bairro alternativo de Hamburgo, chamado Altona.
Até tres anos atrás, acontecia nos final da festa, sempre um domingo, um desfile tipo carnaval, no qual se apresentavam as culturas e os povos que aqui vivem.
Isto acabou, a Altonale ficou comportada, não tem mais desfile, e o comécio impera, é mais barato comer num restaurante.
Mas os artistas insistem. No finalzinho, eu já ia prá casa, quando me apareceu uma figura do outro mundo, dois metros de altura, um hábito de monge beneditino, sandálias franciscanas, guizos de Angola nos tornozelos, longos cabelos louros e uma máscara de um porco simpático. Tocava gaita de fole. As crianças o seguiam. Apareceu um pouco de sol. A multiculturalidade ainda está viva em meu bairro.

15 anos Batida do Samba em Hamburgo “Série Memórias da Mamaterra”


Tobias Alegria Lecker Lecker

Mestre Tobia foi o difusor da expressão “lecker, lecker” na Alemanha. “Lecker”, que significa saborosa em alemão, quando lhe perguntei porque sempre falava duas vezes “lecker”, Tobias me respondeu que a palavra parecia com “legal, legal “, depois de esclarecido sobre o verdadeiro siginificado da palavra, ficou mais contente ainda, pois sabia que a sua caipirinha era mesmo muito legal e saborosa!

Se ele fosse chinês, ganhava um prêmio na Praça da Paz, se fosse francês uma um chapéu na Torre Eiffel, alemão se fosse, uma viagem ao Brasil prá assistir ao carnaval.
Aconteceu que Tobias nasceu brasileiro. Ministérios das Culturas e Itamaratys gostavam de outras bossas mais ipanemenhas e, o topete do Tobias não tinha trejeitos de surfista sensação.
Ficou a ver navios com seus projetos de um homem do povo com visão futurista. Veio pretizar com seu sorriso verde amarelo a Alemanha.
Hoje em dia Pitú é marca de limão na Teutônia, e não se dança com o ventre na Turquia, sem antes se tomar uma caipirinha, pois nem os ecologistas, reclamam deste nosso alcool não etanol, que se espalha pelo mundo.
Tobias faleceu numa barraca da Feira Nordestina do Rio de Janeiro,sem bandas de músicas nem carros de bombeiros.
Mais um herói migrante que emigra no anomimato para outro mundo. O Brasil não gosta do Brasil! A Alegria gosta do Brasil. Êta cachaça colonial!
Marcos Romão

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a propósito: lecker pronuncia-se léca.

O Radical Carinhoso e sua Raiva Santa.


O Radical Carinhoso e sua Raiva Santa.marcos romão

Tres baleiros de rua me cercavam curiosos, com seus parcos panos cobrindo suas pele pretas de seus corpos mirrados. Circulavam em meio àquela pequena multidão de mulheres e homens negros na Cinelândia. Os olhos vivos da menina e dos dois meninos não me pediam trocados. Eram apenas olhares de crianças curiosas ao verem ao mesmo tempo, tantas pretas e pretos juntos e com roupas tão bonitas
A Kombi da funerária chegou em frente das escadarias da Câmara de Vereadores do muncípio do Rio de Janeiro. Trazia o corpo matéria de Abdias Nascimento.
Velhos ativistas do movimento negro brasileiro, escolhidos por antiguidade, preparavam-se para levarem o caixão escada acima em revezamento, para ser velado no saguão da casa dos representantes do povo, da cidade que Abdias ainda jovem, escolhera para ser o palco de seu combate contra o racismo no Brasil.
Não haviam multidões de negros como no paço da princesa Isabel nem na república dos donos de escravos. Não estavam presentes nem as fanfarras oficiais nem guardas de segurança, como seria de praxe para um senador da República. Lá estavam apenas aquele monte de negros e negras paramentadas e os tres Erês curiosos.
É um morto, vão enterrar ali dentro? Me perguntaram. Quem é o morto? Repetiram. Era um homem que defendia os negros, repondi olhando para nossas peles mal cobertas pelos farrapos.
Meu paletó, minha calças, minhas cuecas, minhas meias, camisa e sapatos, não escondiam a minha nudez naquela praça. Éramos todos Pretos Novos, recém-chegados da África, guardando aquele corpo guerreiro, na praça mais famosa de nossa república.
Podemos ficar aqui, podemos ir lá dentro? Me perguntaram. Meu olhar aquiescente não foi necessário, ninguém precisava autorizá-los, eles sabiam que eram convidados de honra do mestre Abdias. Seus olhares tinham aquela certeza de crianças de rua de nosso Brasil, a certeza de que são donos do pouco tempo que teem nesta vida.
Chegaram autoridades, deputados, vereadores, artistas, jornalistas, até o ex-presidente Lula acompanhado pelo governador do estado. Chegaram judeus, muçulmanos e cristãos, todos para reverenciarem aquele homem defensor da religião dos Orişas, que foi o homem de 2 séculos para a maioria do povo brasileiro. Maioria que ganhou algumas liberdades, mas não sabem a quem agradecer, confundidos pelos reis, rainhas príncipes e princesas de plantão, que lhes distribuem pão-dormido.
Foram momentos contritos naquele saguão solene, a menina e os dois meninos estavam paramentados com as roupas de nossa dignidade e suas caixinhas de drops.
A paz do rosto do companheiro Abdias Nascimento, refletia a certeza que em nossa terra estava plantada a raiva santa. Os Erês o protegiam em sua caminhada para o Orum. Sua voz seguirá em uma criança negra que escape ao silvo da bala de aço do racismo à brasileira.