sein oder nichtsein, ser ou não ser. May Amyin.


sein oder nichtsein   (em português)

in deutschland groβgeworden habe ich gelernt, daβ

afrikaner

stärker transpirieren, das arbeiten

nicht so gewohnt sind

auf einer anderen entwicklungsstufe stehen.

manche sagen auch:

die stinke, sind faul, primitiv

in deutschland grossgeworden habe ich gelernt daβ

rückständigkeit schon von auβen

und von weitem

erkennbar ist:

an der hautfarbe, dem kopftuch, der beschneidung,

dem islam, dem analphabetismus, dem nomadentum,

May Ayim *1960-1996

dem körperbau, der gangart,

den sprachlauten

und daβ man/frau

was tun muβ! retten muβ!

bewundern muβ!

In deutschland groβgeworden habe ich gelernt, daβ

meine name

“neger(in)” heiβt

und die menschen

zwar gleiche sind, aber verschieden sind

und ich in gewissen punkten etwas überempfindlich bin

in deutschland groβgeworden habe ich gelernt,

zu bedauern

schwarz zu sein, “mischling” zu sein,

deutsch zu sein,

nicht afrikanisch zu sein,

afrikanisch eltern zum haben,

exotin zu sein, frau zu sein.

in deutschland groβgeworden, bin ich unterwegs

weg vom: hautfarbesein,

nacionaliätesein

religionsein, parteinsein

groβsein, kleinsein, intelligentsein,

dummsein

sein oder nicht sein

auf den weg zu mir

auf den weg zu dir.

may amyim

Em português(tradução m.romão)

ser ou não ser

crescida na alemanha aprendi, que

africano

transpira forte, que trabalhar

não está tão acostumado

está em outro grau de desenvolvimento.

alguns também dizem:

eles fedem, são preguiçosos, primitivos

crescida na alemanha aprendi, que

desenvolvimento retadardado já de fora

e de longe

pode se reconhecer:

na cor da pele, no véu na cabeça, no clitóris cortado,

no islã, no analfabetismo, no nomadismo,

na estrutura do corpo, no jeito de andar, no falar alto

e que gente/e mulher

precisa fazer algo! precisa salvar!

precisa admirar!

crescida na alemanha aprendi, que

meu nome

chama-se “negro(a)”

e os seres humanos na ver dade são iguais, mas são diferentes

e que eu, num certo ponto, sou hipersensível

crescida na alemanha eu aprendi,

a lamentar,

ser preta, ser “mestiça”, ser alemã,

não ser africana, ter pais alemães,

ser exótica, ser mulher.

crescida na alemanha, estou a caminho

de ficar longe de: ser cor da pele,

ser nacionalidade, ser religião, ser partido

ser grande, ser pequena, ser inteligente, ser burra

ser ou não ser

a caminho de mim

a caminho de você.

may ayin

may amyin, nacht gesang, canto da noite, editora Orlanda Frauenverlag ISBN 3929823-39-X,1997,Deutschland

Choque de culturas? Alemão responde no pé, no VI Dia da Cultura Brasileira no “Planten un Blomen” de Hamburgo


Aconteceu mais um Dia da Cultura Brasileira  em Hamburgo, destas vez com algumas polêmicas nas relações entre os sambistas brasileiros e alemães. Afinal de contas até no Rio de Janeiro, se fala na gíria dos preconceitos,  a frase , ” tem alemão nos samba”,  quando pinta algum imblóglio.

Mas na festa organizada com as tripas e coração há 6 anos, sem nem um pingo de ajuda do governo brasileiro, por Cecíla Simão e Miriam da Silva,  o que rolou foi confraternização e o samba com sotaque não atravessou.

Na frase de Thorstens Hinz, podemos resumir o quiproquó cultural que acabou em samba da seguinte maneira: “ou alemão aprende a pensar na bagunça, ou brasileiro consegue se organizar no samba”.

Nosso repórter de todos os assunto que esteve lá presente só tem a dizer, que depois de 10 anos com brasleiros e alemães saindo nas ruas, entre mortos e feridos se salvaram todos. Pois a organização das “meninas”, que fez lotar  debaixo de chuva, a concha acústica do “Planten un Blomen”, botou no chinelo a máquina burocrática alemã: “As  meninas senhoras”, Cecília simão e Miriam da Silva, ensinaram como é que se pode ter harmonia no caos da alegria de viver.

Asé, saravá, shalom, al-agbhar, amém vamos conversar pra cada vez mais ficar mais tudo bem!

mr.

Rio de Janeiro recebe 500 Quilombolas de todo o Brasil para o VI Encontro Nacional


Rio de Janeiro-conaq-mamapress

Organizado pela  Coordenação Nacional de Articulações das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) começou hoje  o 4º Encontro Nacional das Comunidades Quilombolas, no Palácio Pedro Ernesto da Cãmara Municipal do Rio de Janeiro.

Chegaram mais de 500 pessoas  quilombolas de todos os estados do Brasil para o encontro que acontecerá a partir de amanhã cidade do Rio de Janeiro, prosseguindo até o dia 7 de agosto, reunindo comunidades de todo o Brasil e fortalecendo a luta pelo direito à terra, ao desenvolvimento sustentável, à igualdade e dignidade.

PROGRAMAÇÃO

Dia 03 de agosto de 2011 – quarta feira
·12h00min – Chegada das delegações
·13h00min – Credenciamento
·18h00min – Solenidade de abertura do IV Encontro Nacional
·19h30min – Coquetel com Café da Roça
·21h00min – Noite Cultural com Roda de Jongo
Dia 04 de agosto de 2011 – quinta feira
  • 08h00min – Leitura e aprovação do regimento interno do IV ENCONTRO NACIONAL.
  • 09h45min – Intervalo
  • 10h00min – Analise de Conjuntura: O ESTADO BRASILEIRO E O TRATAMENTO DAS QUESTÕES ETNO RACIAIS. Expositor: Carlos Lopes – Sub Secretário geral das Nações Unidas.
Mediador: Ivo Fonseca da Silva – Coordenador Executivo da CONAQ
  • 11h30min – Debate
  • 13h00min – Almoço
  • 14h30min – POLÍTICAS PÚBLICAS PARA AS COMUNIDADES QUILOMBOLAS. Convidados: Ministério da Saúde, Fundação Cultural Palmares, INCRA, SEPPIR e Prof. Dr. José Jairo Vieira – Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ. Mediador: Ronaldo dos Santos – Coordenador Executivo da CONAQ).
  • 16h00min – Intervalo
  • 16h15min – Debate
  • 18h00min – Encerramento
  • 19h00min – Jantar
Dia 05 de agosto de 2011 – sexta-feira
  • 08h00min – MOVIMENTOS SOCIAIS: ORGANICIDADE DA CONAQ
Prof. Dr. Alfredo Wagner (Universidade Federal da Amazônia) Coordenador do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia
  • 09h30min – Intervalo
  • 09h45min – Grupo de Trabalho: Organicidade da CONAQ
  • 09h45min – Grupo Trabalho: Rede de apoio ao Movimento Quilombola
  • 13h00min – Almoço
  • 14h30min – Grupo de Trabalho: Organicidade da CONAQ
  • 14h00min – Grupo Trabalho: Rede de apoio ao Movimento Quilombola
  • 16h30min – Intervalo
  • 16h45min – Apresentação do Grupo de Trabalho Rede de apoio ao Movimento Quilombola
  • 19h00min – Jantar
Dia 06 de agosto de 2011 – sábado
  • 08h00min – Apresentação do Grupo de Trabalho Organicidade da CONAQ
  • 10h00min – Intervalo
  • 10h15min – Apresentação do Grupo de Trabalho Organicidade da CONAQ
  • 12h30min – Almoço
  • 14h00min – Debate
  • 16h00min – Intervalo
  • 16h15min – Encaminhamentos
  • 20h00min – Noite de encerramento do IV Encontro Nacional e
Pré – lançamento da Campanha em Defesa dos Direitos Quilombolas
REALIZAÇÃO:
CONAQ
ONG ESPADS
APOIO:
ACQUILERJ
SINDICATO DOS METALÚRGICOS DO ABC
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS METALURGICOS
GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ
GOVERNO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
CAMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO
INSTITUTO TERRAGUÁ
CEPPIR – COORDENADORIA ESPECIAL DA PROMOMOÇÃO DE POLÍTICAS DA IGUALDADE RACIAL /RJ
PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO
GOVERNO DO RIO DE JANEIRO
PATROCÍNIO:
PETROBRAS
FUNDAÇÃO CULTURAL PALMARES
INCRA
MINISTÉRIO DA SAÚDE
SECRETARIA ESPECIAL DA PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL
MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO
GOVERNO FEDERAL: PAÍS RICO É PAÍS SEM POBREZA

Brasileiros em Hamburgo protestam contra escola de samba que excluiria brasileiros


Recebemos este email de participantes da escola de Samba Unidos de Hamburgo e colocamos no ar;

A rádio mamaterra acompanha há 11 anos as atividades musicais da cidade de Hamburgo. Percebemos que a participação do “SOM” brasileiro é cada vez maior. Notamos também que a participação de brasileiros é cada vez mais diminuta. Quais as são as causas? Vamos seguir este debate que no Facebook já está rolando.

A seguir o manifesto do pessoal:

Conscientização e protesto pacífico hoje no Planten un blomen. Virem as costas pro palco no show da Unidos de Hamburgo.

Conscientização
Esses três primeiros shows valem realmente serem vistos

* MARACATU NATION STERN DER ELBE
* TRIO CAFÉ BRASIL & FREUDEN
* MIRIAM DA SILVA ( TANZ)

Sobre a assim chamada EdS Unidos de Hamburgo eu tenho a dizer, que esse é um grupo que existe desde 2004 e que sistematicamente vem excluindo os seus integrantes brasileiros.
Sendo que hoje já não há mais nenhum sócio brasileiro no grupo.

Caso vocês vejam algum de nossos compatriotas no show tocando ou cantando pra eles podem estar seguros que sao hóspedes de outras cidades e que esses nao estao a par do que acontece dentro do grupo.

Nós, brasileiros no grupo (tirando as baianas essas eram quase 40) éramos em torno de 30 (músicos e passistas).

Eu fui o último a sair, pois tentei de tudo pra intermediar por ser o mais integrado na sociedade pelos conhecimentos de idioma e cultura.

Mas quando finalmente percebi que as intenções da direção só era de nos tolerar, até que o conhecimento tivesse sido absorvido em áreas diferentes (dança, instrumentos, canto, etc…) resolvi sair.

Como protesto deveríamos no 4° Encontro do Planten un Blomen, virar as costas pro palco como protesto por essa política de exclusão.

Obrigado pela atenção.

Saudacoes,

Amiru Sabiá

Assistam a MamaterraTV

Colheita de feijão preto em Hamburgo no Quilombo Multicultural


O Quilombo Brasil de Hamburgo é mais do que a sede da Rádio Mamaterra. Nosso Quilombo no miolo de Hamburgo, direto no mercado de peixes na Beira do Rio Elba, é um ponto cultural de experimentos e cruzamentos de culturas.

Vivemos de projetos e economia solidária, onde o princípio é o da receita da sopa de pedra, quem chega põe o que tem e a panela dá de sobra prá todo mundo.

Ortrun Gutke, nossa supervisora de realizações, é também uma camponesa na alma, dessas de tirar leite das pedras com sua mãos mágicas. Já é o terceiro ano que podemos colher o feijãozinho preto germanicodescedente, em nosso pequeno jardim no meio da calçada.

A Europa precisa de gente assim.

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JARDIM PÚBLCO EM FRENTE AO QUILOMBO BRASIL DE HAMBURGO, OCUPADO PELAS FORÇAS DO BEM.

Coragem é coisa de mulher!


No 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, realizado em Santo Domingo (República Dominicana) em 25 de julho de 1992, definiu-se que este dia seria o marco internacional da luta e resistência da mulher negra. E assim o é.
Aproveitamos para perguntar a você, quantas mulheres negras tem ao seu lado no seu local de trabalho?

Sem dinheiro não há Quilombo. Viva a cultura do Sacopã!


M. Romão e seu filho Jorge Samora na festa de lançamento da Rádio Mamaterra no Quilombo do Sacopã um dia depois do 13 de maio de 2011.

Amigas e amigos do Rio e do mundo.

Posso parecer chato, quando temos tantos casos, de discriminações em bancos e supermercados, brigas por cotas e bate-bocas no big-brother além de crises com artistas na globo.

Afinal são temas que a mídia dá certa atenção, pois descobrem aos poucos que também tem negro classe média com poder de compra, nem que seja no borrachudo.

No Quilombo do Sacopã está acontecendo um caso paradigmático para os negros no Brasil, que vivem na beira da bolsa-familia e em busca da  sobrevivência mínima.  Eles estão ameaçados.

Uma sentença de 94, resultado de um processo de 89, que não permitia aos então, às familias dos “posseiros há 122 anos” dos 23 alqueires no meio do paraíso dos cariocas abastados, venderem ou comercializarem qualquer coisa em suas moradas.

Esta duvidosa sentença de 94, que proibia qualquer uso çomercial do local, foi utilizada para justificar um novo ato judicial que põe em dúvidas a isenção e respeito à isonomia da justiça para com todos cidadãos, ao ser ordenado sumariamente, sem ouvir as partes, o lacramento do portal de entrada para as residências de 7 famílias quilombolas (32 pessoas ao todo).  O que caracteriza cárcere privado para as pessoas que não podem se locomover sem o auxílio de um carro.
Isto aconteceu, depois que ainda no governo de Benedita da Silva, eles foram reconhecidos como Quilombolas, lhes dando proteção estadual e pelo INCRA na área federal.
Sei que muitos poderão dizer que os cidadãos e cidadãs nascidos e criados e que vivem no Quilombo do Sacopã, destoam com suas festas e cultos, da harmonia local. Sei também que muitos poderão dizer que lá não se produz cultura e sim “comércio”.
Quantos condomínios no Rio de Janeiro não alugam vagas para terceiros em seus estacionamentos e seus salões de festas para pessoas de fora? Alguém já ouviu falar da “justiça” fechar um condomínio por estes motivos? E as lojinhas, bares, farmácias e boates debaixo dos prédios?
Dois pesos e duas medidas é o que acontece.
E o que é cultural para um quilombola?
A primeira coisa que um quilombola precisa fazer para manter sua cultura é se manter vivo, alimentar-se para sobreviver.
A ordem judicial da juíza da 8a Vara Civil do Rio de Janeiro, foi o primeiro passo para o estrangulamento da comunidade do Sacopã.
Muitos também poderão dizer que faltam projetos culturais no Quilombo do Sacopã. Mas o que foi feito pelos governos federal, estadual e municipal para melhora do local onde os quilombolas vivem e fazem seus negócios, entre os quais a  produção de cultura?
No dia 24 de junho de 2011, em Caraíva-BA, um líder quilombola foi morto por policiais em sua própria casa diante da família e depois teve o corpo levado até uma boca-de-fumo em um outro município, onde após uma suposta troca de tiros entre a polícia e um cadáver, foi levado para um hospital para constatarem a morte.
Qual foi o suposto crime dele? Era carvoeiro e a empresa plantadora de eucaliptos, suspeitava que ele roubava madeira nas terras que foram tomadas de sua comunidade ancestral.
Muito vão dizer que eles não produziam cultura, não eram quilombolas. Não mereciam a solidariedade do movimento negro.
Em muitos quilombos do Brasil, a única ajuda que recebem é a cruz dos missionários e uma merreca em alimentos. Param de dançar jongo e realizarem outras manifestações não cristãs e falecem de suas culturas. Mais uma vez está justificada a inação do movimento negro, da sociedade, do estado brasileiro.

Os novos “antronegropólogos” que adoram estátuas e culturas empalhadas, podem descansar. Quilombola vivo, nem pensar. Eles suam e não são profissionais em lidar com o poder branco. São objetos em extinção mesmo…

Mas feito os quilombolas não escrevo aqui para chororô. Há muito o que fazer. O Rio tem o privilégio de ter negros no governo municipal e estadual, além de contarem com o apoio do governo federal.
Está na hora de fazer uma ação (projeto não) de resgate econômico desta comunidade. Os quilombolas do Sacopã tem orgulho suficiente para olharem de igual para igual seus vizinhos abastados, mas sem dinheiro no bolso, um dia a casa cai.
Mas não só nossos negros e negras nos governos tem que fazer alguma coisa. Todos nós que queremos os quilombolas vivos, temos que transformar nossa solidariedade em ação. O que fazer? Perguntem, conversem com eles, eles sabem as soluções para os seus problemas, só falta incentivo financeiro que lhes garantam a sustentabilidade.

Marcos Romão