É PROIBIDO FALAR DE RACISMO NO CEARÁ. DECRETA O JORNAL O POVO DE FORTALEZA EM EDITORIAL: É UM DURO GOLPE CONTRA O TURISMO NO ESTADO, ALEGAM.


Pedra Furada

Pedra Furada

EDITORIAL
Nós  Mamapress e do Sos Racismo Brasil, temos alertado sobre a crescente onda editorial dos grandes jornais,  que tenta esconder o racismo institucional brasileiro, sobretudo contra mulheres e jovens negras e negros. A violência cotidiana contra as mulheres negras, e os mais de 700 negros jovens assassinados por mês em todo o Brasil, só merecem pé de página nas seções policiais dos jornais.
O editorial deselegante e cínico do Jornal o povo, afirma que, só por “Mirian é negra”, despertou-se um o clamor público. Quando pelo contrário foi a forma como a delegada procedeu e procede no tratamento da farmacêutica Mirian França, a chamando de “mentirosa” todo o tempo, que provocou a indignação da sociedade.

Ora a insistência do movimento negro e da sociedade brasileira para que Mirian responda em liberdade, as acusações que porventura existirem, é justamente pelo fato dela sendo negra, jovem e mulher, nem a delegada, nem o juiz, levaram em conta seus antecedentes e a jogaram em uma prisão comum, sem acesso a advogadas ou contato familiar, até que suas amigas do Rio se dispusessem  para irem  à Fortaleza e gritarem por socorro, procurando a defensoria pública.
Fato é que, se até agora não houve nenhuma mobilização nacional e internacional, para socorrer juridicamente uma turista branca brasileira ou estrangeira, é porque nunca ninguém que conheçamos tomou conhecimento de que esta arbitrariedade tenha sido cometido contra algumas delas, que todos anos vão aos milhares ao Ceará e não são jogadas nas prisões, só porque uma delegada acha.
Fato é que Mirian França é uma turista negra e não uma turista branca.

Valdicéia com as mãos no rosto ao ouvir do vereador João Alfredo do Ceará. que sua filha estava bem

Valdicéia com as mãos no rosto ao ouvir do vereador João Alfredo do Ceará. que sua filha estava bem

Não é só sua mãe que pensa, o que ela em um desabafo para a imprensa expressou: “Minha filha foi presa e acusada porque é negra”. Toda a sociedade está de orelha em pé com as entrevistas pouco profissionais, e eivadas de opiniões pessoais e evasivas, dadas pela delegada Patrícia Bezerra. Se não há racismo, o que é que se esconde então?
As suspeitas de um racismo corporativo para defender a indústria do turismo no Ceará apenas aumentam, quando lemos um editorial sibilino, que deseja jogar o racismo para debaixo do tapete, em um momento em que toda a sociedade quer a verdade e justiça para Mirian França e justiça para a memória de Gaia Molinari.
O movimento negro e a sociedade civil estão preocupados e condolentes com o destino trágico de duas jovens mulheres, uma negra e uma branca. Direitos humanos e direitos civis são para todas.
Este trágico episódio precisa ser esclarecido dentro do estado de direito.
Recebemos do Professor Alex Ratts o editorial com um curto comentário:

Editorial hipócrita e cínico do Jornal o Povo de Fortaleza em 07/01/2015.
“Mirian é negra. Este fato foi o suficiente para mobilizar um movimento pela libertação da carioca sob o seguinte argumento: a prisão teria se dado somente em função da cor da pele. Por esse raciocínio, se Miriam fosse branca nem o pedido de prisão e nem a decisão judicial que o acatou se efetivariam. Dessa forma, tanto a delegada quanto o juiz que acatou o pedido de prisão temporária seriam racistas.”

Leia o Editorial completo

Uruguaio detido no caso Gaia, concede entrevista exclusiva a jornalista do Ceará


por Victor Hannover

VEJA O VÍDEO DA ENTREVISTAentrevista urugauio

Veja agora a entrevista exclusiva do Uruguaio Rodrigo Sanz, que foi preso ao lado da noiva, por ter trocado mensagens com Gaia Molinari, em Jericoacoara. Ele nos contou detalhes do que viveu e da investigação policial, em uma entrevista exclusiva ao blog victorhannover1.blogspot.com.br direto do Uruguay, via Skype.

Tradução- (A entrevista foi concedida em espanhol) O Uruguaio Rodrigo Sanz nos concedeu uma entrevista exclusiva. Ele disse que a polícia do Ceará suspeita que Miriam França, que está presa e Gaia Molinari, morta em Jericoacoara, eram amantes. Rodrigo disse também que foi preso com a noiva, porque no celular de Gaia havia duas mensagens enviadas pela noiva de Rodrigo. Ele diz que em alguns momentos a polícia chegou a desconfiar de um triângulo amoroso envolvendo Gaia, Miriam a a noiva dele, Rodrigo. Ele diz que cedeu saliva e unhas para que fosse feito um exame de DNA e falou também que foi interrogado pela polícia em uma sala separada de onde a noiva dele prestou depoimento. Rodrigo disse que se encontrou com Gaia na praia, mas que não sabe o que aconteceu para que a turista fosse assassinada. Ele disse que viu as acusações dando conta que Miriam foi presa porque é preta, mas ressaltou que é branco e também foi preso. Passou treze horas nas mãos dos policiais, mas colaborou com os investigadores e foi liberado ao lado da noiva, por falta de provas na participação deles no crime. Rodrigo diz que soube do crime através dos policiais.

Pedido de revogação da prisão da farmacêutica Mirian França, deve ser avaliado até às 18 horas


Miriam França grupo de apoioRedação O POVO Online com informações do repórter Thiago Paiva

A Defensoria Pública do Ceará entrou compedido de revogação de prisão para a farmacêutica carioca Mirian França de Melo, 31, suspeita de participar do homicídio da italiana Gaia Molinari, 29. Uma comissão de cinco defensores informou em coletiva realizada na manhã desta terça-feira, 6, que a revogação deve ser avaliada até às 18 horas, no plantão do município de Cariré.

Andreia Coelho, defensora-geral, informou que a comissão deu entrada no pedido de revogação na última segunda-feira, 5, em Jijoca de Jericoacoara, local do crime. Nesta terça-feira, 6, o pedido deve ser avaliado no município de Cariré, que atende em regime de plantão. “Não há indícios para Mirian permanecer presa, pois contradição não é confissão”, explicou.

A carioca assinou um documento se comprometendo a permanecer no Estado até o fim das investigações, conforme a Defensoria do Ceará. “Ela não é obrigada a ter memória fotográfica, as contradições foram mínimas, não fica caracterizada como executora”, detalhou o defensor Emerson Castelo, que integra a comissão junto com Andreia, Gina Moura e Bruno Neves.

Na última segunda-feira, 6, a delegada responsável pelo caso, Patrícia Bezerra, reafirmou a posição de Mirian como suspeita por motivos já revelados anteriormente, como versões contraditórias sobre o dia do crime, em diferentes depoimentos. Ela disse que os defensores se posicionaram sem conhecer o inquérito.

Dentre os laudos cadavéricos solicitados pela Polícia, apenas o exame que aponta a causa da morte e o Teste de PSA (Antígeno Prostático Específico) ficaram prontos. Esse último aponta, ainda que preliminarmente, que Gaia não teria sido vítima de crime sexual, já que não foram encontrados sinais de violência sexual na vítima. “Preliminarmente, podemos dizer que não houve violência sexual por parte de um homem. Mas precisamos do laudo de DNA para comprovar isso em definitivo”, disse a delegada.

Caso Mirian e Gaia: Quem segue as pistas ocultas?


Por Xaiymaca Fernandes

Valdicèia França

Valdicèia França

A despeito do caso Míriam França, a quem não conheço pessoalmente, e de quem conheci a progenitora senhora Valdicéia França, uma senhorinha (o diminutivo devido ao fato de sua compleição física diminuta), de 63 anos, aposentada e de uma simplicidade ímpar, olhar tranquilo embora irrequieto devido a ressonância obtida pelo atabalhoado ‘trabalho’ da polícia cearense que com essa ação desastrada e desconexa com os princípios legais básicos conseguiu mobilizar movimentos sociais de todo o Brasil, além de operadores do Direito voltados a defesa dos Direitos Humanos.
De meu contato com a senhora Valdicéia (entre as 15 e 19 horas no escritório do Drº Humberto Adami), pude abstrair aquela senhora não criaria uma pessoa de instintos tão maléficos e cruéis, como quer fazer crer a policia do Ceará. Embora morado em Austím e Míriam em Bonsucesso atualmente haveremos de convir que os princípios e valores já haviam sido absorvido quando da infância e juventude.
Raquel, 27 anos, amiga que divide o apartamento em Bonsucesso e também o mesmo laboratório na UFRJ, aduz que ‘é uma pessoa normal como todos em nossa idade, alegre, descontraída e solícita aos amigos e conhecidos’, tendo inclusive nosso apartamento o ‘rótulo’ de albergue, dada a grande afluência/permanência de amigos.

Valdicéia com as mãos no rosto ao ouvir do vereador João Alofredo do Ceará. que sua filha estava bem

Valdicéia com as mãos no rosto ao ouvir do vereador João Alofredo do Ceará. que sua filha estava bem

A amiga inclusive assevera que na noite do fatídico em conversa via mensagem de voz com Míriam ouviu o seguinte da agora acusada após relato dos fatos ’vou procurar uma igreja, um templo para fazer uma oração por ela(Gaia)’.
Sobre as pontas soltas:
Muitas são as pontas soltas nesse caso de profundo ranço racista: 1 – o suspeito homem branco, prestou depoimento e foi dispensado. 2 – muitos são os casos de estupro ocorridos naquelas paragens, de nacionais e estrangeiras, sem esclarecimento ou apresentação de suspeitos. 3 – dona Valdicéia iria viajar com a filha, de última hora desistiu, o que ocasionou a disponibilização da vaga de hospedagem por Míriam na ‘REDE’, do que Gaia se valeu para aproveitar a oportunidade. 4 – Míriam estava a + – 300 km do local do fato, visto que Gaia resolvera fazer trilha á noite, idéia que não agradava a Míriam.

Meu pensamento:
A necessidade em garantir a afluência e lucratividade da indústria turística local, fez com que a policia cearense buscasse um bode expiatório, nada melhor para eles que uma ‘neguinha’, franzina e solitária, hospedada em mesmo local da vítima, seria tranquilo criar uma historinha fantasiosa sustentada por um órgão de Estado ‘insuspeito’(embora ineficaz), ligando as duas, quiçá uma disputa amorosa ou algo que os devaneios policiais pudessem criar.
Uma mulher negra, jovem, 31 anos, com um futuro brilhante por usufruir, estudiosa e ao que tudo indica alegre, ciente de seu potencial intelectual e profissional, porque correria o risco de por tudo isso a perder ? A troco de que?
Não é tão segredo assim a presença das mãos, pés, cérebro, e agora ao que tudo indica ação de facções da máfia italiana em solo brasileiro, em especial no Ceará. Essa moça a Gaia ao que diz-se era herdeira de certa riqueza na Itália, resta saber se houveram outro$$ motivos que induziram a polícia do Ceará a bu$car esse caminho sinuoso, ao meu ver as mãos do assassinato encontram-se em terras CALABRESAS.

by X@y
Xaiymaca Fernande é Consultor para Políticas de Relações Raciais e administrador da empresa Zumbi’düdü Consultoria em Politicas Raciais e Produções Artísticas&Culturais

Advogado vai pedir habeas corpus para farmacêutica presa por morte de italiana


reblogado de Ceará News7

Anderson Pires
jornalismo@cearanews7.com.br

Gaia Molinari, morta em Jericoacoara.

No início da próxima semana, o advogado Humberto Adami vai entrar com um pedido de habeas corpus para a farmacêutica Mirian França de Mello, de 31 anos, apontada pela Polícia Civil do Ceará como suspeita pela morte da italiana Gaia Molinari, em Jericoacoara, no fim de dezembro. Segundo o responsável pela defesa da carioca, a prisão dela é inconstitucional.

— A Mirian não está indiciada, não precisa estar presa para responder por isso. Ela tem emprego fixo, faz doutorado na UFRJ, tem endereço fixo. Não há motivo para deixá-la presa. Não houve flagrante. Vamos submeter isso ao poder judiciário — explicou Adami.

Mirian está detida na Polinter de Fortaleza desde o último dia 29 de dezembro. Segundo a delegada responsável pela investigação do caso, Patrícia Bezerra, a farmacêutica entrou em contradição ao prestar depoimentos. No entanto, até o momento, a polícia não detalhou quais as contradições que levaram ao pedido de prisão. Para o advogado, isso não é motivo para prender temporariamente a carioca.

— As pessoas ficam nervosas diante de autoridades policiais. É algo difícil para quem não está acostumado com o ambiente de uma delegacia. Às vezes a pessoa pode mesmo se contradizer, mas isso não justifica a prisão. Pelo que eu soube, a Mirian está contribuindo muito com as investigações — argumenta o advogado.

Adami explica que ainda não teve acesso aos documentos do processo, mas que está em contato com uma pessoa em Fortaleza para acompanhar o caso de perto.

Mirian e Gaia não eram amigas
Neste sábado, Mirian recebeu a visita de um defensor público na Polinter. Segundo a mãe de Mirian, Valdicéia França, desde que a prisão foi efetuada, ela não consegue contato com a filha. A aposentada de 63 anos conta que se enganou ao dizer ao EXTRA que a filha conhecia Gaia desde o Rio de Janeiro. Agora, Valdicéia esclarece que a filha não conhecia a italiana antes de viajar e que as duas só se conheceram no Ceará. Nas redes sociais, não há nenhum indício de amizade entre as duas. A mãe de Mirian explica que a filha fez uma ligação para falar que uma “colega” havia morrido e que, nervosa ao saber da notícia da prisão, ela pode ter expressado a palavra amiga.

— A Mirian ligou chorando e disse: “Mãezinha, mataram a colega”. A minha filha tem 31 anos e não mora comigo já há bastante tempo, eu não sei de todos os amigos dela. No momento de desespero, ao saber da prisão, posso ter falado errado — diz a mãe.

Desde que Mirian foi presa, a reportagem do EXTRA procura a delegada Patrícia Bezerra para esclarecer as contradições que levaram à prisão da carioca, mas não é atendida. A polícia informou apenas, em entrevista coletiva na tarde de segunda-feira, que ela havia dado informações desconexas sobre locais e horários. Desde então, nenhuma informação a mais foi passada pela Polícia Civil sobre o caso.

Patrícia Bezerra disse que a polícia trabalha com duas hipóteses para o crime, mas só revelou um deles: motivação passional. De acordo com a delegada, não é possível divulgar a outra hipótese para não atrapalhar as investigações. A polícia informou ainda que havia outro suspeito de envolvimento no crime, que não foi revelado.

De acordo com amigos e parentes de Mirian, a delegada teria dito que a prisão da farmacêutica se deu por conta de contradições entre os depoimentos que a jovem deu à polícia e as declarações da mãe dela. No entanto, Mirian foi detida antes de qualquer publicação de entrevistas com a mãe dela. O EXTRA questionou a Polícia Civil do Ceará sobre o fato, mas até o momento de publicação desta reportagem não obteve resposta oficial.

O EXTRA procurou ainda o Tribunal de Justiça do Ceará para ter detalhes sobre o mandado de prisão expedido contra Mirian, pela 1ª Vara do Interior do TJ-CE, mas também não teve resposta.

Gaia foi encontrada morta no dia 26 de dezembro, com sinais de estrangulamento pelo corpo. Um exame de necrópsia confirmou que a jovem de 29 anos foi morta por asfixia. O corpo da italiana já foi levado de volta para o seu país de origem.

Nas redes, amigos e parentes falam em racismo
A prisão de Mirian foi classificada por amigos e parentes da farmacêutica como um ato racista da Polícia Civil do Ceará. A família reclama que não consegue informações sobre a jovem e que não tem autorização da polícia para entrar em contato com ela por telefone. De acordo com parentes, a mãe de Mirian não teria condições financeiras de ir até Fortaleza ver a filha. Além disso, a polícia não permite visitas a pessoas detidas na Polinter.

Revoltados com o que classificam como uma “prisão duvidosa e preconceituosa”, amigos de Mirian criaram na internet o movimento “Liberdade para Mirian França”. Com uma página que já conta com mais de 1,8 mil curtidas no Facebook, os amigos descrevem que a “policia prendeu Mirian Franca temporariamente sem nenhum indício claro do envolvimento de Mirian com o crime. Alegando supostas contradições que não são reveladas sob pretexto de segredo de justiça”. Segundo o grupo, a jovem “está presa por ser negra e pobre. E isto a coloca em uma posição vulnerável ao abuso de poder. Pois a dificuldade de resposta legal permanece”. Valdicéia, a mãe de Mirian, comentou que, na opinião dela, a filha só foi presa por ser negra.

— Como uma mulher de 1,69m pode fazer isso? Minha filha foi presa porque é neguinha — afirmou a aposentada.

Segundo o advogado, pessoas com perfis falsos invadiram a página criada em apoio à farmacêutica para fazer comentários racistas. Adami, no entanto, esclarece que não está acusando autoridades do Ceará de racismo.

— Não significando nenhuma acusação às autoridades locais, mas se vê que o negro e o pobre tem um tratamento diferenciado no nosso sistema prisional. Todos nós só queremos resolver o caso, descobrir quem matou a Gaia, mas isso não pode permitir que os direitos das pessoas sejam esquecidos — comenta o advogado.

Mãe ia viajar junto com a filha para o NordesteAinda de acordo com o responsável pela defesa de Mirian, a mãe dela, Valdicéia, planejava viajar junto com a filha para passar o fim de ano no Ceará. No entanto, a aposentada mudou de ideia e decidiu ficar pelo Rio de Janeiro. Adami não sabe o motivo da desistência.

Segundo amigos, Mirian é pessoa esforçada e calmaFormada em Farmácia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Mirian cursa, no momento, doutorado na área. De acordo com amigos, a carioca não tem o perfil de alguém que seria capaz de cometer um crime desses. Nas redes sociais, pessoas próximas à farmacêuticas se dizem em choque com as notícias e defendem que houve um equívoco na prisão dela. Os amigos comentam que Mirian é uma mulher esforçada, que sempre batalhou para conseguir as coisas, principalmente as conquistas referentes à especialização profissional conquistada.

Praticante de yoga, Mirian é, segundo pessoas próximas, uma mulher calma e engajada em questões sociais. A farmacêutica costuma postar, em sua conta no Facebook, textos e imagens sobre meditação e fotos das viagens que faz. A carioca, de acordo com amigos, é apaixonada por viajar e está acostumada a ficar sozinha nas cidades que visita.

* Com informações do O Globo

Suspeito da morte de Gaia Molinari foi logo solto.


material para aquivo do caso Gaia Molinari
Fonte: Taxi em Movimento

Jéssika Sisnando

Um homem foi detido suspeito de matar a turista italiana Gaia Molinari, de 29 anos, na Praia de Jericoacoara, nas proximidades do Serrote, em Jijoca, a 294Km de Fortaleza. Ele foi capturado na tarde de ontem e encaminhado à Delegacia de Proteção ao Turista (Deprotur), na Capital. O caso ocorreu anteontem nas proximidades do Serrote, em Jijoca, área turística da cidade.

O corpo da estrangeira foi encontrado por um casal, com hematomas e trajando apenas biquíni, com uma mochila que continha objetos pessoais, como uma cópia do passaporte e chicletes. Os pulsos da italiana apresentavam lesões, similares às feitas pelo uso de amarras.

Após encontrar o corpo de Gaia, as Polícias Civil e Militar montaram uma força-tarefa para desvendar o caso e descobrir o que realmente aconteceu com a turista que é natural da província de Piacenza, na Itália.

Algumas das informações foram fornecidas pelo proprietário do hostel de Fortaleza, onde Gaia estava hospedada. Estas informações ajudaram a encontrar a carioca Mirian França, uma farmacêutica que prestou depoimento ontem na Deprotur, e repassou detalhes dos últimos momentos que passou com a italiana em Jericoacoara.

Investigações

A Polícia trabalha com a linha de investigação de um crime sem premeditação. Um suspeito nativo de Jericoacoara teria assassinado Gaia Molinari e, possivelmente, violentado sexualmente a vítima. O homem, que não teve o nome divulgado, foi detido para averiguação e levado à Coordenadoria de Medicina Legal (Comel), para fazer exames que comprovem se ele é ou não o autor do crime.

Até o fechamento desta edição, o homem detido prestava depoimento à delegada Patrícia Bezerra, adjunta da Deprotur. Na sequência, o suspeito foi encaminhado à Comel.

Enquanto o caso está sob investigação, o corpo da turista continua na sede da Comel no município de Sobral. Os médicos esperam que familiares possam reivindicar o corpo. A Polícia informou que tentou entrar em contato com o consulado da Itália, mas não obteve êxito. A mãe da italiana foi comunicada de maneira extraoficial pelo proprietário do hostel de Fortaleza, onde ela se hospedou. De acordo com uma funcionária do estabelecimento que preferiu não se identificar, a família ficou comovida com a situação.

Vários leitores questionaram a situação da segurança em Jericoacoada. Segundo informações do posto de policiamento local, são três duplas de policiais militares por turno, ou seja, dois policiais trabalham na área em horários diferentes. A delegada Patrícia Bezerra informou, durante entrevista, que o policiamento foi reforçado no local, mas não soube informar o número final do efetivo.

Laudo aponta morte por asfixia

A turista italiana Gaia Molinari, 29, foi morta por asfixia mediante estrangulamento. A informação foi confirmada por meio do laudo que apontou a causa da morte. O parecer foi dado pelo médico legista que realizou a necropsia. O material que vai definir se houve crime sexual foi coletado, pois o documento inicial ainda não concluiu se a vítima foi violentada ou não.

Gaia chegou na cidade de Fortaleza na última terça-feira (16) e se hospedou em um hostel na Rua Deputado João Lopes, no Centro. Segundo informações de uma funcionária, que preferiu não se identificar, a italiana conheceu o estabelecimento por meio de um site que permite que estrangeiros trabalhem no local em troca de hospedagem.

No Hostel Refúgio, a italiana conheceu a farmacêutica Mirian França. As duas conversaram e Mirian comentou que a mãe havia desistido de viajar para Jericoacoara e Gaia se ofereceu para acompanhar a carioca, já que as reservas estavam feitas para duas pessoas e a italiana não teria gastos extras com quartos. Na viagem, a italiana não levou pertences de valor. De acordo com a delegada adjunta da Delegacia de Proteção ao Turista (Deprotur), Patrícia Bezerra, a mulher deixou o notebook pessoal e o passaporte em Fortaleza. Ela levou uma cópia do passaporte e o celular, que foi apreendido. “Elas estavam se divertindo, duas jovens solteiras. Beberam em algumas ocasiões, mas não foi repassado nada de extraordinário”, explicou a delegada.

Mirian foi localizada pela Polícia em Canoa Quebrada. Ela foi encaminhada a Fortaleza, onde prestou depoimento na Deprotur por volta das 10h30min de ontem. A carioca disse à Polícia que havia marcado um encontro com Gaia para as duas embarcarem juntas, mas como a italiana não apareceu no horário combinado, ela imaginou que a colega havia preferido ficar na cidade para aproveitar mais as festas.

Imprensa da Itália repercute crime

Vários sites de notícias italianos repercutiram, durante todo o dia de ontem, a morte da turista Gaia Molinari, de 29 anos, cujo corpo foi encontrado com marcas de violência na tarde de quarta-feira, (24) em Jijoca de Jericoacoara. O incidente foi destaque nas páginas Corriere Della Sera, Huffington Post.It, Leggo e Today.It, por exemplo.

No Corriere Della Sera, a manchete fazia menção à origem de Gaia, a província de Piacenza, com destaque às investigações do crime. “No Brasil, piacentina morta na praia. Polícia: Homem procurado”, dizia a chamada.

Já a página Huffington Post, antes da divulgação do resultado do laudo que apontou a causa da morte, citava que a vítima teria sido assassinada com golpes de pedra. “Morta no Brasil no Natal: jovem de Piacenza é encontrada morta. Batida com uma pedra”, escreveu.

O site Leggo enfatizou o local onde o corpo foi encontrado, fazendo menção ao principal atrativo turístico da região. “Gaia, jovem italiano assassinado no Brasil: encontrado em uma praia no dia de Natal”, citou

A página Today também citou a origem da italiana e o fato de ter sido assassinada próxima da área turística. “No Brasil, Gaia Molinari de Piacenza: morta na praia”, frisou.

Gaia Molinari deveria retornar para um hostel em Fortaleza onde tinha reserva para a última quinta-feira (25), quando o corpo foi encontrado na área do Serrote por um casal de turistas. O lugar onde o corpo foi encontrado era utilizado como caminho para quem ia para a Pedra Furada, um dos principais pontos turísticos de Jericoacoara.

“Quando chegamos lá, constatamos a morte da italiana. Ela tinha o rosto perfurado, talvez por uma pedra, e apresentava muito sangramento”, afirmou o subtenente Marcos Rodrigues, comandante da Polícia comunitária na Vila de Jericoacoara.

“Ela era um anjo”, diz primo de vítima

A notícia da morte de Gaia Molinari chocou a família da italiana. O primo da mulher, Graziano Molinari, lamentou a morte da parenta na Internet, através das redes sociais.

No perfil que o homem mantém no Facebook, Graziano falou que Gaia era uma amiga muito querida. O italiano comparou a mulher a um anjo. “A notícia de sua morte me chocou profundamente, ela era uma menina muito gentil. Um verdadeiro anjo”, disse Graziano.

Seguindo a mesma premissa, o italiano ainda comparou o assassino de Gaia a um ser demoníaco. “Não esquecerei seu brilho que sempre me deu esperança de um mundo melhor. (…) Você era tão doce, simpática e cheia de vida, esta mesma vida que um demônio quis arrancar”, escreveu na rede social.

Graziano revelou que soube do falecimento através da repercussão da mídia na Itália. Segundo ele, não conseguiu contatar outros familiares e disse acompanhar o desenrolar do caso através dos noticiários.

Na página de Gaia no Facebook, muitos que conheceram a italiana deixaram mensagens de despedida. Elisa Elly Mattioli, por exemplo, escreveu que a turista é agora “a estrela mais brilhante lá em cima”. Outros parentes e amigos também lamentaram a morte violenta de Gaia. Entre as diversas mensagens escritas na internet, estava a revelação de um chamamento carinhoso pelo qual a turista era conhecida: ‘La Principessa’, ou ‘A Princesa’, em tradução livre.

Traslado

A família agora, aguarda a liberação do corpo da vítima, que será enviado à província de Piacenza, na Itália, para o sepultamento. A reportagem tentou contato com o consulado italiano, mas as ligações não foram atendidas. Até o fechamento desta edição, não havia informação oficial emitida pelo consulado.

Advogado de Mirian França, detida desde o assassinato de turista italiana no Ceará entrará com pedido de habeas corpus


Por Marcos Romão

fontes:G1, redes sociais

Miriam França ao fundo

Miriam França ao fundo em delegacia de Fortaleza

Presa por suspeita de assassinato da turista italiana Gaia Molinari, ocorrido no último dia 25 de dezembro, Mirian França não tinha advogados até o dia 1 de janeiro, quando o advogado Humberto Adami, do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental-Iara, assumiu o caso, depois de contato com a mãe, Valdicéia França, que mora no Rio de Janeiro.
Para o advogado Humberto Adami segundo declarações dadas ao G1, ““Ela tem emprego fixo, estuda, tem endereço certo, não foi presa em flagrante e apenas entrou em contradição, o que não justifica estar presa”.

Além do mais o advogado, afirma na reportagem citada, que cair em contradição não é uma confissão de culpa:

“Pelo o que eu entendi nas reportagens sobre o caso, ela não foi acusada pela delegada de participação. Apenas informou que houve uma contradição, o que pode ser uma questão de interpretação. As pessoas também ficam apreensivas quando vão falar com a polícia. Ela também não tinha um advogado ou um defensor público presente”.

E prossegue na mesma reportagem:

” Miriam França saiu de Jericoacoara no dia 24 de dezembro, um dia antes do crime. Gaia Molinari foi encontrada morta por enforcamento na tarde do dia 25 de dezembro, sem rigidez cadavérica, o que contradiria a hipótese de que ela teria assassinado a italiana.”

O advogado disse ainda:

“que a forte repercussão do caso na internet dá a dimensão de que estaria ocorrendo um equívoco. “É uma pessoa que tem uma vida normal e equilibrada. Todas as mensagens de amigos dão conta de ser uma pessoa pacífica, mas aguerrida na luta das batalhas cotidianas”.

Mirian França que é doutoranda em Farmácia pela UFRJ, desde que se encontra presa não teve acesso a visitas, nem foi acompanhada por advogados em seus depoimentos.

Desde o final do ano que seus amigos se mobilizaram para ajudá-la através das redes sociais. A Mamapress e o Sos Racismo Brasil, acompanham esta campanha, e desde então flui via redes sociais contatos de solidariedade no Brasil e na Itália que pedem justiça para Mirian França e Gaia Moliari. Vejam página da campanha.

O advogado Humberto Adami, foi informado sobre o caso, pela rede de ativistas negros e antirracistas de todo o Brasil, que vem atuando mais frequentemente na internet em casos que envolvam suspeita de tratamento diferenciado por  conta da cor, desde o caso Vinícius Romão e mais recentemente nos casos do goleiro Aranha e do morador de rua Rafael Braga.
Pesquisas feitas a internete pelo Sos Racismo Brasil também apontam para  indícios de que Mirian e Gaia não se conheciam antes de se encontrarem no Ceará, dados que foram repassados para  o advogado,

Para esta segunda-feira está marcada uma entrevista coletiva da mãe de Mirian França, no escritório do advogado no centro do Rio, quando a imprensa nacional e internacional, poderá ouvir sobre as medidas que estão sendo tomadas, para defender a acusada.

Paralelamente amigas e amigos de estão organizando para a semana um twitaço pedindo a libertação de Mirian França de Melo e justiça para Gaia Molinari.

hashtag: #justiçaparamiriamfrançaegaiamolinari