Nova direção do Shopping Itaquera vê Rolezinho como chance para mudar. Alckmim confirma presença.


por marcos romão

Depois de reunir-se com a Consultoria Internacional para a Globalizão- CIG, com sede nos EUA, o  novo diretor-chefe do Shopping Center de Itaquera José da Silva,39, um pernabucano de Garanhuns, já pode ver com bons olhos o Rolezinho anunciado pra o próximo dia 29 de fevereiro, que irá acontecer no mesmo Shopping Center que provocou tantas  manchetes negativas nos últimos dias.

O que o convenceu, disse  José da Silva, foi a possibilidade de quadriplicar as vendas no final de semana e já perguntou aos Roladores se podem repetir a ação pelo menos a cada 15 dias.

Anunciada no Facebook antes de ontem, já são 53351 pessoas que confirmaram presença.  José da Silva demonstrou segurança ao atender o telefonema da Secretaria de Segurança paulista, preocupada com o desenrolar do rolezinho:

Disse José da Silva para o secretário: “Tem problema não, mandar polícia só se for para vir com a família fazer compras e que venham de civil, vestimentas adequadas eles podem pedir emprestado aos filhos. Vai ser tudo uma maravilha”.

José da Silva, disse que estava bastante cético com esta tal de “Política de Desescalação e Inclusão do Consumidor Unido”- PEDICU- para os iniciados em gestão empresarial moderna, mas que se convenceu como migrante que também foi, quando os consultores explicaram o que Obama fez para acabar om o problema dos migrantes: “Vejam vocês, repetiu José, eles explicaram que os “Roladores Periféricos” são iguais aos migrantes na América, eles gostam da gente e juntam todo o dinheirinho que tem para viverem e consumirem entre nós, porque não aproveitá-los para que consumam e nos tragam lucros? Foi o que o tal de Obama fez, legalizou os caras e tá chovendo dinheiro na economia americana com este sangue novo”.

“Estamos é claro organizando um plano de emergência para atendermos tanta gente ao mesmo tempo”, repete José com entusiasmo, “vamos instalar caixas de som no entorno, com Funk da Periferia entrecortada de Música Charme, para manter calmo os ânimos. Teremos mostruários de todas as lojas no estacionamento para quem não conseguir entrar ou preferir ficar dando seu rolezinho do lado de fora.

Conversei com a Cruz Vermelha e eles vão instalar banheiros e um hospital de campanha para atenderem as necessidade de nossos clientes roladores. As lojas de alimentação também terão barracas do lado de fora e oferecerão “menús-rolés” a preços módicos. Todos os lojistas entraram em acordo e vamos aceitar todas as formas de pagamento, tiquetes-alimentação, crédito consignado para filhos de professores e funcionários da prefeitura, vale-transporte, cartão bolsa-família e até de cartão de bolsistas da CAPPES, afinal dinheiro não tem cor nem instrução, chegamos todos à conclusão”.

Hiato

Hiato

Olhando diretamente para mim José da Silva, que antes havia trocado olhares cúmplices comigo e depois se revelou um leitor assíduo da Mamapress e, por isto sabia que eu gostava de boas idéias, falou na coletiva em primeira mão:” Pois é, acabei de ter uma reunião com o Alckmim, é o Geraldo, que eu acho um nome mais popular tipo Maracanã dos tempos antigos, ele abriu aqueles olhos quando falei do Obama e dos migrantes nos EUA, e sobre a caixa de impostos que aumentaria para o estado de São Paulo.

Claro que ele cheirou votos também, afinal é a moeda dos políticos. Pediu-me então que organizasse a ida dele pessoalmente ao rolezinho. É. sem palanques, ele iria com os parentes, caminharia como o mais comum dos mortais e cortaria com alguns funqueiros a fita simbólica dos novos tempos”.

Me despedi e prometi voltar dia 30 de fevereiro, não sem antes garantir uma entrevista exclusiva com José da Silva. Falei com ele em “off”, “cara se o negócio que você está planejando der certo, já estou vendo você e o Geraldo serem indicado para o Prêmio Nobel da Paz, pela contribuição dada ao fim do Apartheid no Brasil.”

Jornalista mostra seu ranço senhorial masculino ao xingar de “Anta” a ministra da Igualdade Racial.


por marcos romão comentando denúncia publicada pelas Blogueiras Negras e a Mamapress agradece o alerta!

snipado do jornal metro

esnipado do jornal metro 17.01.2014 pag.04

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Já havíamos constatado em outras publicações da Mamapress, que o racismo e as discriminações  estão aumentando de forma cavalar no Brasil.

Assumimos posicionamento  de que não adianta só denunciar o racismo, a xenofobia, o sexismo, o machismo e as mais variadas discriminações, se não forem tomadas medidas socioeducativas em todos os níveis da sociedade, que contribuam para transformar a mentalidade racista com a qual todos nós sem exceção fomos educados.

Por este motivo, em cada denúncia que fazemos sobre os racismos e discriminações, não nos preocupamos só em exigir punições, mas em descobrirmos o fundo que permite e estimula a perpetuação do racismo.

Mas o que fazer e recomendar aos ideólogos do racismo, que estão furibundos desde que foram derrotados no STF com a aprovação constitucional da lei das cotas raciais e sociais?

Não dá mais para não reparar a existência destes ideólogos de um novo racismo, que criam novas barreiras nas universidades, nos espaços públicos sociais, nas redações de jornais e televisões, em todos os espaços enfim, conquistados a duras penas pelos negros brasileiros. Eles existem e são poderosos.

O que fazer com os racistas e sexistas de caneta?

Este senhor Claudio Humberto é a primeira vez que é citado na Mamapress, preferiríamos não fazer propaganda de suas idéias racistas e sexistas. Este jornalista é um dos professores da nova escola racista que diz: “Falemos nossas besteiras, xinguemos as mulheres e negros de antas e macacos, que dá IBOPE!

Está na hora de darmos nomes aos bois, darmos nomes aos racistas e a todos os redatores e especialistas em defender o anacronismo do racismo. Eles estão sentados e bem pagos nas redações de muitos jornais online e impressos pelo  Brasil afora. Fazem a cabeça da maioria silenciosa e incitam ao ódio racial. Usam suas escrivaninhas para ferirem e agredirem mulheres e negros.

Mas estes sacripantas criminosos da caneta estilo Goebbels estão tendo resposta.

Lembramos a todas nossas leitoras e leitores, que nós da Mamapress consideramos racismo  e racismo na sua forma intelectual mais pura, todas as formas recorrentes que utilizam para nos criticar  a partir de nossas aparências físicas. Consideramos racismo atacarem através de nossas expressões físicas, todas e quaisquer pessoas, principalmente mulheres e/ou negros que se projetem na sociedade. Como nos reeducamos e somos antirracistas, já não usamos mais as expressões racistas infantis de chamarmo alguém de “porco branco encardido de cabelo esticado”, pois sabemos que ao não fazermos isto, estamos contribuindo para a paz e lutando contra o ódio que esses escribas incitam de suas redações.

E avisamos aos racistas, que podem nos criticar e nos chamar do que quiserem. Podem até nos elogiar como inteligentes e competentes, mas não insistam em nos chamar de antas e macacos competentes e inteligentes. Sabemos como vencê-lo pois temos só no Brasil 514 anos de fôlego. (marcos romão)

As escritoras negras que formam o coletivo Blogueiras Negras já publicaram a seguinte matéria em solidariedade à pessoa da Ministra Luiza Bairros:

Cécile Kyenge, Christiane Taubira e agora Luiza Bairros. Ministras de estado atacadas em sua humanidade pela comunhão estreita entre o racismo, o sexismo e a sensação de impunidade. Mulheres que se recusaram a permanecer no lugar que lhes é destinado pela branquitude abjeta que, atônita, reage por meio de xingamentos. A primeira e a segunda foram chamadas de macacas. Por aqui o xingamento foi outro, dessa vez somos comparadas a uma anta porque a ministra expressou a opinião de que os jovens do rolezinho também são vítimas de racismo.

O sujeito da agressão é Cláudio Humberto, colunista do Jornal Metro, que se sentiu confortável o bastante para chamar uma ministra de estado de anta ao mesmo tempo que defende a tese de que não existiriam brancos no país. O que está subjacente a essa mensagem é a de que se não existem brancos, não é possível existir racismo. Obviamente o tiro saiu pela culatra pois a publicação do texto em si e o xingamento são expressões de uma branquitude acrítica e despreparada para lidar com as questões raciais e que ainda se fia na impunidade para expressar suas contradições e excrecências.

É assim que o tratamento desigual dispensado a negras e negros funciona, à vontade e à luz do dia e da escrita. É por isso que trabalhamos para que ele seja denunciado e portanto combatido. Nós, um coletivo de mulheres negras de pena e teclado, repudiamos o tratamento dispensado à face negra e feminina da política. Toda vez que uma de nós chega ao poder, chegamos todas. Toda vez que uma de nós é atacada e desumanizada, somos todas. Não iremos nos calar diante desse impropério que expõe ainda mais o fato de o racismo ser uma questão estrutural de nossa sociedade, ainda afeita a comportamentos escravocratas.

O respeito à liberdade de pensamento e a imunidade de crítica não devem ser usados para defender a ideia de que o racismo é apenas uma opinião. A herança racista de um país que se diz democrático está posta, nós a sentimos na pele todos os dias quando não acessamos a universidade, quando recebemos tratamento conveniente em função do racismo institucional e quando fazemos sua denúncia, assim como o fez a ministra Luíza Bairros. Estamos falando de uma realidade muito palpável, inclusive estatisticamente.

Assim, acreditamos que o autor da fala e os jornais que publicaram e republicaram o texto devem ser devidamente responsabilizados pela declaração, se não judicialmente, que sejam rechaçados publicamente. Independente da tipificação legal de crime, ética e moralmente, comete-se um delito ao desqualificar a fala de uma chefe de estado a partir da percepção de uma suposta e erroneamente presumida incapacidade apenas pelo fato de ser mulher e negra. Será que o articulista teria chamado de “anta” um político homem e branco que tivesse a mesma opinião?

ONLINE

A fala de Claudio Humberto também está disponível online no Metro Brasília, no Diário do Poder e na Tribuna do Norte.

Aldeia Maracanã de Hamburgo será recomprada pelo Senado.


A Aldeia Maracanã de Hamburgo será comprada de volta pela Senado de Hamburgo que é o governo da cidade.
Quem vive nas grandes cidades brasileiras, principalmente nas zonas ou bairros que estão enobrecendo, pode entender muito bem o que está acontecendo em Hamburgo no momento.
Milhares de manifestantes, polícia, gás lacrimogênio, porrada, prisões de jornalistas e manifestantes pode-se ver nas redes sociais de todo mundo através do youtube.

Florária Vermelha-Rote Flora

Florária Vermelha-Rote Flora

O que todos achavam muito difícil está cada vez mais fácil de entender que é o alemão ea filosofia da globalização…
O “enobrecimento” das cidades ou na sua origem inglesa gentrificação, de Gentleman, também acontece na Alemanha e lá eles também protestam contra as expulsões e remoções da pessoas e culturas populares locais.
A Rote Flora, ou Florária Vermelha é a Aldeia Maracanã dos tratados como índios de lá. É o prédio da resistência cultural da cidade da gentrifugação expulsória, que como a atual aqui no Rio de Janeiro começou nos anos 70.

Nos anos 80 os sem-teto de Hamburgo ocuparam as casas vazias reservadas pela especulação imobiliária. Em 1989 A Rote Flora foi reconhecida pela prefeitura como Casa Ocupada, e se transformou em um dos maiores centros culturais de resistência da cidade de Hamburgo.
A área da Florária Vermelha, que era do estado, foi vendida a um investidor que prometeu renová-la e preservar a s atividades culturais lá existentes. Promessas ao vento, pois os investimentos na renovação não vieram e proprietário a  vendeu para especuladores imobiliários da Bavária.

A guerra recomeçou e a região foi declarada pela polícia como zona de perigo ou proibida, que permite à polícia parar, revistar e prender qualquer pessoa considerada suspeita que circule pelos bairro de Shanze e San Pauli, os focos dos “vândalos” de lá. Claro que com isto a polícia aproveitou para parar negros e turcos jovens e como no Rio enfiar a porrada.Rote Flora porrada
Gentrifugação ou enobrecimento das cidades é um fenômemo global e a solidariedade também, até por que a firmas internacionais que renovaram o porto de Hamburgo, são as mesmas que investem no Rio de Janeiro. Até a Fan Fest é coisa inventada por alemão de Hamburgo que pegou de graça o know-how de nós brasileiros que vivíamos por lá e começamos a assistir com a maior barulhada aos jogos nos botecos portugueses. Em 2006 pelo menos a polícia de Hamburgo foi mais esperta que os neocoloizados lacaios da Fifa daqui do Brasil e liberaram geral. Foi um sucesso, pois os canas da delegacia perto do Quilombo Brasil, sede da Rádio Mamaterra, vinham todos assistir aos jogos no boteco do Antônio, que sempre que meu amigo Ras Adauto vem de Berlim, toma uma bagaceira original, como era antigamente nos botecos do Curral de Vaca.
Em resumo quando falo de Hamburgo daqui de Niterói, não sei mais onde é a minha casa e qual é a minha cidade. Quando atravesso a ponte penso estar no Porto de Hamburgo.

rodando na Grossbergstrasse

rodando na Grossbergstrasse em Hamburgo 2006

A Fifa é a ponta do iceberg, mas o buraco é muito mais embaixo. A gentrificação,o enobrecimento da grandes zonas nas megalópolis mundiais, é um planejado sistema de estabelecimento de cordões sanitários, por onde circularão de Londres à Paris passando por Togo, Rio de Janeiro e Bahia os abastados do mundo e verão as mesmas griffes e os mesmos shoppings. Para as populações locais que antes lá viviam, restarão os ônibus BVT que os transportarão em determinados horários para os centros reservados aos ricos, e lá poderão trabalhar como serviçais ou artistas de shows exóticos.aldeia-maracanã-zéweb

Uma guerra particular da marinha com os quilombolas de Rio dos Macacos: “hoje estou com farda, mas amanhã vou estar sem farda, onde encontrar vocês, vou estourar suas cabeças”.


por marcos romão

Rosemeire dos Santos- Quilombola de Rio dos Macacos-BA

Rosemeire dos Santos- Quilombola de Rio dos Macacos-BA

Em vídeo postado no Youtube pelo grupo  “Território Africano TV”, nós da Mamapress mais uma vez tomamos conhecimento de violações dos direitos humanos cometidos por graduados da Marinha Brasileira da da 2ª Base Naval de Aratu.

Pelos relatos de Ednei dos Santos que foi preso e amarrado com fios, levou socos e chutes, e segundo suas palavras foi jogado como porco na caminhonete, pelos sentinelas da marinha que montam guarda na única entrada para o Quilombo de Rio dos Macacos. Estamos diante de uma situação que vai além de um episódio isolado de violência.

Evidencia-se pela sistemática com que acontecem as arbitrariedades, ameaças e violências contra os quilombolas de Rio dos Macacos, a existência de uma ordem silenciosa de vencê-los pelo cansaço e ao arrepio das leis e completamente em contradição com as reuniões oficiais a Marinha com os governos da Bahia e de Brasília. Segundo Rosemeire, “fazem reuniões onde tomam cafezinhos e falam sobre nós, mas não cuidam de dar proteção às nossas vidas e à nossa segurança”

A quilombola Rosemeire dos Santos, de Rio dos Macacos, amarrada e jogada na boleia da caminhonete do Marinha, denuncia: “apanhei o tempo todo da guarida até a base da marinha, um sentou-se meu pescoço com as partes dele em meu rosto e outro sentou-se entre as minhas partes. E aí eu fui tomando tapa daqui até lá, né? Teve um momento em que eu num vi mais nada”.

O sargento Gonzaga falou que qualquer momento em que ele encontrasse a gente ele estourava nossas cabeças. Ele disse, “hoje estou sem farda, mas amanhã vou estar sem farda, onde encontrar vocês, vou estourar suas cabeças”. Tem uns 4 anos que a gente faz estas denúncias  até ao governo federal, e eles pedem provas, e eles continuam aí.

Ednei Messias dos Santos, irmão de Rosimeire, que também foi preso na operação arbitrária, informa que participaram da ação, o sargento Melquisedeque, o sargento Bueno, o sargento Gonzaga e mais o sargento Josué “que ficou ameaçando as crianças que foram lá para a base atrás da gente”.

No dia seguinte em reunião com o comando da base, ao ser tocado no assunto, o almirante se ofereceu para visitá-los e apertar a mão dos quilombolas. Constrangidos se recusaram.

O vídeo testemunho:

Publicado em 11/01/2014

No dia 06 de janeiro de 2014 oficiais da Marinha cometeram crimes de agressão, estupro e tentativa de homicídio contra membros da Comunidade Quilombola Rio dos Macacos. Acontecimentos que marcaram a prisão arbitrária e violenta de Rosemeire dos Santos e Ednei Messias dos Santos. As autoridades brasileiras são coniventes com os constantes atos de violência. Ao longo da história existem informações de outros estupros e assassinatos contra os quilombolas da comunidade.

saiba mais http://www.igualdaderacial.ba.gov.br/2014/01/sepromi-se-reune-com-marinha-e-orgaos-federais-para-discutir-situacao-em-rio-dos-macacos/

Racismo: Sistema Operacional Brasileiro


Por Ricardo Andrade, extraído de Folha Popular
A questão racial no Brasil, e o racismo à brasileira ganhou no últimos tempos manchetes na grande imprensa e nos blogs à direita e à esquerda espalhados pelo país. Muito disto se deve à ascensão  de Joaquim Barbosa ao STF, momento em que a elite brasileira viu que tem gente não branca, preparada para decidir nas altas esferas de poder, mas principalmente pela existência de uma população de  periferia, que até então se mantinha com seus jovens em seu lugar,  que passou a reclamar da gentrificação, ou enobrecimento das cidades que os alija do acesso ao Palácios de Luxo e aos grandes estádios.
Estamos diante de uma geração de negros e pobres, que são milhões, que diante da impossibilidade de se divertirem e gozarem dos bens da sociedade, além da absoluta impossibilidade de passearam à noite nos finais de semanas sem levarem um tiro ou pelo menos um tapa na cara durante um baculejo policial, estão se mostrando para a sociedade e dizendo que também querem o que os filhos dos bem comportados e mal comportados têm.
Notícias de casos de racismo se repetem às dúzias nos blogs  e na grande imprensa, o Brasil acaba de descobrir o óbvio.
Nas redes sociais todos os dias são denunciados novos casos de violência, racismo e discriminaçõe, numa repetição que chega à banalização de uma realidade cruel:
É uma página da mais ricas do mundo, a Mercado Livre, que anuncia  a venda de negros de diversas utilidades. É uma jovem mãe negra obrigada a lavar o chão de uma loja fina, que sua filhinha de colo havia sujado ao regurgitar o leite mamado. São milhares de jovens pretos e pobres que são assassinados em autos de resistência pelo Brasil afora. Agora por último surge a revelação do que todos sabem fazem 47 anos, que no Maranhão ainda se vive no período colonial, com uma vice-rainha que a tudo se permite, inclusive camarões com cabeças cortadas.
Antes que tudo isto fique banal e no carnaval a gente esqueça, nós aqui na Mamapress vamos publicar artigos e opiniões, que possam ir além do enxugar o gelo ao denunciarmos casos de racismo. Queremos discutir sobre o racismo estrutural do Brasil, que sem meias palavras causa e é origem de tanta desgraça neste país e impede a participação, além de jogar foram os cérebros da maioria de nossa população.
Ricardo Andrade nos traz uma comparação entre o sistema Windows e o tentacular sistema que produz e vive do racismo à brasileira. (marcos romão editor da Mamapress)
 
 
O racismo no Brasil funciona como um sistema, ou seja um conjunto de elementos interligados, que atua de forma precisa, no sentido de manter a segregação e a distância social, que impede o desenvolvimento da nação.
Ricardo Andrade
 
racismo pc2 O primeiro sistema sócio político implantado no Brasil foi o sistema escravocrata e dele se originou os pilares que estruturaram as bases da nossa sociedade. Daí pra frente, tudo que acontece a nossa volta está correlacionado a esse sistema, que atua na manutenção da pirâmide social. O racismo está presente em tudo. Podemos dizer que o racismo está para a sociedade brasileira tal e qual o Windows está para um computador pessoal.
 
Quando ligamos o PC, é o Sistema operacional Windows que nos recebe, nos direciona e nos conduz a todos os programas, acessórios e ferramentas existentes na máquina. É o Sistema que nos permite ou não desenvolver as ações que queremos. Se nossa intenção ao ligar o PC for escrever um texto, será o Windows que nos direcionará ao world e disponibilizará as ferramentas de digitação e formatação. Caso nossa intenção seja a elaboração de uma tabela, será o sistema Windows que nos conduzirá ao Excel e as suas funções. É o Windows que nos faz navegar por todo o conteúdo de um PC. É esse sistema que abre e fecha os programas. É o sistema que liga e desliga a máquina e, se por acaso tentarmos executar alguma ação, que não esteja em sintonia coma sua programação original, o sistema para, a máquina trava e, se essa intervenção acontecer de forma que drible a capacidade de gestão desse sistema, ele reinicia, para que a sua função original seja mantida: A função de proporcionar a operação da máquina exclusivamente para aquilo que ele foi programado.
 
Com a nação brasileira é assim também que as coisas funcionam! É o Sistema Operacional Racismo que determinou e dita às regras do funcionamento do Estado Brasileiro. É o racismo que seleciona quem deve ou não concluir os estudos. É o sistema racismo que aponta os que devem morrer, os que devem se aposentar, entre outras definições. O racismo determina quanto de recurso será alocado na educação e na saúde. É o sistema operacional racismo que determina a intensidade da luz que se coloca nos postes dos bairros populares. Determina ainda, o horário e a frequência da coleta do lixo. É o racismo que especifica a política de segurança e a política alimentar. É o racismo que elege a imensa maioria dos representantes legislativos. É o racismo que versa sobre o judiciário, que pauta a política carcerária. O racismo está presente também no processo de formação intelectual e profissional das polícias, advogados, médicos…
 
Assim como o Windows, o racismo está presente em tudo, ele incide sobre os partidos políticos, sobre as religiões, sindicatos, associações. Não há nada que passe despercebido pelo racismo. Caso haja alguma ação, que vá de encontro ao racismo, imediatamente os elementos de defesa se manifestam, a máquina para. Logo, logo algum jurista formado pelo racismo encontra inconstitucionalidade em programas como cotas, bolsa família e outras ações afirmativas. Quando vamos de encontro a esse sistema a mensagem de -“uma ameaça foi identificada”-, é disparada e, os responsáveis pela manutenção desse sistema logo tomam as providencias necessárias. Se formos às ruas denunciar o estado, o sistema aciona o antivírus (policia) para destruir os focos de resistência. Quando insistimos em ações que nos tragam vantagem e combata o racismo, a máquina estatal para e o sistema se reinicia. Projetos de leis são engavetados ou voltam para serem redigidos no sentido de contemplar o sistema e seu status quo. Precisamos sair do sistema para combatê-lo. Precisamos de uma nova matriz que nos permita navegar pelo estado sem ser dirigido por seu sistema.

O que se quer com utilização do ENEM como vestibular?


Mamapress tem acompanhado desde 2000 a discussões sobre cotas e inserção de negros e indígenas na sociedade brasileira.

Flavio Passos coordenador do Pré-Vestibular Quilombola em Vitória da Conquista, BA, nos fala do ENEM e de novas barreiras que surgem para impedir a democratização da universidade.

Flávio nos traz dados alarmantes que refletem que poder vir por água abaixo, caso não se discuta os rumos do ENEM, toda uma política de inserção e formação de negros nas universidades, principalmente nas áreas mais cotadas como Psicologia, Medicina, Direito, Odontologia e Enfermagem.

Mamapress recomenda a discussão, pois já sofremos um atraso de 514 anos.(Marcos Romão)

por flávio passos

“Onde estão os negros na sociedade… Quantos na faculdade?” (Edilson Barros, “Protexto”, 2006).

Flavio Passos

Nunca tantos pobres e negros ingressaram no ensino superior no Brasil. Isso é fato. Uma novidade, inclusive, em termos culturais, pois é perceptível como caminhamos para um momento no qual qualquer brasileiro poderá sonhar e ser o que quiser, desvencilhando-nos dos resquícios da escravidão. Essa mudança também diz respeito a um contexto mais amplo, quando o mundo do trabalho passa por transformações e, a cada dia mais, acessar o conhecimento significa poder.
Historicamente, o ensino superior esteve reservado em sua totalidade para uma pequena elite, sobrando à grande massa o acesso a uma educação mínima, o suficiente para se locomover e disputar a reserva de mercado na grande multidão de mão de obra desqualificada. Manter aquele quadro significaria, em termos de país, não alçarmos o grau de nação desenvolvida. O vestibular, por mais de um século, foi usado como mecanismo de definição do fosso entre ricos e pobres, brancos e negros, no acesso à universidade. Um instrumento da institucionalização do racismo.

Criado para ser uma avaliação da qualidade do ensino médio nacional, ainda na década de 90, o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), se transformou em o principal processo seletivo que possibilita acesso ao ensino superior no país, seja através do Sistema de Seleção Unificado (SISU), nas mais de 110 instituições públicas de ensino superior que adotam cotas e SISU, ou através do Programa Universidade Para Todos (PROUNI), Sistema de Seleção Unificado para Cursos Técnicos (Sisutec) e do FIES, o Financiamento do Ensino Superior nas instituições particulares.

No entanto, algumas reflexões carecem serem feitas a partir de uma pergunta básica: o que se quer com o ENEM? Se a proposta do exame nacional é substituir os vestibulares – elaborados para privilegiar quem teve uma escolarização em colégios de elite ou cursinhos com mensalidades a ultrapassar três salários mínimos – ele, tal quais os vestibulares tradicionais, tem nivelado “por cima” e excluído “por baixo”. Ler a postagem de uma jovem quilombola “eu amei fazer o vestibular. Mas quando fiz o ENEM eu fiquei completamente perdida” resume o paradoxo do momento.
O uso do Enem enquanto prova – parcial ou total – para o acesso ao ensino superior público surge concomitante às cotas raciais e sociais, adotadas, desde 2002, em quase totalidade das instituições públicas do país. O que, num primeiro momento, parecia ser uma boa notícia, em termos pedagógicos – pois, se entendia que “o Enem valoriza os saberes dos alunos, os conhecimentos acumulados, a interdisciplinaridade” e etc –, aos poucos se tem percebido que o exame se transformou em um grande pesadelo para milhares de candidatos ao ensino superior, especialmente aqueles vindos da rede pública de ensino.

Primeiro, por não ser uma opção, mas a única possibilidade de acesso. Segundo, por se construir uma prova, a cada ano mais difícil, em termos de complexidade, seja pelo tamanho das questões, seja pelo acúmulo de informações exigidas, mas também por exigir um desempenho que acaba gerando a exclusão de quem teve menos condições de acessar uma educação de qualidade, realidade que extrapola as salas de aulas. Aliás, se o ENEM veio pra ficar, um dos desafios desse novo contexto é que a educação básica compreenda isso em seu cotidiano.

Há cinco anos, o Pré-Vestibular Quilombola Vitória da Conquista, mantido pela Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, Sudoeste da Bahia, atende, prepara e mobiliza centenas de quilombolas de mais de 40 comunidades da região, todas reconhecidas pela Fundação Cultural Palmares. O foco: as universidades públicas da Bahia, especialmente a UESB, a UFBA e o IFBA, ambas com campus na cidade, além da UEFS, em Feira de Santana, pela estrutura oferecida, com maior número de vagas na residência. No caso da UFBA, com uma bolsa de R$900,00 reais mensais para quilombolas e indígenas.
Dos mais de 140 quilombolas que lograram ingressar nas instituições citadas, inclusive em cursos de alta demanda (Psicologia, Medicina, Direito, Odontologia e Enfermagem), 132 foram aprovados em vestibulares da UESB (entre 2009 e 2013). Na UEFS, apenas quatro. Na UFBA, 07. No IFBA, nenhum. Na UESB, desde 2012, com metade das vagas sendo oferecidas pelo SISU, via ENEM, apenas 01 quilombola alcançou ser aprovado por esse meio, enquanto mais de 30 passaram nos vestibulares.
Na UFBA, a partir de 2013, com metade do processo seletivo via SISU, apenas 01 quilombola da região foi aprovado. A questão é que, a partir de 2014, a UFBA passa a adotar apenas o SISU. E, nesta edição 2014 do SISU, constata-se que a média para aprovação das candidaturas para as vagas reservadas para negros e pobres com renda abaixo de 1,5 salários mínimos per capita ficará acima de 640 pontos, média considerada alta no ENEM dentre os candidatos da rede pública.

Além da UFBA, outras públicas da Bahia – UESC, UFRB e UEFS – começam adotar o ENEM como única possibilidade de acesso. O que chama atenção é que essas universidades todas que havia criado “cotas adicionais” para indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência (UESBB), ainda no sistema de vestibulares, condicionando o acesso às vagas exclusivas a uma vinculação de seu desempenho à nota média dos candidatos universais do último vestibular, através da meritória “nota de corte”, agora terão a média do ENEM para fazê-lo. Os critérios para as cotas adicionais deveriam ser bem outros.

Assim, voltando à pergunta inicial: o que se quer com o uso do ENEM como processo seletivo? Reinventar o nivelamento por cima nos processos seletivos com a meritocracia excludente barrando pobres e negros do ensino superior público deste país? Possibilitar que as universidades públicas “convivam” com as cotas raciais, peneirando, no portão das escolas públicas, “os problemas da humanidade”, ficando apenas com os que “não nos darão trabalho” (no dizer de um pró-reitor)?
O mesmo Estado que não garante a educação de qualidade, aplica uma avaliação dessa desqualificação irrestrita e a utiliza como vestibular? O único mérito dessa utilização é minar parcialmente a indústria milionária dos pré-vestibulares (e vestibulares também). No entanto, o EMEM tem se transformado em uma reinvenção dos famigerados vestibulares, com uma prova cada ano mais trucidante, constando de 180 (cento e oitenta) questões e uma redação para serem resolvidas em 02 (dois) dias de prova, sendo que um vestibular tradicional tem o mesmo número de questões e uma redação para serem desenvolvidas em 03 (três) dias de prova. E não vejo ninguém questionar essa metodologia.

O resultado está aí: a média de nosso povo pobre, da periferia, da zona rural, a maioria de negros, tem ficado em torno dos 500 pontos. Quando muito, 600, o que restringe o seu acesso a cursos de menor demanda, porque historicamente, de menor prestígio social. E, o pior, em tempos de cotas, que não são mais que de reservas de vagas, as universidades públicas continuam embranquecidas, em um país cuja população negra passa dos 60%. A juventude negra mais uma vez prejudicada, não obstante sejam os negros quem mais se inscrevam no Enem, segundo dados do próprio MEC.

Ou seja, o nosso povo negro quer estudar, inclusive Engenharias, Direito, Odonto e Medicina. Resta saber se, enquanto nação, nós já entendemos o que isso significa em termos do próprio desenvolvimento do país. Isso tudo pra dizer que o que nos tem sido reservado ainda está longe do mínimo comparado com o que nos foi tirado em 514 anos. O que não podemos é repetir os erros históricos que nos trouxeram à condição de desigualdade racial na qual que nos encontramos em pleno século XXI.

Que continuemos a ousar nas políticas públicas, promovendo a equidade como condição para a consolidação da democracia e do desenvolvimento, com justiça e sem racismo.

09 de janeiro de 2014, 11º Aniversário da Lei 10.639/03.

Flávio Passos, militante negro, mestre em Ciências Sociais pela PUC SP, professor de Filosofia e Sociologia no Colégio Carlos Santana, em Belo Campo, BA, coordenador do Pré-Vestibular Quilombola, assessor técnico de Igualdade Racial na Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, Bahia, concursado.

do original Conquista em Foco

Identificado autor oferta de negros-com-diversas-utilidades para a venda na página Mercado Livre


por marcos romão

A postagem no último final de semana no site Mercado Livre que colocava ao lado de fotos jovens negras e negros à venda na página “Mercado Livre”, gerou uma grande revolta nas redes sociais e foi denunciada na madrugada do dia 6.01, aqui na Mamapress com dados e exigências para que a polícia retirasse a página do ar, já que mesmo com as reclamações dos usuários da página, a administração do “Mercado Livre” não tomara providências para encerrar o anúncio. O anúncio que terminou conforme anunciara autor, ao longo do dia 6.01,  foi realizado de forma automática  e nada tem a ver com medidas da administração da página, que até então se limitara a apagar várias reclamações dos usuários.

Segundo a Folha de São Paulo, após denúncia, a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, do governo federal, e o site conseguiram identificar o autor da publicação.negros com mil e uma utilidades 06

Em nota a SEPPIR informa que o autor pode ter como pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa, para quem praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Ainda segundo a nota da SEPPIR publicada na Folha:

“É inconcebível e inaceitável a tentativa de desumanização da população negra, enquadrando seus indivíduos como mercadoria e remetendo os mesmos de volta à escravidão”, diz Carlos Alberto de Souza e Silva Junior, ouvidor da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

Segundo a secretaria, não haverá punições ao Mercado Livre. Em nota, o site de vendas afirmou que repudia o anúncio. “O Mercado Livre informa que entregou, após notificação oficial, os dados cadastrais e de acesso do usuário anunciante às autoridades competentes para que o autor seja investigado. O anúncio foi retirado do ar na segunda-feira, dia 6, assim que denunciado pelos próprios usuários do site”, diz o site.

A Mamapress parabeniza a ação rápida da Ouvidoria da SEPPIR e alerta para que na pressa, não se isente a página Mercado Livre de toda a culpa. Que a página faça um pedido de desculpas públicas em seu sítio principal  e crie mecanismos para que  usuário possa denunciar de pronto anúncios discriminatórios de quaisquer matizes. Seria uma punição mínima, por ter relaxado de forma continuada nas suas obrigações com o consumidor, pois o anúncio só foi retirado do ar na data em que o próprio anunciante racista marcara.

Por triste ironia ao acessar o link da página original encontramos os arquivo ou direcionamentos, já sem o anúncio no final, mas que me causa espécie ao ler http://lista.mercadolivre.com.br/negros-com-diversas-utilidades, é claro que estão anunciando produtos de cores pretas, revela entretanto um mau gosto profundo por parte dos administradores e donos da página Mercado Livre, em relação a um um assunto que gerou tantos protestos. Seria uma falha de construção linguística típica de  paginador, ou seria um chamariz  para atrair  racistas de plantão , ávidos por plataformas para difundirem suas ideologias?

Aliás a Mamapress considera que a página Mercado Livre para manter a sua fama e não se confundir com racistas, já deveria ter tomados a medidas antirracistas e anti-discriminatórias necessárias, sem a necessidade de protestos dos usuários, da SEPPIR e da sociedade civil. Seria um posicionamento no mínimo gentil para com todos nós.

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