Rádio Mamaterra no Quilombo Sacopã.


123 anos de Abolição sem Comunicação

Na comemoração de 10 anos , a Radio Mamaterra de Hamburgo, a primeira rádio multiétnica com olhar brasileiro na Europa, faz seu lançamento no Brasil.
O local escolhido não poderia ser melhor, o Quilombo Urbano do Sacopã, símbolo dos que resistiram a CENTRIFUGAÇÃO iniciada por Carlos Lacerda. Centrifugação=expulsão dos centros urbanos do mundo, das expressões multicuturais que fazem a vida de uma cidade
A Radio Mamaterra, do Quilombo Brasil de Hamburgo, é um programa semanal em português e alemão, transmitido através da Radio Pública de Hamburgo Tide, FM 96.0 e na Internete via http://www.tidenet.de todas quarta-feiras das 13 às 14 horas do Brasil.
Seu foque é a multietnicidade no mundo e sua proposta é a globalização da informação de baixo prá cima.
Mamaterra traz para trocar com o Brasil a sua experiência brasileira em Hamburgo, a maior cidade portuária da Alemanha, entroncamento comercial e cultural entre a Europa Ocidental e Oriental. Em Hamburgo vivem cidadãos de 192 nações.

Atrações:

Saci Chorão – é um grupo regional família que em seu repertório adentra o universo fabuloso do choro e do samba, passeando pelas músicas dos grandes chorões, como Ernesto Nazareth, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, K-Ximbinho, Luciana Rabello, Dilermando Reis, Altamiro Carrilho, e de grandes sambistas, como Cartola, Bezerra da Silva, Noel Rosa, Paulinho da Viola e outros.

Composto pelos seguintes integrantes: Filipe Romão – Flauta, Laila Aurore Romão – Cavaquinho, Yure Romão – Violão, Ricardo Romão – Pandeiro e Luana Romão – Bandolim. Convidados especiais: Pedrinho Lima (mestre do pandeiro), Tayhna Oliveira, Valter Junior e Celine Abreu.

Dj Cyro confluindo sons de mais puro requinte, desde as mais inusitadas músicas africanas, a leveza do world lounge aos grooves da black music e a sua especialidade, a MPB, com a miscigenação dos sons regionais do mangue beat, ao samba de raiz e as batidas frenéticas das pistas brasileiras.

Vídeos organizados pela CULTNE sobre os últimos 30 anos do Movimento negro do Brasil.
Varal de Poesias.

Local:

Quilombo Sacopã – Ladeira do Sacopã, 250 – Lagoa

Couvert Artístico: R$10,00

APOIO: CULTINE, CEPPIR, AFROPRESS, Cojira-RJ

Informações e reservas: 21 – 9954 6578 | 7854 3682

No lançamento da Radio Mamaterra do Brasil , vamos tentar botar no ar a nossa festa no Quilombo do Sacopã.
Horário: 14 às 22 horas no Brasil
Uhrzeit:9:00 bis 17 Uhr in Deutschland.

Em parceria com o Núcleo de Produções Musicais-NPM- Com a presença do radialista e publicista Oscar Neves que vem de Belo Horizonte especialmante para o evento!

Inhaca não fede!


inhaca1 (i.nha.ca)
Fico sempre curioso. quando encontro palavras usadas no Brasil, com sentido inverso ou deturpado em relacao ao de seu original em África, como às vezes deparo em palavras de origens africanas no Brasil.
Acabo de dar de de cara com a terrível e fedorenta palavra “Inhaca”, que em seu original de Angola, acabo de aprender,significa senhor supremo.
Significado da palavra “inhaca” no português do Brasil Colonia e Pós-colonial(agora).
sf.
1 Bras. Fedor, cheiro desagradável; BODUM; CATINGA; MORRINHA
2 MG Pop. Falta de sorte no jogo
[F.: Do tupi yakwa.]
inhaca2 (i.nha.ca)

Seu significado em África
sm.
1 Ang. Rei; senhor supremo.
[F.: De or. africana.]

É tão curioso que fico mais surpreso ainda, quando descubro que existe uma linda ilha em Mocambique chamada Inhaca. Esquisito, né? Porque será que deturparam este termo de modo tao crasso?
Deliciem-se com a palavra “Inhaca” original, na voz de Mac Rodgers:

Vou descobrir o Brasil. É 21 de abril


Porto de Hamburgo

Vou pegar o avião sem lenço nem documentos. Vou descobrir o Brasil no dia 21 de abril.
Vou visitar minha familia, meus amigos e os indios Pataxós, esses meus amigos esquecidos por todos.
Alguns amigos do peito se cotizaram e me mandaram uma passagem para eu passar umas semanas no Brasil.
Eu às vezes mereço um carinho destes.
Foi um ano brabo, sentado no meu laptop, e com as nádegas assadas de tanta irradiação, mas no hospital, mantive o ânimo e a garra, graças aos meus amigos. Gente de perto e gente que eu nem lembrava mais.
Vou passar 40 dias no Brasil, feito o profeta. Sei que está confuso, mas está bão. Tive uma provinha, quando fui para as cerimônias em homenagem à minha mãe, falecida em dezembro.
Saí com milhões, de gentes é claro, pois nem os milicos fizeram tantos estragos no país feito o Collor, o cara não era nem é sério.
Volto devagarinho, não de vez, porque fiz muito do Brasil por aqui fora. Do Brasil que eu gosto, e fiz pelas minhas andanças.
Plantei um Quilombo na Alemanha, e os pretos de todas as cores apareceram para me ajudar e à minha copanheira, quando a coisa apertou. Era preto louro, era preto japones e até preto árabe, a colocarem bálsamo em minha feridas, vinham até pretos brasileiros, desconfiados de tanta igualdade na minha casa do povo, que é o Quilombo Brasil/Radio Mamaterra de Hamburgo.
Não dá nem para falar nome, para não criar desgostos. Foram muitos os que me ajudaram e pronto. Estou agradecido a todo mundo. Principalmente os que botaram dez reais na minha conta, pois sei que dez reais, vale um milhão para quem não tem nada.
Vou vir para olhar. Disseram que tem uma mulher no poder, que é séria, e acredito. Pois quem roda o mundo feito eu, tem mais é que acreditar na punjança de nossa gente. Se nossa presidente acreditar feito eu, em nosso povo, vai ser muito bom para todos e felicidade geral da nação.
Vou à cata de gente e de grana, para plantar a Mamaterra no Brasil. Brasil que ficou grande aqui fora, antes dos políticos perceberem. Nesta o Collor fez uma boa. Mandou para fora mais de 6 milhôes de brasileiros, enquanto ficou com os milhinhos de cada um de nós. É o ditado de grão em grão a galinha enche o papo. E não se fala mais nisto.
São estes milhões de gentes, e eu no meio, que o Brasil tá precisando. Não mais prá só mandar dinheiro para suas famílias, e chorar de saudades com caipirinha misturada com neve. Mas para lembrar que temos garra e esperança, que o Brasil é bão, apesar de nós brasileiros. Basta desligarmos a máquina que nos anestesia. Esta máquina que nos faz gozar com tanto petróleo nas mãos de uma minoria. Com tanto milho e soja para engordar porco na Europa, e botar os cadillacs prá rodar em San Tropez.
O que o Brasil tem de bão é sua gente. Parece que as elites não perceberam ainda isto. 50 mil moleques morrem à bala por ano. São 5 Fukoshimas por ano e não sai nem na Al-Jahzira. Mas esqueçamos isto por enquanto.
Vou com prazer em saber que tem meia dúzia de 4 ou 5, que já desligaram a bomba que os mantinham mortos vivos em seus apartamentos.Teve até uma senhora que cometeu a loucura santa, de encarar dois meganhas do esquadrão da morte lá em São Paulo. Pô que coragem louca. Fazer isto em um país, que nêgo tem medo até de reclamar que o vizinho, pegou a bola-de-gude do filho, pois o cara pode ser de algum comando.
Esta senhora paulista tem a garra e a inocência de minha mãe. Que bão. Em um país com tantos macacos velhos, que se encastelaram em suas barrigas e não movem uma palha para acabar com a violência que aterroriza as pessoas tanto ou mais que no período mais cruel da ditadura, é bom que apareçam estas pessoas inocentes, prá dizer que alguém está errado. Sem ter medo de perder a vida.
Mas poxa. comecei a escrever porque estava contente… Estava e continuo contente. Os médicos acabaram de me dizer que estou curado pelo menos deste câncer, que quis devorar minhas entranhas. Eu e minha companheira saímos dando pulinhos do hospital.
Mereço este descanso trabalhando. Sim por que Brasil para mim é trabalho, trabalho que dá prazer, lá e aqui fora. Carrego ele por onde ando, pego um pouco de cada país nas gentes que conheço ao longo do caminho. Todos sabem curtir estas culturas que trago em mim e que faço questão de preservar. Culturas contraditórias, mas que merecem continuarem vivas, para garantirem a vida em nossa terra, terra que seca com a homogeneidade.
Asé e um grande abraço e muitos beijos para todo mundo. Vim e vou para ficar no mundo, que é o lugar da gente.

Tragédia em Realengo. Pessoal da saúde pede socorro.


Mamapress recebeu este grito de socorro do Rio de Janeiro. Somos da opinião que estas tragédias, são apenas a ponta do iceberg de um quadro de violência generalizada. Prevenção na área de saúde mental é necessária É necessário um acompanhamento psicológico permanente dos jovens nas escolas.
mr

A tragédia de Realengo e a Saúde Mental no território:

Vimos a público dizer e afirmar que este episódio trágico tem a ver com o nosso campo de militância, que é o da Saúde Mental.

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A tragédia ocorrida na Escola Estadual Tasso da Silveira em Realengo nos envolve em tristeza e dor pela perda da vida das crianças atingidas, vítimas de um gesto extremo, e pelas suas famílias agora destinadas a conviver com uma dor irreparável pela violência da experiência de terem suas filhas e filhos ceifados da vida tão precocemente.

Todo gesto de solidariedade devemos a estas famílias, e todos nós estamos empenhados em não tornar como mera fatalidade, fora do nosso alcance de intervenção, este acontecimento extremado em violência e dor ocorrido em Realengo.

Assim, é necessário que possamos reunir esforços, convocar as autoridades públicas, que possamos garantir uma rede efetiva de saúde mental, que possamos instituir uma política pública de saúde mental no município do Rio de Janeiro capaz de acolher e cuidar das demandas da população.

Infelizmente, é neste mesmo território de Realengo que os serviços de saúde mental vão sofrendo de forma crônica de escassez de recursos de toda ordem. Todos sabemos que o CAPSi, unidade de saúde mental justamente voltado para infância e juventude com grave adoecimento psíquico, há cerca de 9 meses encontra-se sem sede própria, ocupando de forma provisória e precária uma área inadequada de um posto de saúde do local.

O CAPS para adultos sofre de problemas semelhantes, localizado em uma casa alugada de dois andares, não atende de forma adequada os seus mais de 300 pacientes e suas famílias vinculadas ao serviço. Um número pequeno de profissionais que leva de forma resistente e ética um trabalho que deveria no mínimo ser compartilhado por mais três unidades de CAPS naquele território

Nós do Movimento da Luta Antimanicomial não entendemos porque o Rio de Janeiro, cidade de referência para a Saúde Mental, é uma das cidades brasileiras com um dos menores índices de cobertura de serviços tipo CAPS. A quem devemos responsabilizar por esta falta de determinação política para cumprir o que deve ser cumprido? A Saúde Mental precisa de profissionais e unidades de serviço com estrutura adequada para cuidar da população.

Por que a razão de tamanho descaso com as políticas públicas de saúde mental já instituídas na legislação, nas portarias, e num ideário de transformação social?
Queremos nos juntar à dor destas famílias de Realengo, queremos nos colocar à disposição da Escola Tasso da Silveira, queremos nos humanizar diante desta tragédia, e queremos também humanizar os gestores públicos, fazê-los saber que não garantir o cuidado em saúde mental da população é expô-la a um sofrimento sem reparação.

Núcleo Estadual do Movimento da Luta Antimanicomial /Rio de Janeiro
O CAPS na Wikpédia
O QUE É MOVIMENTO LUTA ANTIMANICOMIAL?

Escola Presídio: Rede de Deseducação Pública


A Escola-Presídio (modelo evidente da educação pública no Brasil) cada vez será mais um monstro a assombrar o futuro da nossa sociedade analfabeta de consciência social. O modelo obedece, infelizmente, às regras de exclusão social muito renitentes e arraigadas em nossa sociedade, ideologicamente ainda pré-abolicionista.

Os prolixos e irrealizáveis ‘projetos político pedagógicos’ das escolas de nossa rede pública não entram neste pormenor, mas basta olhar as grades dos corredores e o look da maioria das professoras e diretoras, ora arrogantemente vestidas de ‘louras burras’, sexys madames de meia idade, maquiadas, chacoalhando as pulseiras e o molho de chaves das grades com que controlam os seus ‘feudos’ de crianças prisioneiras ou, já com a ‘ficha caída’, trêmulas senhoras pudicas, em pânico, ameaçadas de morte por algum aluno bandido, mais rebelde e vingativo.

A necessidade cada vez maior de medidas de segurança interna em escolas da rede pública (câmeras, ronda de guardas municipais, etc.) não reflete, de modo algum como se imagina a princípio, a gravidade dos problemas externos às escolas, as mazelas sociais da rua, que solertemente teriam invadido o puro ambiente das escolas com um serial killer armado com dois revólveres. Antes fosse apenas a eclosão do ápice da loucura de um jovem casto e perturbado.

Mas não. A violência está dentro da escola. A escola é que não é casta, nem pura. A escola é suja, cínica e infiel para com seus alunos. Esta violência ‘adúltera’ desta escola amada amante do inimigo das criancinhas, é que é ruminada dentro dos muros, como húmus, esterco de horta comunitária compostando maldades, na fermentação de uma deseducação das massas, meticulosamente planejada.

Visite uma escola destas só para ver. Siga o cinegrafista amador e veja o que ele vê.

Um conflito eminente entre corpo docente e o discente parece estar sempre prestes a eclodir, professores versus alunos ou vice versa, um conflito de natureza marcadamente social (os alunos são muito pobres e, em sua maioria negros, as professoras são de classe média e, majoritariamente brancas).

Siga o vídeo do cinegrafista amador e observe: Os acesos entre os andares e, não raro entre as dependências de um mesmo andar já são controlados por câmeras e grades, cujos cadeados são abertos segundo a programação do fluxo de alunos para as salas. As dependências onde são acondicionados os mantimentos da merenda, as salas de informática, etc., são protegidas por portas de ferro ou grades, do mesmo modo bem trancadas com cadeados poderosos.

Todo este aparato de segurança – muito semelhante ao de um presídio como disse acima, visa literalmente conter os alunos, obrigá-los a permanecer no espaço escolar (a educação, como se sabe, é um serviço ao qual o Estado está obrigado a fornecer por lei) sem que este Estado necessite cumprir de forma decente os procedimentos, as metodologias pertinentes que deveriam ser, obrigatoriamente eficientes em suas finalidades mais evidentes: Dar, realmente educação de qualidade para toda a população.

A tensão, como não podia deixar de ser, é crescente. Não tem sido raro professoras e diretoras de escolas da rede pública solicitarem aposentadoria ou licença especial depois de terem sido ameaçadas por alunos, muitas vezes de morte. Em muitos casos as verbas terceirizadas, voltadas para a aplicação de políticas suplementares de educação, as chamadas atividades ‘extra-curriculares’, financiadas pelo governo, são interceptadas, surrupiadas mesmo por instituições mafiosas (milícias e escritórios de políticos clientelistas, por exemplo) articuladas em ongs de fachada, mancomunadas com diretores, agentes e gestores de programas de educação pública.

Outro aspecto muito preocupante é que, com a falência do sistema das chamadas ‘medidas sócio educativas’ (Degases, Criams e Febems), já estão sendo irresponsavelmente criados pelas autoridades estaduais e municipais, alguns canais de articulação entre estes falido sistema de repressaõ ‘educativa’, reformatorial para menores infratores e a rede pública convencional de ensino, contaminando cada vez mais o sistema de educação pública com o já explosivo problema da exclusão social de jovens no Brasil, marcado pelo galopante consumo e venda de crack, etc. e outras mazelas mundocaninas adicionais.

Jovens infratores, a maioria deles ligada ao tráfico de drogas, após o cumprimento de medidas sócio educativas, cumpridas literalmente em prisões juvenis (para quem não sabe o sistema Degase mantêm três colégios-presídios no Rio: Padre Severino, João Luiz Alves e Santos Dumont), quando não possuem família ou parentes responsáveis, são transferidos em grande medida para uma rede de abrigos municipais e, posteriormente matriculados como manda a lei, nestas escolas públicas convencionais, sem nenhum procedimento de adaptação, sem nenhum objetivo aparente que não seja o de usar a rede pública como mais um dispositivo de controle, exclusão e, agora repressão, meros depósitos de retenção e contenção de crianças pobres ‘em seu lugar’, em ultima análise.

O ‘lugar destas crianças da zona oeste (onde fica Realengo) a julgar, grosso modo por este meu raciocínio ainda emocionado, são bairros muito pobres ou miseráveis, quase favelas, dominados por milícias armadas, uma cultura de submissão à violência cotidiana de um grupo articulado com as autoridades constituídas, que lhes dão respaldo e proteção, ambiente ao qual este jovem assassino, esquizofrênico ou não, sempre esteve exposto, desde menino.

A educação e a cultura da violência formam então bandidos e assassinos frios, enlouquecem alguns, os emocionalmente mais vulneráveis. Pelo menos é o que a incrível perícia do jovem assassino com armas de fogo imediatamente nos sugere.

Não é preciso estar ligado ao sistema de educação pública brasileiro para se perceber que algo de muito grave pode estar prestes a ocorrer.

Todas estas mazelas de nossa educação pública são antigas e já haviam sido detectadas, avaliadas desde os anos 1950, gerando uma série promissora de projetos, entre os quais os dirigidos pelo prof. Anísio Teixeira (Escolas-Parque) foram os mais inovadores.

Também nos anos 1980, durante os governos de Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, estas idéias de Anísio Teixeira foram retomadas e reformadas, gerando um programa experimental caracterizado por escolas de uma rede pública, conjugado a políticas e metodologias de inclusão social de crianças (Cieps) revolucionário em grande medida porque era baseado, principalmente numa rede especial de escolas de horário e atendimento integral, habilitadas a lidar também com questões sociais mais emergentes como, por exemplo, a quantidade enorme de meninos de rua e crianças órfãs, que perambulavam pelas ruas do Rio de Janeiro e que, a partir de então passou a ser absorvida num programa paralelo de abrigamento humanizado, denominado ‘Mãe social’, com os lares-abrigos integrados às próprias escolas.

Estas assaz promissoras iniciativas –embora discutíveis e aperfeiçoáveis em alguma medida – no entanto, foram sempre descontinuadas – quando não simplesmente descartadas – por governos subsequentes, descontinuidade esta apoiada inclusive por laudos, pesquisas e furibundas campanhas de doutores especialistas em educação, encastelados em cátedras universitárias, numa corrente de reacionarismo e elitismo, embora recorrente no Brasil, sem precedentes e, em nossa opinião grande responsável por este estado de coisas atual, já que são das faculdades de educação que saem, em última análise, todos os agentes e gestores do sistema de educação, responsáveis pelas políticas e não políticas em voga nas décadas seguintes.

Não é fortuito, portanto considerar que nas entrelinhas da delirante carta daquele jovem serial killer suburbano, possam ser inseridas diversas outras explicações menos sensacionalistas e prosaicas, menos individualistas enfim, trazendo à luz uma psicopatia muito mais coletiva, muito mais social do que esta que se está lançando sobre as costas de um jovem pirado que odiava meninas, seres impuros e mulheres adúlteras.

Não me parece também uma coincidência macabra ele ter invadido a escola onde talvez tenha tido a sua única experiência escolar, palco evidente de suas desditas esquizofrênicas. Quem sabe se Wellington não estava na verdade tentando matar a tiros a sua ex-escola?

Quem pode saber se ele não pretendia assassinar aquela instituição que em vez de curá-lo, reforçou a sua loucura, acentuou e agravou o seu delírio de, ao se tornar uma celebridade internacional, entrar para o reino dos céus levando consigo as 12 mais belas virgenzinhas de Realengo?

Pelo menos este ex-aluno da escola-presídio, conseguiu escapar do inferno.

Moral da história: No Brasil o diabo é o mais assíduo professor.

Spirito Santo

Abril 2011
do original: blog do spirito santo

Empresa Brasileira de Comunicação abre seus canais para todas as religiões.


Conselho curador da EBC-Empresa Brasileira de Comunicação vota pela pluraridade em seus programas religiosos.
Por João Jorge Santos Rodrigues*

Hoje foi um dia importante na minha vida, nesta vida, vim à Brasilia depois de ter vivido a emoção de ter visto e escutado o Presidente Barack Obama falar no Rio de Janeiro, o primeiro negro presidente da maior potência do mundo e depois de receber a noticia que os heróis da Revolta dos Búzios : João de Deus, Lucas Dantas, Manuel Faustino, Luis das Virgens, foram considerados Heróis da Pátria, 212 anos após as suas mortes.

João Jorge com Abdias na vista de Obama

Na reunião do conselho curador da EBC – Empresa Brasileira de Comunicação foi votado após um intenso debate de mais de seis meses a pluraridade dos programas religiosos, ou seja a suspensão dos atuais programas cristãos e a criação de programas com as diferentes convicções religiosas existentes no Brasil.

Fui o ultimo dos conselheiros a defender esta proposta e obtive o apoio de uma ampla maioria para que o Candomblé, a Umbanda, o Espiritismo, o Islamismo, o Judaísmo, e as religiões ameríndias possam também falar de sua fé, das suas crenças e da paz destas religiões.

Veio na minha imagem, minha mãe Dona Alice dos Santos Silva uma mulher branca da Bahia no seu terreiro de candomblé dançando para sua Iansã e o seu caboclo Boaidero, veio na minha cabeça a imagem dos terreiros batendo na Boca do Rio e me chamando para ser um dos seus filhos, veio na minha imagem, os negros que conheci e que eram do Candomblé, Deco , Raul que freqüentavam minha casa na rua do Bispo na Praça da Sé, veio na minha mente o que vi no Benin em 1986 nas cidades sagradas de Uidá, Pobé.
Veio na minha mente a autorização da Delegacia de Jogos e Costumes para que o terreiro de minha pudesse praticar seu culto. Veio na minha mente a luta do Olodum** junto com outros setores para tirar o posto príncipe da frente do terreiro da Casa Branca.

Passou um filme, na hora uma enorme dor no peito e o medo de não dar conta do recado, mais o nosso amor ao Parque de São Bartolomeu, a terra de Oxumaré, me deram forças e energia, veio na minha mente a homenagem a Yemanjá, a Iansã, a Xangô, a Oxossi nas musicas Olodum e o Ayndeô de Mario Gusmão, e fui lá como um advogado do povo, um mestre em Direito publico, o único negro do conselho curador da EBC, fiz a minha melhor defesa, contei a história da nossa resistência aqui desde 1549, e como fomos perseguidos, combatidos, e ainda assim generosos como manda o Candomblé e a Umbanda, integramos os filhos dos opressores na nossa fé,ganhamos sai e fui chorar no canto alegre por ter aprendido tanto nas ruas da Roma negra – A cidade de Salvador e nas andanças pelo mundo.

A luta pela liberdade religiosa exige respeito e pluralidade, democracia, e energia mais que luz.

Estou muito feliz, Alegre em poder legar aos meus filhos e neto este legado. Eles vão poder ver na TV Publica a religião dos seus avós e antepassados.

O candomblé : A primeira forma de religião do Planeta nascida nas civilizações africanas inspiradas na energia…e na luz.

*João Jorge dos Santos Rodrigues é mestre em direito e fundador do Bloco Olodum
** Em 1984 surge o Grupo Cultural Olodum voltado para atuar no movimento negro brasileiro. Já no final da década, transforma-se em uma das instituições mais respeitadas na luta contra o racismo no país, liderando campanhas em favor dos afro-descentes e pela defesa dos direitos econômicos, sociais e culturais da população.
João Jorge é uma das principais lideranças do Olodum, que na última década do século XX era considerado ícone das conquistas do movimento negro. O diferencial do grupo foi promover uma vigorosa ação sociocultural através de elementos da cultura afro, harmonizando cultura e cidadania nos bairros empobrecidos e negros da capital baiana.
Juventude e educação são eixos importantes do trabalho que promove a auto-estima e o orgulho da comunidade negra. A Escola Criativa Olodum para crianças e adolescentes revela valores culturais, artísticos e históricos de seu contexto social, e garante liberdade de criação e acesso às fontes de cultura. As ações capacitam na área de informática e formam lideranças. A prevenção mantém adolescentes longe das drogas, da criminalidade e das doenças sexualmente transmissíveis, propiciando o fortalecimento dos vínculos familiares, escolares e comunitários.
O resultado institucional mais expressivo foi a campanha que inseriu na Constituição do Estado da Bahia o capítulo XXIII, Artigo 286 a 290, voltado para a defesa dos direitos do Negro. A disseminação do modelo foi replicada por outros grupos culturais como em outras cidades do Brasil (Afro-Reggae, Rio de Janeiro,Projeto Arte no Dique, Santos},Grupo Unidos do Quilombo, Aracaju, e Projeto Sons de Cidadania, Brasília).

Ziraldo abençoa grito de Carnaval racista!


Ziraldo abençoa racistas da república de Ipanema.

Só tive um contato em minha vida, com o autor das histórias em quadrinhos dos heróis de minha infância, o Ziraldo do Curumim, nome que meus primos indíos detestavam serem chamados. Eu não sacava em minha inocência infantil, o quanto havia de racismo e sarcasmo de brancos ipanemenhos, naqueles índios e bichos `humanizados` do Ziraldo, desenhista que dedica sua vida a perpetuar o mito brasileiro das tres raças.
Foram bons tempos de ilusão.
Eu estava do lado de fora na feira do livro de Frankfurt. Esperava o Ilê Ayê chegar , eles iriam se apresentar naquele ano em que o país homenagedo seria o Brasil.
Vi perdido no pátio do estacionamento, vazio de pessoas, uma figura negra de cabelos brancos, meio estilo hindu. Estava prá lá de perdido. Reconheci o meu herói de infância, o Ziraldo, que havia esquecido suas credenciais e não lhe permitiram o acesso à feira onde iria expor seus livros.
Não me fiz de rogado. Disse-lhe que me seguisse. Entramos pela porta dos artistas, em meio aos músicos e dançarinos, todos pretos como diz Caetano, amigos meus da Bahia.
Ziraldo agradeceu, e comentou na despedida, que havia sido uma boa experiência ter sido negro uma vez em sua vida.
Fui prá minha vida nos anos que se seguiram, sem entender a frase de agradecimento. de quem eu achava em meu imaginário dos anos 70s, ser único o preto do “Comitê de Defesa do Crioléu”, a editora “Codecri” responsável pelo Pasquim. Sai pensando, pelo Z do nome, que ele deve se achar árabe.
Hoje Ziraldo empresta seu nome a um bloco racista, com viés neoazista em seu grito de Guerra, “Que merda é essa”.
Ziraldo com sua imagem pregada nas camisetas, vai sair nas ruas do Rio, balançando nos peitos e bundas ipanemenhas, o escritor Monteiro Lobato, agarrando na cintura de uma mulher negra, enquanto a onça, que eu esqueci o nome, lhe passa u’a mão nas nádegas e com a outra segura um porrete de quem está pronto para sair na porrada contra um inimigo, que lhe quer tirar-lhe o privilégio de garoto do reino, que pode passar as mãos nas nádegas de quem quiser.
Ziraldo, com racismo não se tem tolerância, segundo texto da Afropress, você defende um racismo bom. Vamos dizer palatável.
Minha biblioteca tem seus quadrinhos, como tem os livros de Monteiro Lobato. Como já fazia parte de minhas recomendações para lerem Lobato, acrescentarei você, para alertar sobre como difundem-se idéias racistas, também de formas jocosas e até estéticas. São livros. Eu não queimo nem “Mein kampf” de Hitler, que serve de aviso para quem sabe ler, sobre como funcionam as cabeças dos racistas.
Quanto às tropas de choque carnavalescas, que você municia com seu racismo bem-intencionado, que a sociedade responda. Afinal esta garotada dourada já faz tanta titica, que desfilar com bosta na camisa, talvez não cause surpresa a ninguém.
mr