Não se pode avaliar um pastel só pelo tamanho da azeitona. O golpezinho institucional.


Não se pode avaliar um pastel só pelo tamanho da azeitona.

por marcos romãodescob1
O pastel de vento é o golpe institucional engendrado por grupos em volta de Temer e, dado encima de um PT que como a azeitona prometida, durante estes anos golpeou as instituições brasileiras, quando ao desprezá-las não as fortaleceu.

O pastel de vento com azeitonas, constata-se ao morder, não ter nem azeitonas, que foram surripiadas durante o transporte até o balcão em que o povo esperava.

Quando funcionários de carreira na área da saúde, só para dar um exemplo, são sistematicamente preteridos por “comissários”, que passam por cima de todas as regras institucionais, ao se tomar decisões em defesa de interesses alheios saúde pública, como aconteceu com a criação da EBSERH no apagar das luzes do 2º governo Lula. Não é de se esperar que estes mesmos funcionários irão para as ruas defender o governo de coração aberto. Se o fazem o fazem com reticências claras.
Este exemplo e muitos outros, transpareceram nas revoltas que acontecem desde junho 2013, em praticamente todas as áreas institucionais do país.
Um morador das periferias do Brasil pensa no momento 10 vezes antes de manifestar sua opinião, ou ir para as ruas. Sabe que isto pode lhe custar a vida nas garras da instituições policiais de governadores e de prefeitos nos quase 6000 municípios do Brasil.

Em minha opinião não é só o governo que está fraco, mas sim, todas as instituições administrativas brasileiras.
Assim o golpe que está sendo dado, é um golpe em um país institucionalmente golpeado nas suas instituições políticas e nos princípios de respeito aos direitos humanos.

Aqui embaixo nas periferias de todo o Brasil, ou aí ao lado do palácio e da redações políticas dos grande jornais, nas cidades satélites, o cognominado “Povão”, só guardou do domingo, 17 de abril, a ontológica frase do representante do Satanás na Câmara de Deputados:

” Que Deus tenha misericórdia do Povo Brasileiro”.

O que me faz lembrar o ativista negro, sociólogo Guerreiro Ramos, que era detestado pela esquerda aparelhista e pela direita golpista enlatadas do Brasil, que foi a primeira pessoa cassada em 64 pelo seu aluno Marechal Castelo Branco:

” O Brasil é um país de cretinos”, disse Guerreiro Ramos ao ir para o exílio.indios

Em resumo digo, precisamos de uma refundação das instituições brasileiras que foram demolidas. Não será substituindo uma titica de governo que foi escolhido, por uma titica que não foi escolhida, que iremos encontrar uma solução para todos os brasileiros.
Está na hora de parar este golpe nas instituições, liberdades democráticas e direitos humanos fundamentais, que só se aprofundou contra a Constituição de 88, de 1989 para cá:

O golpe da aposta cada vez maior na “des-educação” para ignorância política dos quase cidadãos e afastamento sistemático do voto popular do seu poder de representatividade, através de um sistema eleitoral, em que se vota num coelho que parece honesto para se levar dez muares larápios para casa.

No momento aqui embaixo as únicas forças “institucionais” organizadas que podemos ver, são as polícias super aparelhadas, as milícias completamente disseminadas, e os grupos de tráfico e outros crimes sob controle dos dois primeiros.
Os alemães chamam no “Spiegel”, o que se passa no Brasil, de “Golpe Frio”, que na sociologia brasileira chamamos de “golpe branco”.

Ouso dizer que o que se passa aqui embaixo, pelos relatos que recebo de amigos e amigas que vivem em bairros periféricos de todo o Brasil, é que vivemos sob um ” Golpe de Morte” da cidadania, dos direitos políticos e do direito fundamental à vida.

Qual a chance que tem de opinar, quem vive sob esta ditadura difusa, em que a qualquer momento pode-se levar um tiro na cama enquanto se dorme?

Qual o lado que um “popular anônimo” pode escolher, quando todos sabem para que lado pendem as forças organizadas do mal, acima citadas, na hora em que o bicho pega?

Ao aparelhar os movimentos sociais e praticamente destruí-los, o PT e grupos em volta, têm uma grande parcela da culpa no crescimento da ignorância política do brasileiro. Não é só a direita declarada que aposta na ignorância política de nossas gentes nestes brasis.

Temo ao ler em textos de intelectuais de esquerda, que a presidente falar lá fora, vai “denegrir” a imagem brasileira.
Me lembram dos textos da ditadura militar, que nos incriminavam por enviarmos para fora do Brasil, notícias dos crimes de torturas, mortes e desaparecimentos. Diziam então, que nós que trabalhamos com direitos humanos “denegríamos” a imagem do país.

Que a presidente fale para o mundo e, enegreça a visão branca que ela também tem, sobre o que esta acontecendo no Brasil, tenha ela culpa no cartório ou não.

Desde 2013 assisto nos noticiários uma só versão do que se passa no país, a versão de que os ricos, a classe média alta e a classe média média está indignada, com Dilma e o PT. Nada sai sobre a indignação de alguns e silêncio temeroso da maioria da população que sofre consciente ou não uma guerra à sua cidadania, direitos e possibilidades de expressão.descobrimento-do-brasil-24

Guerra levada a cabo pelas milícias fardadas, controladas por governadores, que mantém sob o medo no campo e na cidade quem vive nas margens da pobreza, desemprego e escravidão moderna. Morador de periferia que tem trabalho, leva 8 horas nos meios de transportes, 10 horas no trabalho e o que sobra dorme com um olho aberto, atrás da geladeira para se proteger das balas perdidas com alvos certos.

Cadê o tempo para exercer sua cidadania, ou mesmo uns segundos de lazer?

Vejo que a raiva e até ódio, que muitos amigos e amigas tem das trapalhadas, malfeitos e clientelismo/aparelhismo/corrupção deslavada realizadas durante os governos do PT, obliteram a capacidade de observar, que forças políticas estão a tomar o poder, e que grupos sociais irão levar o lenho das porradas que já começaram.

Vejo que ao lavarem a bacia, estão a jogar a criança no rio fétido de lama em que se transformou a política partidária brasileira.

Está na hora de todos renunciarem.

PS: O significado de sociologia ou análises enlatadas, para Guerreiro Ramos é, ao comparar a produção do pensamento intelectual brasileiro, com o produtos importados que chegavam ao Brasil em lata e eram consumidos diretamente, sem nenhum acréscimo dietético. Ele dizia que a nossa produção intelectual tem o vício ainda vigente, de importar teorias e, como espartilhos aplicá-las nas análise de nossa realidade.

Daí a meu ver, é que em quase 100% dos textos analíticos que tenho lido(sou da velha guarda, leio até dormindo), não cabem nos espartilhos do conhecimento enlatado e neocolonizado e produzido, a maioria dos atingidos pelas políticas “boladas” pelos nossos gênios de Campinas, UFF, USP, UERJ e Fundação Getúlio Vargas entre outras instituições menos badaladas.
Afinal desde a época de Guerreiro Ramos e do Estado Novo, são instituições extremamente aparelhadas, não pelas esquerdas, como se fala, mas pelos produtores de conhecimento conservador, neocolonial/desenvolvimentista e excludente de análises sobre o que é, quem é, e o que quer a maioria de nossa população brasileira.

As esquerdas brasileiras tem a mania de falar da existência de 2 Brasis, este vício enlatado de análise, tá pegando até nos meus amigos do movimento negro, que pegando de carona a dicotomia, marcante do Lênin e seus seguidores MLs, além dos troskos, estão agora a repetir um discurso do início da carreira de Malcon X, que é dizer que o Brasil está dividido entre casa grande e senzala.
Desde 2012 que falo para amigos e amigas do peito, que estamos diante de um monte de brasis, temos que encarar isto. Quem não tinha visto, pode ver, se o quis, no domingo “insangrento” de 17 de abril.

Pode ver, que este monte de brasis é conservador, violento, trucidador de caráteres e de vidas.

Só sobrevive a esta gente quem vive e bebe da sapiência popular, que diz que não se dá murro em ponta de faca, nem quando ela está na bainha.
Com o “golpezinho” institucional, que está ocorrendo encima de um grupo que se lixou 13 anos para as regras de bom alvitre institucional, quem estava ao lado e com a faca na bainha desde 1985, mostra agora a faca.
Até o Gato Angorá Moreira Franco, que elegemos aqui em Niterói em um desafio à ditadura e que só depois mostrou quem era, está com a pedra de afiar facas na mão.

Como esses gatinhos “democratas” vão usar a faca institucional, eu não sei, mas o que podemos assistir, é que a canalhada que se “a-postou” nas asas dos “aparelhos” do PT, já mudou de lado, e já negocia como entrar no ” Grande Aparelho” da “Chagas Freitas”, peemedebista e assemelhadas.

Desconfio que a conhecida faca, vai continuar é cortando os “quer-pensantes”, um neologismo que comprei em lata alemã, que significa, “o que pensa atravessado”, como definiam Karl Marx, o ” Der Querdenker”, ou “querulante” como dizem os fidalgos espanhóis de seus detratores.
Já liguei o meu medidor importado de “suportabilidade”, palavra que pego emprestada da “Era Petiana” com seu festival de palavras e bravatas, “disponibilizadas” para definir o milagroso aparelho inventado por quem já viveu todo tipo de ditadura,  para medir até quando se aguenta tanta canalhice em tempo real.
Não nos esqueçamos que Alfredo Buzaid também era um “jurista”, e que os milicos-civis também fizeram uma “constituiçãozinha” só para eles.

Na pausa do escrever este artigo, fui na esquina comprar um pé-de-moleque. Pude assistir com prazer uma mãe negra indo pegar seu moleque maior que ela, que tava de papo com os garotos da boca.

Respeitosos, deram boa noite para a senhora e pediram para não falar com a mãe deles.

Ela seguiu seu caminho para casa, com o seu garoto vivo e ainda obediente caminhando dois passos à frente sob a sua guarda.

É para e com estas mães e seus garotos ainda vivos, que desejo compreender e entender o Brasil para ajudarmo-nos a nos defendermos.

 

MEU PAÍS É MEU DEUS, MINHA FAMÍLIA, MEUS AMIGOS E MEU CURRAL ELEITORAL


O domingo em que o sim virou um amém universal, na câmara federal de deputados em Brasília.

Por Marcos Romão*

"Thesouro do Estado de S.Paulo - Brazil", "Pró-Constituição" Valor de 5 mil reis - Série 1ª, Estampa 2ª, Domingos Jorge Velho.

“Thesouro do Estado de S.Paulo – Brazil”, “Pró-Constituição”
Valor de 5 mil reis – Série 1ª, Estampa 2ª, Domingos Jorge Velho. Saiba mais

Levei muito a sério as declarações de todos os votos “sim”, pelo impeachment da Dilma.
Apesar de parecer uma chanchada de antes do cinema novo, levei realmente muito a sério a mímica e gestualística de cada um e de cada uma, nos poucos segundos de fama que conseguiram de exposição nas telinhas, diante de milhões de brasileiros e brasileiras.
As mímicas lembravam gestos cafonas de bodas de pratas ou formaturas de colégios do século passado.

Eram pessoas tímidas em sua maioria, que não sabiam o que falar, ou como falar para grandes públicos.
Não os menosprezo, pois já os conheço e os encontro todo dia já há um mês, se preparam para a disputa para a vereança, que deve acontecer em outubro.

Eles são assim mesmo, gente da política do varejo, que vive e obram suas miudezas mentais nos quase 6000 municípios no Brasil.
Aqui embaixo tem gente nesta disputa por pequenos cargos nos organismos públicios, que pertence a todas as cores, gêneros e classes, mas só uma maioria de homens e brancos ultrapassam a barreira do voto para se tornarem vereadores e, só uma minoria majoritária de homens e brancos, mas que pertençam a alguma família do poder, chegam a se tornarem deputados estaduais.
É na disputa para deputados federais, que se revela que quase só homens e brancos pertencentes às famílias abastadas ou amigos delas, conseguem atingir o olimpo do Planalto Central.

Mas todos conservam este fleugma de pobres de espírito, típicas de políticos acostumados à política do varejo nas disputas pela vereança.
Ao contrário dos pensadores, intelectuais jornalistas e outros que se especializaram nas redes sociais em fazer política para gente que é crítica demais para votar, eles sabem que política sem partidos e ideologias, se faz no suor do varejo.
Não é preciso muita conversa. Saber fazer festas, organizar doações, curtir churrascos de esquina são as coisas que contam ponto. E a família é fundamental para isto.
Não é à toa, que ficou todo mundo mandando beijinhos em público até para cachorros em seus currais eleitorais. Ou no privado mandando selfies, para familiares e amigos que se encarregavam de distribuírem imagens via whats app, do grande homem lá em Brasília.
Brasil, este país de 205 milhões de almas?

Isto não lhes importam.

O que importa é aquele voto do varejo, conseguido nos compadrios, afagos e trocas de favores.
Alguns chegaram quase ao ponto no início de suas falas, de lembrarem ao presidente Cunha, que ele havia esquecido de fechar as barriguilhas depois que eles babaram os seus ovos.
Sim, porque além dos votos de varejo eles precisaram de padrinhos para chegarem no planalto, precisaram de alguém que entendesse do regimento e da distribuição de favores e os instruíssem a hora de dizer amém.

Por todas estas coisas levo a sério estes deputados. São eles que definem as ocupações de ´cargos públicos” em todos os municípios do Brasil. São eles que decidem até se vamos mijar em banheiros públicos ou nas ruas.

Como são homens, brancos ou assemelhados e das classes altas ou seus amigos:
A conclusão que tenho é que vamos ter muito trabalho pela frente, para que estes banheiros públicos da política, não passem a ter aquelas plaquinhas tipo Alabama. de uso exclusivo só para os escolhidos de Deus, da família e da propriedade deles.

Foi muito instrutivo conhecer todos eles, como diria minha avó.
Agora é descobrir os caminhos para termos uma reforma profunda no processo de escolha de nossas representações políticas.
Como está, estamos condenados a conviver com esta escória hipócrita o resto de nossas vidas.( nesta incluo até meia dúzia dos que votaram pelo não).

Como constata o sociólogo radicado na Alemanha, Ricardo Alves de Barros .

“Ver o Brasil como ele é, choca muito.”
São três anos que eu e minha companheira estamos aqui no Brasil.
Cada vez que vemos nos ônibus ou nos trens, alguém vociferando o nome de Jesus. Cada vez que queremos sair ou voltar para casa, e temos que passar um whats app para saber como está o clima de violência.

Cada vez que o atendente do guichê que procuramos, se recusa a nos atender, dizendo que o Brasil é assim mesmo e é preciso ter paciência para esperar o medicamento que foi desciado ou surrupiado.

Cada vez que olhamos na banca da esquina as manchetes estampandos diárias, manchetes de 4 ou 5 garotos pretos mortos só em Niterói e São Gonçalo e cada vez que escutamos um ministro falando que desenvolver é tirar índios, camponeses e quilombolas das terras e destruir o meio-ambiente para dar espaço ao agronegócio.

Cada vez que vemos estas coisas e mais, repetimos o quanto nossos amigos, que tecem teorias mirabolantes sobre confrontos de classes e sobre a economia mundial:

Revelam na realidade um total desconhecimento da mentalidade cultural neocolonial, cruel e violenta que no Brasil, domina as cabeças desde os “burgueses” até a cabeças do mais “despossuídos” da nação.

Slogans como “Pátria Educadora”, ” As elites do poder…” e “Salvamos milhões da miséria”, mais deseducam que informam e transformam as pessoas. Na verdade as cegam de verem o envolta e as motivarem a mudanças de mentalidade, e as fazem aceitar o lema positivista de ordem e progresso, em que só as ordens da morte aos diferentes, podem garantir o nosso progresso particular, de nossas famílias e amigos de bolso.

Ainda não trabalhamos nossas mentes para nos limpar do DNA cultural de Domingos Jorge Velho e suas tropas de bandeirantes brancos e mamelucos.

Domingos, chegou a levar de uma só vez para o seu patrão, 4 mil pares de orelhas de pessoas de tribos indígenas, para provar sua eficiência e subserviência ao patrão e receber seu soldo ou bônus.

Neste domingo, o novos Domingos Jorge Velhos levaram para o “Presidente suspeito de ser Ladrão”, 108 milhões de orelhas de eleitores.

Cada genuflexão do sim era um amém à tradição, à família e à propriedade de uma minoria de proprietários das terras, riquezas e pessoas objetos da escravidão moderna no Brasil.

A escravidão cultural da falta de informação e da ignorância sustentada pelas famílias que controlam os meios de comunicações é o novo império português do século XXI no Brasil.

Amém Instituto Millenium. Amém Bandeirantes.

 

CARTA DE TEMER A DILMA Publicada na Coluna do Moreno


do Original Coluna do JORGE BASTOS MORENO 07/12/2015 22:56
dilma-temer

 

 

 

 

 

 

 

 

São Paulo, 07 de Dezembro de 2.015.

Senhora Presidente,
“Verba volant, scripta manent”.
Por isso lhe escrevo. Muito a propósito do intenso noticiário destes
últimos dias e de tudo que me chega aos ouvidos das conversas no Palácio.
Esta é uma carta pessoal. É um desabafo que já deveria ter feito há
muito tempo.

Desde logo lhe digo que não é preciso alardear publicamente a
necessidade da minha lealdade. Tenho-a revelado ao longo destes cinco anos.
Lealdade institucional pautada pelo art. 79 da Constituição Federal. Sei quais
são as funções do Vice. À minha natural discrição conectei aquela derivada
daquele dispositivo constitucional.

Entretanto, sempre tive ciência da absoluta desconfiança da senhora
e do seu entorno em relação a mim e ao PMDB. Desconfiança incompatível
com o que fizemos para manter o apoio pessoal e partidário ao seu governo.
Basta ressaltar que na última convenção apenas 59,9% votaram pela aliança.
E só o fizeram, ouso registrar, por que era eu o candidato à reeleição à Vice.

Tenho mantido a unidade do PMDB apoiando seu governo usando o prestígio
político que tenho advindo da credibilidade e do respeito que granjeei no
partido.

Isso tudo não gerou confiança em mim, Gera desconfiança e
menosprezo do governo.
Vamos aos fatos. Exemplifico alguns deles.
1. Passei os quatro primeiros anos de governo como vice
decorativo. A Senhora sabe disso. Perdi todo protagonismo político que
tivera no passado e que poderia ter sido usado pelo governo. Só era
chamado para resolver as votações do PMDB e as crises políticas.
2. Jamais eu ou o PMDB fomos chamados para discutir
formulações econômicas ou políticas do país; éramos meros acessórios,
secundários, subsidiários.
3. A senhora, no segundo mandato, à última hora, não
renovou o Ministério da Aviação Civil onde o Moreira Franco fez
belíssimo trabalho elogiado durante a Copa do Mundo. Sabia que ele
era uma indicação minha. Quis, portanto, desvalorizar-me. Cheguei a
registrar este fato no dia seguinte, ao telefone.
4. No episódio Eliseu Padilha, mais recente, ele deixou o
Ministério em razão de muitas “desfeitas”, culminando com o que o
governo fez a ele, Ministro, retirando sem nenhum aviso prévio, nome
com perfil técnico que ele, Ministro da área, indicara para a ANAC.
Alardeou-se a) que fora retaliação a mim; b) que ele saiu porque faz
parte de uma suposta “conspiração”.
5. Quando a senhora fez um apelo para que eu assumisse a
coordenação política, no momento em que o governo estava muito
desprestigiado, atendi e fizemos, eu e o Padilha, aprovar o ajuste fiscal.
Tema difícil porque dizia respeito aos trabalhadores e aos empresários.
Não titubeamos. Estava em jogo o país. Quando se aprovou o ajuste,
nada mais do que fazíamos tinha sequencia no governo. Os acordos
assumidos no Parlamento não foram cumpridos. Realizamos mais de
60 reuniões de lideres e bancadas ao longo do tempo solicitando apoio
com a nossa credibilidade. Fomos obrigados a deixar aquela
coordenação.
6. De qualquer forma, sou Presidente do PMDB e a senhora
resolveu ignorar-me chamando o líder Picciani e seu pai para fazer um
acordo sem nenhuma comunicação ao seu Vice e Presidente do Partido.
Os dois ministros, sabe a senhora, foram nomeados por ele. E a
senhora não teve a menor preocupação em eliminar do governo o
Deputado Edinho Araújo, deputado de São Paulo e a mim ligado.
7. Democrata que sou, converso, sim, senhora Presidente,
com a oposição. Sempre o fiz, pelos 24 anos que passei no Parlamento.
Aliás, a primeira medida provisória do ajuste foi aprovada graças aos 8
(oito) votos do DEM, 6 (seis) do PSB e 3 do PV, recordando que foi
aprovado por apenas 22 votos. Sou criticado por isso, numa visão
equivocada do nosso sistema. E não foi sem razão que em duas
oportunidades ressaltei que deveríamos reunificar o país. O Palácio
resolveu difundir e criticar.
8. Recordo, ainda, que a senhora, na posse, manteve reunião
de duas horas com o Vice Presidente Joe Biden – com quem construí
boa amizade – sem convidar-me o que gerou em seus assessores a
pergunta: o que é que houve que numa reunião com o Vice Presidente
dos Estados Unidos, o do Brasil não se faz presente? Antes, no episódio
da “espionagem” americana, quando as conversar começaram a ser
retomadas, a senhora mandava o Ministro da Justiça, para conversar
com o Vice Presidente dos Estados Unidos. Tudo isso tem significado
absoluta falta de confiança;
9. Mais recentemente, conversa nossa (das duas maiores
autoridades do país) foi divulgada e de maneira inverídica sem nenhuma
conexão com o teor da conversa.
10. Até o programa “Uma Ponte para o Futuro”,
aplaudido pela sociedade, cujas propostas poderiam ser utilizadas para
recuperar a economia e resgatar a confiança foi tido como manobra
desleal.
11. PMDB tem ciência de que o governo busca
promover a sua divisão, o que já tentou no passado, sem sucesso.
A senhora sabe que, como Presidente do PMDB, devo manter
cauteloso silencio com o objetivo de procurar o que sempre fiz: a unidade
partidária.

Passados estes momentos críticos, tenho certeza de que o País terá
tranquilidade para crescer e consolidar as conquistas sociais.
Finalmente, sei que a senhora não tem confiança em mim e no
PMDB, hoje, e não terá amanhã.

Lamento, mas esta é a minha convicção.

Respeitosamente, \ L TEMER
A Sua Excelência a Senhora
Doutora DILMA ROUSSEFF
DO. Presidente da República do Brasil
Palácio do Planalto
Brasília, D.F.

O BANIMENTO DE UM & O IMPEDIMENTO DA OUTRA


por Luiz Carlos Gá
impedimento

 

A Lei Áurea atrasou a nossa libertação e a república nos empurrou para essa esquizofrênica competição partidária e nós nos deixamos seduzir pelos partidos políticos acreditando que, a “esquerda” nos brindaria um dia quem sabe, com a democracia racial. Negros, índios e brancos vivendo felizes e com todos os direitos constitucionais respeitados.

Na senzala estávamos unidos, olhando olho no olho, falando no boca a boca e o partidarismo branco nos dividiu.

Agora, antes de sermos negros, somos adversário políticos defendendo sempre o sinhozinho, tenha ele o nome que tiver. Mas, faz parte do nosso projeto político quebrar essa estratégica maquiavélica.

127 anos depois daquela princesinha mentirosa e mal intencionada assinar aquele mal dito documento Imperial, constatamos que, após a ressaca do 14 de maio de 1888 ficamos literalmente por conta própria.

43 governos sucederam-se e todos, sem exceção, de Marechal Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, todos trataram de garantir caprichosamente o bem demarcado espaço entre a casa grande e a senzala, deixando um rastro de sangue e de migalhas para controlar a fome dos escravizados, que continuam andando por ai, chorando, sorrindo e “resistindo”, odeio essa palavra que me remete a estagnação.

 

«OS NEGROS AINDA SORRIEM. PREOCUPA-ME O MOMENTO QUE COMEÇAREM A RANGER OS DENTES.»

 

Alerta o nosso griô Milton Santos.

Como ainda não dominamos plenamente as ferramentas da economia, as migalhas continuam sendo o instrumento de controle do rebelado como você, como eu e como esse exército de negros assumido que não para de crescer, num sintoma implícito e explícito de que nossa vitória está cada vez mais perto, pergunte ao IBGE.

Exu aponta para mudanças nessa relação étnica de poder e tome lá encruzilhada! Tome lá crise disso e daquilo outro que esse problema não é nosso, nós viemos para cá seqüestrados, lembram?

Brancos racistas que se entendam porque agora nós vamos assistir de camarote e bebendo marufo na cuia.

Já meio de saco cheio o Orixá sopra no meu ouvido: – Negro! Escolha logo a sua melhor visão de jogo, você já sabe tudo que é para fazer! Está esperando o quê? Laroiê!

Já escolhemos a direção e estamos quase preparados, mas não queremos caminhar junto a eles, vamos desmoralizar esses instrumentos racistas que estão estragando o País que construímos com muito suor e lágrima, sabemos disso só que ficha ainda não caiu para todos.

São 82 assassinados todos os dias que, covardemente os racistas escolhem com prazer os mais novinhos, tanto que estão diminuindo a maioridade idade penal, não sabem o que fazer com a própria violência e ficam culpando e punindo a gente de um crime que nunca cometemos.

Matar torna mais barato o bolsa família, projeto estratégico de chantagens eleitoreiras, mas nosso povo não é bobo, aproveita bem os bônus e depois rejeita o governo, “cuspindo no prato que comeu”.

“Negro Ingrato”, intitulava-se Abdias Nascimento como revolucionário que sempre foi, o que deixa alucinados os governista de todos os governos!

É fantástica essa ingratidão revolucionária!

Quem abre mão de exercer privilégios as nossas custas? Quem vai lavar o chão e a privada, fazer comida na hora certa debaixo de mau humor e violência?

Seus carros, quem vai limpar e dirigir?

O mais estratégico é que percebemos que somos nós que protegemos o patrimônio deles?

Não somos nós que protegemos todas as fortunas menos a nossa?

Isso vai mudar não demora, precisamos só de mais uns 150 anos, é um Abdias e meio, passa rápido, rapidinho.

Luiz Carlos Gá

‪#‎NãoMexaNoJosepha

A batalha de Borodino


Nas Entrelinhas: Luiz Carlos Azedo
Publicado no Correio Braziliense – 25/10/2015
 
Ao se aliar a Cunha, a oposição perde o discurso ético e a sintonia com a opinião pública. É tudo o que o Planalto precisa para barrar o impeachment
 
Na madrugada do dia 24 de junho de 1812, o exército de Napoleão atravessou o rio Nemen e invadiu a Rússia. Eram 678 mil combatentes, levando 1.420 canhões. Havia soldados da Prússia, Áustria, Bavária, Saxônia, Itália, Polônia, Espanha, Croácia e até de Portugal, em 10 corpos de exército, quatro tropas de cavalaria, mais a força de elite da Guarda Imperial, comandado pelo próprio Napoleão, com 250 mil homens, a maioria franceses, e 527 canhões.
O Exército de 900 mil homens da Rússia estava disperso na Moldávia, na Crimeia, no Cáucaso, na Finlândia e em regiões do interior, longe da fronteira ocidental, onde havia apenas 280 mil homens e 934 canhões. A única tentativa de reação russa foi frustrada pelo marechal francês Davout, que bloqueou a passagem do general Pyotr Bagration, que se deslocava com 62 mil homens pela Bielorrússia para se juntar aos 160 mil do general e ministro da guerra, Mikhail Bogdanovich Barclay de Tolly, perto de São Petersburgo. Sem condições de contra-atacar, os russos começaram a se retirar em direção a Moscou.
Na medida em que avançava, porém, a Grande Armée sofria os males da campanha: a fadiga, a fome, a deserção e a morte. No lado oposto, Barclay foi destituído do comando pelo czar Alexandre I e substituído pelo velho general Mikhail Illarionovich Kutuzov, que manteve a estratégia de seu antecessor. Napoleão, então, rumou direto para Moscou. Trágico engano.
Kutuzov decidiu lutar. Estacionou 155 mil homens e 640 canhões na aldeia de Borodino, a menos de 150km de Moscou. No dia 7 de setembro, às 6 horas da manhã, Napoleão deu início ao ataque com apenas 135 mil homens e 587 canhões da sua guarda. O sangue jorrou até depois do pôr-do-sol. Apesar de vitorioso, amargou 58 mil mortos, incluindo 48 marechais. Os russos perderam 66 mil homens, entre eles o general Bagration. A falta de reforço e o massacre fizeram Kutuzov se retirar, mas em ordem.
Do alto das colinas da aldeia de Borodino, a 124km de Moscou, enfraquecido, Napoleão Bonaparte hesitou atacar o que restara das tropas de Kutuzov. Pretendia se apossar da cidade, cujas cúpulas douradas já podiam ser avistadas no horizonte, sem luta. Aguardava a rendição oficial e um tratado de paz assinado pelo czar Alexandre I, mas nada aconteceu. No dia 14 de setembro, Napoleão se cansou e iniciou a invasão final. Esperava o mais dramático combate, mas não houve a batalha.
Moscou, com 250 mil habitantes à época, fora evacuada. Estava reduzida a 25 mil pobres e miseráveis, sem ter o que comer. O fogo tomou conta da cidade, cujas casas eram de madeira. Após cinco semanas acampando sobre as cinzas da cidade, Napoleão decidiu dar meia volta e iniciar o retorno à França, numa dramática retirada em pleno inverno, fustigado pelo exército e pelos guerrilheiros russos. O resto da história todos sabem: os soldados russos marcharam até Paris.
O pântano
 
A campanha do impeachment da presidente Dilma Rousseff corre sério risco de virar uma espécie da Batalha de Borodino. Os partidos de oposição começam a sangrar por causa do impasse em torno da aceitação ou não do pedido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Reapresentado pelo ex-deputado Hélio Bicudo, um dos fundadores do PT, e pelo jurista Miguel Reale Júnior, com apoio dos partidos de oposição, PSDB, DEM, Solidariedade e PPS, o novo pedido incorpora as “pedaladas fiscais” de 2016, que o governo nega existirem.
A decisão de abrir o processo de impeachment cabe ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que manobra para ganhar tempo e evitar a própria cassação, por quebra de decoro parlamentar, em razão de mentir quanto à existência de suas contas na Suíça. As provas reveladas pelo Ministério Público Federal, entretanto, são contundentes. Na quinta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki determinou o sequestro de R$ 9,6 milhões que o parlamentar possuía na Suíça. A Operação Lava-Jato investiga o recebimento de R$ 5 milhões de propina da Petrobras, que teriam abastecido essas contas.
O pedido de cassação de mandato impetrado pela Rede e pelo PSol, com apoio de 52 parlamentares, porém, coloca em xeque os líderes da oposição que relutam em subscrevê-lo, na esperança de que Cunha despache a favor da abertura do processo de impeachment. O governo também aposta num acordo com Cunha, pelo qual seu mandato seria preservado em troca da rejeição do pedido de impeachment. O tempo, porém, corre a favor da presidente Dilma e contra a oposição.
Ao se aliar a Cunha, a oposição perde o discurso ético e a sintonia com a opinião pública. É tudo o que o Planalto precisa para barrar o impeachment, pois é bem provável que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, peça o afastamento de Cunha da presidência da Câmara. Diante dos fatos, não será surpresa se o mesmo for aceito pelo Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto o impeachment se atola no terreno pantanoso do baixo clero da Câmara, apesar do amplo apoio nas ruas.

A falsa internet grátis: Acordo entre Dilma e fundador do Facebook pode destruir Marco Civil


Raphael Tsavkko Garcia*

Dilma e Zuckerberg anunciam parceria

Dilma e Zuckerberg anunciam parceria

Após anos de discussão, de pressão e mesmo resistência frente às tentativas por parte das empresas de telecomunicações e deputados financiados por elas de tornar o texto inócuo ou totalmente desfavorável ao consumidor, o Marco Civil que ainda carece de regulamentação em algumas áreas pode virar letra morta.

A presidente Dilma Rousseff, reunida com o fundador do Facebook, Marck Zuckerberg, anunciou na sexta-feira, dia 10, uma parceria que pode significar o fim do Marco Civil e indica o caminho que Dilma pretende seguir em relação à regulamentação da Neutralidade da Rede que, resumindo, periga ser o de vetar completamente a neutralidade em prol de iniciativas danosas ao consumidor e liberar a prática do Zero Rating.

Dilma e Zuckerberg firmaram acordo para trazer ao Brasil o projeto Internet.org que já funciona em países como Guatemala, Panamá, Gana, Quênia, dentre outros, e que basicamente permite acesso gratuito via celular a alguns serviços básicos (ou considerados básicos pelo Facebook e por empresas de telefonia e provedores parceiros), como a Wikipedia e, obviamente, o próprio Facebook.

emaranhadoEm outras palavras, a “internet grátis” que Dilma e Zuckerberg pretendem trazer ao país nada mais é que uma internet capenga, restrita a alguns serviços escolhidos por empresários interessados, e não a internet em si, com todo seu potencial, livre e irrestrita. Trata-se de um projeto que visa controlar o acesso dos indivíduos, liberando apenas sites escolhidos e aplicações definidas por terceiros, impedindo o acesso realmente livre e reduzindo a internet que uma parte considerável do mundo acessa – em especial os mais pobres – um ambiente controlado e restrito.

A Neutralidade da Rede como consta do Marco Civil e também como princípio defendido até pelo FCC americano veda expressamente a discriminação de pacotes e, obviamente, veda a prática de Zero Rating, que é justamente discriminar serviços e aplicativos/aplicações  – e que já existe no Brasil e permanecerá existindo até que o Marco Civil seja totalmente regulado e da forma como ativistas e especialistas propõem.

As práticas atuais de diversas empresas de telefonia brasileiras de, por exemplo, permitir o acesso ao Whatsapp ou ao Facebook, mas vetar o acesso ou cobrar pela conexão que saia desses aplicativos (clicar em um link recebido no Whatsapp que direcione ao navegador, por exemplo e em alguns casos até mesmo assistir a um vídeo dentro do aplicativo do Facebook que consome mais dados e, logo, é cobrado) já é algo comum, e tal prática é exatamente o Zero Rating, porém ser comum não torna necessariamente algo legal ou, ao menos, ético ou saudável para o funcionamento da internet enquanto uma rede distribuída e livre.

O acordo entre Dilma e Zuckerberg prenuncia uma péssima regulamentação do artigo sobre a Neutralidade da Rede no Marco Civil, colocando em perigo o acesso dos brasileiros – de todos e todas – à internet, abrindo as portas para a criação de classes dentro da internet de acordo com o poder aquisitivo de cada indivíduo para pagar por acessos premium.

O futuro com Zero Rating e sem Neutralidade é o de provedores não cobrarem mais pela velocidade com que você conecta, mas sim pelo conteúdo acessado e pelos aplicativos ou aplicações.

Um exemplo: É possível imaginar que uma empresa cobre não por 2 megas de velocidade ou 6 megas e com essas velocidades você em tese pode acessar do seu blog pessoal ao Youtube ou Netflix, sem discriminação, mas passe a cobrar um valor para você acessar seu blog e um valor muito mais alto para que você possa assistir a um vídeo no Youtube. Ou ainda pode permitir o acesso mais rápido a um site parceiro e diminuir a velocidade de um site que não pague nada ao provedor.

A internet é como uma estrada, não importa se você vai mais devagar ou mais rápido, no fim das contas todos passam pelos mesmos lugares e chegam a mesmo lugar, apenas em tempo diferente. Com o Zero Rating todos serão obrigados a pagar pedágio, mas quem pagar mais pedágio irá mais longe, enquanto você ficará pelo caminho, impedido de ir adiante.

banda larga

Internet pista-livre prá rico

Isso significa que a internet ficará não só mais cara, mas também que ficará elitizada.

Os mais pobres não poderão ter acesso aos mesmos sites e serviços que os mais ricos, não poderão ter o mesmo acesso ao conhecimento e ficarão restritos ao que provedores, empresas de telecomunicação e o governo permitirem o acesso. Se o provedor decidir que a Wikipedia não faz mais parte do pacote básico, azar o seu, pague um melhor ou fique sem Wikipedia – e isto vale para qualquer site ou serviço.

Há anos Dilma anunciou o PNBL, ou Programa Nacional de Banda Larga, que pretendia universalizar o acesso à internet que, porém, foi e é um completo fiasco, oferecendo velocidade quase nula por um preço abusivo e sem forçar às empresas de telecomunicação que efetivamente invistam em infraestrutura e expandam sua rede. Pior que isso, o PNBL terceiriza uma obrigação estatal, que é a de garantir infraestrutura mínima para que a população tenha acesso ao que é hoje um instrumento necessário para o aprendizado, para acesso à cultura e mesmo para a democracia, um direito humano.

Diante deste fracasso o governo resolveu tomar um atalho que, no fim, viola os direitos dos brasileiros. É uma tentativa torpe de mascarar a incompetência do governo na democratização da internet e também sua falta de interesse no processo, além de deixar claro o conflito de interesses de políticos com empresas de telecomunicação que financiam suas campanhas e que são as grandes interessadas no Zero Rating.

Projetos como o Internet.org parecem bonitos, filantrópicos, na teoria, mas abrem as portas para um controle sem precedentes da internet e também abrem um precedente perigoso, colocando em risco a internet em si.

– Este texto é resultado de trocas e conversas com o ativista pela liberdade na rede João Carlos Caribé

Raphael Tsavkko Garcia é jornalista e blogueiro, doutorando em Direitos Humanos (Universidad de Deusto, Bilbao), mestre em Comunicação (Cásper Líbero) e bacharel em Relações Internacionais (PUCSP). Autor do blog Blog do Tsavkko – The Angry Brazilian

O novo cenário da sucessão


 por Luiz Carlos Azedo

O realinhamento de forças políticas no processo eleitoral sempre tende a ser mais acentuado quando o candidato favorito é ultrapassado por um dos concorrentes

O dado mais importante da pesquisa Datafolha divulgada ontem não foi o empate técnico entre Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB), com ligeira vantagem de um ponto para a primeira, mas a perda de favoritismo da presidente Dilma Rousseff, que ficou atrás da ex-vice de Eduardo Campos na simulação de segundo turno por uma diferença de quatro pontos, ou seja, no limite da margem de erro.

Em tese, esse resultado pode desencadear um novo alinhamento de forças já no primeiro turno. A ameaça de “cristianização” de Dilma Rousseff sempre existiu entre os aliados e partidários do próprio PT, por diversos motivos. Os principais são o péssimo relacionamento com os aliados, o alijamento de lideranças importantes do PT do governo e o excessivo intervencionismo econômico.

O movimento “Volta, Lula!” era uma expressão dessas insatisfações, mas foi contido pelo próprio ex-presidente da República, que rechaçou a possibilidade de concorrer ao Palácio do Planalto no lugar de Dilma. Ainda mais porque a criatura ganhou vida própria e bateu o pé contra o retorno do criador ao poder.

Toda vez que a possibilidade de segundo turno aparece nas pesquisas, a expectativa de um novo mandato de Dilma no Palácio do Planalto, ao contrário do que seria natural, funciona como elemento desagregador de setores da própria base. Agora, a situação é mais delicada porque o Datafolha revelou a possibilidade de Dilma perder a eleição.

Voto útil
Eduardo Campos sempre apostou na “cristianização” de Dilma, pois há setores da base do governo e até mesmo do PT que prefeririam a eleição do socialista, e não a permanência da presidente da República no poder por mais quatro anos. Acreditava que, para chegar ao segundo turno, faria uma arrancada avassaladora, que implodiria a base governista.

O mesmo raciocínio vale para o tucano Aécio Neves, que também tem grande trânsito em setores da base do governo. Com a vantagem de Marina , o fenômeno pode ocorrer ainda no primeiro turno, a favor dele, acredita.

O realinhamento de forças políticas no processo eleitoral sempre tende a ser mais acentuado quando o candidato favorito é ultrapassado por um dos concorrentes, ainda mais a sete semanas da eleição. Antes mesmo do segundo turno, nesses casos, ocorre um fenômeno semelhante ao “voto útil”.

Pesquisas
Esses cenários, porém, merecem o devido desconto em razão de a pesquisa Datafolha ter sido realizada no calor dos acontecimentos trágicos que afastaram da disputa o ex-governador de Pernambuco. Muitos analistas relativizam os resultados da pesquisa do Datafolha nos últimos dias 14 e 15.

Houve a superexposição de Marina na mídia, beneficiada pela forte comoção causada pela morte de Eduardo Campos. Dilma, principalmente, e Aécio terão mais tempo no horário eleitoral, o que deixa a candidata do PSB em desvantagem. Também farão diferença as estruturas de poder e os recursos mobilizados por cada candidato.

O PT, porém, sentiu o golpe. Lula ainda tentou remover a candidatura de Marina Silva, mas o tiro saiu pela culatra, principalmente por causa da forte reação de Ana Arraes, Renata Campos e Antônio Campos, mãe, esposa e irmão do ex-governador pernambucano, respectivamente.

A reação de Aécio Neves foi mais cautelosa. A entrada de Marina Silva foi vista pelo candidato do PSDB como um fato positivo porque garante o segundo turno da eleição. O novo cenário eleitoral, porém, ainda está sendo avaliado. Talvez os tucanos tenham que mudar de estratégia para garantir a presença do ex-governador de Minas no segundo turno.