Os Deuses do Futebol sao Laicos


por Negra Panther( ras adauto)

Frango de Macumba

Frango de Macumba

É muito ridículo para mim ver aquelas cenas repetidas em todos os jogos da Seleção Brasileira, dos jogadores rezando de mãos estendidas ou braços para o alto e muitas ds vezes ajoelhados em círculos piegas como verdadeiras beatas. Com o avanço dessas religiões pentecostais, com a proliferação dos tais “Atletas de Cristo”, essas cenas se tornaram cada vez mais epidêmicas e presentes, como se assistem nos templos evangélicos.

Mas antes eram a macumba, a catimba, o bozó, o candomblé que eram usados como forma de pedir aos astrais a vitória e proteçao para um time numa partida de futebol. No Rio de Janeiro isso era levado aos extremos e lembro-me muito bem os famosos ebós e despachos que eram encontrados na portado Maracanã ou despachados atrás das balizas dos gols, principalmente nas grandes partidas dos grandes clássicos. E cada time tinha por trás um pai ou uma mãe de santo ou algum catimbozeiro para segurar o babado.

O Flamengo, talvez seja o time que mais se utilizou dessas artimanhas e desconfio até que um dos motivos de que o símbolo do Flamengo, o Urubú, seja isso. Pois como estamos tratando de coisa “masculina”, nao seria de bom tom ter um Galinha Preta como símbolo. Mas, quando jovem, gente que era Fluminense, quando o pessoal do Flamengo nos chamava de “Pó de Arroz”, a gente respondia na bucha que o Flamengo era uma “Franga de Macumba”, ou uma “Galinha de Macumba”. E quantas vezes estava no Maracana e vi galinhas pretas voarem e mais tarde urubus sendo lançados pela torcida.

Eu tinha um parente que toda vez que o Flamengo ia jogar no Maraca, o tio se aprontava todo como se fosse ir para uma Sessãode Macumba. Mas antes de sair de casa fazia despacho, com charuto e cachaça, colocava galho de arruda atrás da orelha e dependurava no pescoço aquelas famosas guias de prata com uma imensa figa de guiné preta e vermelha que os adeptos da Umbanda carregam consigo.

Meu pai, um velho e cético baiano, quase um ateu, gostava sempre de sacanear esse nosso parente, principalmente quando era uma peleja do Fla x Flu e o nosso Fluminense metida de enfiada no Mengão, dizendo uma frase que hoje sei que nao era dele, mas que ele dizia sempre para umas situações dessas:

– Se Macumba resolvesse partido de futebol, na Bahia só daria empate.

Por isso é que acho que nao adianta se ajoelhar ridiculamente no meio do campo, agora parece que a febre é geral, e ficar rezando para os céus, pois os Deuses do Futebol são Laicos e não estão nem aí para isso. A bola é que é o verdadeiro deus numa partida. O resto é teatro religioso barato. A prova disso foram as cenas “religiosas” de craques do seleção brasileira e logo após tomarem de enfiada dos alemães e da derrrota pela Holanda. Ou então eles estao cultuando ou rezando para deuses errados.

Negra Panther.

“Nós contra eles”


Nas Entrelinhas: Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense – 06/07/2014O nacionalismo em campo é um sentimento bonito e saudável — até a hora que motiva um jogador a fazer uma covardia em campo, como aquela joelhada  do colombiano Zuñiga na coluna de Neymar.

Ehrenburg(E) com Gustav Regler e Hemingway, Espanha, 1937

O escritor judeu-russo Ilya Ehrenburg Grigoryevich acompanhou a SegundaGuerra Mundial (1939-1945) como correspondente de guerra, com a experiência anterior de repórter na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e na Guerra Civil Espanhola (1936-1939), da qual participou, com o colega norte-americano Ernest Hemingway. Amigo de Jorge Amado e Pablo Neruda, teve várias obras traduzidas no Brasil, entre elas A queda de Paris e Moscou não crê em lágrimas. Os três fizeram um pacto para não contar suas memórias. Ehrenburg, porém, foi o primeiro a quebrá-lo, escrevendo talvez a sua obra mais importante. O último foi Jorge Amado, com Navegação de cabotagem.

Ehrenburg foi o primeiro escritor a denunciar os números do Holocausto, no Livro negro, com relatos de judeus sobreviventes da Polônia e da antiga União Soviética sobre os campos de concentração. Com o fim da guerra, porém, foi muito criticado por seus colegas russos, porque durante a ocupação tratou todos os alemães como “boches”, não distinguia um agente da Gestapo de adolescente mandado para a frente de batalha como bucha de canhão. Como se sabe, o exército de Hitler chegara às portas de Moscou e somente foi derrotado na sangrenta batalha de Stalingrado, que marcou o início da derrocada militar do líder nazista. Morreram na guerra 20 milhões de soviéticos.

“Vamos matar. Se você não tiver matado pelo menos um alemão um dia, você teve desperdiçado aquele dia … Não conte dias; não conta milhas. Conte apenas o número de alemães que você matou…”, chegara a dizer num artigo intitulado Morte. Mais tarde, para se defender, Ehrenburg lembrou um artigo de 1942, quanto Stalingrado ainda estava sob cerco alemão, no qual advogava a benevolência com os prisioneiros.: “O soldado alemão com arma na mão não é um homem para nós, mas um fascista. Odiamos ele. […] Quando o soldado alemão dá a sua arma e se entrega, nós o faremos. Não tocá-lo com um dedo — ele viverá!” Em 2 de fevereiro de 1943, 91 mil homens esfomeados, doentes e exaustos foram feitos prisioneiros, entre eles 22 generais do 6º Exército, depois da rendição do marechal alemão Von Paulus.

Perseguições

Esta lógica do “nós contra eles” teve seus ecos por aqui, quando o Brasil entrou na Segunda Guerra Mundial, depois de um longo namoro do presidente Getúlio Vargas com o Eixo (Alemanha-Itália-Japão), nos primeiros anos do Estado Novo (1937-1945). Em 1942, quando navios brasileiros foram afundados por submarinos alemães no Oceano Atlântico, Vargas fez um acordo com o presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt, e o Brasil entrou na guerra ao lado dos Aliados (Estados Unidos, Inglaterra, França e União Soviética, entre outros).

Alemães, italianos e japoneses e seus descendentes no Brasil passaram a ser imediatamente perseguidos. Clubes foram fechados ou obrigados a mudar de nome, caso do Palmeiras, antigo Palestra Itália, e do Yacth Club Santo Amaro, antigo Clube Alemão de Vela, em São Paulo, do nosso Robert Scheidt, 15 vezes campeão mundial e bicampeão olímpico. Até bares e restaurantes foram obrigados a mudar de nome, como o centenário Bar Luiz, no Rio de Janeiro, que se chamava Bar Adolph.

Os suspeitos de pertencerem ao Partido Nazista ou à Juventude Hitlerista eram mantidos sob vigilância ou confinados em campos de concentração. Houve pelo menos nove: Tomé-Açú, no Pará (alemães e japoneses); Chá de Estevão, em Pernambuco (empregados alemães da antiga Cia Paulista de Tecidos, hoje Casas Pernambucanas); Ilha das Flores, no Rio de Janeiro (onde prisioneiros de guerra foram misturados com presos comuns); Pouso Alegre, em Minas Gerais (marinheiros do navio Anneleise Essberger); Ilha Anchieta (colonos japoneses); Guaratinguetá e Pindamonhangaba (fazendas onde foram confinados colonos alemães e marinheiros do navio Windhuk); Penitenciária Agrícola da Trindade, em Florianópolis; e Presídio Político Oscar Schneider, em Joinville (onde um hospital foi transformado em colônia penal para suspeitos de atividades nazistas do Sul do país), em Santa Catarina.

Os alemães perderam a Copa do Mundo de 1938 na França, no auge do regime nazista: não passaram da primeira fase. Foram, porém, campeões em 1954 (Suiça), 1974 (Alemanha) e 1990 (Itália) — com o país ainda dividido em consequência da guerra. Depois da reunificação, com a queda do Muro de Berlim, disputaram duas finais e um terceiro lugar. Agora, vieram com tudo para vencer a Copa do Mundo no Brasil, mas, nem por isso, devemos tratá-los como “boches”, na semifinal contra o Brasil de terça-feira. O evento é uma celebração da paz, na qual o patriotismo de 11 craques em campo e milhões de torcedores não pode ser inimigo da confraternização multinacional e multiética do futebol. O nacionalismo em campo é um sentimento bonito e saudável — até a hora que motiva um jogador a fazer uma covardia em campo, como aquela joelhada  do colombiano Zuñiga na coluna de Neymar.

Não sei o que escrever. Meu amigo, jornalista “Chiquito” Francisco Chaves está ameaçado de morte!


por marcos romão
É complicado, muito complicado mesmo. O fotógrafo e jornalista Francisco Chaves é um amigo muito próximo. São mais de 40 anos que trocamos figurinhas da vida. E como gostamos da vida, do prazer da vida, de nossos amigos e dos nossos povos do mundo.
Chiquito como é conhecido, está aposentado, mas jornalista investigativo nunca se aposenta, está preparado até para fotografar o próprio epitáfio.
Sua câmara tem acompanhado os acontecimentos candentes dos últimos 2 anos no Rio de Janeiro. Jornalista ativista, ele denomina a si próprio. Jornalista cidadão eu chamo o meu amigo Francisco.
Fotógrafo jornalista da velha escola em que o povo leitor é o patrão.
Está tudo muito perto, apesar do calejamento de já ter perdido amigos próximos, ameaçados de morte por políticos, policiais, bandidos e milicianos, não pela ordem e muitas vezes tudo na mesma pessoa de um mesmo algoz, me balança uma situação como esta.
Sei que está tão próximo, como um mês antes conversei com Tim Lopes, e coincidentemente também um mês antes conversei com Chico Mendes, que havia junto comigo ganho uma bolsa de ajuda de grupos de direitos humanos. Ajuda para sobreviver. Para eles não deram certo todos os avisos.
Nem sempre acontece um final trágico, tudo depende da mobilização popular e da ação preventiva das autoridades, como foi positivo o desfecho das ameaças que o sucessor na época de Chico Mendes, o meu amigo Osmarino Amâncio Rodrigues, que assumiu a liderança do sindicato, após o assassinato do Chico Mendes. Tive a oportunidade em março de 89 de participar de uma operação de resgate de Osmarino em Brasiléia. Resgate organizado pela rede de direitos humanos informal entre Movimento negro e os Povos das Florestas, que nós participávamos.
Mas estamos no Rio de Janeiro, a Capital da Copa 2014 e não no meio da floresta amazônica, sem telefone e sem internet. Entretanto me parece mais complicado manter Francisco Chaves vivo..
Francisco Chaves foi ameaçado por um possível miliciano bombeiro na esquina de onde mora. Foi humilhado diante de seus vizinhos, sofreu um linchamento moral,  além de ameaça de morte e viu sua esposa e neta à 50 metros sem poder contatá-las, para não as por em risco.
O motivo da ameaça teria sido um entrevero que teve com este suposto bombeiro, quando cobria a desocupação da Aldeia Maracanã em 2013.
Estamos no Rio de Janeiro, onde as milícias pms, fantasiadas de seguranças de lojas, tomaram conta das cidades.

O inspetor que o atendeu na 26a Delegacia de polícia, lhe recomendou que da próxima vez que ver o cara, “partir prá cima dele ou se mudar de bairro”. Isto no Meyer, na cidade do Rio de Janeiro em um bairro de classe média tradicional.
Chiquito tem um nome, uma família e amigos, Não irá seguir o conselho dado pelo inspetor de polícia. Nesta quarta-feira , 16.04, irá à Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa e à OAB, acompanhado da presidente do sindicato de jornalista do Rio, que também foi recentemente ameaçada dentro da sede do sindicato de jornalistas por um PM2, que queria uma carteira de jornalista, para melhor se infiltrar nas manifestações e no meio jornalístico.
Nós da Rede Rádio Mamaterra, assim como as redes sociais em que Francisco “Chiquito” Chaves colabora, seus parentes, amigos e “curtidores” estamos apreensivos. Queremos o Chiquito Chaves sempre vivo.

Abaixo o depoimento de um fotógrafo-jornalista que atuou nas últimas décadas em praticamente toda a grande imprensa do Rio de Janeiro. O depoimento de um homem, de um ser humano com a sua morte anunciada:

VIDA QUE SEGUE?

chiquito e romão

Francisco Chaves cobrindo a manifestação do Movimento Negro em Madureira: “Somos todos Cláudia”

(TUDO ACONTECEU NA VOLTA DO MASSACRE NA FAVELA DA TELERJ)

Quando meus amigos me perguntam se podem utilizar minhas fotografias, a resposta é sempre a mesma: “Claro, meu trabalho imagético é feito para que todos dialoguem com ele”

Agora, quando amigos e interessados em Direitos Humanos querem saber como me sinto após ter sido ameaçado de morte, às 16 horas, na 6ª feira passada, na principal rua do meu bairro, o Méier, respondo meio que angustiado e amedrontado,sim.

Não tenho medo de enfrentar nas minhas coberturas em manifestações, despejos e atitudes violentas contra a vida, policiais fardados; meu temor é quando esses indivíduos, assassinos de aluguel, estão “a paisana”, termo usado por meu agressor para se definir naquela hora.

Aí mora o perigo, você não terá cobertura daqueles que poderiam ou possam ser seus testemunhos, você vira uma caça e o seu interlocutor o caçador; aliás, é incrível verificar que a Rua Dias da Cruz, assim como a maioria das ruas do Rio de Janeiro, estão acobertadas pela pseudo segurança desses bandidos “desfardados”, porém armados e ameaçadores.

Quanto eles ganham para arrebentar, injuriar ou matar um cidadão ou uma cidadã? A resposta varia conforme a importância da vítima, pode-se custar 200 reais ou até 100.000 reais, como pode acontecer de se ser morto gratuitamente, e depois os assassinos, como vários que diariamente sabemos, são acobertados por seus patrões, os políticos, os magistrados, os empresários e essa sociedade hipócrita e covarde, que convive e aprova o arbítrio dessa ditadura político policial que se apoderou do espaço urbano Carioca.

Estou muito preocupado com a situação por vários motivos:

1º Sou um midiativista idoso, tenho 65 anos, sou aposentado com 1 salário mínimo, moro ao lado desse local em que aconteceu a injúria e a ameaça.

2º Aqui, todas as lojas possuem seguranças “policiais, bombeiros e gm”, fora que a PMERJ e a GM estão sempre tirando casquinha na padaria, no Rei do Mate, etc. Esse cara também é ligado ao crime organizado, isto é, ele entrou no prédio 505, onde fica um escritório e um ponto de jogo, apesar de estar a dois prédios da escola MAXX, fato preponderante de uma logística criminal.

3º Passo ali duas a três vezes por dia, muitas vezes tarde da noite, eu e minha câmera, fui desmoralizado na frente de mais de uma dezena de pessoas, minha esposa Grace e a minha netinha Laura, 3 anos, estavam a 50 metros do local, esperavam-me, pois fui ao jornaleiro comprar revistinha da “pepa pig”, em uma banca que sempre comprei, desde da infância dos meus 5 filhos, hoje, todos adultos, tenho 40 anos de casado e 4 netos. Lá começou a patética agressão verbal e moral à minha pessoa, culminando com a ameaça. Tentei pedir ajuda no “Rei do Mate”, detalhe, todos me conhecem, mas, debocharam de mim, o jornaleiro me mandou se foder, os PMs, a quem pedi ajuda para poder passar com minha mulher e netinha novamente pelo local, disseram que nada podiam fazer sem testemunhas, todos me ignoraram, só havia o carro do bandido – SIENA LNP 4605 (verde escuro), totalmente fechado.

4º Estou muito aflito, pois, ao fazer o BO, na 26ª DP, o inspetor me disse que se algo voltasse a acontecer, eu corresse ou tacasse um pau no cara, melhor seria eu sumir da área, que provavelmente o BO não daria em nada.

5º Ontem, não saí, não fui naquela área, não fomos comer uma pizza. hoje não pude ir comprar pão. A situação é essa, hoje, e amanhã ou depois?

A Copa do Apartheid até na música


por marcos romão

fonte: Bhaz

Até na música sem sabor feita em máquina de quermesse européia, esta copa tá pisando na bola.

“Representantes da Fifa e da Sony Music confirmaram, nesta quinta-feira (23), que a música oficial da Copa do Mundo de 2014 será uma parceria entre a cantora Claudia Leitte e os norte-americanos Jennifer Lopez e Pitbull. Após o anúncio, uma versão em baixa qualidade da faixa intitulada “We Are One (Ole Ola)”, gravada no início do mês, se transformou em um dos assuntos mais comentados por internautas de diferentes regiões do país.

Cláudia Leitte e Pitbull posaram com representantes da Fifa e da Sony durante entrevista coletiva. Foto: Divulgação/Fifa

Cláudia Leitte e Pitbull posaram com representantes da Fifa e da Sony durante entrevista coletiva.
Foto: Divulgação/Fifa

Entre elogios e críticas, a canção repercute principalmente devido à letra, que apresenta poucos versos cantados em português. O ritmo é outro motivo de queixa por parte dos usuários das redes sociais.

Alguns deles afirmam que faltaram aspectos mais tradicionais da cultura brasileira na música. Já outros comentam que “Waka Waka”, tema da Copa da África, cantado por Shakira em 2010, é bem melhor pelo fato de possuir elementos próprios do país, como tambores e outros instrumentos.”

Nas redes sociais tá rolando a maior disputa, pois o som da Turma do Passinho tem muito mais a ver segundo os internautas:

“Bem a cara do Brasil colocar a música da Copa com maior parte da letra em inglês”, ironizou um internauta. “Aguentar as falcatruas já é complicado, mas aguentar a música da Copa é o fim da picada”, escreveu outra jovem.

A Copa do Povo das Ruas

(Cortado por excesso de Pixaim)

A copa do Apartheid e do Endocolonialismo. Um verdadeiro balde de leite sem nenhum pingo de café!

fonte: Bhaz

Rio’s brutal Military Police invade slum and evict residents; mayor breaks promise, removes people who have nowhere to go!


 extraído do blog Womens of Brazil

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Note from BW of BrazilThe ruthless brutality of Brazil’s Military Police has been a regular feature on this blog. Whether invading and indiscriminately firing bullets into poor neighborhoodsparticipating in death squads or constantly harassing people who happen to be black and poor, the regularity of their repression simply cannot be denied. In the middle of this week, they provided yet another incident that proved the validity of this reputation. Whether this aggressive eviction was a case of gentrification because of the coming multi-billlion dollar World Cup or it is some other business venture, the result, as it happens in other countries, is the same: powerful interest want a piece of land, the poor have to go! Below are the story, the shocking photos and videos. 

Rio’s brutal Military Police invade slum and evict residents; mayor breaks promise, removes people who have nowhere to go!

by Isabela Vieira, Francisco Chaves, Mídia Informal, Paula Kossatz and Felicity Clarke. Photos: Francisco Chaves

On the morning of Tuesday, January 8, city officials arrived unannounced at the Favela do Metrô – Mangueira slum to demolish houses, causing panic and despair among hundreds of people who currently live on site. About a dozen homes were demolished, some still with the belongings of the residents inside.

Outraged, local residents held a demonstration during the afternoon and evening, for several hours blocking Rua Radial Oeste street, the main street that passes through Metrô-Mangueira and Maracanã stadium. Violence erupted between police and protesters with police firing rubber bullets, pepper spray, tear gas and flash bombs, while some demonstrators threw rocks and bottles. Amid the mayhem, a police officer drew a gun on a guy.

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“It was a war scene,” said Marilene, a young mother who has lived in an abandoned house in the slum for a year and a half.” The police fired tear gas everywhere. Children got sick. It was terrible.” Like most who live in the slums of Metrô, Marilene occupies a house that was unoccupied for a long time with the removal process that began in November 2010 having been delayed.

Paula Kossatz, 38, who defines herself as a photographer, activist and humanist, was at the Metrô-Mangueira protest against the expulsion. She was shooting photos on her own: “I was there to prevent atrocities from being committed…when you have the press, PMs hold back a little more…they get intimidated,” she says. That experience made Paula write in her Facebook profile the report below:

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“Today I saw hundreds of people living in absolute poverty with an unbearable smell of garbage, with children cutting their feet at the side of giant rats, with 8-year boys addicted to crack, with mothers caring for their one month old children that passed unnoticed, or not, in the arms of dozens of comrades, with drunken men with no more love for life, with young people carrying tires to make barricades with girls who are mothers after their first period, with workers who sold pies to sustain a bunch of kids, with people who strive to be, just to be…And this is a small portrait of Brazil, which is crazy. Any existing drug on earth would not bring me so many surreal experiences as the Brazilian reality.

“Yes, my day was surreal. I had to try to understand all those worlds, those realities lost because of a word that escapes us daily: such a word is RACISM.

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“Those lives don’t matter, do they? Even though they have two arms, two legs, a brain and a heart…But the sad fact of having a darker skin, black, they are excluded, placed on the margins. They simply do not exist in the conservative and colonialist imagination of every Brazilian who still sleeps in the cradle of splendor. Wake up, Brazil.”

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In another scene described by anther witness, an armed policeman yelled in a loud voice:

“Arrest that bitch, go there and fucking arrest her! Get the fuck out of here, I’ll shoot a rubber bullet at the children and throw gas and bombs at them, the fat one, hold him, bring the two to the wagon, bring the pregnant girl, she was the one who threw a rock at us.”

The social context of the location is the prototype of exclusion in Brazil: Black. Poor.Open sewage. Fountains with no water, houses with no lights, muddy ground. Low self-esteem. Unrest. Determination. Loneliness. Revolt.

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A gentleman, partially hidden in the fury of that day, makes a point of saying:

“Because of this I vote null, we are uneducated, the government wants submission, but the morro (hill/slum) will come down from the morro, where the whites will go running to the morro, or they’ll die of fear.”

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It’s in the middle of a lot of garbage, debris, open sewage, flies and mice that the residents of Metrô-Mangueira favela resisted. Located near the Estádio Jornalista Mário Filho, better known as Maracanã Stadium, which will stage the final of the World Cup, the community had the demolition of houses resumed January 7th by the city, and residents reacted to the possibility of losing their homes with protests in the morning and evening. Policing was reinforced the following day to prevent further demonstrations.

The homes of the favela (slum) have being disappropriated and destroyed since 2010, because in this location there is planning for the construction of Pólo Automotivo Mangueira (factory). However, during the process of removal of the residents, other new families moved to Metrô-Mangueira, occupying houses already marked for demolition.

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The Metrô-Mangueira favela was founded 35 years ago by workers in northeastern Brazil who were employed in the construction of the Maracanã metrô (subway) station. In 2010, 700 families who built and developed the favela learned that the community was under threat of being removed. On November 4, 2010, a demolition team arrived on the site and 107 of the most vulnerable families were relocated to a condo of theMinha Casa Minha Vida program 70km (43 miles) away in Cosmos, in the West Zone. Families that stayed resisted, but after two years living among rubble and experiencing high levels of theft and unhealthy conditions, which were the results of first removals, they were reallocated to better quality apartments in Mangueira 1 and 2 complexes and next in Triagem. However, after all those families left early last year, the land and many of the structures were abandoned and the plans of the city for the region were still uncertain and were not disclosed. The result is that in recent years, hundreds of the poorest and most vulnerable families still occupied the dwellings that had been unoccupied.

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The current situation is a direct result of the negligence and mismanagement of city hall. After removing longtime residents to units of affordable housing without any public consultation on the use of land, which is required by law, the city left the land and existing dwellings to be occupied by those who really were in desperate need of public housing. Public housing is, in theory, specifically targeted at the poor and needy and not the workers with established houses as was the case for the majority of former residents of Metrô-Mangueira. And now, the extremely vulnerable families currently living on the location appear to be destined to receive nothing.

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On Tuesday, while houses of residents were demolished, all had been advised that they needed to leave their homes by Friday, but no solution or alternative accommodation was offered. However, all those who spoke Rio on Watch said Mayor Eduardo Paes personally promised that no one would be left homeless in a meeting held in the community church a few months ago.

But the confusion and despair continued on January 7th for residents who have little and no place to go. Valéria, a collector of recyclables and mother of eight children between 4 and 20 years of age, and has lived with her family in Metrô favela for almost three years, says: “To look for a place to live you have to have something, and what do I have? Nothing.” She continued: “Everyone needs to have their own corner. I do not know where I’m going if I leave here. If I had anywhere else to go, I would have left from here.”

"Shoot, son of a whore!" - art by Carlos Latuff

“Shoot, son of a whore!” – art by Carlos Latuff

Some residents report that social workers urged those who receive Bolsa Famíliaassistance to go and register for an apartment of the Minha Casa Minha Vida program, but as locals then pointed out, such an application can take years to be processed.

Vera makes payments on a loan and supports her family with about R$500 (about US$212) per month. Her children between 6 and 12 years old, help how they can. One assists in the removal of copper wires for iron – that gets stuck in the slums, on Avenida Radial Oeste.

Also with her house being demolished, the domestic Tatiane Souza Gardêncio, collects assistance from the city to move and is requesting a new property. She has lived in the community for eight months with eight family members, including children and grandchildren, after leaving the favela in Campo Grande in the west zone of the city. “They [the city] say it’s an invasion. But would prefer to live on the streets with my children than in an invasion? No.” he said. “I came because it was empty. I picked up and moved in.”

According to an agent of the Pastoral de Favelas, Luís Severino da Silva, who has been monitoring the situation since 2011 when the community was notified to leave the site, the buildings standing were appropriate for families living in extreme vulnerability. “You have to sort this out and relocate these people urgently. Putting everyone on the street doesn’t solve (anything),” he said.

For Silva, the city failed to leave the premises of Metrô-Mangueira standing and now evicting the new residents. “These people don’t have homes, they never had (homes). No use dumping them, throwing them in the street. Shelters don’t work. The city has to accept them,” he stressed.

Located next to the Maracanã stadium, the future headquarters for the final of the World Cup, the original reason for the removal of Metrô-Mangueira was believed to be a parking lot for the tournament. Only in September of last year was there a confirmation by city decree that the land would be devoted to an automotive factory with 96 commercial units and a park with a bicycle path, a skateboard ramp, fitness for seniors, a children’s playground and 400 trees. The project will cost R$30.5 million (about US$12.93 million). Even so, there are rumors that it’s being used for a shopping center or other such facility, showing how municipal communications are problematic and unclear to the public.

But now, hundreds of vulnerable residents, many of whom came from the streets or shelters to occupy homes in Metrô-Mangueira, are potentially facing another episode of violence as brutal shock troops of the Military Police that are currently in place. A volunteer attorney with the Instituto de Defensores dos Direitos Humanos (Institute of Defenders of Human Rights) was present on Wednesday to register residents to prepare a collective security order to challenge the legality of the eviction. She explains: “Justice has to take cognizance of this act, because human lives are being put into play. There are children, elderly women, pregnant women who have no where to go…There were negotiations in which the mayor has pledged to provide assistance to these people and this agreement is not being honored. It is important not to leave these people aside without help.”

The Secretaria Municipal de Habitação (Secretary of Municipal Housing) said that about 630 families who originally lived in the community and who were resettled residents and that subsequently occupied the expropriated properties are enrolled in the Minha Casa Minha Vida program, awaiting the draw of a new home. The only alternative for them is waiting in city shelters.

Source: Rebaixada,  Mídia Informal,  Brasil 247EBCRio on Watch

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