Blog Especial – “Cotas: por que reagimos?”, por Rita Laura Segato


Blog Especial – “Cotas: por que reagimos?”, por Rita Laura Segato. (fonte Blog Racismo Ambiental

Depoimento de Rita Laura Segato, que a Mamapress recomenda a todos os professores do Brasil, assim como a todos que estejam interessados em se aprofundar sobre o que é o Brasil sem máscaras. É um texto para os pró e os contra cotas. Marcos Romão

Encaminhado por Ruben Siqueira dois dias depois da votação no STF, este lúcido e  importante texto havia sido enviado pela autora para familiares, amigos e alunos, com uma mensagem que Ruben considerava importante divulgar. Nela, Rita Laura Segato terminava compartilhando sua “alegria e emoção neste raro momento em que culmina um longo e complexo processo”.  Mas no início, com a mesma sensibilidade com que analisa o racismo brasileiro, havia escrito:

“Foram-se, ao todo, 14 anos nos quais a minha família toda praticamente se vulnerou e adoeceu, como grupo humano e também individualmente; nos quais eu perdi a amizade de TODOS meus colegas no Departamento de Antropologia da UnB, onde pessoas … utilizaram a minha posição nessa luta para me prejudicar, perseguindo não somente a mim como também aos meus estudantes. Compartilho com você e com todos nesta para mim preciosa lista um fragmento mais da memória desse processo no intento por compensar a amnésia que tomou conta dele”. 

Esse caráter pessoal e de denúncia fez com que preferíssemos pedir a Ruben que consultasse a autora, antes de qualquer coisa. E como texto também estava numa versão em PDF impossível de ser postada, aproveitamos para pedir também uma outra. A resposta chegou hoje, com o artigo abaixo. E ela também merece ser divulgada, pois diz muito de quem é a autora:

“A mensagem que enviei é pessoal, mas também é política. Mostra que há altos custos quando a gente intervém, mas também mostra que há possibilidade de algum grau de sucesso e que é possível cutucar a história, fazê-la andar; mostra, também, e por sobre tudo, que há pessoas dispostas a pagar esses altos custos por um bem maior. Eu não tenho inconveniente em que se repasse a mensagem que escrevi. Eu muitas vezes relato essa história, … , porque acredito importante que as pessoas saibam dela”. 

É sem dúvida importante, Professora! E uso esse título exatamente como um ato de respeito, pois é uma aula que você nos dá, tanto no seu artigo como no que nos conta e comenta sobre sua história de luta. É uma honra para este Blog publicá-la, em ambas essas facetas. Tania Pacheco.

Este texto é parte do argumento inicialmente apresentado ao longo dos meses de novembro e dezembro de 1999, nos auditórios da Faculdade de Saúde, da Biblioteca Central e da Reitoria da Universidade de Brasília.  Trata-se de uma nova versão do que viria a transformar-se, três anos mais tarde, em 2002, em parte da primeira proposta formal, apresentada por mim e pelo prof. José Jorge de Carvalho, de introdução de uma medida de reserva de vagas para estudantes negros e indígenas numa universidade federal (Carvalho & Segato, 2002). A proposta foi finalmente votada e aprovada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da Universidade de Brasília, em julho de 2003, e acolhida com entusiasmo pelo então vice-reitor da UnB, prof. Timothy Mulholland.

O que aconteceu nesse meio tempo é de domínio público: o tema se instalou no país; a mídia não cessou de dar ampla cobertura à questão; duas instituições de ensino superior estaduais, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro e a Universidade Estadual da Bahia, por decisão de seus respectivos legislativos, instituíram políticas de cotas em 2002; a primeira pergunta do último debate do primeiro turno entre os candidatos à presidência da República em 2002 foi sobre sua posição a respeito das cotas para estudantes negros no ensino superior; e hoje 16 instituições públicas de ensino superior já têm algum tipo de reserva de vagas para alunos negros e/ou indígenas. Parece evidente que, apesar das acusações e penalidades que sobre nós pesaram pela ousadia de introduzir o tema da discriminação racial no seio da corporação acadêmica, a sociedade brasileira se encontrava disponível para iniciar o debate que assim se inaugurava. De outra forma, seria impossível explicar o impacto da proposta e a velocidade com que se propagou.

No Brasil, aqueles que defendemos a instauração de um regime de cotas ficamos muitas vezes perplexos pelo caráter excessivamente veemente, apaixonado e, por momentos, até virulento de algumas reações. Tentarei, na primeira parte do meu argumento, apontar algumas das razões que colocam obstáculos à compreensão da proposta para estudantes negros e que podem explicar a ansiedade com que alguns reagem a ela. Em seguida, passo a listar as formas de eficácia que a introdução de um sistema de cotas teria para transformar positivamente o sistema educativo e a sociedade que ele reproduz.

Sete razões para a reação do público brasileiro ao programa de cotas: as áreas de desconhecimento e os pontos nevrálgicos das relações raciais no Brasil Continuar lendo

Brancos no Brasil vivem na Suiça e Negros em Bengladesh, em 50 anos pode mudar, diz o Prof. Carlos Moore.


Carlos Moore

Para Carlos Moore a grande diferença do racismo no Brasi com o racismo no resto do mundo, é que no Brasil, segundo o professor cubano, “os brancos vivem em um conto de fadas, como príncipes encantados, repetem todo tempo que tudo está bem e que no Brasil não tem racismo…”
Citando o Economista Marcelo Paixão, Carlos Moore em entrevista para a JPTV, nos diz que: “Os brancos no Brasil teem uma renda igual à média dos habitantes dos 23 paises mais ricos do mundo, enquanto a população negra, que é a maioria do pais, vive em condições iguais a dos países que que estão acima do 140° lugar na economia mundial, como o Haiti, a Somália ou Bengladesh. Com políticas públicas corajosas, em 50 anos esta situação pode pode mudar, diz o Prof. Carlos Moore.
O Etnólogo Carlos Moore afirmou: O Brasil Precisa assumir o Racismo.
Recebemos esta informação da Professora Ana Garcia do grupo “Poder Mulher”. Repassamos para nossos leitores as ponderações do Prof. Carlos Moore sobre a questão racial brasileira.
Aproveitamos para citar uma frase da entrevista: Racismo não se ameniza, racismo se combate de frente.
marcos romão