O Brasil precisa do sol, não do Belo Monstro.


Rio de Janeiro recebe 500 Quilombolas de todo o Brasil para o VI Encontro Nacional


Rio de Janeiro-conaq-mamapress

Organizado pela  Coordenação Nacional de Articulações das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) começou hoje  o 4º Encontro Nacional das Comunidades Quilombolas, no Palácio Pedro Ernesto da Cãmara Municipal do Rio de Janeiro.

Chegaram mais de 500 pessoas  quilombolas de todos os estados do Brasil para o encontro que acontecerá a partir de amanhã cidade do Rio de Janeiro, prosseguindo até o dia 7 de agosto, reunindo comunidades de todo o Brasil e fortalecendo a luta pelo direito à terra, ao desenvolvimento sustentável, à igualdade e dignidade.

PROGRAMAÇÃO

Dia 03 de agosto de 2011 – quarta feira
·12h00min – Chegada das delegações
·13h00min – Credenciamento
·18h00min – Solenidade de abertura do IV Encontro Nacional
·19h30min – Coquetel com Café da Roça
·21h00min – Noite Cultural com Roda de Jongo
Dia 04 de agosto de 2011 – quinta feira
  • 08h00min – Leitura e aprovação do regimento interno do IV ENCONTRO NACIONAL.
  • 09h45min – Intervalo
  • 10h00min – Analise de Conjuntura: O ESTADO BRASILEIRO E O TRATAMENTO DAS QUESTÕES ETNO RACIAIS. Expositor: Carlos Lopes – Sub Secretário geral das Nações Unidas.
Mediador: Ivo Fonseca da Silva – Coordenador Executivo da CONAQ
  • 11h30min – Debate
  • 13h00min – Almoço
  • 14h30min – POLÍTICAS PÚBLICAS PARA AS COMUNIDADES QUILOMBOLAS. Convidados: Ministério da Saúde, Fundação Cultural Palmares, INCRA, SEPPIR e Prof. Dr. José Jairo Vieira – Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ. Mediador: Ronaldo dos Santos – Coordenador Executivo da CONAQ).
  • 16h00min – Intervalo
  • 16h15min – Debate
  • 18h00min – Encerramento
  • 19h00min – Jantar
Dia 05 de agosto de 2011 – sexta-feira
  • 08h00min – MOVIMENTOS SOCIAIS: ORGANICIDADE DA CONAQ
Prof. Dr. Alfredo Wagner (Universidade Federal da Amazônia) Coordenador do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia
  • 09h30min – Intervalo
  • 09h45min – Grupo de Trabalho: Organicidade da CONAQ
  • 09h45min – Grupo Trabalho: Rede de apoio ao Movimento Quilombola
  • 13h00min – Almoço
  • 14h30min – Grupo de Trabalho: Organicidade da CONAQ
  • 14h00min – Grupo Trabalho: Rede de apoio ao Movimento Quilombola
  • 16h30min – Intervalo
  • 16h45min – Apresentação do Grupo de Trabalho Rede de apoio ao Movimento Quilombola
  • 19h00min – Jantar
Dia 06 de agosto de 2011 – sábado
  • 08h00min – Apresentação do Grupo de Trabalho Organicidade da CONAQ
  • 10h00min – Intervalo
  • 10h15min – Apresentação do Grupo de Trabalho Organicidade da CONAQ
  • 12h30min – Almoço
  • 14h00min – Debate
  • 16h00min – Intervalo
  • 16h15min – Encaminhamentos
  • 20h00min – Noite de encerramento do IV Encontro Nacional e
Pré – lançamento da Campanha em Defesa dos Direitos Quilombolas
REALIZAÇÃO:
CONAQ
ONG ESPADS
APOIO:
ACQUILERJ
SINDICATO DOS METALÚRGICOS DO ABC
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS METALURGICOS
GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ
GOVERNO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
CAMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO
INSTITUTO TERRAGUÁ
CEPPIR – COORDENADORIA ESPECIAL DA PROMOMOÇÃO DE POLÍTICAS DA IGUALDADE RACIAL /RJ
PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO
GOVERNO DO RIO DE JANEIRO
PATROCÍNIO:
PETROBRAS
FUNDAÇÃO CULTURAL PALMARES
INCRA
MINISTÉRIO DA SAÚDE
SECRETARIA ESPECIAL DA PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL
MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO
GOVERNO FEDERAL: PAÍS RICO É PAÍS SEM POBREZA

Sem dinheiro não há Quilombo. Viva a cultura do Sacopã!


M. Romão e seu filho Jorge Samora na festa de lançamento da Rádio Mamaterra no Quilombo do Sacopã um dia depois do 13 de maio de 2011.

Amigas e amigos do Rio e do mundo.

Posso parecer chato, quando temos tantos casos, de discriminações em bancos e supermercados, brigas por cotas e bate-bocas no big-brother além de crises com artistas na globo.

Afinal são temas que a mídia dá certa atenção, pois descobrem aos poucos que também tem negro classe média com poder de compra, nem que seja no borrachudo.

No Quilombo do Sacopã está acontecendo um caso paradigmático para os negros no Brasil, que vivem na beira da bolsa-familia e em busca da  sobrevivência mínima.  Eles estão ameaçados.

Uma sentença de 94, resultado de um processo de 89, que não permitia aos então, às familias dos “posseiros há 122 anos” dos 23 alqueires no meio do paraíso dos cariocas abastados, venderem ou comercializarem qualquer coisa em suas moradas.

Esta duvidosa sentença de 94, que proibia qualquer uso çomercial do local, foi utilizada para justificar um novo ato judicial que põe em dúvidas a isenção e respeito à isonomia da justiça para com todos cidadãos, ao ser ordenado sumariamente, sem ouvir as partes, o lacramento do portal de entrada para as residências de 7 famílias quilombolas (32 pessoas ao todo).  O que caracteriza cárcere privado para as pessoas que não podem se locomover sem o auxílio de um carro.
Isto aconteceu, depois que ainda no governo de Benedita da Silva, eles foram reconhecidos como Quilombolas, lhes dando proteção estadual e pelo INCRA na área federal.
Sei que muitos poderão dizer que os cidadãos e cidadãs nascidos e criados e que vivem no Quilombo do Sacopã, destoam com suas festas e cultos, da harmonia local. Sei também que muitos poderão dizer que lá não se produz cultura e sim “comércio”.
Quantos condomínios no Rio de Janeiro não alugam vagas para terceiros em seus estacionamentos e seus salões de festas para pessoas de fora? Alguém já ouviu falar da “justiça” fechar um condomínio por estes motivos? E as lojinhas, bares, farmácias e boates debaixo dos prédios?
Dois pesos e duas medidas é o que acontece.
E o que é cultural para um quilombola?
A primeira coisa que um quilombola precisa fazer para manter sua cultura é se manter vivo, alimentar-se para sobreviver.
A ordem judicial da juíza da 8a Vara Civil do Rio de Janeiro, foi o primeiro passo para o estrangulamento da comunidade do Sacopã.
Muitos também poderão dizer que faltam projetos culturais no Quilombo do Sacopã. Mas o que foi feito pelos governos federal, estadual e municipal para melhora do local onde os quilombolas vivem e fazem seus negócios, entre os quais a  produção de cultura?
No dia 24 de junho de 2011, em Caraíva-BA, um líder quilombola foi morto por policiais em sua própria casa diante da família e depois teve o corpo levado até uma boca-de-fumo em um outro município, onde após uma suposta troca de tiros entre a polícia e um cadáver, foi levado para um hospital para constatarem a morte.
Qual foi o suposto crime dele? Era carvoeiro e a empresa plantadora de eucaliptos, suspeitava que ele roubava madeira nas terras que foram tomadas de sua comunidade ancestral.
Muito vão dizer que eles não produziam cultura, não eram quilombolas. Não mereciam a solidariedade do movimento negro.
Em muitos quilombos do Brasil, a única ajuda que recebem é a cruz dos missionários e uma merreca em alimentos. Param de dançar jongo e realizarem outras manifestações não cristãs e falecem de suas culturas. Mais uma vez está justificada a inação do movimento negro, da sociedade, do estado brasileiro.

Os novos “antronegropólogos” que adoram estátuas e culturas empalhadas, podem descansar. Quilombola vivo, nem pensar. Eles suam e não são profissionais em lidar com o poder branco. São objetos em extinção mesmo…

Mas feito os quilombolas não escrevo aqui para chororô. Há muito o que fazer. O Rio tem o privilégio de ter negros no governo municipal e estadual, além de contarem com o apoio do governo federal.
Está na hora de fazer uma ação (projeto não) de resgate econômico desta comunidade. Os quilombolas do Sacopã tem orgulho suficiente para olharem de igual para igual seus vizinhos abastados, mas sem dinheiro no bolso, um dia a casa cai.
Mas não só nossos negros e negras nos governos tem que fazer alguma coisa. Todos nós que queremos os quilombolas vivos, temos que transformar nossa solidariedade em ação. O que fazer? Perguntem, conversem com eles, eles sabem as soluções para os seus problemas, só falta incentivo financeiro que lhes garantam a sustentabilidade.

Marcos Romão

A especulação imobilária bate os tambores nos portais do Quilombo do Sacopã.


Coincidência ou não, o Quilombo do Sacopã na Lagoa Rodrigo de Freitas, recebe ofertas de especuladores imobiliários, sempre que estão com alguma questão na justiça, afirma Luis Sacopã em entrevista para Luis Argolo no programa RIO AFRO da RAdio Naciconal em parceria com a Midia Africa

“Fomos tratados como animais”: Moradores do Quilombo do Sacopã na Lagoa Rodrigues de Freitas, foram vítimas de tratamento desigual pela justiça.


Sexta-feira, 8 de julho , 14:30  horas, as familias residentes no idílico Quilombo do Sacopã, tiveram o portão de entrada para suas casas bloqueados por um oficial de justiça, acompanhado por uma força policial com armamento pesado que incluia escopetas e outras armas de guerra.

Chegada de policiais na entrada do Quilombo.

A juiza Maria da Glória Oliveira Bandeira de Melo da 8a. Vara do Tribunal de Juntiça, atendera ao pedido judicial impetrado pelo vizinho da comunidade do Quilombo do Sacopã, o Desembargador, vice-presidente do Tribunal de Justiça do RJ, que alegara que o terreno de entrada, de propriedade das famílias quilombolas, estava sendo usado como estacionamento pago, o que seria ilegal na visão da juiza, que mandou lacrar a o potão principal de entrada na área que era a famosa favela da Catacumba da década de 60.

Desde sexta-feira que 5 taxis e uma Vã de propriedade das familias quilombolas, não podem deixar o local, nem moradores que tem deficiência física ou sejam idosos podem ser transportados para serem atendidos por médicos.

” Foi um horror, companheiro, eu pensava que ia morrer, minha pressão deve ter subido a 18, me senti tratado como um animal”, respondeu-nos ao telefone, Luis Sacopã, líder da comunidade e presidente da União dos Remanescentes de Quilombolas do Estado do Rio de Janeiro.

fortemente armados colocam a corrente no Quilombo do Sacopã

“Estávamos aqui reunidos com representantes de várias comunidades do estado do Rio, preparando o encontro nacional  do Quilombolas, que vai acontecer exatamente aqui no Quilombo do Sacopã nos próximos dias 3 e 4 de agosto, que segurança podemos dar a toda esta gente que vem nos visitar?”, nos falou emocionado e ofendido. ” Se tinha alguma coisa errada, deveriam ter nos informado, ouvido as partes, onde é que fecham um prédio ou uma residência de um “bacana” aqui no Rio de Janeiro? Com a gente não, somos iguais a bicho prá eles, não podem mais botar uma corrente em nossos pés, então acorrentam o nosso portão, não podemos nem mais ir e vir nas nossas próprias casas?” Repetia Luis, revoltado com a situação.

Acalmei-o como pude ao telefone, pois sabia de sua insuficiência coronária e pedi-lhe que nos explicasse o que havia acontecido e o qual era o motivo desta ordem judicial.

O que fazer?

Mamapress: Luis,  nos conte o que aconteceu.

Luis Sacopã: Há tempos atrás este senhor que é nosso vizinho, veio falar comigo e se apresentou como juiz, e me pediu para parar de deixar entrar taxistas em para estacionarem nosso terreno, que é vizinho ao prédio em que ele mora. Lhe informei que eles não vinham estacionar aqui e sim utilizarem o banheiro do Quilombo, pois tem um ponto ali na esquina e eles não teem lugar onde satisfazerem as suas necessidades, e que os cinco taxis que ficam estacionados são de moradores do Quilombo além de 8 carros de vizinhos que pediram para usar parte de nosso terreno.

Mamapress: e ficou por aí?

Luis Sacopã: Olha não sei se foi coincidência, mas depois disto, passamos a ser incomodados sempre que fazíamos nossos pagodes.

Mamapress: vocês foram avisados de que iria ter esta ação?

Luis Sacopã: Não.

Mamapress: O que está sendo feito?

Luis Sacopã: Liguei para o Marcelo Dias da Superitendência de Promoção da Igualdade Racial, para o Cedine, conversei com o deputado Edson Santos e eles prometeram que vão nos ajudar.

Mamapress: E as medidas judiciais concretas?

Luis Sacopã: Isto eu tive que fazer logo, fui hoje, segunda-feira lá na juiza, que prometeu que amanhã vai liberar para que os carros saiam, mas isto não é suficiente, queremos segurança e proteção de nossos direitos, queremos ser trados como iguais. o representante do Incra estava aqui na hora e nem ele pode fazer alguma coisa.

Mamapress: O que você considera ser tratado como igual?

Luis Sacopã: Este espaço é nosso, se algum vizinho tem problemas, que a justiça nos ajude a resolver escutando as parte, o que não podemos é termos nossos direitos desrespeitados só por que a outra parte é um desembargador. Por trá disto tudo tem é muito racismo.

Mampress: O movimento social e o movimento negro fez alguma coisa para apoia-los?

Luis Sacopã: Olha, meu amigo, estamos nos sentindo muito fragilizados, sózinhos, tá todo mundo cuidando de si , de seus partidos, tá todo mundo dividido, precisam se juntar. Olha só o que estão fazendo conosco aqui no coração de Ipanema, imagina se estivéssemos numa quebrada lá do interior? Tenho receio pela segurança das nossas famílias.

Mamapress: Que mais vocês pretendem fazer?

Luis Sacopã: Olha vocês estiveram aqui há dois meses lançando a Radio Mamaterra, viram a alegria da gente, a firmeza, este lugar é muito bonito, é um parque presevado(Parque da Catacumba. nd), somos 7 famílias que vivem aqui na terra de nossos ancestrais, 32 pessoas entre jovens, velhos e crianças.

Antropólogo do INCRA estava na reunão

Mas vocês viram, né? Tudo preto, parece que eles tem nojo da gente. Mas a gente não se dobra vamos juntar nossos vizinhos que nos apoiam e são amigos, esperamos contar com o apoio de todo mundo que sempre nos visita neste paraíso no meio de uma selva de pedra.

A gente espera contar com a sociedade carioca e do Brasil, vocês aí da Alemanha eu já sei que posso contar. Assim que estiver marcada nossa manifestação eu aviso.

Não desmatarás. Bloqueata em Ipanema.


O Rio de Janeiro parece acordar. Devem ser os sinais de fumaça que vem do Chile. Estamos em um continente só. Estamos em uma terra só. E não estamos sós. Traga seu bloco, mesmo o do eu sózinho, aí você vai ver como é bom protestar ao sol.
A vida não é só computador. Passear com mais gente é passeata. Cheirar o mar, cheirar o cheiro de suor das gentes, ver que tem vida na gente e não só protestinho no facebook.
Tem vida lá fora. Levante as nádegas, erga a cabeça, dê um requebro prá direita e rapidamente outro para a esquerda. Você vai gostar. E ainda por cima vai ajudar a tirar essa gente de cinza do poder!
De minha parte vou com minha camisa verde pra “minha praia” aqui no rio Elba mandar meu asé pro pessoal que se levanta no Brasil contra o assassinato de nossas florestas.


Marcos Romão

Rio faz procissão-político-dançante contra novo código florestal


Floresta da Tijuca por Amarildo Schemes Bitencourt


Mamapress recebeu esta convocação lá do Rio de Janeiro e manifesta sua solidariedade.

Meus caros,
No próximo domingo, 19 de junho, com concentração às 10:00h, no posto 6 de Copacabana, os Blocos e Bandas de carnaval do Rio farão, juntos, uma manifestação contra o Código Florestal aprovado na Câmara dos Deputados.
Será uma espécie de carnaval-político, onde as baterias dos Blocos e os metais das Bandas tocarão juntos, embalando um desfile em direção ao Leme.
Além dos mais de 20 Blocos e Bandas que aderiram ao movimento, há também instituições como OAB-RJ, Associação de Moradores, alunos de universidades e ONGs.
Escrevemos um manifesto, em anexo, que será a base de um abaixo-assinado, a ser encaminhado para a presidente da República e para os presidentes da Câmara e do Senado. manifesto blocos
É o Rio em bloco em defesa das florestas e contra os assassinatos impunes cometidos pelos expropriadores de terra.
Esperamos vocês lá, com faixas, galhardetes, fantasias e o que mais a
criatividade levar.

Abraços

A.M