Tim Lopes ia gostar: Paraibano vitima de racismo praticado por chefe no ‘Correio da Paraíba’ ganha prêmio em São Paulo


DanielMottaO jornalista Daniel Motta, vítima do crime de racismo há um ano, humilhado que foi pelo superior hierárquico na sucursal do jornal Correio da Paraíba em Campina Grande, Arquimedes de Castro, depois de ter postado fotos em um hotel na praia de Pipa-RN gozando seu período regular de férias da empresa, é um dos vencedores do “Prêmio Tim Lopes de Jornalismo Investigativo 2015”, na categoria Televisão, da Rede Record, em São Paulo.

Do Apalavra online

Daniel superou o preconceito e é vencedor em São Paulo

Paraibano de Juazeirinho, Daniel depois do episódio lamentável pediu demissão do jornal paraibano e mudou-se para São Paulo, onde hoje é produtor da TV Record. Lá, produziu com Luís Gustavo Rocha “O Mistério do Matador de Mulheres”, contando a história de um serial killer de Goiás, reportagem exibida no dia 08 de setembro de 2014 no programa Repórter Record Investigação.

Daniel produziu o material de São Paulo, Luís Gustavo Rocha o de Goiás, Lucas Wilches editou o texto e Oloares Ferreira concluiu a reportagem.

Os ganhadores ficaram sabendo da escolha nesta segunda-feira (16) e a entrega da premiação será no dia 14 de abril, no Rio de Janeiro.

O Prêmio Tim Lopes de Jornalismo Investigativo nasceu em 2004 e acontece anualmente. O objetivo é fomentar, no meio jornalístico, a produção de matérias de cunho investigativo, onde o tema seja iniciativa do jornalista, e não do editor ou veículo.

O Prêmio Tim Lopes se comunica com jornalistas e editores de veículos de comunicação que, com seu trabalho e ação, contribuem para melhorar a segurança pública, seja no âmbito da violência urbana, dos crimes ambientais ou contra os direitos humanos.

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As fotos em Pipa que revoltaram Arquimedes de Castro

O Prêmio, que orgulha não somente Daniel, mas todos os profissionais de jornalismo da Paraíba, é uma prova real do esforço de superação própria de Daniel Motta.

RELEMBRANDO O CASO

Daniel gozava férias e foi descansar na praia de Pipa, litoral norte riograndense onde em tese somente ricos desfrutam das suas belezas. Descontraído e feliz, postou algumas fotos no Facebook, compartilhando o momento com os amigos.

Foi o bastante para que seu chefe em Campina Grande, Arquimedes de Castro, logo postasse um comentário preconceituoso que provocou revolta em todo o círculo amigo do repórter.

“Depois da Lei Áurea, tudo é possível”, grafou Arquimedes em alusão ao ato da Princesa Isabel que acabou com a escravidão negra no Brasil.

Ao retornar a Campina Grande depois do descanso, Daniel postou no Facebook as suas impressões, repudiando a declaração de Arquimedes.

“Acabo de chegar de Pipa, o paraíso ao qual me reservei durante o fim de semana. Juntei dinheiro o ano todo para usufruir das minhas tão esperadas férias. Foi o máximo”, avisou.

E continuou assim o relato:

“Me diverti muito. Me dei ao luxo de desligar celular, evitei ficar muito tempo acessando facebook ou qualquer outra rede social, afinal queria aproveitar cada instante daquele lugar com intensidade. Foi mágico. As primeiras fotos que meu amigo Marcos fez de mim, eu decidi postar na minha página. Depois, resolvi não mais acessar . Fui passear de catamarã, ver os golfinhos, a maré… Foi muito bom. Revitalizei! Em um determinado momento, quando estava almoçando com amigos, recebi uma mensagem via whatsapp para que observasse comentários no facebook, em uma das minhas fotos. A princípio, não quis perder meu tempo com isso e só abri o face a noite, quando parei para refletir sobre a referida postagem de um colega jornalista, ao qual nunca desrespeitei. No começo reagi normalmente e encarei como uma brincadeira. De mau gosto, claro, mas uma brincadeira.

Foi assim que eu vi. Resolvi que não me manifestaria sobre o assunto, porque inocentemente, achei tudo aquilo irrelevante. Mas, ao chegar em Campina Grande, fui bombardeado com um monte de informações. Amigos e pessoas que nunca vi, revoltados com a tal postagem ‘racista’. O que era irrelevante passou a ser visto por mim como indignação ao saber que além de tudo, estou sendo acusado de ter provocado a situação. Alegaram que eu estou querendo mídia. Mas como? Eu não ofendi ninguém. Eu não falei de ninguém. Eu estava curtindo minhas férias, de direito e sem tempo pra picuinhas. Jamais teria coragem de criar uma situação constrangedora como essa, para ‘aparecer’. Não sou desse tipo. Não busco aparecer em cima dos outros, como é o costume de ‘alguns’ jornalistas. Nunca precisei disso. Procuro fazer meu trabalho o melhor possível, porque é dele que retiro meu sustento. Meus pais, pobres agricultores analfabetos, não me ensinaram essas coisas não. Respeito ao próximo sempre foi o maior ensinamento que eles me deram. Ter força e coragem para lutar e conseguir o que almejo, também. Nunca precisei de ‘pistolão’ e apadrinhamentos para conseguir alguma coisa. Nunca fiz contendas e dei pressão em quem quer que seja, para ter algo. Sempre procurei ser honesto em tudo que faço. Mas enfim, o que mais me magoa não é saber que fui vítima de racismo. Mas de saber que estou sendo acusado de me aproveitar do trágico, para ter ‘mídia’. Agradeço a todos os amigos, colegas de profissão e das pessoas que não conheço, que se indignaram com o fato. Paz e bem”.

SOLIDARIEDADE

Imediatamente, vários internautas reagiram à provocação, inclusive o presidente do Sindicato dos Jornalistas da Paraíba, Rafael Freire, que postou a seguinte nota, também no Facebook:

“Depois da Lei Áurea, tudo é possível”.

Quem disse isso? O jornalista Arquimedes de Castro, recém-contratado diretor de Jornalismo da rádio 98 FM de Campina Grande. Ele é também apresentador do programa Balanço Geral e escreve a coluna Informe Político no jornal Correio da Paraíba, onde defendeu o radialista Fabiano Gomes no episódio da semana retrasada.

Arquimedes escreveu esse comentário numa foto do também jornalista Daniel Motta, repórter da sucursal do Correio da Paraíba de Campina Grande.

Daniel, que é negro, postou fotos de suas férias na praia de Pipa (RN) em seu perfil do Facebook, sendo alvo do ataque racista e repugnante de Arquimedes.

Informo que Daniel está indignado com o comentário e que o SindJornalistas PB vai atuar sobre este caso de racismo envolvendo os dois jornalistas.

Informo também que, durante a entrega do Prêmio AETC, Beatriz Ribeiro, dona do Sistema Correio, pediu-me desculpas pelos ataques de Fabiano a mim e disse que gostaria de conversar comigo com calma. Acho que agora essa conversa é mais do que necessária…

Nossa total solidariedade ao companheiro Daniel Motta, que é um jornalista ético e comprometido com a profissão, seja em seu exercício ou fora dele!

Compartilhem esta denúncia e a cara desse racista!

Leia a matéria completa em: Paraibano vitima de racismo por chefe no ‘Correio da Paraíba’ ganha prêmio em São Paulo – Geledés
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Racismo, estupro, machismo, homofobia, neonazismo e pedofilia no Facebook


Racismo, estupro, machismo, homofobia, neonazismo e pedofilia

por Marcos Romão
venda de escravosMedidas drásticas precisam ser tomadas pelo Ministério Público Federal em relação ao aliciamento de jovens, muitos menores de idade, feito por adultos que colocam fotos de jovens como perfil, para se esconderem em suas práticas criminosas como incentivo ao estupro e ao racismo.
O Ministério Público Federal precisa criar com outros órgãos uma Força Tarefa com outros órgãos e tomar a iniciativa de coibir estes fatos criminosos, como este cometido pelo grupo e pelas páginas homônimas, ” Senzala Maneira!”.  Que além do mais, tem todos os sinais de serem  páginas e grupos, comandados por uma rede de pedófilos.
Os IPs variam mas são localizáveis em universidades e call centers. Os textos e os autores são sempre os mesmos, alguns inclusive já indiciados ou condenados por incitamento ao ódio e práticas neonazistas.
Por enquanto é uma tarefa não muito complicada para os investigadores. Daqui há 6 meses este exército de neonazistas estará bem maior, e aí será complicado conter ou eliminar este cancro das redes sociais.
Que nossos seguidores da Rede Sos Racismo Brasil, denunciem ao MPF sempre que encontrar estas manifestações, racistas, homofóbicas, machistas e neonazistas que encontrem nas redes sociais.
Aguardar os sacripantas do Facebook, que analisam as postagens denunciadas ao Facebook Brasil, não só nos cansam, como recebemos uma dupla agressão com a resposta do Facebook para que conversemos diretamente com os pedófilos, racistas, machistas, homofóbicos e criminosos, que passeiam rindo da cara da gente no Facebook.

Muitas pessoas, principalmente mulheres, passaram a serem ameaçadas depois de denuniarem ao facebook. O que é mais grave ainda!
Acompanhem o  ‪#‎sosracismobrasil‬

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Para denunciar ao MPF: http://cidadao.mpf.mp.br/formularios/formulario-eletronico

TV Globo em rede nacional: Sim, é preciso dar fim à Polícia Militar


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Por Douglas Belchior

 do original

Pronto!

Agora foi a “toda poderosa” TV Globo que mostrou, em rede nacional, o que já sabemos pela dor. Muitas pessoas são mortas todos os dias pelas polícias no Brasil. E desde sempre.

Falo do “Profissão Repórter” que foi ao ar na noite desta terça-feira (25). O jornalista Caco Barcellos, com a ajuda de seus alunos, pareceu reviver sua maior obra, o Rota 66 – A História da polícia que mata de 1992, ganhador do Prêmio Jabuti de 1993. No livro, Barcellos desmonta o “esquadrão da morte oficial”, organizado pela ROTA em São Paulo. Qual teria sido sua conclusão tantos anos depois?

 

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Foi do jeito Globo, mas não foi ruim! O programa mostrou casos emblemáticos e conhecidos de ações violentas da polícia e que resultaram em mortes, com destaque para o Massacre do Cabula e a resistência da Campanha Reaja em Salvador. Mostrou também casos de policiais mortos em trabalho e até o inspirado trecho de um discurso do recém eleito deputado estadual de São Paulo, o ex-comandante da Rota Coronel Telhada: “Somos os mocinhos da História e estamos na luta contra o mal !”.

PROFISSÃO REPÓRTER – VIOLÊNCIA POLICIAL

 

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Mas o discurso do parlamentar milico não se sustentou! A abordagem do programa explicitou: A polícia pratica extermínio institucionalizado; Forja flagrantes e boletins de ocorrência; Encena tiroteios; Planta armas e drogas; adultera locais de ocorrências; Tortura; Acoberta policiais assassinos; Intimida quem denuncia e/ou investiga. E o mais importante: São práticas habituais, comuns, continuadas.

Policiais também são mortos é verdade, numa proporção 50 vezes menor, mas são. Estes, vítimas de uma lógica de guerra e do endosso à pratica violenta que só gera ainda mais violência e vingança. Todos filhos da classe trabalhadora. Ricos, via de regra, não sonham nem precisam ser policiais. Vidas são vidas. E, diante da perda brutal, há sempre quem as chore. Quase sempre mães. Muitas vezes filhos.

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A maioria esmagadora dos mortos são negros. Esse dado não estava no texto do programa. Nem fez falta. Doeu ver as fotos dos jovens assassinados no Cabula, todos negros! E quase todos os outros.

É verdade que o programa não desceu às causas estruturais do problema da segurança pública. Não identificou responsáveis. Ignorou o papel da mídia na construção do discurso justificador da violência policial. Não citou responsabilidades de governos e tampouco procurou quem de fato se beneficia com o massacre cotidiano. Seria pedir demais. 

 

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Fato é que, apesar da superficialidade, a veiculação de um programa com esse conteúdo em rede nacional pela principal rede de comunicação do país nos ajuda a reforçar o óbvio: Não podemos conviver nem mais um momento com uma polícia, uma prática e uma mentalidade que banalize massacres afim de manter a nobreza das elites racistas desse país. Não podemos aceitar a continuidade de um Estado determinado a manter um projeto genocida de desenvolvimento.

E agora, o que falta para pararmos tudo no Brasil e dar atenção ao genocídio da juventude negra e à guerra em que estamos mergulhados?

Falta a ONU pedir o fim da PM? Ela já pediu!

Falta o Papa pedir o fim da violência? Ele já pediu!

Falta a presidenta reconhecer a gravidade do problema? Ela já reconheceu!

Mais do que nunca é preciso discutir com seriedade o fim da Polícia Militar no Brasil bem como uma nova política que Segurança Pública que realmente garanta a vida.

 

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Máximo respeito ao Reaja ou Será Morto, Reaja ou Será Morta, às Mães de Maio e à todos/as lutadoras/es que desde sempre se dedicam à luta pela vida!

 

 

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UFRGS: Matricule a Domingas!!! Xenofobia e Racismo. Pacote anticonstitucional completo


 Lei Caó: Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

 por Thales Bouchaton ***

DomingasNão é surpresa que injustiças acontecem seguidamente por esse país, principalmente quando se tratam de pessoas oriundas de setores da sociedade que são historicamente marginalizados, como negros e pobres. Porém, um fato ocorrido na URFGS está no meu TOP FIVE das barbaridades jurídicas que já vi o poder público cometer contra um cidadão/cidadã.

A estudante Domingas Mendes, da Guiné-Bissau, e que reside legalmente no Brasil, teve sua matrícula indeferida para o curso de Serviço Social da UFRGS, pois em uma bizarra interpretação da Lei de Cotas, entendeu a instituição por não aceitar o ingresso da estudante porque ela não fez o ensino médio em uma escola do Brasil. Porém, fui dar uma olhada na referida lei e ela não fala em nada disso e sim em “escolas geridas pelo Poder Público”, não especificando se essa escola é brasileira ou não.

Será que para a UFRGS só existe “poder público” no Brasil? Não existe Estado na Guiné-Bissau? A própria UFRGS aceitou a isenção da inscrição da Domingas no vestibular por ela ter estudado em escola pública.

No meu entendimento, a dona UFRGS violou de morte o art. 5 da Constituição Federal, que veda a distinção de qualquer natureza entre brasileiros e estrangeiros. Também não foi minimamente atendido o princípio da proporcionalidade, sendo que essa decisão não pode nem ser chamada de positivista, pois nem a lei fornece qualquer fundamento para a decisão controversa que a UFRGS tomou. E pior, utilizou de argumentos jurídicos totalmente controversas para gerar uma injustiça. Para não dizer outra coisa..

Abaixo, segue a manifestação da Domingas sobre o episódio:

“Obrigada a todas e todos que se juntaram de alguma forma à luta para que eu consiga ingressar na UFRGS. Agradeço cada manifestação de indignação e apoio! Enfrentar uma situação de discriminação racial é muito difícil e doloroso, e quando se está fora do seu país é ainda mais sofrido. De todo modo, quero registrar algumas coisas: Para não deixar ninguém com margem de dúvida, antes da inscrição para o vestibular, li todo o Edital e estudei a lei de cotas. Como não há nada escrito em ambos os lugares que me impedisse de ingressar por essa lei – que é importante que se diga ser uma conquista das negras e negros desse país que também escolhi como meu – realizei minha inscrição marcando a opção de cotas para negras e negros. Tanto no Edital quanto na lei não é dito uma vírgula sobre a necessidade de que a escola pública cursada seja brasileira. Fala que escola pública é aquela gerida pelo Poder Público. O Estado do Rio Grande do Sul, através da Secretaria Estadual de Educação, deu parecer favorável como sendo equivalente ao ensino médio brasileiro o que cursei na África, em meu país de origem Guiné-Bissau, um dos mais pobres do continente, e entreguei esse documento para a Universidade. A UFRGS quer dar a entender que onde estudei não se enquadra como “escola pública” e usam o argumento que para ser pública precisa ser de responsabilidade do Poder Público, portanto brasileiro. Ora, quer dizer que para a UFRGS Poder Público só existe no Brasil?! Ou que meu país não tem Poder Público?! Que não temos Estado?! Tudo bem que em relação ao Brasil o capitalismo guineense está mais na periferia ainda, porém não ao ponto de sermos ainda um conjunto de tribos ou mesmo colônia! Além disso, na inscrição do Vestibular, consegui isenção e toda minha documentação entregue e homologada deixa claro isso. Então, como a UFRGS aceita minha inscrição na opção de cotas com isenção sabendo que caso eu passasse não seria aceita?! Acharam que por eu ser africana não teria condições de passar?! Quero registrar que não sou contra que haja critérios para seleção, pois se trata de uma lei para restaurar distorções históricas que minha gente sofre até hoje, afinal não temos culpa por nos escravizarem! Sou Afro (originária), vivendo no Brasil, passando pelas mesmas dificuldades que meu povo negro trabalhador passa, e as vezes até pior, como ta acontecendo agora com a UFRGS ou em experiências de emprego que já tive. Eu, como muitos outros africanos, passamos por isso frequentemente e temos que lidar quase que diariamente com extremas burocracias como as da UFRGS para ter acesso ao mínimo de cidadania. Vale ressaltar que a vice-reitora de graduação, em entrevista à rádio gaúcha (12/2), disse que a decisão é criteriosa, que não podem abrir precedentes (de que tipo?!) e que não se tratava de uma decisão segregacionista e discriminatória. Como “prova” ela disse que a UFRGS recebe muitos intercambistas africanos e que os guineenses são a maioria inclusive. O que essa senhora esqueceu de dizer é que há mais ou menos apenas 15 guineenses na Universidade! Isso mesmo, QUINZE! E esta senhora acha muito! São 15 em um universo de quase 40 mil estudantes! O Edital e a lei de cotas exige que tem que ser preto e pobre. Sou preta, pobre, trabalhadora e comprovei isso! Outro elemento que quero chamar a atenção é a declaração do MEC sobre meu caso, também em entrevista para a rádio gaúcha. Conforme o Ministério da Educação as Universidades tem autonomia na definição do ingresso de seus estudantes em casos como o meu. Portanto, isso mostra que a alegação da UFRGS se trata de discriminação e segregação, pois não está previsto na lei nacional que escola pública precisa ser brasileira! Isso é uma política excludente da UFRGS para uma lei que se pretende o contrário: incluir e garantir cidadania! Eu tive que me esforçar muito para prestar este vestibular. Passei fome, precisei da ajuda de amigos e camaradas, tive que estudar matérias que nunca vi na vida e outras que não via tinha mais de oito anos, aprendi sobre a história do Brasil e do Rio Grande do Sul e até mesmo enfrentar gente oportunista e cínica que tentou provocar minha deportação. Apesar disso tudo, de nadar o tempo todo contra a maré, consegui passar no vestibular, mas agora a UFRGS não me aceita, me causando enorme desgaste psíquico e emocional! Para eu ser trabalhadora para vender minha força de trabalho a preço barato é permitido. Todavia, eu qualificar minha força de trabalho e, assim, poder ter uma vida um pouquinho melhor não pode! Por todo o constrangimento e desgaste que estou sendo obrigada a passar por conta de uma decisão xenofóbica da UFRGS quero repetir meu profundo agradecimento pela camaradagem e solidariedade de todos que de alguma forma estão tentando me ajudar. Como dizem meus irmãos de classe trabalhadora: FIRME!”

Em repúdio a essa decisão, alunos do serviço social da UFRGS estarão realizando o ato “Matriculem Domingas Mendes”, na próxima segunda-feira, 23, às 14h, no DECORDI/UFRGS, Campus Central.

 

***Thales Bouchaton

Advogado, graduado pela PUC-RS. Flamenguista doente, carioca de Porto Alegre, Balneário Pinhalense de coração.

 

Coragem Civil contra o racismo: “Pra ti virar gente vai ter de descer da árvore.” Uma mulher que reage no sul do Brasil


 

deusaElas são jovens, viajam pelo Brasil e o mundo, são senhoras de si. São livres, estudadas, têm emprego, são jovens, são mães, são gente como qualquer um, cheias de curiosidades e amor para conhecer os continentes.
Mas estas jovens são negras e brasileiras. Não podem viajar nos bancos da frente de nosso país.

Ora topam com delegadas, que acham que toda esta aparência linda e títulos acadêmicos nacionais e internacionais são uma ofensa às sus vidas de provincianas, e as chamam de mentirosas. Ora esbarram com truscos trogloditas que gostariam de vê-las penduradas nas árvores, ou  numa corrente em seus quintais.

A vida destas jovens negras brasileiras não está fácil. O muro cada vez mais visível do Apartheid se levanta por onde passam no Brasil Continental.

São parecidas com minhas irmãs, filhas e sobrinhas. Vou dar meu braço a elas. Vamos quebrar estes muros e botar na cadeia quem tiver a veleidade de ser racista.

E não me venham com estas histórias que racismo é uma questão de mais educação. Educados tivemos no mundo e no Brasil, Goebells, doutores escravocratas em Campos e no Mississipi, filósofos franceses como Gobineau, e escritores consagrados como Monteiro Lobato no Brasil.

Ao racista a lei, ao que comete ato racista a lei mais dura possível para que termine de vez este crime continuado.

Educação sim. Educação cidadã e tomada de consciência de seus direitos, para que as pessoas discriminadas e vítimas do racismo não continuem caladas.

A “Unidiversidade” contra o racismo já inaugurou suas portas. Cada cidadão e cidadã brasileira que tiver consciência antirracista, pode ser desde já professor decano/a. Os únicos títulos exigigidos são o de solidariedade para com o próximo e coragem civil.
O goleiro Aranha, Valdicéia França, mãe de Mirian França e agora Deusa Maria Souza já estão dando suas aulas nesta escola antirracista aberta a todos e todas.

Marcos Romão– Editor da Mamapress, e coordenador da Rede Radio Mamaterra e do Sos Racismo Brasil

por Deusa Maria Souza

Eu, Deusa Maria de Sousa, 42 anos, mãe, Doutora em História, nordestina, NÃO SOU MACACA!

“Pra ti virar gente vai ter de descer da árvore.”

Foi com essa frase racista de ódio e superioridade racial desmedida que fui agredida no final da manhã de ontem ao chegar na rodoviária da cidade de Capão da Canoa, litoral do Rio Grande do Sul e que levou eu e um homem branco até a delegacia da mesma cidade e terminou com seu indiciamento e a prisao dele em flagrante pelo crime de injúria qualificada.

Os fatos:

Comprei uma passagem para embarcar para Capão da Canoa depois de viagem internacional de 15 dias entre África e Europa. Cheguei em Porto Alegre na noite anterior, dormi e segui depois das 9h da manhã para embarcar no ônibus direto Porto Alegre-Capão da Canoa e reencontrar meus amigos e meu filho Nícolas, que não levei junto a mim na viagem internacional.

Comprei o assento número 2 do ônibus, ou seja, primeira poltrona do lado esquerdo, logo atrás do motorista, para ter boa visão da estrada ensolarada que senti saudades.

Antes do ônibus partir, ainda no embarque e acomodação de bagagens, baixei meu assento por engano até a metade da capacidade do banco, quando fui surpreendida por uma ofensa moral de uma senhora que sentava atrás de mim, dizendo que eu não iria naquela viagem deitada no colo dela, e ainda que,  se eu quisesse dormi que trouxesse minha cama de casa.

Eu, delicadamente, fui explicá-la que o banco tem a capacidade de declinar e que se assim fosse meu desejo eu declinaria meu banco ate a capacidade total, foi naquele exato momento que ela (loira, de aparência de ascendência alemã) retrucou:

“Neste ônibus tu não vai deitar o banco, neste ônibus não vai deitar..”

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Ao ouvir o insulto e arrogância dela eu declinei meu banco ao máximo, foi naquele momento que ela agarrou meus cabelo black power por trás e puxou com força minha cabeça para trás me xingando de negra, e eu na tentativa de me desvincilhar da agressão me feri e ralei no banco.

Naquele momento o caos tomou de conta dos passageiros, pessoas gritavam, ela me ofendia e seu companheiro dizia que eu tinha sido agressiva ao desafiá-la.

Chamei a Polícia e ela começou a dizer que no Brasil os negros tem mais direitos que os brancos. Ao ver que situação dela estava ruim, evadiu-se do ônibus sem eu soubesse de quem se tratava, deixando o marido no ônibus.

Resolvi que tentaria saber de quem se tratava ao chegar em Capão. Acionei a polícia que chegou em 5 minutos e fez um levantamento da situação. O caos continuava. Naquele momento eu só queria saber a identidade de agressora e tentei obter com o cunhado dela que tinha ido buscar o marido. O homem percebendo a quantidade de gente e a presença da polícia negou-se a dizer a identidade da agressora.

Foi ai que me dirigi ao companheiro ou marido do agressora, que então me insultou verbalmente na frente de várias testemunhas e policiais e finalizou dizendo:

“Pra ti virar gente vai ter de descer da árvore.”não somos macacos

Passei até as 4h da tarde de ontem da delegacia de Capão com meu filho e testemunhas:

“Perdi” 5 horas da minha vida com o fim de dar cabo à agressão racial sofrida. Perdi horas da minha vida e ganhei a satisfação de ver um agressor racial preso em flagrante por injúria e isso amig@s não tem preço que pague.

Seguirei no processo agora para processá-lo e sua companheira, agressora racial e física, pois eu e os negros nunca vivemos em árvores e temos atitude para combater o racismo da melhor maneira possível.

Caso Mirian França: Onde termina o interrogatório e começa a tortura. Os limites constitucionais.


Roda da Tortura Medieval

Roda da Tortura Medieval

Por João alfredo Telles***

Um desafio para especialistas em criminologia, psiquiatras forenses, estudiosos de segurança e militantes de Direitos Humanos: qual o limiar entre um interrogatório sério e a tortura psicológica? Qual o limite entre a busca da verdade e o sadismo puro e simples? Qual a real eficiência de interrogatórios, onde o depoente é submetido a uma pressão extrema, para o desvendamento de crimes complexos? Qual o peso de “confissões” arrancadas a fórceps frente às chamadas provas materiais?
Pergunto isso porque estou absolutamente chocado e indignado com o processo de massacre psicológico, perseguição contínua e linchamento público a que tem sido submetida a cidadã fluminense Mírian França por parte da polícia cearense, especialmente na pessoa da Delegada Patricia Bezerra, que preside o inquérito que apura o homicídio da cidadã italiana Gaia Molinari, até agora sem solução, e, portanto, impune.
A imagem dessa postagem, por óbvio, não se refere a esse caso, mas, à “santa” inquisição na idade média, quando nos piores momentos da igreja católica, a confissão arrancada sob tortura fundamentava a pena de morte, na fogueira, em geral, de “bruxas” e “hereges”.

***João Alfredo Telles: Advogado, vereador do Psol, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Fortaleza.

Foi impedido junto com a também advogada Luanna Marley, da Rede Nacional de Advogados de Direitos Humanos, pela delegada Patrícia Bezerra de acompanhar o interrogatório de Mirian França. Mesmo que tenham sido convidados pela Defensoria Pública.

Caso Mirian França: Porque a delegada insiste em chamar Mirian França de mentirosa em cadeia Nacional? Qual foi a grande mentira?


por marcos romão
mirian-franc3a7a-libertaTrinta dias depois de iniciadas as investigações sobre a morte de turista italiana, Gaia Molinari, a delegada de polícia Patrícia Bezerra, nada tem a apresentar de novo nas investigações,  além de repetir mais uma vez e categoricamente, que a farmacêutica “carioca”,  segundo reportagem da filiada da Globo local, Mirian França, mentiu.

Segundo informações da matéria, a delegada teria pedido a prorrogação do prazo de investigações por mais 30 dias.

Essas são as palavras em relação à Mirian França, proferidas pela delegada Patrícia Bezerra, dadas em entrevista na  tarde de 28.01, na delegacia que está à frente em Fortaleza

“Mentiu”.

Mentiu, várias vezes  ao longo dos dois depoimentos que ela prestou.

Ela não soube explicar as razões destas mentiras”.

Em conversa com a mãe de de Mirian França, na última sexta-feira na sede da OAB-RJ, a Mamapress foi informada por sua mãe, Valdicéia França, através do editor que lhes escreve, que ela foi voluntariamente à delegacia em fortaleza conversar com a delegada de polícia Patricia Bezerra, acompanhada de representante da defensoria pública do Ceará. Ela queria saber do que a filha estaria sendo acusada.

A sra. Valdicéia se disse surpreendida, pelo fato da delegada ter transformado a sua visita de mãe interessada sobre o que acusavam sua filha, em um interrogatório que durou 3 horas, em que lhe foi perguntado, detalhes do tipo de educação que havia dado à sua filha, fugindo completamente do seu papel de delegada à frente de uma investigação.

Este processo, segundo as noticias na imprensa, entrevistas da delegada, declarações de testemunhas que chegaram as serem arroladas como suspeitas, como no caso do turista uruguaio, que foi preso com sua namorada e levado de camburão para Fortaleza, tem uma linha de investigação levada pela delegada, calcada em um possível crime passional.
Mirian França ficou detida durante 14 dias, sob a acusação genérica de ser uma mentirosa, segundo a delegada.

Segundo informações que nos chegam de Jericoacoara, moradores do lugarejo turístico, têm  sido perguntados sobre o comportamento moral de Mirian França durante a sua curta estadia na localidade.
Como já se passam mais de 30 dias desde a morte trágica de Gaia Molinari. toda a sociedade brasileira e italiana aguarda que a polícia do Ceará apresente fatos e provas sobre o crime, para que seja feito justiça ao matador ou matadores de Gaia, ao invés de ouvirem repetidamente da delegada Patrícia Bezerra, que extrapola e exorbita de suas funções, ao se assumir como julgadora do caráter de Mirian França e condená-la à humilhação  e execração pública, ao repetir em rede nacional que Mirian França mentiu.

A Mamapress pergunta à delegada Patrícia Bezerra, qual foi a mentira que Miriam França proferiu.

O que no comportamento pessoal de Mirian França, faz delegada levantar suspeitas contra ela?

Qual a sua linha profissional, técnica e isenta de preconceitos pessoais na investigação, da “carioca”, segundo parte da  imprensa, que ainda insiste em chamar a farmacêutica Miriam França pelo apelido dado.

Que martírio pelo qual passa Miriam França e Família tenha um fim.

Que a verdade apareça!

Nota: até o final da noite não tínhamos informações se Mirian França continua obrigada a permanecer em Fortaleza, já que tem endereço e trabalho conhecido no Rio de Janeiro.

Veja a matéria com a delegada na CETV

http://g1.globo.com/ceara/cetv-2dicao/videos/t/edicoes/v/caso-gaia-molinari-completa-um-mes-e-policia-nao-tem-suspeitas-do-crime/3923103/

 

A Conjuntura Negra Brasileira, ou onde é que o calo dói


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Marcha contra o genocídio do jovem negro, Vitória, Espírito Santo, 2014 foto: André Alves

por marcos romão

As análises de conjuntura política da sociedade brasileira feitas por vários amigos e amigas, ativistas ou acadêmicos ou os dois juntos do Movimento Negro, são ótimas, qualquer facção de extrema esquerda de qualquer partido de esquerda, ou setor do Movimento Negro de ultra esquerda assinaria embaixo sem piscar.

Temos sido nestes vinte anos a “borra da borra” do café dos setores de esquerda do Brasil, buscando paralelo no conceito branco ” creme do creme” , quando nos referimos ao que teria de mais puro e genuíno em um “processo revolucionário”. Isto se revelou muito bem nas últimas eleições para presidente, em que no primeiro turno o racismo e as discriminações sociais, econômicas, de gênero e religiosas, das quais no Brasil em especial, este mesmo  racismo é o motor e a matriz, ganhou lugar de destaque nos palanques, na grande imprensa e nas redes sociais.

Esteve subjacente nos discursos de todos e todas as candidatas no primeiro turno a questão racial, ora clara, morte de jovens negros, ora camuflada em discriminação ao “nordestino”, vis a vis, preto e índio, e não os brancos Collor, Cids e Sarneys que também são nordestinos, ou no ataque aos médicos cubanos, que são iguais a pretas empregadas e porteiros de prédio, e não aos médico argentino Che Guevara ou “jesuíta” espanhol Fidel Castro, no imaginário branco nacional.

Vimos desde ruivinhas de cabelos encaracolados, passando por louras de cabelos laqueados, até narizes de ferro, dizendo nos palanques que tudo fariam pelos mais pobres, em resumo os negros. Vimos também o tempo todo nas redes sociais, que as discussões foram centradas nas discriminações em geral, contra ou a favor das cotas, contra ou a favor de homossexuais, ou contra ou a favor da pena de morte, e contra ou a favor de bolsa família e planos sociais. Subjacente a todos este temas, o racismo e a questão racial podiam ser vistos sem lupa. Nunca vi uma campanha em que o racismo estivesse tão escancarado, tanto nos palanques quanto nas ruas e redes sociais. O voto negro “amorfo” e sem pai nem mãe decidiu ao fim e ao cabo as eleições no segundo turno. Amorfo, desesperançoso, desesperado, mas um voto que foi consciente, na escolha entre qual seria o melhor carcereiro, ou o carcereiro mais brando, na falta de escolhas

Mal ou bem nosso discurso do Movimento Negro dos 70 prá cá, tomou conta do mercado de almas eleitoras nas últimas eleições. Voto por falta de opção, somado com nulo dados ou não dados pelos negros decidiram a a eleição na reta final.

Aos que pensam que faço uma análise megalômana da “força negra” e do racismo no Brasil, respondo, que é mais uma constatação trágica, pois os marqueteiros e ideólogos brancos, conhecem mais esta força do que nós do Movimento Negro, e  usaram este conhecimento para si e os partidos para os quais venderam o “Produto Negro”.

Eles fizeram uma análise da conjuntura nossa, os negros, analisaram todo tempo a “nossa conjuntura” e nosso estado depauperado de conhecimentos e propostas globais e nacionais. Analisaram nossos fraccionamentos, e ignorância teóricas, e a antropofagia do cafre ad eterna que “eles” sabem muito bem manipular.

O mote do branco do Brasil poderia muito bem ser parafraseado de Alexandre Herculano pelo neocolonialismo brasileiro: ” O negro passou a ser nosso melhor escravo, depois que deixou de ser escravo nosso.”

Uma análise da conjuntura nossa é o que falta ser realizada por nós.

Onde estão, e nas mãos de quem, por exemplo, os nossos milhares de jovens ativistas e ou acadêmicos, nossos cérebros novos, em resumo?

Nos setenta éramos quantos, 100, 200 em todo o país, ativistas negros e negras mostrando a cara? (ressalto aqui, negros que podiam mostrar as caras, pois os mais velho estavam obrigados a se esconder ou por perseguição ou medo de perseguição). Nós, esta pequena centenas de jovens nos 70 e início dos 80 éramos inocentes e não sabíamos o poder que enfrentávamos, por isso ao contrário dos mais velhos mostrávamos nossas caras.

Sorte ou tática, não sei, o poder não sabia lidar com esta batata quente, que era “esse pessoal” atacando a “democracia racial”. Sorte nossa que tanto o poder ditatorial, e as esquerdas, nos achavam café-com-leite no espectro político nacional, e quando muito imitadores de “Blackies Americanos”.

Éramos para o Brasil um monte de macaquinhos sem cérebro dançando Soul nos subúrbios e nada mais. Nem na telinha aparecíamos. Ainda bem que tem o acervo do TELÃO NEGRO da NGURARIJO da Vick e do Ras Adauto, incorporado hoje pela Cultne para provar que não falo de fantasias.

Estes espaços eram os lugares de aprendizado político, em que os “um pouco mais velhos” passavam para os “um pouco mais jovens”, conhecimentos sobre a autonomia de nossa luta nacional contra o racismo e restruturação do Brasil sobre novas bases, em que tenhamos a igualdade política plena. Base que para que tenhamos avanços que nos garantam conservar, sem depender da boa vontade de governos, conquistas políticas e sociais, que tenhamos alcançado.

Dos 90 para cá, os jovens negros perderam seus espaços de discussões autônomas para se alimentarem das demandas engendradas nas discussões entre negros. Nossos cérebros caíram de boca nos partidos, sindicatos e academias.
Para não falar do que conheço pouco, cito apenas o exemplo do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras e Sos Racismo, que conheço muito. São exemplos de como praticamente todas a entidades negras existentes até então, foram aniquiladas pela nova conjuntura do Movimento Negro em busca de espaço nos partidos e administrações governamentais.

Onde estão hoje os jovens negros “cerebrais”, que agora já não se contam às centenas e sim milhares neste Brasil?

No Rio de Janeiro em que eu frequento o movimento social e as manifestações desde a Rio+20, vi negros e negras empunhando bandeiras das mais variadas tendências partidárias ou não, em meio a jovens brancos na linha de frente. Nada melhor para um foto mediática, do que um carvãozinho com cabelos crespos no meio de coxinhas brancas.

Quando a cobra fumou, preto com ou sem culpa foi quem dançou e não teve habeas corpus que desse jeito.

Nas academias tenho visto a “borra da borra” do café intelectual negra. Estudos avançadíssimos e de nível internacional têm sido realizados.

Nos organismos de governos tenho visto negros e negras jovens que Franz Fanon iria se admirar de tanta erudição.

Mas ao fim e ao cabo tenho visto jovens negros em todo o país, com um bom arcabouço político e analítico sobre a conjuntura nacional e internacioanal, mas que não sabem, simplesmente não sabem o que fazer, quando discriminados na porta de um banco ou de restaurante ou supermercado, nem encarar um policial ou funcionário do SUS ou Seguro privado, que lhe retiram a dignidade ao lhe darem um baculejo, recusarem a entrada, ou recusarem um serviço a que tenham direito como cidadãos, que pagam e caro pelas migalhas que conquistaram!

E os velhos, ou os antigos, como tem uma garotada moderna e “afrocentrada” nos tem chamado. Onde é que está este pessoal com experiência acumulada na luta negra brasileira?
Nas redes sociais vejo poucos. À exceção de uma ou outra sessão de prêmio ou homenagem memorial, vejo poucos na vida pública. Ou estão nos seus escaninhos continuando seus trabalhos de formiguinhas conscientizadoras, ou desistiram e volta e meia postam fotos de netos no facebook, ajudados pelas netinhas que entendem desta máquina.
Os antigos pagam um preço bem caro por esta falta de espaço próprio para conversar sobre conjuntura negra e outras hipocondrias.

Mas acontece que a conjuntura, a vida, pois não existe conjuntura sem existência e ação individual ou de grupos, está aí. Florescente como jamais vi, ou nunca antes, como costuma dizer um branco, que soube muito bem usar a “força negra” para seus propósitos individuais e partidários.

Felizmente os velhos ou antigos negros de hoje, não têm um quadro do novo Getúlio na parede de casa. Os tempos mudaram;

A garotada está pululando, tá agitada. Claro que ainda estão nas mãos das tendencinhas guetistas dos partidos e do Movimento Negro, é natural, faz parte da seiva da vida política. O vírus da CS (convergência socialista), inoculado em 1978 no Movimento Unificado Contra a Discriminação Racial (MNUCDR) deu filhotes, e hoje todos os grupos e tendências imitam este erro de nascença, e se especializaram em pescar negros jovens ” revoltados”, de forma acrítica para suas ideologias ou interesses dentro dos partidos. Importante ressaltar que estes negros e negras “cerebrais”, acabam caindo nos guetos de tendências nos partidos, que não têm nenhuma expressão, poder ou voto no direcionamento dos partidos onde estão. Mesmo quando se tornam candidatos a cargos eletivos majoritários, são apenas efeitos simbólicos para interesse dos partido onde estão. Gastam suas granas de de suas famílias, para colherem a frustração da derrota. E quando pior, passam a se revoltar contra a política em geral em se tornam um zero a esquerda no processo de influência sobre a conjuntura nacional.

Não acuso estes jovens. Tiveram a quem imitar. Tiveram os exemplos anteriores de muitos negros e negras que eleitas desde 82, se destacaram no discurso conjuntural disso ou daquilo, mas se afastaram de suas “conjunturas negras”, se afastaram das cosmogonias e mundo negro que os elegeram. 2014 foi uma ultrassonografia cibernética de alta tecnologia, revelada nas redes sociais, do distanciamento corporal e físico, entre as cabeças dos negros e negras cerebrais “antigas”, e o corpo negro e jovem revoltado do país.

Salvo um ou outro piado não compartilhado e não repercutido nas redes sociais, imprensa e nas ruas, nossas “cabeças cerebrais negras” eleitas, em cargos acadêmicos, vestidos de lideranças sindicais ou partidárias não perceberam que haviam os “corpos” de uma Cláudia “Arrastada”, ou um Amarildo “Desaparecido” na tal de “Conjuntura Nacional”.

A conjuntura política negra viveu neste momento seu ápice esquizofrênico iniciado lá em 1978. Nossas cabeças cerebrais ficaram sem saber o que dizer e como agir. Ficaram sem saber o que dizer, não porque não estivessem revoltados e não soubessem como agir. Nossas cabeças cerebrais eleitas ou  nos guetos partidários, precisaram antes ouvir uma ordem de seus partidos ou tendências sobre o como agir. Eram seus calos que doíam, mas precisavam antes ouvir um diagnóstico dos seus líderes brancos, de que dedo era a dor que eles deveriam gritar.

Leões sem dentes, esqueceram, que pessoas do movimento social participa dos partidos para levarem as reivindicações dos seguimentos que os colocaram lá. Sem dentes e frustrados, passam então a dar patadas no movimento social que esqueceu que eles existiam. Pois a CONJUNTURA  de quem o calo dói é sempre outra.

Uma pista para análisar a conjuntura negra atual no plano nacional, para saber quem somos nós, negros e negras neste novo momento político. Pode-se procurar ao se fazer uma fotografia dos votos na Rocinha, no Rio de Janeiro, a favela que engoliu Amarildo.

Lá os dois deputados mais votados foram pessoas de espectros políticos opostos, o Bolsonaro e o Freixo. Um pertence à área de defesa dos direitos humanos, outro à turma do prende e arrebenta.

Se cruzarem o número de votos que um candidato a cargo federal e outro a cargo federal tiveram, podem chegar à conclusão que grande parte de votos dos dois, foram dados pelas mesmas pessoas.

Seria um paradoxo? Seriam votos de ignorantes políticos e inconscientes raciais do que estão fazendo e querendo?

Vejo isto como uma análise apressada. Poderia dizer que votaram na indefinida cidadania com direitos e humanos e na indefinida “segurança com porrada” que lhes foram apresentadas, quer nas ruas, quer nas redes sociais durante a campanha eleitoral. Os dois “brancos” estavam falando sobre os calos que doem para todo mundo, brancos, pretos e índios. Falaram de direitos humanos e segurança, cada um a seu jeito, e abocanharam as cabeças negras. Simples assim.

Do nosso lado, o silêncio sepulcral de nossos e nossas Capa-Pretas sobre os temas da ” Conjuntura Negra”, resultou esta catástrofe nas eleições proporcionais em todos os estados do Brasil. Catástrofe que é representada crua e nua na composição dos secretariados e ministério, dos estados e do planalto. Não temos representação negra. Perdemos, ou demos de mãos beijadas, o quase nada que conquistamos em 45 anos.

Os negros que chegaram ao parlamento foram eleitos por seguimentos religiosos. Eles também prometem aos seus eleitores, segurança na terra e direitos humanos no céu. Ganham fácil o nosso voto.

Ao contrário do que pregam alguns de os nossos intelectuais negros, ativistas ou acadêmicos, ninguèm gosta de estar “entregue própria sorte”. Em nossa vida individual e cotidiana em nossas famílias e círculos de amigos, nos agarramos no que pudermos para sobrevivermos junto com os nossos.
Mas e nossa conjuntura negra, como é que vai?

Como avô negro me preocupo com três coisa básicas.

1- Se cada um membro de minha parentada, inclusive eu, espalhada por várias cidades, chegamos vivo ao final do dia.

2- Se vai ter café da manhã prá todo mundo e se ninguém vai ser despejado, ter luz ou água cortada e ou ter penhorada sua televisão, por falta de pagamento.

3- Se nenhum dos filhos ou filhas de amigos ou amigas de e amigos de amigos, não foi preso, maltratado ou eliminado pelas forças policiais, ou assaltados e mortos por eles, ou pelo seguimento chamados de bandidos “puros” e “autônomos”.

Com estes três itens prescrutados e acalmados, tenho então algum tempo para pensar nos meus vizinhos, na minha cidade, no meu estado, no meu país e na Conjuntura Mundial; Sem estas coisas básicas não passo de de um analista platônico da minha vida. Não passo de uma bolha flutuando para onde o vento me leve. Saber disso aumente a minha consciência de cidadão de um mundo globalizado.

Por sorte, converso volta e e meia com o meu peixeiro de poucas letras, o Bahia, de nome, não de apelido, como os negros espertos e falantes, costumavam serem chamados no Rio dos 60. Vejo, que ele tem sempre uma resposta na ponta da língua, para explicar a sua visão do particular de sua vida, e de sua visão do plural do mundo.

Me disse noutro dia: ” Tá ruim mas escolhi, podia ser pior”. Ao resumir como estava situação nacional e internacional.

Com sua tirada, eu não poderia encontrar melhor análise da conjuntura do negro brasileiro no atual momento.

“Disse tudo”, diria minha sábia jovem sobrinha.

“Voltar às raízes”, eram um mote do movimento negro na década de 70.

” Não deixar cortar as árvores plantadas”, diria eu em 2015, ao propor uma nova análise da conjuntura em que vivem os negros e negras no Brasil atual.
Não tem que esperar solução de algum governante para o futuro.

Estou engajado há anos na luta contra o morticínio e genocídio do jovem negro no Brasil. Tenho que reconhecer que ao contrário do Mão Branca de 70, quem nos executa hoje são mãos pretas a serviço do racismo branco. Os executores e os mortos são pretos. Não os distingo entre policiais ou bandidos. Numa sociedade menos racista, todos nós negros e negras teríamos uma maior expectativa de vida, sejamos policiais, bandidos, ou meros cidadãos debaixo do fogo cruzado. Somos todos prisioneiros do mesmo gueto que nos empurra a matarmos uns aos outros.

Esta é a conjuntura básica em que vive a pessoa negra brasileira, seja em que seguimento ou classe a que pertença;

Para que tenhamos uma visão da conjuntura nacional como um todo. Temos que saber o que queremos todos e e todas, aqui e agora, temos que tomar  conhecimento da diversidade e riqueza que nós somos. A solução para as dores, as mortes, a tortura e os maltratos,  nos será apresentada por todas as idéias de todas estas gentes negras e antirracistas.

Ou botamos os dedo em nossas feridas e a tratamos, ou os “outros” vão continuar jogando fel em nossos machucados, dizendo que é bálsamo dos deuses.

Comecemos a nos reconhecer e a nos respeitarmos.

Não batamos nem deixemos que batam em nosso e nossa companheira e companheiro.

Quilombolas se encontram no Rio de Janeiro. 12 anos e só 112 quilombos titulados: O que fazer?


convocação
Um grupo de quilombolas da Frente Quilombola, convocou para a próxima sexta-feira, 23 de janeiro uma reunião nacional, na OAB-RJ, para discutirem a atual situação dos quilombos e quilombolas no Brasil.

OAB/RJ – Av. Marechal Câmara, 150 – Rio de Janeiro – RJ – CEP: 20020-080 – Fones: (21) 2730-6525 / (21) 2272-6150

Segundo relatório do Governo Federal de maio, 2014, apenas 207 das 2197 comunidades foram reconhecidas até então. O que dificulta em muito o atendimento aos benefícios sociais.

No Brasil 75% dos Quilombolas vivem em extrema pobreza:

Das 80 mil famílias quilombolas do Cadastro Único, a base de dados para programas sociais, 74,73% ainda viviam em situação de extrema pobreza em janeiro desde ano, segundo o estudo do programa Brasil Quilombola, lançado ontem (6) pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Entre cadastrados ou não, os quilombolas  somam oficialmente , 1,17 milhões de pessoas e 214 mil famílias. Saiba mais à respeito
“A questão básica para nós é a titulação da terra, sem ela não somos ninguém, não somos nada”, afirma José Antônio Ventura, quilombola da Frente Nacional em Defesa dos Territórios Quilombolas e um dos puxadores da reunião que irá acontecer. Segundo os quilombola até agora só 112 quilombos receberam o título que legalizam as suas terras

Ao contrário dos Povos Indígenas, que mal ou bem tem a Funai para centralizar suas demandas, e contam com visibilidade e apoio nacional e internacional em suas demandas. Os quilombolas precisam percorrer um tortuoso caminho, por no mínimo 11 ministérios, secretarias e fundações à nível de ministérios, governos estaduais e municipais, além dos donos de terra no parlamento, para conseguirem o “PAPEL DE DONOS DE SUAS TERRAS”.

Os latifundiários e os fazendeiros do agronegócio, contam com a força do dinheiro representados na CNA ( Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). Quilombolas dependem do favor de Ongs e apoiadores individuais, e principalmente do movimento negro, do qual eles fazem parte, para conseguir um mínimo para a sua sobrevivência.

Ação  de Inconstitucionalidade de 2004 (Adin 3239/2004),  impetrada pelo DEM , comandado à época pelo senador corrupto e associado à máfia Demóstenes Torres, praticamente paralisou a titulação dos quilombos no Brasil desde então. O ex-senador corrupto, com sua iniciativa, colocou em dúvida a própria existência dos quilombos.
A ascensão da ex-presidente do CNA, Kátia Abreu para o posto de ministra da agricultura no novo governo Dilma, acendeu as luzes de alarme no meio quilombola. Apesar das várias organizações de defesa dos quilomboala já existentes, sentem a necessidade de criarem uma organização que tenha juntos ao governo brasileiro, à OIT e outros organismos internacionais o mesmo peso que tem as organizações dos grandes donos de terra.

O encontro promete ter discussões políticas acirradas, sobre os pró e os contra de tal iniciativa. Veja documento contra a iniciativa Manifesto da Frente Nacional Quilombola

Nós da Rede Radio Mamaterra e da Quigeral, desejamos que este encontro ajude aos quilombolas a saírem da invisibilidade que os mantém na extrema miséria e sem serem ouvidos pelos governos Federal, Estaduais e Municipais.

Torcemos para os quilombolas consolidem o protagonismo de suas lutas e que junto com seus apoiadores, cheguem a um consenso de como levar adiante a luta pelos títulos de suas terra,  valorização e reconhecimento de suas culturas ancestrais.

Esperança na defesa da liberdade de Mirian França. Promotor ja deu parecer favorável à soltura.


manifestaçãoESPERANÇA!!! Vamos compartilhar!!! Vamos pressionar!!!
via Marcos Romão
Esperança na defesa da liberdade de Mirian França. Promotor ja deu parecer favorável soltura. Com 6 delegados no caso, policia sem provas consistentes. Mirian pode ser solta ainda a qualquer momento, informou defensor público Emersom Castelo Branco à Mamapress.