Tim Lopes ia gostar: Paraibano vitima de racismo praticado por chefe no ‘Correio da Paraíba’ ganha prêmio em São Paulo


DanielMottaO jornalista Daniel Motta, vítima do crime de racismo há um ano, humilhado que foi pelo superior hierárquico na sucursal do jornal Correio da Paraíba em Campina Grande, Arquimedes de Castro, depois de ter postado fotos em um hotel na praia de Pipa-RN gozando seu período regular de férias da empresa, é um dos vencedores do “Prêmio Tim Lopes de Jornalismo Investigativo 2015”, na categoria Televisão, da Rede Record, em São Paulo.

Do Apalavra online

Daniel superou o preconceito e é vencedor em São Paulo

Paraibano de Juazeirinho, Daniel depois do episódio lamentável pediu demissão do jornal paraibano e mudou-se para São Paulo, onde hoje é produtor da TV Record. Lá, produziu com Luís Gustavo Rocha “O Mistério do Matador de Mulheres”, contando a história de um serial killer de Goiás, reportagem exibida no dia 08 de setembro de 2014 no programa Repórter Record Investigação.

Daniel produziu o material de São Paulo, Luís Gustavo Rocha o de Goiás, Lucas Wilches editou o texto e Oloares Ferreira concluiu a reportagem.

Os ganhadores ficaram sabendo da escolha nesta segunda-feira (16) e a entrega da premiação será no dia 14 de abril, no Rio de Janeiro.

O Prêmio Tim Lopes de Jornalismo Investigativo nasceu em 2004 e acontece anualmente. O objetivo é fomentar, no meio jornalístico, a produção de matérias de cunho investigativo, onde o tema seja iniciativa do jornalista, e não do editor ou veículo.

O Prêmio Tim Lopes se comunica com jornalistas e editores de veículos de comunicação que, com seu trabalho e ação, contribuem para melhorar a segurança pública, seja no âmbito da violência urbana, dos crimes ambientais ou contra os direitos humanos.

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As fotos em Pipa que revoltaram Arquimedes de Castro

O Prêmio, que orgulha não somente Daniel, mas todos os profissionais de jornalismo da Paraíba, é uma prova real do esforço de superação própria de Daniel Motta.

RELEMBRANDO O CASO

Daniel gozava férias e foi descansar na praia de Pipa, litoral norte riograndense onde em tese somente ricos desfrutam das suas belezas. Descontraído e feliz, postou algumas fotos no Facebook, compartilhando o momento com os amigos.

Foi o bastante para que seu chefe em Campina Grande, Arquimedes de Castro, logo postasse um comentário preconceituoso que provocou revolta em todo o círculo amigo do repórter.

“Depois da Lei Áurea, tudo é possível”, grafou Arquimedes em alusão ao ato da Princesa Isabel que acabou com a escravidão negra no Brasil.

Ao retornar a Campina Grande depois do descanso, Daniel postou no Facebook as suas impressões, repudiando a declaração de Arquimedes.

“Acabo de chegar de Pipa, o paraíso ao qual me reservei durante o fim de semana. Juntei dinheiro o ano todo para usufruir das minhas tão esperadas férias. Foi o máximo”, avisou.

E continuou assim o relato:

“Me diverti muito. Me dei ao luxo de desligar celular, evitei ficar muito tempo acessando facebook ou qualquer outra rede social, afinal queria aproveitar cada instante daquele lugar com intensidade. Foi mágico. As primeiras fotos que meu amigo Marcos fez de mim, eu decidi postar na minha página. Depois, resolvi não mais acessar . Fui passear de catamarã, ver os golfinhos, a maré… Foi muito bom. Revitalizei! Em um determinado momento, quando estava almoçando com amigos, recebi uma mensagem via whatsapp para que observasse comentários no facebook, em uma das minhas fotos. A princípio, não quis perder meu tempo com isso e só abri o face a noite, quando parei para refletir sobre a referida postagem de um colega jornalista, ao qual nunca desrespeitei. No começo reagi normalmente e encarei como uma brincadeira. De mau gosto, claro, mas uma brincadeira.

Foi assim que eu vi. Resolvi que não me manifestaria sobre o assunto, porque inocentemente, achei tudo aquilo irrelevante. Mas, ao chegar em Campina Grande, fui bombardeado com um monte de informações. Amigos e pessoas que nunca vi, revoltados com a tal postagem ‘racista’. O que era irrelevante passou a ser visto por mim como indignação ao saber que além de tudo, estou sendo acusado de ter provocado a situação. Alegaram que eu estou querendo mídia. Mas como? Eu não ofendi ninguém. Eu não falei de ninguém. Eu estava curtindo minhas férias, de direito e sem tempo pra picuinhas. Jamais teria coragem de criar uma situação constrangedora como essa, para ‘aparecer’. Não sou desse tipo. Não busco aparecer em cima dos outros, como é o costume de ‘alguns’ jornalistas. Nunca precisei disso. Procuro fazer meu trabalho o melhor possível, porque é dele que retiro meu sustento. Meus pais, pobres agricultores analfabetos, não me ensinaram essas coisas não. Respeito ao próximo sempre foi o maior ensinamento que eles me deram. Ter força e coragem para lutar e conseguir o que almejo, também. Nunca precisei de ‘pistolão’ e apadrinhamentos para conseguir alguma coisa. Nunca fiz contendas e dei pressão em quem quer que seja, para ter algo. Sempre procurei ser honesto em tudo que faço. Mas enfim, o que mais me magoa não é saber que fui vítima de racismo. Mas de saber que estou sendo acusado de me aproveitar do trágico, para ter ‘mídia’. Agradeço a todos os amigos, colegas de profissão e das pessoas que não conheço, que se indignaram com o fato. Paz e bem”.

SOLIDARIEDADE

Imediatamente, vários internautas reagiram à provocação, inclusive o presidente do Sindicato dos Jornalistas da Paraíba, Rafael Freire, que postou a seguinte nota, também no Facebook:

“Depois da Lei Áurea, tudo é possível”.

Quem disse isso? O jornalista Arquimedes de Castro, recém-contratado diretor de Jornalismo da rádio 98 FM de Campina Grande. Ele é também apresentador do programa Balanço Geral e escreve a coluna Informe Político no jornal Correio da Paraíba, onde defendeu o radialista Fabiano Gomes no episódio da semana retrasada.

Arquimedes escreveu esse comentário numa foto do também jornalista Daniel Motta, repórter da sucursal do Correio da Paraíba de Campina Grande.

Daniel, que é negro, postou fotos de suas férias na praia de Pipa (RN) em seu perfil do Facebook, sendo alvo do ataque racista e repugnante de Arquimedes.

Informo que Daniel está indignado com o comentário e que o SindJornalistas PB vai atuar sobre este caso de racismo envolvendo os dois jornalistas.

Informo também que, durante a entrega do Prêmio AETC, Beatriz Ribeiro, dona do Sistema Correio, pediu-me desculpas pelos ataques de Fabiano a mim e disse que gostaria de conversar comigo com calma. Acho que agora essa conversa é mais do que necessária…

Nossa total solidariedade ao companheiro Daniel Motta, que é um jornalista ético e comprometido com a profissão, seja em seu exercício ou fora dele!

Compartilhem esta denúncia e a cara desse racista!

Leia a matéria completa em: Paraibano vitima de racismo por chefe no ‘Correio da Paraíba’ ganha prêmio em São Paulo – Geledés
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Racismo, estupro, machismo, homofobia, neonazismo e pedofilia no Facebook


Racismo, estupro, machismo, homofobia, neonazismo e pedofilia

por Marcos Romão
venda de escravosMedidas drásticas precisam ser tomadas pelo Ministério Público Federal em relação ao aliciamento de jovens, muitos menores de idade, feito por adultos que colocam fotos de jovens como perfil, para se esconderem em suas práticas criminosas como incentivo ao estupro e ao racismo.
O Ministério Público Federal precisa criar com outros órgãos uma Força Tarefa com outros órgãos e tomar a iniciativa de coibir estes fatos criminosos, como este cometido pelo grupo e pelas páginas homônimas, ” Senzala Maneira!”.  Que além do mais, tem todos os sinais de serem  páginas e grupos, comandados por uma rede de pedófilos.
Os IPs variam mas são localizáveis em universidades e call centers. Os textos e os autores são sempre os mesmos, alguns inclusive já indiciados ou condenados por incitamento ao ódio e práticas neonazistas.
Por enquanto é uma tarefa não muito complicada para os investigadores. Daqui há 6 meses este exército de neonazistas estará bem maior, e aí será complicado conter ou eliminar este cancro das redes sociais.
Que nossos seguidores da Rede Sos Racismo Brasil, denunciem ao MPF sempre que encontrar estas manifestações, racistas, homofóbicas, machistas e neonazistas que encontrem nas redes sociais.
Aguardar os sacripantas do Facebook, que analisam as postagens denunciadas ao Facebook Brasil, não só nos cansam, como recebemos uma dupla agressão com a resposta do Facebook para que conversemos diretamente com os pedófilos, racistas, machistas, homofóbicos e criminosos, que passeiam rindo da cara da gente no Facebook.

Muitas pessoas, principalmente mulheres, passaram a serem ameaçadas depois de denuniarem ao facebook. O que é mais grave ainda!
Acompanhem o  ‪#‎sosracismobrasil‬

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Para denunciar ao MPF: http://cidadao.mpf.mp.br/formularios/formulario-eletronico

TV Globo em rede nacional: Sim, é preciso dar fim à Polícia Militar


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Por Douglas Belchior

 do original

Pronto!

Agora foi a “toda poderosa” TV Globo que mostrou, em rede nacional, o que já sabemos pela dor. Muitas pessoas são mortas todos os dias pelas polícias no Brasil. E desde sempre.

Falo do “Profissão Repórter” que foi ao ar na noite desta terça-feira (25). O jornalista Caco Barcellos, com a ajuda de seus alunos, pareceu reviver sua maior obra, o Rota 66 – A História da polícia que mata de 1992, ganhador do Prêmio Jabuti de 1993. No livro, Barcellos desmonta o “esquadrão da morte oficial”, organizado pela ROTA em São Paulo. Qual teria sido sua conclusão tantos anos depois?

 

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Foi do jeito Globo, mas não foi ruim! O programa mostrou casos emblemáticos e conhecidos de ações violentas da polícia e que resultaram em mortes, com destaque para o Massacre do Cabula e a resistência da Campanha Reaja em Salvador. Mostrou também casos de policiais mortos em trabalho e até o inspirado trecho de um discurso do recém eleito deputado estadual de São Paulo, o ex-comandante da Rota Coronel Telhada: “Somos os mocinhos da História e estamos na luta contra o mal !”.

PROFISSÃO REPÓRTER – VIOLÊNCIA POLICIAL

 

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Mas o discurso do parlamentar milico não se sustentou! A abordagem do programa explicitou: A polícia pratica extermínio institucionalizado; Forja flagrantes e boletins de ocorrência; Encena tiroteios; Planta armas e drogas; adultera locais de ocorrências; Tortura; Acoberta policiais assassinos; Intimida quem denuncia e/ou investiga. E o mais importante: São práticas habituais, comuns, continuadas.

Policiais também são mortos é verdade, numa proporção 50 vezes menor, mas são. Estes, vítimas de uma lógica de guerra e do endosso à pratica violenta que só gera ainda mais violência e vingança. Todos filhos da classe trabalhadora. Ricos, via de regra, não sonham nem precisam ser policiais. Vidas são vidas. E, diante da perda brutal, há sempre quem as chore. Quase sempre mães. Muitas vezes filhos.

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A maioria esmagadora dos mortos são negros. Esse dado não estava no texto do programa. Nem fez falta. Doeu ver as fotos dos jovens assassinados no Cabula, todos negros! E quase todos os outros.

É verdade que o programa não desceu às causas estruturais do problema da segurança pública. Não identificou responsáveis. Ignorou o papel da mídia na construção do discurso justificador da violência policial. Não citou responsabilidades de governos e tampouco procurou quem de fato se beneficia com o massacre cotidiano. Seria pedir demais. 

 

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Fato é que, apesar da superficialidade, a veiculação de um programa com esse conteúdo em rede nacional pela principal rede de comunicação do país nos ajuda a reforçar o óbvio: Não podemos conviver nem mais um momento com uma polícia, uma prática e uma mentalidade que banalize massacres afim de manter a nobreza das elites racistas desse país. Não podemos aceitar a continuidade de um Estado determinado a manter um projeto genocida de desenvolvimento.

E agora, o que falta para pararmos tudo no Brasil e dar atenção ao genocídio da juventude negra e à guerra em que estamos mergulhados?

Falta a ONU pedir o fim da PM? Ela já pediu!

Falta o Papa pedir o fim da violência? Ele já pediu!

Falta a presidenta reconhecer a gravidade do problema? Ela já reconheceu!

Mais do que nunca é preciso discutir com seriedade o fim da Polícia Militar no Brasil bem como uma nova política que Segurança Pública que realmente garanta a vida.

 

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Máximo respeito ao Reaja ou Será Morto, Reaja ou Será Morta, às Mães de Maio e à todos/as lutadoras/es que desde sempre se dedicam à luta pela vida!

 

 

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UFRGS: Matricule a Domingas!!! Xenofobia e Racismo. Pacote anticonstitucional completo


 Lei Caó: Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

 por Thales Bouchaton ***

DomingasNão é surpresa que injustiças acontecem seguidamente por esse país, principalmente quando se tratam de pessoas oriundas de setores da sociedade que são historicamente marginalizados, como negros e pobres. Porém, um fato ocorrido na URFGS está no meu TOP FIVE das barbaridades jurídicas que já vi o poder público cometer contra um cidadão/cidadã.

A estudante Domingas Mendes, da Guiné-Bissau, e que reside legalmente no Brasil, teve sua matrícula indeferida para o curso de Serviço Social da UFRGS, pois em uma bizarra interpretação da Lei de Cotas, entendeu a instituição por não aceitar o ingresso da estudante porque ela não fez o ensino médio em uma escola do Brasil. Porém, fui dar uma olhada na referida lei e ela não fala em nada disso e sim em “escolas geridas pelo Poder Público”, não especificando se essa escola é brasileira ou não.

Será que para a UFRGS só existe “poder público” no Brasil? Não existe Estado na Guiné-Bissau? A própria UFRGS aceitou a isenção da inscrição da Domingas no vestibular por ela ter estudado em escola pública.

No meu entendimento, a dona UFRGS violou de morte o art. 5 da Constituição Federal, que veda a distinção de qualquer natureza entre brasileiros e estrangeiros. Também não foi minimamente atendido o princípio da proporcionalidade, sendo que essa decisão não pode nem ser chamada de positivista, pois nem a lei fornece qualquer fundamento para a decisão controversa que a UFRGS tomou. E pior, utilizou de argumentos jurídicos totalmente controversas para gerar uma injustiça. Para não dizer outra coisa..

Abaixo, segue a manifestação da Domingas sobre o episódio:

“Obrigada a todas e todos que se juntaram de alguma forma à luta para que eu consiga ingressar na UFRGS. Agradeço cada manifestação de indignação e apoio! Enfrentar uma situação de discriminação racial é muito difícil e doloroso, e quando se está fora do seu país é ainda mais sofrido. De todo modo, quero registrar algumas coisas: Para não deixar ninguém com margem de dúvida, antes da inscrição para o vestibular, li todo o Edital e estudei a lei de cotas. Como não há nada escrito em ambos os lugares que me impedisse de ingressar por essa lei – que é importante que se diga ser uma conquista das negras e negros desse país que também escolhi como meu – realizei minha inscrição marcando a opção de cotas para negras e negros. Tanto no Edital quanto na lei não é dito uma vírgula sobre a necessidade de que a escola pública cursada seja brasileira. Fala que escola pública é aquela gerida pelo Poder Público. O Estado do Rio Grande do Sul, através da Secretaria Estadual de Educação, deu parecer favorável como sendo equivalente ao ensino médio brasileiro o que cursei na África, em meu país de origem Guiné-Bissau, um dos mais pobres do continente, e entreguei esse documento para a Universidade. A UFRGS quer dar a entender que onde estudei não se enquadra como “escola pública” e usam o argumento que para ser pública precisa ser de responsabilidade do Poder Público, portanto brasileiro. Ora, quer dizer que para a UFRGS Poder Público só existe no Brasil?! Ou que meu país não tem Poder Público?! Que não temos Estado?! Tudo bem que em relação ao Brasil o capitalismo guineense está mais na periferia ainda, porém não ao ponto de sermos ainda um conjunto de tribos ou mesmo colônia! Além disso, na inscrição do Vestibular, consegui isenção e toda minha documentação entregue e homologada deixa claro isso. Então, como a UFRGS aceita minha inscrição na opção de cotas com isenção sabendo que caso eu passasse não seria aceita?! Acharam que por eu ser africana não teria condições de passar?! Quero registrar que não sou contra que haja critérios para seleção, pois se trata de uma lei para restaurar distorções históricas que minha gente sofre até hoje, afinal não temos culpa por nos escravizarem! Sou Afro (originária), vivendo no Brasil, passando pelas mesmas dificuldades que meu povo negro trabalhador passa, e as vezes até pior, como ta acontecendo agora com a UFRGS ou em experiências de emprego que já tive. Eu, como muitos outros africanos, passamos por isso frequentemente e temos que lidar quase que diariamente com extremas burocracias como as da UFRGS para ter acesso ao mínimo de cidadania. Vale ressaltar que a vice-reitora de graduação, em entrevista à rádio gaúcha (12/2), disse que a decisão é criteriosa, que não podem abrir precedentes (de que tipo?!) e que não se tratava de uma decisão segregacionista e discriminatória. Como “prova” ela disse que a UFRGS recebe muitos intercambistas africanos e que os guineenses são a maioria inclusive. O que essa senhora esqueceu de dizer é que há mais ou menos apenas 15 guineenses na Universidade! Isso mesmo, QUINZE! E esta senhora acha muito! São 15 em um universo de quase 40 mil estudantes! O Edital e a lei de cotas exige que tem que ser preto e pobre. Sou preta, pobre, trabalhadora e comprovei isso! Outro elemento que quero chamar a atenção é a declaração do MEC sobre meu caso, também em entrevista para a rádio gaúcha. Conforme o Ministério da Educação as Universidades tem autonomia na definição do ingresso de seus estudantes em casos como o meu. Portanto, isso mostra que a alegação da UFRGS se trata de discriminação e segregação, pois não está previsto na lei nacional que escola pública precisa ser brasileira! Isso é uma política excludente da UFRGS para uma lei que se pretende o contrário: incluir e garantir cidadania! Eu tive que me esforçar muito para prestar este vestibular. Passei fome, precisei da ajuda de amigos e camaradas, tive que estudar matérias que nunca vi na vida e outras que não via tinha mais de oito anos, aprendi sobre a história do Brasil e do Rio Grande do Sul e até mesmo enfrentar gente oportunista e cínica que tentou provocar minha deportação. Apesar disso tudo, de nadar o tempo todo contra a maré, consegui passar no vestibular, mas agora a UFRGS não me aceita, me causando enorme desgaste psíquico e emocional! Para eu ser trabalhadora para vender minha força de trabalho a preço barato é permitido. Todavia, eu qualificar minha força de trabalho e, assim, poder ter uma vida um pouquinho melhor não pode! Por todo o constrangimento e desgaste que estou sendo obrigada a passar por conta de uma decisão xenofóbica da UFRGS quero repetir meu profundo agradecimento pela camaradagem e solidariedade de todos que de alguma forma estão tentando me ajudar. Como dizem meus irmãos de classe trabalhadora: FIRME!”

Em repúdio a essa decisão, alunos do serviço social da UFRGS estarão realizando o ato “Matriculem Domingas Mendes”, na próxima segunda-feira, 23, às 14h, no DECORDI/UFRGS, Campus Central.

 

***Thales Bouchaton

Advogado, graduado pela PUC-RS. Flamenguista doente, carioca de Porto Alegre, Balneário Pinhalense de coração.

 

Coragem Civil contra o racismo: “Pra ti virar gente vai ter de descer da árvore.” Uma mulher que reage no sul do Brasil


 

deusaElas são jovens, viajam pelo Brasil e o mundo, são senhoras de si. São livres, estudadas, têm emprego, são jovens, são mães, são gente como qualquer um, cheias de curiosidades e amor para conhecer os continentes.
Mas estas jovens são negras e brasileiras. Não podem viajar nos bancos da frente de nosso país.

Ora topam com delegadas, que acham que toda esta aparência linda e títulos acadêmicos nacionais e internacionais são uma ofensa às sus vidas de provincianas, e as chamam de mentirosas. Ora esbarram com truscos trogloditas que gostariam de vê-las penduradas nas árvores, ou  numa corrente em seus quintais.

A vida destas jovens negras brasileiras não está fácil. O muro cada vez mais visível do Apartheid se levanta por onde passam no Brasil Continental.

São parecidas com minhas irmãs, filhas e sobrinhas. Vou dar meu braço a elas. Vamos quebrar estes muros e botar na cadeia quem tiver a veleidade de ser racista.

E não me venham com estas histórias que racismo é uma questão de mais educação. Educados tivemos no mundo e no Brasil, Goebells, doutores escravocratas em Campos e no Mississipi, filósofos franceses como Gobineau, e escritores consagrados como Monteiro Lobato no Brasil.

Ao racista a lei, ao que comete ato racista a lei mais dura possível para que termine de vez este crime continuado.

Educação sim. Educação cidadã e tomada de consciência de seus direitos, para que as pessoas discriminadas e vítimas do racismo não continuem caladas.

A “Unidiversidade” contra o racismo já inaugurou suas portas. Cada cidadão e cidadã brasileira que tiver consciência antirracista, pode ser desde já professor decano/a. Os únicos títulos exigigidos são o de solidariedade para com o próximo e coragem civil.
O goleiro Aranha, Valdicéia França, mãe de Mirian França e agora Deusa Maria Souza já estão dando suas aulas nesta escola antirracista aberta a todos e todas.

Marcos Romão– Editor da Mamapress, e coordenador da Rede Radio Mamaterra e do Sos Racismo Brasil

por Deusa Maria Souza

Eu, Deusa Maria de Sousa, 42 anos, mãe, Doutora em História, nordestina, NÃO SOU MACACA!

“Pra ti virar gente vai ter de descer da árvore.”

Foi com essa frase racista de ódio e superioridade racial desmedida que fui agredida no final da manhã de ontem ao chegar na rodoviária da cidade de Capão da Canoa, litoral do Rio Grande do Sul e que levou eu e um homem branco até a delegacia da mesma cidade e terminou com seu indiciamento e a prisao dele em flagrante pelo crime de injúria qualificada.

Os fatos:

Comprei uma passagem para embarcar para Capão da Canoa depois de viagem internacional de 15 dias entre África e Europa. Cheguei em Porto Alegre na noite anterior, dormi e segui depois das 9h da manhã para embarcar no ônibus direto Porto Alegre-Capão da Canoa e reencontrar meus amigos e meu filho Nícolas, que não levei junto a mim na viagem internacional.

Comprei o assento número 2 do ônibus, ou seja, primeira poltrona do lado esquerdo, logo atrás do motorista, para ter boa visão da estrada ensolarada que senti saudades.

Antes do ônibus partir, ainda no embarque e acomodação de bagagens, baixei meu assento por engano até a metade da capacidade do banco, quando fui surpreendida por uma ofensa moral de uma senhora que sentava atrás de mim, dizendo que eu não iria naquela viagem deitada no colo dela, e ainda que,  se eu quisesse dormi que trouxesse minha cama de casa.

Eu, delicadamente, fui explicá-la que o banco tem a capacidade de declinar e que se assim fosse meu desejo eu declinaria meu banco ate a capacidade total, foi naquele exato momento que ela (loira, de aparência de ascendência alemã) retrucou:

“Neste ônibus tu não vai deitar o banco, neste ônibus não vai deitar..”

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Ao ouvir o insulto e arrogância dela eu declinei meu banco ao máximo, foi naquele momento que ela agarrou meus cabelo black power por trás e puxou com força minha cabeça para trás me xingando de negra, e eu na tentativa de me desvincilhar da agressão me feri e ralei no banco.

Naquele momento o caos tomou de conta dos passageiros, pessoas gritavam, ela me ofendia e seu companheiro dizia que eu tinha sido agressiva ao desafiá-la.

Chamei a Polícia e ela começou a dizer que no Brasil os negros tem mais direitos que os brancos. Ao ver que situação dela estava ruim, evadiu-se do ônibus sem eu soubesse de quem se tratava, deixando o marido no ônibus.

Resolvi que tentaria saber de quem se tratava ao chegar em Capão. Acionei a polícia que chegou em 5 minutos e fez um levantamento da situação. O caos continuava. Naquele momento eu só queria saber a identidade de agressora e tentei obter com o cunhado dela que tinha ido buscar o marido. O homem percebendo a quantidade de gente e a presença da polícia negou-se a dizer a identidade da agressora.

Foi ai que me dirigi ao companheiro ou marido do agressora, que então me insultou verbalmente na frente de várias testemunhas e policiais e finalizou dizendo:

“Pra ti virar gente vai ter de descer da árvore.”não somos macacos

Passei até as 4h da tarde de ontem da delegacia de Capão com meu filho e testemunhas:

“Perdi” 5 horas da minha vida com o fim de dar cabo à agressão racial sofrida. Perdi horas da minha vida e ganhei a satisfação de ver um agressor racial preso em flagrante por injúria e isso amig@s não tem preço que pague.

Seguirei no processo agora para processá-lo e sua companheira, agressora racial e física, pois eu e os negros nunca vivemos em árvores e temos atitude para combater o racismo da melhor maneira possível.

Caso Mirian França: Onde termina o interrogatório e começa a tortura. Os limites constitucionais.


Roda da Tortura Medieval

Roda da Tortura Medieval

Por João alfredo Telles***

Um desafio para especialistas em criminologia, psiquiatras forenses, estudiosos de segurança e militantes de Direitos Humanos: qual o limiar entre um interrogatório sério e a tortura psicológica? Qual o limite entre a busca da verdade e o sadismo puro e simples? Qual a real eficiência de interrogatórios, onde o depoente é submetido a uma pressão extrema, para o desvendamento de crimes complexos? Qual o peso de “confissões” arrancadas a fórceps frente às chamadas provas materiais?
Pergunto isso porque estou absolutamente chocado e indignado com o processo de massacre psicológico, perseguição contínua e linchamento público a que tem sido submetida a cidadã fluminense Mírian França por parte da polícia cearense, especialmente na pessoa da Delegada Patricia Bezerra, que preside o inquérito que apura o homicídio da cidadã italiana Gaia Molinari, até agora sem solução, e, portanto, impune.
A imagem dessa postagem, por óbvio, não se refere a esse caso, mas, à “santa” inquisição na idade média, quando nos piores momentos da igreja católica, a confissão arrancada sob tortura fundamentava a pena de morte, na fogueira, em geral, de “bruxas” e “hereges”.

***João Alfredo Telles: Advogado, vereador do Psol, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Fortaleza.

Foi impedido junto com a também advogada Luanna Marley, da Rede Nacional de Advogados de Direitos Humanos, pela delegada Patrícia Bezerra de acompanhar o interrogatório de Mirian França. Mesmo que tenham sido convidados pela Defensoria Pública.

Caso Mirian França: Porque a delegada insiste em chamar Mirian França de mentirosa em cadeia Nacional? Qual foi a grande mentira?


por marcos romão
mirian-franc3a7a-libertaTrinta dias depois de iniciadas as investigações sobre a morte de turista italiana, Gaia Molinari, a delegada de polícia Patrícia Bezerra, nada tem a apresentar de novo nas investigações,  além de repetir mais uma vez e categoricamente, que a farmacêutica “carioca”,  segundo reportagem da filiada da Globo local, Mirian França, mentiu.

Segundo informações da matéria, a delegada teria pedido a prorrogação do prazo de investigações por mais 30 dias.

Essas são as palavras em relação à Mirian França, proferidas pela delegada Patrícia Bezerra, dadas em entrevista na  tarde de 28.01, na delegacia que está à frente em Fortaleza

“Mentiu”.

Mentiu, várias vezes  ao longo dos dois depoimentos que ela prestou.

Ela não soube explicar as razões destas mentiras”.

Em conversa com a mãe de de Mirian França, na última sexta-feira na sede da OAB-RJ, a Mamapress foi informada por sua mãe, Valdicéia França, através do editor que lhes escreve, que ela foi voluntariamente à delegacia em fortaleza conversar com a delegada de polícia Patricia Bezerra, acompanhada de representante da defensoria pública do Ceará. Ela queria saber do que a filha estaria sendo acusada.

A sra. Valdicéia se disse surpreendida, pelo fato da delegada ter transformado a sua visita de mãe interessada sobre o que acusavam sua filha, em um interrogatório que durou 3 horas, em que lhe foi perguntado, detalhes do tipo de educação que havia dado à sua filha, fugindo completamente do seu papel de delegada à frente de uma investigação.

Este processo, segundo as noticias na imprensa, entrevistas da delegada, declarações de testemunhas que chegaram as serem arroladas como suspeitas, como no caso do turista uruguaio, que foi preso com sua namorada e levado de camburão para Fortaleza, tem uma linha de investigação levada pela delegada, calcada em um possível crime passional.
Mirian França ficou detida durante 14 dias, sob a acusação genérica de ser uma mentirosa, segundo a delegada.

Segundo informações que nos chegam de Jericoacoara, moradores do lugarejo turístico, têm  sido perguntados sobre o comportamento moral de Mirian França durante a sua curta estadia na localidade.
Como já se passam mais de 30 dias desde a morte trágica de Gaia Molinari. toda a sociedade brasileira e italiana aguarda que a polícia do Ceará apresente fatos e provas sobre o crime, para que seja feito justiça ao matador ou matadores de Gaia, ao invés de ouvirem repetidamente da delegada Patrícia Bezerra, que extrapola e exorbita de suas funções, ao se assumir como julgadora do caráter de Mirian França e condená-la à humilhação  e execração pública, ao repetir em rede nacional que Mirian França mentiu.

A Mamapress pergunta à delegada Patrícia Bezerra, qual foi a mentira que Miriam França proferiu.

O que no comportamento pessoal de Mirian França, faz delegada levantar suspeitas contra ela?

Qual a sua linha profissional, técnica e isenta de preconceitos pessoais na investigação, da “carioca”, segundo parte da  imprensa, que ainda insiste em chamar a farmacêutica Miriam França pelo apelido dado.

Que martírio pelo qual passa Miriam França e Família tenha um fim.

Que a verdade apareça!

Nota: até o final da noite não tínhamos informações se Mirian França continua obrigada a permanecer em Fortaleza, já que tem endereço e trabalho conhecido no Rio de Janeiro.

Veja a matéria com a delegada na CETV

http://g1.globo.com/ceara/cetv-2dicao/videos/t/edicoes/v/caso-gaia-molinari-completa-um-mes-e-policia-nao-tem-suspeitas-do-crime/3923103/