Penachos de Nzambi a Npungo. O Misifio de Aruanda é do Kariri


Os “Blocos de índios” encantavam a minha infância, no Fonseca em Niterói onde eles apareciam. Eram homens grandes, alguns com lábios esticados com uma madeira. Imaginava como eles conseguiam fazer aquelas fantasias, e como conseguiam obter uma cor de pintura ocre/oliva na pele malhada pelo sol e idade.
Só em 2000 quando fui no Monte Pascoal, descobri que aqueles homens fantasiados de índios, eram índios mesmos, Pataxós que haviam fugido para o sul, dos massacres das década de 50 perpetrados pelos governadores e suas milícias de MG, ES e Bahia.
Muitos encontraram abrigo em Niterói e Ilha do Governador, onde ainda haviam missões indígenas. Eram eles que junto com os Botocudos que viviam por aqui, me encantavam no carnaval. Um descendente deles da minha idade, que conheci trabalhando num boteco da Ponta da Areia, em Niterói, foi um dos organizadores da retomada do Monte Pascoal, pelos povos originais da área, expulsos em 1953/56.
Foi uma coincidência nos reencontrarmos numa noite no Monte Pascoal, nos reconhecemos e dançamos juntos. A mesma dança dos tais “Cablocos”, que eu aprendera com eles na minha infância.
Spírito Santo você me trouxe com este artigo memórias caras e preciosas, dos repentes do meu pai e da minha avó do Povo Cariri Chocó.
Quanta coisa não sabemos da gente!
Marcos Romão

SPIRITO SANTO

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Minas Gerais, 1888/89. Grupo de Congada  (aparentemente um terno de catupé) em festa de comemoração da Abolição da escravatura, recém promulgada. A maioria dos participantes (tocadores de “ganzás”/reco recos) usam penachos indígenas. Atenção para o orgulhoso “capitão” do terno e as fardas dos “soldados (sendo um descalço) “, em modelito Guerra do Paraguai)

O mimetismo como princípio atávico da cultura preta, branca, humana enfim

Não é, de modo algum academicismo ingênuo, sexo dos anjos, bizantinice. O tema é que tem – como todo assunto-delícia – doses generosas de subjetividade. O prazer instigador das hipóteses, alimento essencial da construção do conhecimento humano.

Penachos, cocares de indígenas daqui e dali.

Detentores de um mistério ainda a ser revelado por novas pesquisas, os “caboclos” (“Índios“) parecem guardar uma estranha relação com os “nkisi“, entidades religiosas angolanas que aparecem…

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