EXÉRCITO OCUPA O COMPLEXO DO LINS, METÁFORA DA DOMINAÇÃO BRANCA


Compilação de textos, vídeos e fotos de Chiquito Chaves

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Serra dos “pretos forros”, um sábado sinistro, a polícia prende e mata, a mídia não diz nada.

“Esse governo não presta mesmo, sábado invadem nossas moradias, acordam todos com tiros, bombas e berros, proíbem a circulação dos ônibus para colocar tanques, caveirões e soldados. Querem acabar com o roubo de cargas, e nos impõem esse preço, tudo isso é uma cruel judiação conosco,quem compra droga é de fora, quem compra carga roubada é de fora, e nós que pagamos a conta aqui dentro, não acredito em mais nada.Os feridos nessa invasão ao morro e que não aparecem aqui foram para o Salgado Filho.Teve gente morta.”(Juciléia M.S- 41 anos- moradora da Cachoeirinha)

“Na noite do dia 24 para 25 de 1835, um grupo de africanos escravos e libertos ocupou as ruas de Salvador, Bahia, e durante mais de três horas enfrentou soldados e civis armados. Os organizadores do levante eram Malês, termo pelo qual eram conhecidos na Bahia da época os Africanos muçulmanos.

Embora durante pouco tempo, apenas algumas horas, foi o levante de escravos urbanos mais sério ocorrido nas Américas e teve efeitos duradouros para o conjunto do Brasil escravista. Centenas de insurgentes participaram, cerca de setenta morreram e mais de quinhentos, numa estimativa conservadora, foram depois punidos com pena de morte, prisão, açoites e deportação. Se uma rebelião das mesmas proporções acontecesse na virada do século XXI, em Salvador, com seus quase 3 milhões de habitantes, resultaria na punição de cerca de 24 mil pessoas. Isso dá uma idéia da dramática experiência vivida pelos africanos e outros habitantes da Bahia em 1835.

A rebelião teve repercussão nacional e internacional. No Rio de Janeiro uma notícia detalhada chegou ao público por meio de periódicos que publicaram um relatório do chefe de polícia da Bahia. Temendo que o exemplo baiano fosse seguido, as autoridades cariocas estreitaram a vigilância sobre os negros locais, sobretudo a Corte Imperial. ”
Reis, João José
Rebelião escrava no Brasil – a história do levante dos Malês em 1835/ São Paulo – Companhia das Letras
DONA FÁTIMA ROSA, MÃE DE PAULO ROBERTO, MORTO PELA PMERJ DA UPP DE MANGUINHOS, DESABAFA SOBRE O ASSASSINATO DO FILHO. —
MANGUINHOS – RIO DE JANEIRO – BRASIL.
“Eu boto a cara à tapa porque é meu filho, sei a dor que sinto. O meu filho menorzinho, esse cabeludinho, ao lado de minha filha Rehana, não esquece. Ele acorda de manhã, e pergunta mãe cadê o Neném? Eu respondo, tá dormindo. Cadê o Rick? Eu respondo, tá dormindo, Cadê Rehana? Tá dormindo. Cadê o Caio? Tá dormindo. Aí, ele me olha triste e desconfiado, e pergunta, cadê o Nego, mãe? Eu digo, Nego tá no céu. Não mãe, eu vi ele dormindo! Desde que nasceu vivia na cola do irmão; é muito complicado para todos nós. Ele sempre fala, mãe o Nego tá aqui sim, chama o Nego. Eu olho pra ele triste, ele chora.”
“Estou aqui com todas as mães que tiveram seus filhos assassinados por policiais militares. Sou mãe do Paulo Roberto, que no dia 17 de outubro, aí meu Deus do céu, não é mole não. Disseram que ele morreu de mal súbito num beco, mas, ficou provado que ele não teve mal súbito nenhum. Falaram que ele tinha usado droga, que tava com “LOLÓ”. Os polícias disseram que deram de cara com ele , e ele correu. A família correu atrás, e provou que tudo foi uma calúnia, que nada que disseram era verdade. Ele foi morto por asfixia mecânica. Eles assassinaram meu filho sufocado. Deixaram ele morto no meio da rua. Quando a vizinhança me avisou, eu corri pro beco, e dei de cara com meu filho deitado no chão. Ele deu o último suspiro nos meus braços. Eles tudo olhando e rindo, debochando. Eu chorava, gritava, pedia pra eles não rirem, pra eles me ajudarem. Meu filho morreu ali naquele beco, foi mais um jovem negro assassinado por esse estado assassino. Estamos aqui hoje para que juntos, nós, a população negra e pobre, deem um basta nessa barbaridade. “

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