Em Alagoas conferências livres são realizadas dentro do sistema prisional


Arisia Barros no presídioL

Durante o evento, algumas reeducandas plantaram quatro mudas de ipê amarelo, doadas pela Superintendência do Ibama em Alagoas. Fotos: Jorge Santos

Texto de Maysa Cavalcante

Original Agência Alagoas-Governo

Alagoas tem realizado diversas conquistas na promoção da inclusão social. Nesta quarta-feira (21), em uma iniciativa pioneira, a Secretaria da Ressocialização e Inclusão Social (Seris) e o Instituto Raízes Africanas, realizaram a Conferência Livre da Saúde das Mulheres Encarceradas e a Conferência Livre de Promoção de Políticas da Igualdade Racial, no Espaço Multieventos do Presídio Feminino Santa Luzia.

 

O evento estimulou o debate sobre o impacto que a situação de privação da liberdade tem sobre as mulheres, possibilitando a criação de ações que promovam a saúde das reeducandas. No Brasil, como não há registros que uma conferência livre tenha sido realizada dentro de uma unidade prisional, o chefe Especial de Gestão Penitenciária, major Gustavo Maia, destacou o empenho de Alagoas em garantir o acesso aos direitos das custodiadas.

 

“A Seris continuará dando apoio para a realização das ações que derivem desse momento. Através dessa conferência, firmamos o nosso comprometimento com a equidade e inclusão social”, disse. As propostas de trabalho elaboradas durante a conferência serão encaminhadas para a etapa estadual da 2ª Conferência Nacional de Saúde das Mulheres, que acontece nos dias 5 e 6 de julho, em Maceió.

 

Por meio de autorização judicial, uma reeducanda atuará como delegada nessa conferência, tendo direito à voz e voto. Segunda a coordenadora do Instituto Raízes de África, Arísia Barros, conquistas como essa só são possíveis em razão da interlocução facilitada pela Secretaria da Ressocialização. “É necessário que o Estado participe desse debate, como vem acontecendo, pois é através de iniciativas como essa que podemos tomar conhecimento e agir para atender as necessidades das custodiadas”, afirmou.

 

“Quero que ao sair do sistema, vocês saiam de cabeça erguida, pois foram bem cuidadas pelo Estado de Alagoas e tiveram representantes que lutaram pela garantia do seus direitos. Como secretário, não posso olhar apenas para aqueles que estão em liberdade, mas também para aqueles que estão no sistema prisional e é isso que estamos fazendo”, garantiu o secretário Estadual de Saúde, Christian Teixeira, que participou da conferência.

Maria das Dores

Maria das Dores é a primeira reeducada que irá representar Alagoas em Conferência Nacional.
Arísia Barros

 

A gerente de Projetos do Ministério dos Direitos Humanos, Bruna Lopes, apresentou o perfil das mulheres em encarceramento no Brasil durante a palestra A Cor da Prisão. “O Infopen Mulheres, realizou um levantamento e constatou que entre os anos de 2000 e 2014, houve um aumento de 567% no número de mulheres presas no país. É necessário dar voz às mulheres que cumprem pena, para termos subsídios para criar políticas específicas, atendendo as demandas femininas”, destacou.

Durante o evento, algumas reeducandas plantaram quatro mudas de ipê amarelo, doadas pela Superintendência do Ibama em Alagoas. As custodiadas serão responsáveis por cuidar das plantas, que irão proporcionar mais beleza ao sistema prisional. A interna Rubinete Belarmino foi uma das participantes da atividade e destacou que, para ela, a árvore representa a esperança. “Ao plantar, desejei ganhar a liberdade e reconstruir minha família.Todas as vezes que cuidar dessa planta, me sentirei mais perto de realizar esse sonho”.

 

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