Cais do Valongo é Patrimônio Cultural da Humanidade reconhecido pela Unesco


Nota da Mamapress e do Sos Racismo Brasil.

O Movimento Negro do Brasil, se sente muito feliz e honrado com o reconhecimento como PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE do Cais do Valongo no Brasil,  junto com Mbanza Congo em Angola, como relatado pela Mamapress anteriomente. Veja aqui

A Rota da Escravidão África-Brasil ganha assim o recohecimento mundial necessário, para o que o Brasil assuma finalmente o seu papel de país que mais importou africanos sequestrados para as Américas e,  que esta história trágica na formação de nossa nação brasileira seja contada em todas as escolas e, não jogada para debaixo do tapete, como tem sido até hoje, em que não respeitam nem cumprem a lei de ensino da História da África nas escolas brasileiras.
A área do Cais do Valongo é para ser ocupada, por empreendimentos culturais com protagonismo dos negros descendentes dos Africanos Sequestrados trazidos para o Brasil.

Em um momento em que decretos da prefeitura, buscam cercear entre outras, as manifestações culturais negras da cidade, só temos que nos regozijar com este reforço da UNESCO, no recohecimento do Povo Negro do Brasil.

 

No Globo

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Cais do Valongo- foto o Globo

RIO – Principal porto de entrada de africanos escravizados no Brasil e nas Américas, o Sítio Arqueológico Cais do Valongo, na Gamboa, Zona Portuária do Rio, ganhou neste domingo o título de Patrimônio Mundial da Unesco. A região representa o sofrimento dos escravos que foram tirados à força de suas terras de origem para uma vida de trabalhos forçados e degradação. Mais de quatro milhões de africanos foram escravizados no Brasil, e, agora, eles terão sua dor representada. Segundo o Centro de operações da Prefeitura, haverá uma comemoração no local próxima segunda-feira, às 16h.

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa, acompanhou as discussões promovidas pelo Comitê e ressaltou a importância do título.

– Em momentos de elevada intolerância, o reconhecimento de sítios sensíveis coloca em evidência a necessidade de compartilharmos nossa experiência em prol de uma visão mais humanista da sociedade global, a partir da observação do que o Cais do Valongo significou e da sua reapropriação social nos dias atuais, em especial, pelos descendentes afro-brasileiros, que numa atitude de superação reafirmam sua negritude e sua história para o Brasil, as Américas e todo o Mundo – disse Kátia, em discurso durante a cerimônia de premiação em Cracóvia, na Polônia.

Em seu perfil em uma rede social, o ex-prefeito Eduardo Paes postou uma mensagem exultando seu orgulho pelo Cais do Valongo ter ganho o título:

“Me lembro como se fosse hoje o dia em que visitava as obras do Porto Maravilha. Ao passar pela Barão de Tefé, fui alertado pela arqueóloga que lá trabalhava que os indícios de termos encontrado o cais do Valongo eram muito fortes. Que a história da Diáspora Negra seja sempre lembrada. Que as origens de nosso país, de nossa formação e de nossa cultura possam ficar marcadas. Que a violência dos homens possa ser sempre recordada para que não se repita. Que as injustiças, as desigualdades e os preconceitos – ainda tão presentes em nossa sociedade – possam ser superadas! Viva o Rio!”

Muito importante para a comunidade afro-brasileira e para a comunidade afro-americana em geral, o Cais do Valongo agora encontra-se no mesmo patamar da cidade de Hiroshima, no Japão, e do Campo de Concentração de Auschwitz, na Polônia, classificados como locais de memória e sofrimento. O local é o único cais de desembarque de africanos escravizados ainda preservado materialmente. Pela magnitude do que representa, coloca-se como o mais destacado vestígio do tráfico negreiro no continente americano.

Para o Iphan, O título de Patrimônio Mundial representa o reconhecimento de um exemplo único da história da humanidade que, apesar do processo escravagista produzido, propiciou uma inestimável contribuição dos africanos e seus descendentes à formação e desenvolvimento cultural, econômico e social do Brasil, de modo direto, e da região, de modo indireto. O título também reconhece o valor universal excepcional do local, como memória da violência contra a humanidade representada pela escravidão, e de resistência, liberdade e afirmação, fortalecendo as responsabilidades históricas, não só do Estado brasileiro, como de todos os países membros da UNESCO.

O processo da candidatura

Apresentada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, a candidatura do Sítio Arqueológico do Cais do Valongo foi aceita no fim de 2015 pelo Centro do Patrimônio Mundial. A candidatura teve como base um dossiê que resgata a história (http://portal.iphan.gov.br//uploads/publicacao/revista_valongo_12jun.pdf) do tráfico de escravos na cidade em suas várias fases e analisa, detalhadamente, a importância histórica e social desse processo, além do significado do sítio arqueológico não só para os afrodescendentes, mas para todos os brasileiros.

Coordenado pelo antropólogo Milton Guran e elaborado pelo Iphan, em parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro, o documento foi finalizado após um ano de trabalho, onde são apresentados para avaliação o valor universal excepcional do bem, além dos parâmetros relacionados à sua proteção, conservação e gestão, conforme estabelecem as diretrizes operacionais da Convenção do Patrimônio Mundial, Natural e Cultural, de 1972.

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