Miriam Leitão e as “Patrulhas Ideológicas”.


Por Marcos Romão

Eu estive com a Miriam Leitão apenas uma vez na vida. Foi na entrega do prêmio Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento na ABI. Eu havia chegado de volta ao Brasil, depois de 25 anos na Alemanha. Deve ter sido no final de 2012 início de 2013.
Como eu leio todo mundo, já acompanhava a jornalista lá da Alemanha e me admirava de sua coragem jornalística em escrever, mesmo contra a maré das mesmices ideológicas, que me espantavam ao ver como eram e são rasas as análises políticas e econômicas emitidas no noticiário nacional, ao contrário do que eu lia e leio nas colunas da Miriam, que tem profundidade e embasamento, mesmo quando eu não concorde.
São textos em que se pode seguir a linha do que Miriam escreve, com os dados que a levaram a determinadas conclusões. De suas conclusões posso até se discordar, mas dos dados pesquisados não.

E isto é jornalismo, mostrar os dados para que o leitor possa concordar ou não com a opinião do escritor da matéria.

Me admirei mais ainda da Miriam ao acompanhá-la diariamente, desde que estou no Brasil em caos e de acirramentos de ódio e,  ver que ao contrário de muitos intelectuais que enfrentaram a ditadura pela liberdade de opinião e hoje são panfletários ou calados, diante dos descalabros e malfeitos à esquerda e à direita revelados a toda hora, ela nunca se curvou ao princípio, na minha opinião errado, de por simpatia ou ideologia, deixar de falar ou mostrar um assunto que incomode a direita ou a esquerda.

A direita não me é muito simpática, mas a porrada que Miriam levou foi da esquerda e, como um homem de esquerda que viveu ao vivo a queda do muro de Berlim, me sinto profundamente ofendido pelo comportamento de homens de esquerda, cujo único argumento e discurso contra a opinião de uma mulher, seja balançarem os bagos ideologizados e depois dizerem que a mulher ofendida “entendeu mal” ou que “fez por merecer”.

Escrevo isto não para ser a favor nem contra a opinião de ninguém, nem da pessoa que prezo em ler, que é a Miriam Leitão.

Quero apenas dizer para Miriam Leitão e todas as minhas amigas, que abomino a atitude fascista que foi a agressão ideológica e machista que Miriam Leitão sofreu.

Continue, com sua coragem, cara Miriam Leitão, vivemos momentos difíceis em que muito se sabe todo dia, mas que também muito se cala por interesses ideológicos ou cumplicidades oportunistas.

Fascistas, racistas e machistas estão brotando nas melhores “famílias” e, a esquerda clássica não está infensa a este mal.

É o que eu chamo de estupro continuado, o que se passou com Miriam Leitão e com todas as mulheres que depois de agredidas, têm seus relatos e sentimentos da realidade do acontecido,  colocados em dúvidas pela sociedade machista.

A agressão contra mulheres de opinião contrária, é igual na esquerda e na direita.

A vítima da violência é sempre a culpada, ou como se diz no jargão dos babões de cervejadas e churrascos de finais de semanas, ” se ela foi agredida, alguma coisa fez para merecer”.

Tá um lixo nossa sociedade.

Já está uma barra enfrentar todo dia os racistas em todos os lugares, e as tropas de ódio da direita, que atacam mulheres, negros e índios na internet, e agora a esquerda entra neste jogo cruel de destruição de um ideal democrático? Assim não dá!

Só mesmo abrindo a boca, para combater o renascer, destas que chamávamos nos anos 70 de “patrulhas ideológicas” da esquerda.

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