Ajudem Maria! E os medicamentos do SUS?


farmacia popular

Fámácia Popular do Brasil-foto divulgação

por Alfredo Guarischi

Maria tem 6 anos de idade. Sempre brincalhona, começou a ficar cansada, a perder peso e com dores nos joelhos. Seus pais, Mikael e Marceli, sem plano de saúde, buscaram ajuda no posto de saúde, em Campinas, onde moram. Lá houve suspeita de que Maria pudesse estar com um câncer no sangue, sendo logo encaminhada para o Instituto Boldrini, um dos melhores centros de oncologia pediátrica do Brasil.

A primeira consulta foi acolhedora e alegre. Pediatras são pessoas incríveis!

Dra. Sílvia, uma oncologista especializada, soube lidar com o choro de Maria, que a todo tempo perguntava por que as outras crianças que ela via no hospital eram carecas. Ela não queria ficar careca, pois suas coleguinhas de escola iriam caçoar dela.

Enquanto a pequena brincava no consultório repleto de brinquedos, seus pais souberam que sua única filha era portadora de leucemia linfocítica aguda (LLA). Com a voz pausada, a médica, experiente e carinhosa, explicou que a pequenina tinha um câncer dos glóbulos brancos do sangue, os linfócitos. Desempregado, o casal estava inseguro, por não mais poder, numa situação tão grave, utilizar hospitais privados e só lhe restar recorrer ao SUS.

Contudo, logo perceberam que há também compromisso no sistema público de saúde. A doutora tinha os olhos como quem também chorava diante do sofrimento e da incerteza. Mas expressava esperança, um final feliz, pois hoje quase 90% dos portadores desse tipo de leucemia sobrevivem e podem ter um futuro.

Seria um tratamento longo, por até três anos, com períodos de quimioterapia utilizando até cinco tipos diferentes de medicamentos; um dos principais seria a asparaginase.

A asparagina é um dos “tijolos” que ajudam a formar proteínas necessárias à sobrevivência de todas as células humanas, sadias ou doentes. As células da LLA não conseguem sintetizar — fabricar — a asparagina, ao contrário das células normais. Por isso, necessitam de grandes quantidades da asparagina que circula no sangue. A asparaginase destrói parte dessa asparagina circulante, assim levando à morte das células malignas.

Mas as lágrimas da dra. Sílvia tinham mais uma razão. O estoque desse medicamento essencial para pacientes do SUS vem acabando, em mais um descaso do Ministério da Saúde. Esse produto não é fabricado no Brasil, sendo uma substância biológica (não sintética) obtida, com extremo controle, em poucos laboratórios especializados, a partir de alguns tipos de bactérias.

Sem consultar especialistas, o ministério autorizou a compra de uma asparaginase chinesa, por meio de um fornecedor de endereço incerto, com o argumento de o preço ser cinco vezes menor, comparado ao dos produtos certificados internacionalmente.

Nenhum médico deve prescrever um medicamento sem comprovação de sua qualidade de produção, grau de pureza, segurança e eficácia.

O Instituto Boldrini, a imprensa, as sociedades médicas envolvidas e o Judiciário estão se mobilizando.

Maria vai sobreviver, ajudem.

Alfredo Guarischi é médico

Saiba mais sobre Leucemia Linfóide Aguda

Novas tecnologias no tratamento de câncer

Nota da Mamapress: Falta de medicamentos e falta de transparência

A falta de medicamentos nas farmácias populares e postos de saúde, tem sido o cotidiano relatado por todas as pessoas que necessitam de medicamentos para tratamentos especializados.
Outro fator preocuipante é a falta de transparência e informação sobre a origem dos remédios.

Os pacientes são cidadãos consumidores. Como tais, os estado fornecedor de medicamentos tem a obrigação de mantê-los informados sobre a qualidade e origem dos remédios aplicados nos hospitais da rede SUS, e distribuídos gratuitamente ou vendidos a baixo custo.

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