Levante do Gueto de Varsóvia


19 de abril de 1943
até 16 de maio de 1943

Do original Wikipédia

Nota da Mamapress e do Sos Racismo Brasil:
Em um momento mundial em que a confusão mediática estabelecida por informações contraditórias e falsas, estimulam nacionalismos, fundamentalismo e retorno das guerra ideológicas da década de 30, lembramos que o valor fundamental do ser humano é a sua dignidade.
A dignidade do ser humano é intocável, seja em que regime for.
Nós, do Sos Racismo Brasil, não lutamos nem por negros, nem mulheres, nem gays, nem judeus, nem muçulmanos, nós lutamos com e  ao lado de negros, mulheres, gays, judeus, muçulmanos e todos o discriminados do Brasil e do mundo, que lutem pela liberdade e defesa de sua dignidade.
Nós lutamos ao lado de todas as pessoas que lutam contra o racismo, o sexismo e o fundamentalismo, que espreitam a nossa vida cotidiana e que devemos estar todo tempo atentos, para nós mesmos não nos tornarmos agentes do racismo, do sexismo e de fundamentalismos ideológicos e/ou religiosos.

The_Wall_of_ghetto_in_Warsaw_-_Building_on_Nazi-German_order_August_1940

Agosto de 1940: por ordem das forças de ocupação alemãs começa a construção do muro do Gueto de Varsóvia.

Gueto de Varsóvia foi o maior gueto judaico estabelecido pela Alemanha Nazista na Polónia durante o Holocausto, ao tempo da Segunda Guerra Mundial. Nos três anos da sua existência, a fome, as doenças e as deportações para campos de extermínio reduziram a população estimada de 380 000 para 70 000 habitantes. O Gueto de Varsóvia foi o palco da revolta do Gueto de Varsóvia, a primeira insurreição massiva contra a ocupação nazista na Europa. Apesar disso, a maioria das pessoas que estiveram no Gueto de Varsóvia foi gaseada no campo de extermínio Nazista de Treblinka.[1]

Na Alemanha, o nazismo chega ao poder. Adolf Hitler possuía a ambição de retomar os territórios perdidos durante a Primeira Guerra Mundial. De tal forma, em 1º de setembro de 1939, o Führer ordenou a invasão à Polônia. Em pouco tempo, no dia 27 de setembro, a cidade de Varsóvia foi tomada. O Exército Vermelho (União Soviética) aproveitou para invadir na porção ocidental do território beligerante, conforme previsto no Pacto Molotov-Ribbentrop. Após o fato, vários países declararam guerra à Alemanha nazista, incluindo a França e Reino Unido. Logo, os nazistas (antisemitas) perseguiriam os judeus, formando vários guetos — um deles era o Gueto de Varsóvia.

Polen, Ghetto Warschau, Ghettomauer

Polônia, Gueto de Varsóvia, Muro do Gueto

O início

Entre julho e setembro de 1942, levas de deportações removeram mais de 300 mil judeus para o campo de concentração de Treblinka — local do assassinato de judeus. Reduzido a 60 mil pessoas – em sua maioria homens e mulheres ainda saudáveis, já que idosos e crianças foram enviados para a morte em Treblinka e a fome ceifou os restantes -, preferiram organizar uma resistência do que morrer em Treblinka. Formada a Organização da Luta Judaica (Zydowska Organizacja Bojowa, cuja sigla é ZOB) e a União Militar Judaica (Żydowski Związek Wojskowy, cuja sigla é ZZW), trataram de formar uma resistência.[4]

O primeiro conflito ocorreu em 18 de janeiro de 1943, quando vários batalhões da SS marcharam rumo ao gueto, mas foram atacados, sendo obrigandos retirar.[5] Os combatentes judeus tiveram algum sucesso: os transportes pararam após 4 dias e as duas organizações de resistência, a ZOB e ZZW tomaram o controle do gueto, montando vários postos de combate e operando contra colaboradores judeus.

Durante os três meses seguintes, todos os habitantes do gueto prepararam-se para aquilo que eles pensavam poder ser a luta final. Foram cavados túneis por baixo das casas, a maioria ligadas pelo sistema de esgotos e de abastecimento de água, dando acesso a zonas mais seguras de Varsóvia.

O apoio de sectores fora do gueto foi limitado, mas unidades polacas da Armia Krajowa (AK) e Gwardia Ludowa (GL) atacaram esporadicamente unidades alemãs em sentinela perto das muralhas do gueto. Uma unidade polaca da AK, nomeadamente a KB sob o comando de Henryk Iwański, chegou mesmo a lutar dentro do Gueto, juntamente com ŻZW. A AK tentou por duas vezes explodir a muralha do gueto mas sem muito sucesso.

Em 21 de janeiro de 1943, realizaram a primeira ação na Rua Niska. Liderados por Mordechaj Anielewicz, formaram uma trincheira e empreenderam um ataque a soldados nazistas. Doze soldados alemães morreram. A ZOB também se revoltou contra a Polícia Judaica, formada por membros da própria comunidade e controlado pelos nazistas.[4]

A resistência não era capaz de libertar o gueto ou destruir o aparelho nazista local. A ZOB possuía o objetivo de uma morte digna, que não fosse aquela reservada em Treblinka, num misto de orgulho e esperança. Heinrich Himmler ordenou ao general Jürgen Stroop que extinguisse o Gueto de Varsóvia até, no máximo, em meados de fevereiro.[4]

Varsovia 1

Soldados alemães prendem revoltosos

Esmagamento da revolta

A batalha final começou na noite da páscoa judaica, no domingo 19 de abril de 1943. 3 mil homens nazistas confrontaram a resistência de 1,5 mil moradores. Os partisans judaicos dispararam e atiraram granadas contra patrulhas alemãs a partir de becos, esgotos, janelas. Os nazis responderam detonando as casas bloco por bloco e cercando e matando todos os judeus que podiam capturar.[6]

De acordo com relatos, verificava-se cheiro de cadáveres nas ruas, das bombas incendiárias e mulheres saltando dos andares superiores dos prédios com crianças nos braços. Em 8 de maio, os rebeldes foram cercados. Alguns deles, preferiram o suicídio do que ser levado a campos de extermínio. Às 20 horas e 15 minutos do dia 16 de maio, finalmente considerou-se o fim do levante com a destruição da sinagoga do gueto, então em ruínas.[6]

Após as revoltas, o gueto tornou-se o local onde os prisioneiros e reféns polacos eram executados pelos alemães. Mais tarde, foi criado um campo de concentração na área do gueto. Chamava-se KL Warschau. Durante a revolta de Varsóvia que se seguiu, a unidade AK polaca “Zoska” conseguiu salvar 380 judeus do campo de concentração e a maioria deles juntou-se à AK.

Warsaw_Ghetto_destroyed_by_Germans,_1945

Gueto de Varsóvia destruído pelos alemães -foto 1945

Relação com a revolta de Varsóvia de 1944

Por vezes é feita confusão entre a revolta no gueto de Varsóvia de 1943 com a revolta de Varsóvia de 1944. São eventos separados no tempo e tinham objetivos diferentes. O primeiro, no gueto, era uma opção desesperada pela morte em combate, por pessoas que sabiam que a morte os esperava num campo de extermínio, com a escolha feita no último momento, quando ainda havia a força para combater. A segunda revolta foi o resultado de acção coordenada. No entanto, também houve ligações entre os eventos. Alguns dos combatentes da revolta do gueto tomaram parte nas lutas posteriores. A brutalidade das forças nazis foi semelhante nos dois casos. Alguns dos líderes da revolta de Varsóvia tomaram inspiração nos combates do gueto.

Referências

  1. Ir para cima↑Guttman, John (March 2000). «World War II: Warsaw Ghetto Uprising»World War II Magazine. Consultado em 2 May 2012 Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  2. Ir para cima↑Zapomniani żołnierze ŻZW | rp.pl
  3. Ir para cima↑«É guerra!». Revista Veja. Setembro de 1939. Consultado em 17 de agosto de 2012
  4. ↑ Ir para:ab c d «Uma questão de honra». Revista Veja. Fevereiro de 1943. Consultado em 17 de agosto de 2012
  5. Ir para cima↑ Alhadeff. (Junho de 2001). «O Levante do Gueto de Varsóvia». Consultado em 19 de agosto de 2012
  6. ↑ Ir para:ab «1943: Levante no Gueto de Varsóvia». Consultado em 19 de agosto de 2012
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