Antes que todos percamos o que nos resta de humanidade


Por Marcos Romão

Antes que todos percamos a humanidade, que se aplique pelo menos a lei de proteção aos animais, para prisioneiros que a gente não goste ou odeie.

Em 21 anos de ditadura civil-policial-militar, não se conseguiu, com toda a propaganda de caça aos supostos inimigos da nação, o que se conseguiu em apenas dois dias de comentários nas redes sociais, até de pessoas de passado humanista, democráticas e desejosas de mais respeito aos seres humanos presos nas mãos do estado;

A legitimação pública e aceitação de fato, da humilhação, degradação, tortura e violação da incolumidade de pessoas presas e,  em tese sob a proteção física, mental e espiritual do Poder Punitivo e Protetor do Estado de direito.

O que era até ontem, método utilizado debaixo dos panos contra pretos e pobres e, geralmente muito mais brutais, está a partir de agora legitimado, até pelos mais puros de coração:

Depois de preso, o Estado através de seus carcereiros, estão autorizados e livres para fazerem o que quiserem com o corpo do prisioneiro. Agora são números e peças.

Tenho saudades de advogados como Heráclito Fontoura Sobral Pinto, do qual copiei do wikipédia, uma passagem de sua vida:

“Embora tenha iniciado sua carreira como advogado na área de Direito Privado, acabou por se notabilizar como brilhante criminalista defensor de perseguidos políticos. Apesar de católico fervoroso (ia à missa todas as manhãs), aceitou defender Luís Carlos Prestes, que fora preso após o levante comunista de 1935.

No caso do alemão Harry Berger, que também fora preso e severamente torturado após o mesmo levante, Sobral Pinto exigiu ao governo a aplicação do artigo 14 da Lei de Proteção aos Animais ao prisioneiro.”

Luto desde o primeiro momento contra a prisão de Rafael Braga.rafael-braga

Subi o Morro da Congonha com trezentos ativistas negros, para prestarmos nossa solidariedade à família de Cláudia Ferreira, baleada, presa e arrastada até a morte por um camburão da PM.Claudia-da-Silva-Ferreira

Luto desde 1970, contra a tortura e o racismo.

O sistema prisional brasileiro é um centro de tortura e racismo permanente no Brasil.

O que fizeram com o famigerado Garotinho, uma pessoa da qual tenho as piores informações e nenhum apreço pessoal, apenas aumenta minha indignação sobre o aumento assustador do poder dos carcereiros e juízes sobre os corpos dos prisioneiros.

Se puderam linchar real e virtualmente, um bandido famoso e poderoso, prisioneiro do Estado e, ganham aplausos até da esquerda que chamo ingênua, para não chamar de otária mesmo. Não consigo, nem quero imaginar, o que vão fazer a partir de agora, com meus meninos e meus prisioneiros adultos negros e pobres prisioneiros do Estado Brasileiro.

Pelo zap zap, eu sei que já filmam as torturas que fazem, mas a partir de agora os algozes do Estado, com o beneplácito ou ordem de juízes, vão poder mostrar suas caras de torturadores nos programas dominicais.

Vamos reviver os velhos tempos de paz de cemitérios, em que o apresentador  Flávio Cavalcante, levava em seus shows aos domingos na televisão, professores de tortura, como o delegado Nelson Duarte, para falar para os pais sobre como educar seu filhos.

Aprendi com meu avô, que tortura é igual à gravidez. Não existe meia tortura. Como não existe ser, “meio”, contra a tortura.

#marcosromaoreflexoes

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