A Tortura Continua! Novembro Negro 2016


Por Marcos Romão
A lei “universal” do retorno não existe no Brasil, a lei que nossas avós nos ensinaram, que o que aqui se faz, aqui se paga, não existe na terra de Pindorama, desde que os primeiros tugas botaram os pés no Brasil.

Colocaram para funcionar desde o primeiro dia, com uma cruz encravada na cabeça do primeiro índio que encontraram, a máquina de aprisionamentos, escravização, tortura e eliminação dos povos indígenas no Brasil.

Esta máquina de violações, racismo e eliminação sistemática do outro, do diferente do Europeu, trouxe milhões de negros de África para realimentar-se, estabelecendo por séculos e até hoje, um dos maiores sistemas do planeta baseado no racismo, de exploração do homem pelo homem.

Em momentos específicos da história brasileira, esta máquina racista de exclusão, tortura, e eliminação física, também aplica os mais cruéis métodos de opressão contra os brancos, que por nascença pertençam às elites dos donos dessas máquinas, e se comportem como ovelhas desgarradas. “A tortura, serve para purificar”, acreditava o piedoso Médici, o III Ditador, segundo nos relata Elio Gaspari em sua memorável coleção sobre o fulcro da ditadura de 1964-1985.

Foi assim na ditadura Vargas em que a oposição branca foi tratada de forma hedionda e cruel. Foi assim, na ditadura militar de 64-85, quando a fina flor da juventude branca brasileira, foi pendurada como negros e índios no pau-de-arara. Foi assim em 2013/14, quando a garotada dourada provou as balas, que ferem, ainda que de borracha, da repressão, que em 1500 era dispersa e desorganizada, e hoje tem altas técnicas de fina repressão, nas mãos da milícias oficiais dos governadores dos estados brasileiros, as “suas” polícias das polícias.

Falar de torturas nas prisões, execuções pelo aparato de estado, e terror policial nas periferias, nunca foi um assunto querido dos brancos brasileiros, nem tampouco dos brancos de esquerda.

O assunto tortura e mortes nas prisões que rolou de 64 a 85, saiu do ar, com a volta dos últimos exilados.

Desde os anos 70, só o Movimento Negro é quem fala todo o tempo, da sistemática aplicação de prática da violência torturadora, levada a cabo pelo aparato policial e prisional brasileiro, sistema prisional e policial que é um sistema permanente de manutenção do racismo, e subjugação sob o chicote dos negros e índios no Brasil. (falar aqui dos pobres seria tautologia).MNU-1978 São Paulo

Os brancos de esquerda brasileira, falaram nacionalmente de Amarildo, Cláudia Ferreira e Rafael Braga, porque estavam e estão nestes momentos, também debaixo da porrada do aparato policial do estado, que numa corrente contínua de choques elétricos, nunca parou de ser aplicado contra os negros e toda a população dos bairros periféricos

Os brancos das elites brasileiras não estão fazendo diferente agora, quando assistem dois homens poderosos e dos seus pertencimentos, serem tratados como negros e índios quando são presos.
Como um branco ministro da justiça falou, “as prisões brasileiras são masmorras medievais”, as elites da esquerda brasileira e até negros intelectuais cansados de saberem da violência secular contra negros e índios e principalmente contra as mulheres negras e índias, gritam em uníssono:
“Que bom, a lei do retorno está acontecendo, os genocidas que usaram as armas da corrupção, para prender, torturar e matar negros e índios, estão sendo tratados agora como negros e índios.”

Que vitória de pirro quando as mesmas práticas ilegais e a tortura, continuam a serem aplicadas.

Os poderosos também são humilhados, depreciados, violentados e expostos na imprensa, tal como fazem o tempo todo com negros e índios.
A satisfação da vingança masturbatória de revolucionários de boca, de gozadores com o pau do sofrimento dos outros, está completa.

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Escrachados como é de costume se fazer com negros, índios e pobres.

E não se fala mais do assunto principal e causador da morte e sofrimento de milhares de negros anualmente:
A humilhação, depreciação, desumanização, castigos, torturas e mortes levadas a cabo pelo sistema político, econômico, cultural, judiciário, policial e prisional contra negros e índios no Brasil é esquecida mais uma vez.

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Montagem a partir de fotos na internet

Será esquecida na próxima semana depois da primeira cachaça de emolução bravateira revolucionária, antes praticada somente em DCEs universitários, hoje useira e vezeira por intelectuais em redes sociais.
O costume dos intelectuais brancos de gozarem até com o caralho castrado pelos esquadrões da morte do negro brasileiro, permanece e agradece pelos aplausos à sua “performance” na cama de ferro das câmaras de tortura físicas, mentais e espirituais da Masmorra para negros e índios chamada Brasil.

E a Tortura Continua!

A cada minuto acontece em alguma masmorra ou domicílio do Brasil, neste Novembro Negro de 2016.

O torturador não tem cor, O torturado e morto tem cor, gênero, etnia e endereço nas cidades e campos do Brasil.

Ou acabamos com a tortura, morte e genocídio do negro e do índio no Brasil, ou anuviados pelo tsunami de mortes de negros e índios de 1989 para cá, vamos cair na cegueira dos discursos da extrema direita brasileira  e viver no mesmo pus de cólera, ódios e vinganças que os brancos corruptos e matadores criaram.

Temos que encontrar urgente, caminhos,  estancarmos a ferida aberta, que está matando agora, a geração de agora, de negros e índios brasileiros.

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