Quando a candidata negra é discriminada, ao fazer prova do ENEN sobre intolerância Religiosa?


NOTA DO SOS RACISMO BRASIl:

O racismo tem várias faces e atua em todos os lugares. É na vida cotidiana nos espaços privados e públicos que o racismo se manifesta de forma mais cruel, e imobiliza mentalmente sua vítima como um farol aceso que cega a vítima numa sala de tortura.

Relatos de esperiências sofridas, nos dão conta, que a pessoas que sofrem agressões raciais, nem sempre com palavras claras, ficam zonzas, perdem o pé e o sentido das coisas, ficam possuídas de uma sensação que mistura medo, ódio, humilhação e sobretudo surpresa.

No ato da agressão racista, o racista e intolerante pode estar sorrindo, pode até demonstrar cordialidade, mas seu objetivo sádico de torturador é demonstrar sua suposta superioridade em relação à pessoa discriminada.

Assim, o racista torturador da psique do outro precisa de público para a sua ação, pois sua suposta superioridade, só pode ser confirmada, se outras pessoas assistem a cena de discriminação e veem como o racista é uma pessoa boa e poderosa, que só quer o bem do inferior, que teria cometido a seu ver (do racista) uma falha.

É o chefe de seção que em tom de brincadeira, fala para a funcionária negra a três metros de distância e de forma que todos os outros funcionários possam ouvir, que no próximo dia, a funcionária negra poderia vir com seus cabelos penteados.

É o guarda de banco, que diante de um negro de 70 anos, emperrado na porta do banco, lhe fala: “Aí negão, tá com alguma chave no bolso?”.

É o professor universitário, que diante de sua aluna mais competente, ao vê-la com um vestido novo ao se apresentar para a prova oral, amavelmente lhe fala:_ ” A rainha africana veio hoje caracterizada do que?”

O racista sempre escolhe a hora e o lugar, e quanto mais platéia melhor, pois afinal ele o racista, está apenas educando o ser inferior que pisou na bola e está apenas lembrando o lugar que lhe cabe.

A fiscal do ENEN, responsável pela sala em que Lucélia Silva estava  durante a prova em Alagoas, esperou o momento certo para dar o seu bote racista e intolerante:

Duas horas depois da prova ter começado, no silêncio da sala com dezenas de alunas e alunos concentrados e suando pelos poros mentais para fazerem uma boa prova.

A fiscal intolerante e racista, se dirige para Lucélia e quebra a paz da sala com a frase irônica: “Se puder, amanhã venha sem turbante”.

A racista e intolerante conseguiu seu objetivo, e segundo o relato de Lucélia Silva ela não conseguiu mais fazer a prova.

O Sos Racismo recomenda à Lucélia, que busque bons advogados e conselheiros ativistas na luta contra o racismo, e entre com uma ação por perdas e danos, contra esta pessoa racista, que lhe ofendeu publicamente, e interrompeu o seus direitos para fazer uma prova, que Lucélia tanto investiu em esforço mental, espiritual e financeiro.

A racista tentou barrar seu ingresso na universidade

A seguir a matéria transcrita do Blog, Grito na Luta

 

Railton Da Silva

“Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”, esse foi o tema da prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio 2016 aplicada neste domingo, 06, mas esses ‘caminhos’ – pelo que parece – apenas ficam no campo do imaginário e não é aplicado na prática, muito menos por quem é responsável pela aplicação das provas.

As provas foram aplicadas em dois dias – sábado (05) e domingo (06) – e, em Maceió, uma candidata foi vítima da intolerância e discriminação religiosa durante a realização do exame por estar usando um turbante, um adorno de cabeça feito por diversos tecidos.

lucelia-silva2
Lucélia Silva. Crédito:
Arquivo Pessoal

“Eu cheguei tranquila, passei por todos os portões e não fui parada nem nada. Passei pela porta da sala que iria fazer a prova e nada me foi falado sobre o turbante, após duas horas do início da prova fui abordada pela fiscal de sala que só após  duas horas veio me falar ironicamente que se eu pudesse ir amanhã – domingo (06) – sem turbante eu fosse. Sendo assim fiquei com o juízo conturbado e finalizei logo a prova e entreguei logo pra ela para chegar em casa e poder olhar o edital do enem, pra ver se tem algo que fale sobre não poder”, destacou a candidata Lucélia Silva.

De acordo com ela, isso tirou a sua atenção e lhe prejudicou a continuação do exame. “Me senti constrangida por ela me abordar no meio da prova e falar que ” se eu pudesse não fosse de turbante hoje ” e hoje me sentir constrangida pela quantidade de pessoas que tinha nos corredores e eu indo ao lado da coordenadora para sala da condenação, pra lá ela revistar meu turbante”.

“O turbante pra mim é mais que um adorno de cabeça, ele já faz parte de meus looks diários. Ele protege minha cebeça, me tras sabedoria e me faz se sentir uma rainha. O turbante não é moda, ele está fortemente ligado aos povos tradicionais de terceiro! Possa ser por isso que quem usa turbante ainda seja taxado como “macumbeiro”.

Ela destacou ainda que não abordou diretamente o caso na redação, mas que falou dos jovens que ainda sofrem preconceitos dentro da escolas e que – ainda – em muitos casos chegam a ser impedidos de assistir as aulas por estarem usando turbante ou fios de contas.

“Conviver no universo do turbante não é fácil, você sofre preconceitos diários e escutas piadas inaceitáveis. Mais aprendi a conviver com isso, uso muito a frase dq “turbante na África é coroa” então me sinto uma rainha de turbante , e manter a postura de rainha é não se tocar por certos questionamentos ouvidos de pessoas sem cultura que não sabem o significado do turbante”.

Ainda de acordo com ela, hoje (07) conversará com o padrinho onde receberá aconselhamento para ver quais medidas deve tomar. “Porque realmente você fica conturbada e constrangida com a vergonha que é ser abordada no meio da prova”, finalizou

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s