Estupros, agressões verbais, racismo, homofobias e Dilma Roussef. Anotações


Por Marcos Romão

Nas jornadas de protestos de junho de 2013, pudemos observar, que nos milhares de cartazes, feitos à mão por milhares de manifestantes, atacava-se toda a classe política e, eram raros os cartazes que atacassem diretamente a presidenta eleita Dilma Roussef.

Este fato me surpreendeu, pois nesta manifestações inicialmente expontâneas, motivadas pelos 20 centavos do aumento das passagens de ônibus, cada uma das milhões de pessoas que foram às ruas, sentiu-se na liberdade de levar seu cartaz, com a reivindicação que lhe calava no peito.

Pelo escrito nos cartazes, caso houvessem mudanças no país, não ficaria pedra sobre pedra do “Castelo Político Corrupto no Parlamento e Judiciário”, que eram denunciados nas somas de reivindicações apresentadas pelos clamores da rua.

A soma das reivindicações apresentadas nos cartazes, feitos artesanalmente, dizia uma só coisa:

” O SISTEMA POLÍTICO ESTÁ FALIDO. QUEREMOS UM NOVO SISTEMA POLÍTICO”.

O Brasil parou com as manifestações, os mandatários políticos em Brasília e dos governos de estados e prefeituras, se assustaram e por momentos ficaram paralizados , até a hora em  com o apoio dos serviçoes secretos do exército e da PMs dos governadores, com seus agentes provocadores infiltrados nos movimentos de ruas e, em conjunto com aprendizes de feiticeiros com pretensões “revolucionárias”, levaram a violência e porrada para as ruas e, afastaram o cidadão comum das ruas.

Salvo alguns ganhos pontuais da população, como a redução dos preços da passagem. No Rio de Janeiro as manifestações levaram à “queda” de uma governador, suspeito de ser venal e corruto. Mas as ações de mudança no Brasil político pararam por aí, depois de serem anunciadas medidas paliativas.

A presidenta Dilma falou até na convocação de uma constituinte, mas a ideia morreu na praia, sem o apoio de seus próprios parceiros, que ainda acreditavam, que escapariam de investigações que estavam por vir.

Aliás, todos os políticos de Brasília, governadores e prefeitos de todos os partidos, apostaram època, em colocar todas as reivindicações populares apresentadas nas jornadas de junho em banho-maria, até o povo esquecer e tudo continuar como antes.

Foi uma oportunidade de ouro que a presidenta Dilma perdeu de entregar o chapéu e, deixar o povo refazer a república através de uma constituinte livre e soberana. Mas hoje sabemos que a presidenta Dilma, nunca foi a voz de comando de seu partido e da coalizão que lhe emprestava governabilidade. As cordas do comando estavam em outras mãos. Hoje sabemos que além do Lula era Temer, o rejeitado, que comandavem os subterrâneos do Brasil, cada qual pro seu lado, é claro.

Julho e agosto de 2013 foi o momento de poder perdido pela presidenta, o Brasil estava em um vácuo em seu sistema político. O núcleo duro do poder PT-PMDB estava dividido e em pânico com tantas denúncia apresentadas nos cartazes populares, desde corrupção nos Megaeventos e construção de estádios, passando por denúncias sobre a construção de Belo Monte, até a destruição do sistema de ensino e de saúde pública no Brasil

O povo não sabia detalhes, tudo que estava denunciado nos cartazes, vemos hoje nos autos da lava-jato sobre os crimes federais cometidos por políticos eleitos e, estamos chegando aos governos de estados e às prefeituras com seus crimes estaduais e municipais.

O  cidadão médio e até a maiorias dos intelectuais brasilieros, não sabiam da dimensão da merda política instituconal em que o Brasil estava. Diz entretanto um ditado popular, que acabo de inventar, que:
“mesmo a merda que o povo não sabe quem fez, o povo cheira e pisa nela, quando vai em busca de um serviço e, é atendido pelo setor público ou concessionário privado.”

O ano de 2014 deu um refresco à classe política mandatária, que pode fazer um rearranjo político que levou a presidenta Dilma à reeleição e Aécio Neves à oposição feroz.

Mas as denúncias e reivindicações da jornada de junho de 2013 ficaram e cresceram, mesmo que “coxinhadas” em fogo brando.

A deteorização do atendimento das necessidades básicas em saúde, educação e transportes saltavam às vistas e, ganhavam a sua dimensão exata, quando se comparavam com os gastos astronômicos ( hoje sabemos que superfaturados), das grandes e faraônicas obras públicas, como a represa de Belo Monte e o dinheiro jogado fora na Copa do Mundo, em que se gastou milhões em troca de um gol de honra de derrotados. Talvez tentar corromper o ataque da Alemanha, saísse mais barato.

Na nova rearrumação política pós eleição da presidenta Dilma, pudemos ver uma presidenta eleita já enfraquecida em seu primeiro dia, com um parceiro de governo mais poderoso que ela, porém amuado a ponto de escrever cartas, denunciando um amor não correspondido, e uma oposição do PSDB, que quase provou o gosto de poder, ao quase chegar ao poder via urnas e, que na derrota sentiu o gosto de sangue no nariz nocauteado.

A primeira declaração ao seu partido, do candidato derrotada nas urnas, foi:

“Vamos sangrar a presidente.”

É quando entro no campo metalínguístico e mediático, para buscar entender como se desenvolve atualmente na política brasileira, a guerra para conter e tirar de pauta as reivindições cidadãs de Jornada de 2013 e,  assim acabar de vez com quaisquer possibilidades de se modificar o sistema político consuetudinário e corrupto do Brasil pelos próximos 20 anos. Se o PT tinha um plano de poder para seus bonzos durante20 anos. Os que estão aí, pretendem colocar a população na coleira da penúria por vinte anos ou mais.

Em resumo foram duas as reivindicações apresentadas na Jornada de 2013, através dos milhares de cartazes feitos à mão por todo tipo de brasileiro:
Participação cidadã nas decisões e transparência no exercício do poder dos representantes das instituições públicas brasileiras.

Como em um momento mágico de consciência política, o tal “povo” queria a execução e regulamentação da Constituição Cidadã de 1988. Que pretende garantir o direito individual e, que pessoas de todo tipo de gênero, raça, cor, religião, credo, ideologia  possam ter a chance, em se dizerem brasileiros e brasileiras e, terem acesso isonômico e igual ( não é tautologia) a todos os bens e serviços que o ser brasileiro, a Constituição, em tese, lhe daria direito.

Como atacar e destruir por cima este sonho de cada brasileiro, que é um pesadelo para as elites brasileiras, saber que ele, o sonho mítico popular de ser gente, existe e continua vivo no meio do povo e assombra as eleites brasileiras?

Qual o grupo de pessoas mais discriminada em seus direitos no Brasil, e que tanto se assanha a reivindicá-los, desde 1988?

Esta é a pergunta que deve ter sido feita pelo assessor internacional, que acabara de passar pelo Egito, ao seleto grupo da força tarefa de brasileiros, organizado para barrar o direitos constitucionais, consquistados pela população desde o fim da ditadura civil-militar.

“As mulheres”, devem ter respondido os vetustos homens, ao assessor de golpes brandos, nesta reunião para lá de secreta, em algum apartamento em Brasília.

“Então as ataquem.”

“Vocês já aprenderam o suficiente na campanha eleitoral contra a “Onça”, repetiu o assessor, citando o codinome para a Dilma dado pelo assessor sem nome. Quem sabe tenhamos um dia esta informação confirmada, em dados que poderemos ver nas nuvens, quando publicarem em alguma postagem do “wikileak”.

Não deu outra. Choveu MEMES nas redes sociais, principalmente no whatsapp, em defesa da família ameaçada pelas “falsas” liberdades das mulheres.

Nestes MEMES, que já haviam ultrapassado todas as fronteira da moral e bons constumes, em um MEME publicado nas redes sociais, em que aparecia a presidenta Dilma sendo estuprada por uma torneira de bomba de posto de gasolina, encima de uma carro.

Passaram a espalhar que o comunismo estava no poder, que a família estava ameaçada por tantos lgbts, negros, índios e quilombolas que não acreditavam nos valores cristãos e, que eram bandos de incivilizados e sem méritos para terem direitos iguais;

A velha arma para derrubar governos chamada ” anticorrupção”, já estava um pouco gasta para chamar sozinha o povo para as ruas, como desejavam os anticonstitucionalistas.

“Familía”, a defesa da família seria o slogan silencioso, que despertaria o espírito de porco que cada um carrega e si e que precisava ser acionado.

Assim milhões de brasileiros saíram à ruas vestidos de verde e amarelo, pedindo a saída da mulher Dilma e o fim das ameaças à moral e aos bons costumes que representavam as mulheres, os lgbts, os negros e os índios, que tinham ido longe demais ao reivindicarem seus direitos constitucionais à saúde, e ducação e principalmente a terem dinheiro no bolso também.

A arma secreta importada dos EUA funcionou. O assessor havia entregue para os conspiradores contra Constiuição, a tal da “Ideologia de Gênero”, uma falácia semântica, para atacar todas e todos que se oponham ao racismo, sexismo, homofobia e intolerância que domina tanto os EUA como o Brasil, que é a Ideologia de Superioridade do Homem, Macho, Branco e Cristão.

Assim nós tivemos a chance de assistirmos ao vivo na votação do impechament da presidenta Dilma, centenas de deputados corruptos, machistas e racistas até a alma, quase baterem com seus paus na mesa em defesa de suas famílias e propriedades roubadas do povo brasileiro.

Meu tema aqui não é o golpe ou não golpe.

Falo do meta e virtual estupro coletivo que o povo brasileiro está sendo vítima, por parte do grupo político que exerce o poder no Brasil atual.

Enquanto, tomam medidas econômicas, que boas ou  más, não receberam mandato para tal. Soltaram os espíritos de porcos, especializados em paralizar suas vítimas antes de violentá-las.

É um bispo católico, que com seus títulos universitários e visão universal, convoca para no dia da República, o povo carioca defender a família e combater a ” Ideologia de Gênero” na escola Pedro II, e assim concorrer em reacionarismo com o Bispo da Igreja Universal, que eleito prefeito do Rio, afirma que quem ganhou, foi a “família” e os que são contra o aborto, como se estes assuntos tivessem sido colocado em votação nas eleições municipais.

São os estupros e violência contra mulheres em todo o país. São os jovens negros que são assassinados em massa. É a violência da polícia, das milícias e bandidos que tomam conta das cidades.

É a lavagem cerebral nas redes sociais, feitas por profissionais bem pagos, que disseminam o terror individualizado, em que cada pessoa se sente paralizada e não quer mais sair de casa para fazer compras, quanto mais ir a uma manifestação contra um governo usurpador que lhes obriga a pagar as contas, dos roubos que seus membros participaram do assalto sistemático durante décadas.

Nas próximas anotações. publicarei sob o estado do medo, que se instalou no país e a subsequente divisão profunda em que o país vive, entre a população e os grupos de políticos com mandatos através de votos, e os com mandatos intitucionais, como juízes e a altos funcionários da república.
Que papel as redes sociais, estãotendo na disseminação do medo, e vamos procurar saber onde estão agora os “especialistas” em manipulação de opinião, que continuam sendo bem pagos por outros grupos, que não são mais o núcleo duro do PT, que evaporou.

 

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Um pensamento sobre “Estupros, agressões verbais, racismo, homofobias e Dilma Roussef. Anotações

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