Le Monde Diplomatique compra Racismo démodé de Jaguar


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Captado e modificado da página do Le Monde no Facebook

Por Marcos Romão

Poderia até ser uma piada racista nova, mas é velha, e o Le Monde Diplomatique Brasil pode ter caído na esparrela ao contratar um humorista brasileiro, conhecido das minorias discriminadas como um renitente “racista cordial” da velha escola do Pasquim. Do tempo em que meio racismo e meia gravidez ainda eram permitidos na esquerda brasileira e mundial. Tudo pelo humor para derrubar o “sistema”, “irreverência agressiva é permitida”, era o que se falava nas décadas de setenta e oitenta, e estava tudo bem. Os discriminados que se virassem ou ficassem quietos, como afirmava Claude Manél do Casseta Popular, filhote do Pasquim, em uma discussão no ano de 1989, com a presença de Jaguar, sobre o lançamento do disco, com o duvidoso título, “Preto com um Buraco no Meio”, que teve com ativistas negros, no Sos Racismo do Instituto de Pesquisa Negras do Rio de Janeiro:

“Como negro, acho super importante que existam organizações pró-negros. Mas a discussão é muito mais séria. O único jeito de não haver racismo no país é se ficar quieto” – fonte: na foto abaixo.

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Arquivos do Sos Racismo, cidadania, direitos humanos e civis.

Queremos crer que na redação do Le Monde Brasil em São Paulo, não haja nenhum negro que tenha dado um toque na vacilada do Le Monde, ou algum francês que além de desenhar para racista brasileiro ver, saiba da história do Tin Tin Belga e dos inúmeros processos contra este tipo de “charge” de 1930, oriundas de uma época em que o racismo tinha até o respaldo das academias científicas.

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Tin Tin de Hergé-internet

A criatividade racista de Jaguar, deve ter se deteriorado com a quantidade de whisky que tomou nesta últimas décadas, pois copiou descaradamente de Hergé, a figurinha negra com lábios avantajados ao fazer sua charginha depreciativa dos negros nas Europas, Franças e Bahias.

A advogada e ativista negra, Laura Astrolábio comenta na página do Le Monde, onde eles tentam esclarecer o equívoco:

Em entrevista concedida à Folha de São Paulo, em 2007, o cartunista Jaguar (AUTOR DA CHARGE RACISTA 👆🏾) criticou o politicamente correto : “a maioria dos humoristas hoje é muito certinha. Essa coisa de não poder chamar crioulo de crioulo , criou-se um limite e, se a gente passa um pouco, leva pito. Eu não levo mais porque sou velho e sou o Jaguar”. Esse mesmo Jaguar foi o cara que disse que Wilson Simonal era dedo-duro na ditadura militar, disseminou isso e destruiu a carreira do cara. Tarde demais, ficou provado que esse apontamento não podia ser verdadeiro, considerando que jamais foram encontrados indícios de que Simonal tenha dedurado alguém. Mesmo assim, depois de uma sessão de reabilitação moral de iniciativa da OAB de São Paulo, o tal do Jaguar declarou “ele era tido como dedo-duro. Não fui investigar nem vou fazer pesquisa para livrar a barra dele. Não tenho arrependimento nenhum”. O cara é declaradamente racista.”

As centenas de postagens em sua página no Facebook, fez com que o Le Monde Brasil, publicasse uma nota em que lamenta o equívoco e convida suas leitoras e leitores para um debate sobre “Mídia e Racismo”.

A equipe do Sos Racismo Brasil, da qual a Mamapress é um de seus veículos de comunicação, parabeniza a iniciativa do Le Monde Brasil em debater a questão. Considera entretanto o tema fora de foco, pois o tema aqui e agora, não é sobre o racismo na mídia em geral e sim sobre um caso de manifestação depreciativa dos negros, no meio de comunicação Le Monde Brasil. Como o Le Monde encara esta questão e o que fará no futuro para evitar estas agressões, caso assim as entenda, neste veículo de comunicação tão prezado por suas leitoras e leitores.
Não pretendemos tomar a frente de nada, mas lembramos que estaremos solidários com todas e todos que por se sentirem feridos exijam medidas legais.
Entraremos em contatos com as organizações dos Sos Racimo e organizações antirracistas na Europa, os mantendo informados dos rumos das conversas e discussões que acontecerem no futuro.

Existe um conceito internacional que poderíamos chamar de “liberdade de expressão do Bobo da Corte”. Cada corte contrata o Bobo que quer, mas pelas leis brasileiras é vedado transmitir pelos meios de comunicação o incitamento a discriminações, mas precisamente a lei 7.716 de 4.12.1989 em seu artigo 20, no  parágrafo segundo:

 Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza.

Aguardaremos os resultados dos debates, certos do reconhecimento da parte do Le Monde Brasil, que houve um ato racista.

Se possível enviaremos um representante do Sos Racismo aqui do Rio, porém, mesmo que não possamos estar, consideramos a necessidade imperiosa em ter reconhecidos e embasados na questão, representantes do movimento negro de São Paulo na mesa de debates, para que os negros brasileiros saibam que o Le Monde reconhece nossa voz organizada. Sugerimos a participação de nosso parceiro da Afropress, o advogado e jornalista ativista do MN, Dojival Vieira. Email para: sosracismobrasil@gmail.com

Abaixo compartilhamos o convite público do Le Monde Brasil, com o acréscimo do título que sugerimos: “Caso de Racismo no Le Monde Brasil?”

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Modificado pela  Mamapress

“Caras leitoras e leitores que se pronunciaram sobre a capa desta nossa ultima edição e a classificaram de racista,

Recebemos com apreensão os comentários de que havíamos nos tornado racistas. O jornal Le Monde Diplomatique Brasil sempre esteve solidário ao movimento negro, às mobilizações das jovens mulheres negras, engajado na campanha contra o extermínio da juventude negra, e em defesa dos direitos de cidadania.

Quanto à capa, nós a consideramos uma iniciativa infeliz e lamentamos ter sido considerada racista e queremos pedir desculpas aos nossos leitores. Acolhemos a crítica, reconhecemos o erro e entendemos que essas são reações vindas de quem vive na pele, no dia-a-dia, as discriminações odiosas e classistas contra os negros e as negras no Brasil.

Acreditamos que a melhor maneira de enfrentar esta questão é abrir as páginas do jornal para publicarmos os argumentos que nos criticam, ampliando o espaço deste importante debate público.

Queremos convidar a todos que se manifestaram, e a todos e todas que se interessarem, a participar de um debate sobre MíDIA E RACISMO, dia 17 de outubro, segunda-feira, às 19:30 horas, em nosso auditório, à Rua Araújo 124

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