Uma ponte para o Quilombo Mumbuca no Jalapão, Tocantins.


Da Redação

“A ponte do Quilombo Mumbuca foi incendiada em agosto”

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Escola do Quilombo do Mumbuca

Esta foi uma das notícias trazidas pelo dramaturgo e autor de novelas globais, em entrevista dada ao Jornal Tocantins, ao retornar da visita ao Quilombo do Mumbuca, no Jalapão.

A notícia correu as redes sociais, chegou ao Sos Racismo Brasil, parceiro da Rede Rádio Mamaterra e da Mamapress, através da ativista Belgna Ribeiro Ramos

Na época das cheias a comunidade do Quilombo do Cumbuca ficará completamente isolada, caso esta ponte não seja construída.

Convidamos o movimento negro e a sociedade brasileira a apoiarem a demanda, pela construção de uma ponte para a o Quilombo Mumbuca no Jalapão. MR pela redação.

Trechos da entrevista de Walcyr Carrasco

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colheita capim dourado

Sensibilizado com as dificuldades enfrentadas pelo moradores da comunidade de Mumbuca, o escritor, dramaturgo e autor de telenovelas Walcyr Carrasco, de férias no ^tocantis, usou as redes sociais para denunciar a falta de uma ponte de acesso ao local, que foi incendiada no último mês de agosto. O caso já havia havia sido anunciado pelo Jornal de Tocantins. À época, a prefeitura havia dito que não tinha previsão da construção de uma nova ponte e, desde então. para chegar ao povoado é preciso passar por um desvio do rio.

“O estado e a prefeitura têm que fazer essa ponte, não pode deixar essa gente isolada do mundo. Eu pretendo falar com os movimentos negros para ver se eles podem pressionar de alguma maneira”, assegurou Carrasco para uma entrevista do JTo. na última quarta-feira, antes de pegar o avião de volta para casa. ” Por sorte eu cheguei na época da colheita do capim dourado e pude conviver coma beleza de tudo aquilo, a arte e o sofrimento daquele povo que vive basicamente do artesanato”, comentou, assegurando que vai ser um defensor do Mumbuca.

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capim dourado

Sobre a comunidade (fonte Wikipédia)

Mumbuca é literalmente uma grande família que nasceu da miscigenação de índios e negros. As famílias se misturam e todos passam a ter algum grau de parentesco. O povoado é muito acolhedor e recebe os visitantes com música e alegria.

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fonte:internet

Homens e mulheres têm papéis definidos na comunidade. Os homens cuidam do plantio da mandioca, da batata, do feijão, do arroz, do milho, da banana, do maxixe e da abóbora. As mulheres realizam a colheita e a preparação da farinha, além de produzirem as peças artesanais de capim dourado.[1]

Existem hortas familiares e comunitárias. Também podem ser encontradas pequenas criações de porcos, galinhas e gado. Os peixes da região são: o piabanha, o jaú, o cachorra e o barbado.

jazidas1-e1406116615306Existe uma associação de artesãs que se organizam para produzir e comercializar as peças artesanais de capim dourado. A colheita do capim é feita de 20 de setembro até o início das chuvas em novembro. A comunidade de Mumbuca respeita as técnicas de manejo sustentável do capim, embora existam pessoas da região infringindo as leis e colhendo o capim fora de época. O desafio para eles é grande, já que são a comunidade pioneira na arte do capim dourado e sabem da importância da sua preservação.

É marcante em Mumbuca a presença feminina na liderança organizada. As mulheres presidem a Associação do Capim Dourado, realizando o controle da venda e da distribuição das verbas oriundas do artesanato.

A tradição do artesanato com o capim dourado tem sido passada de geração para geração. Guilhermina Ribeiro da Silva, a dona Miúda, conta que sua mãe aprendeu as técnicas com os índios. Além do capim dourado, as artesãs utilizam a palha de buriti (outra espécie local) para tecer os produtos.

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Dona Miúda foto internet

A alternativa econômica está ajudando a população, uma das mais pobres de toda a região, mas precisa ser administrada com cuidado para preservar a natureza local. A venda de artesanato é a atividade que mais contribui para a geração de renda, mas eles também praticam a agricultura de subsistência e geram alguns recursos com o turismo.

Os problemas que a comunidade aponta estão relacionados à questão da educação, da energia e do asfaltamento das estradas da região.

Uma jovem da comunidade, a Ana Cláudia, neta de Dona Miúda lidera o Projeto Amiguinhos da Natureza. Este projeto ensina o respeito pela natureza e as tradições locais. Ela demonstra uma grande preocupação em preservar e resgatar a identidade do Povoado Mumbuca.

Histórico

No início do século XX a comunidade era bastante isolada e seus habitantes andavam quatro dias para chegar a cidade mais próxima, Porto Nacional.

O interessante é que esta comunidade foi formada a partir do encontro dos negros, que migraram do sertão baiano com os índios da região, provavelmente os Xerente. Ainda hoje, existe uma consciência étnica referenciada nos índios e nos negros. O artesanato em capim dourado, ao que tudo indica, surgiu dessa relação entre índios e negros. Pessoas locais contam que há muito tempo o capim dourado é uma fonte de geração de renda.

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Fervedouro Mumbuca foto internet

Em 2000, houve uma ameaça de Mumbuca ser desapropriada para o Parque Naturatins, mas a comunidade se mobilizou e mais uma vez resistiu as adversidades e permaneceu no Jalapão. A comunidade é reconhecida como comunidade Quilombola pela Fundação Palmares.

Nesta época, o Vô Dió, o senhor mais velho da comunidade, disse que só conseguiriam tirá-lo da terra de Mumbuca morto, pois ele perdeu os pais quando criança e, para ele seus pais são a terra e a natureza do Jalapão.

Pop: 1.490 pessoas (IBGE)

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