Empresária negra agredida por estranho em ponto de ônibus de BH


Por Marcos Romão

Mais um caso de racismo e agressões raciais e religiosas  cotidianas, que se repetem em várias cidades do Brasil. O alvo principal são mulheres negras. Há duas semanas foi em um ônibus em São Gonçalo, poucos dias atrás em uma drogaria Pacheco em Copacabana.

O caso agora aconteceu em Belo Horizonte com a empresária e jornalista negra, 29 anos, Naiara Farias.

A jovem estava em um ponto de ônibus quando foi assediada por um estranho, depois identificado como estudante de engenharia da mesma idade,  que a interpelou, lhe deu um chute no rosto e só parou a agressão, quando foi contido por um policial que passava pelo local, que teve que pedir reforços tal a fúria do racista.

A sociedade brasileira não está preparada para impedir casos de racismo como estes que aumentam a cada dia. Os agressores racistas e intolerantes religiosos se sentem impunes. O péssimo atendimento nas delegacias policiais, por não conhecerem os procedimentos a serem feitos, aumentam o sofrimento da vítimas, que além de terem que provar que são vítimas e não os agressores, são obrigadas a peregrinar horas por delegacias, em que o descaso com as vítimas, só se iguala com a humilhação de ter que passar todo tempo ao lado dos agressores, que na verdade deveriam aguardar no xilindró, ou noutra sala, conforme mandam as prisões em flagrante.

Naiara Farias assim relata o que teve que passar nas delegacias pelas quais peregrinou, após ter sido agredida:

1° round: saí da delegacia no Barreiro às 19h.
Passei na verdade por quatro pontos policiais, dois PM e dois Civil. Graças as minhas madrinhas que nunca me deixam desamparada e todo apoio que recebi hoje, consegui vencer o dia. Passei de 08 às 19h tentando provar que sofri um ato de racismo seguido de agressão física. Por hoje é só. Bem cansada de ser forte o tempo todo.

Naiara que ia para o trabalho quando sofreu a agressão racista, pediu socorro via redes sociais às amigas e amigos:

1 denuncia nayara
“Cenas da zona sul:

Indo trabalhar, um playboy racista se acha no direito de me agredir porquê eu não quis dizer pra onde estava indo. A mulher preta do bairro branco não tem sossego, não tem arrego, tem que lutar todos os dias. 

Moral da história: indo pra delegacia e com certeza só vai acontecer alguma coisa com esse indivíduo por conta da agressões físicas que os policiais sofreram.

Contatos de advogados, podem deixar nos comentários por favor.”

Parece que Naiara estava prevendo o tratamento que receberia por parte dos policiais, e a impunidade que seria garantida ao criminoso racista, como depois relatou, pois nem encaminhada ao IML para exame de corpo delito ela foi, como continuou relatando nas redes sociais.

2 denuncia nayara” Segue informações do ato racista que aconteceu comigo hoje:
Estou na segunda delegacia aguardando para finalizar o boletim de ocorrência.

Os policiais levaram meu agressor pra receber tratamento médico (?).

Quando voltaram com ele pra delegacia, ofereceram aguinha, ele reclamou da algema apertada e CLARO, ele está sem algemas.

O que acontece agora? Ele está batendo um papo como os policiais (que tentaram tirar o cunho racista da minha denúncia).

Eu a mulher preta periférica, agredida deliberadamente pelo branco estudante de engenharia não recebi NENHUM atendimento médico, quando eu solicitei avisaram que não daria tempo, pq tínhamos que vir pra Civil terminar o boletim.

Eu estou exausta, meu psicológico já está mais que abalado, mas permaneço firme. A branquitude vai ter que entender que RACISTAS NÃO PASSARÃO.

Obrigado todxs que passaram contato de advogados! Já conversei com alguns e terminando esta fase do processo, começa a batalha real. E pra quem acha que mulher preta faz muito mimimi e que tudo é racismo, eu fui agredida na esquina de casa, por um indivíduo que mora na mesma rua que eu. 

Como faço agora? Resido, resisto e RACISTAS NÃO PASSARÃO.”

Naiara Farias reagiu à altura as agressões raciais que sofreu do estudante de engenharia, e às agressões raciais que sofreu pela omissão das autoridades policiais no atendimento de sua denúncia.

Contatado, o Sos Racismo Brasil, iniciativa de Niterói-RJ para acompanhar, e orientar quando possível as vítimas desses casos de agressões raciais na internet e na vida real, informou que estes casos estão aumentando assustadoramente.

Segundo o Sos Racismo Brasil, existe uma cifra incalculável de agressões e ataques racistas no país:

“Muitas pessoas que nos procuram não querem levar suas denúncias adiante, pois temem ser humilhadas nas delegacias policiais, o que só reforça a impunidade dos racistas.”

Ao acompanharem nas redes sociais os relatos de racismo e vítimas de racismo, o Sos Racismo relata:

“Existem casos como do jovem estudante negro e homossexual estudante da UFRJ, que antes de ser assassinado de forma bárbara, anunciou nas redes sociais que estava sofrendo perseguição racista e homofóbica por parte de seguranças da universidade.”

O Sos Racismo Brasil, passou também o alerta a todos os jovens negros e negras:

“Que se juntem a todas pessoas antirracistas em fóruns e grupos de auto-proteção, para prevenirem-se e barrarem estas agressões racistas que já causaram vítimas fatais”

Saiba mais sobre o caso no noticiário local

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