ROTA DA ESCRAVIDÃO: RHODNIE DÉSIR, CARLOS NEGREIROS E JOVI JOVIANIANO ESTREIAM NA OLIMPÍADAS COM A MEMÓRIA NEGRA DO BRASIL


Mães de Santo de todo o Brasil, mandaram silenciosamente tocarem os tambores de regozijo para a Olimpíada Negra que acontece no Brasil.

O COI e os medalhões neocolonizadores esqueceram-se em lhes dar o espaço que merecem na história da alma brasileira. As atletas e os atletas do Brasil e do mundo não esqueceram.RIOEC8E15XJ4N_768x432

Na cidade que teve o maior porto das Américas, como porta de entrada de mais de 2 milhões de almas deportadas de povos e nações africanas, Rafaelas, Bolts, Sumgongs. Simones Biles, nos trazem o sentimento de que carregam o ouro do reconhecimento da dignidade retomada, que nos foi retirada à ferro e chicote em 4 séculos de escravidão em África e sua diáspora.
Mesmo quando somos testemunhas que atletas como Aída dos Santos, foram impedidas pelo racismo brasileiro de participarem nas Olimpíadas de 1972, ou Angelo Assumpção nas Olimpíadas de 2016, esta será uma Olimpíada em que os habitantes de todas as “Cidades dos Deuses” de África e sua Diáspora na Américas e Europa, se regozijam e batem seus tambores silenciosos para a nossa renascença, na terra do “Porto Prisão de nossa Dignidade Humana”.  Respondemos com exemplos demonstrativos, que aprendemos a nos reconhecer entre os países em que espalharam as nossas garras de resistências e almas de criação de vida.

O COI privilegiou Ipanema e suas garotas douradas.

Rhodnie Dèsir, Carlos Negreiros e Jovi Joviniano se encontram no Cais do Valongo, na Pequena África do Rio de Janeiro. Nos mostram o ouro negro que carregamos em nossa dignidade de transportadores de nossa história em nossos corpos e mentes. Marcos Romãonegreios-jovi-hodie
ROTA

DUAS DATAS DE APRESENTAÇÃO QUE VOCÊ NÃO PODERÁ FALTAR:

18 E 26 DE AGOSTO

O espetáculo será apresentado no dia 18 de agosto às 18:00 horas no Cais do Valongo, localizado na Pequena África, que é o maior porto de entrada de escravizados do Brasil e das Américas (mais de 2 milhões de pessoas capturadas das nações africanas).

Essa apresentação só está sendo possível graças a parceria com a CEPPIR – Coordenação de Promoção das Políticas de Igualdades Raciais do Rio de Janeiro, que a equipe faz questão de agradecer.

Em seguida terá a apresentação do dia 26 de agosto / Festival Internacional Dança em Trânsito 2016, na Lona Terra em Guadalupe, espetáculo aberto a todos e particularmente aos jovens de comunidade.

Duas oportunidades excepcionais de descobrir esse espetáculo. Também especialista e consultora em mediação cultural, lembramos que Rhodnie Désir trabalhará com crianças e adolescentes dos projetos “Crespinhos e Movimento 205” para a realização da sua maior instalação de figurinos que comporão um número simbólico de barcos que acostaram no Brasil.

Por Stéphanie De Sa Rego

Um traço de união social, artístico, histórico e educacional Quinta feira, dia 18 de agosto 2016

Se há um evento a não perder durante os Jogos Olímpicos Rio 2016 (JO2016), é a implantação do grande projeto cultural BOW’T TRAIL e seu espetáculo especialmente criado no Brasil: BOW’T-Brasil!

De fato, a bailarina – coreógrafa canadense de origem haitiana – Rhodnie Désir – faz escala no país entre o 27 de julho e o 26 de agosto para concretizar a etapa em um tempo recorde.

Única artista canadense a ser escolhida pelo Grande Testemunho da Francofonia – Manu Dibango e pela Secretaria Geral da organização Michaëlle Jean – para a programação cultural da Organização Internacional da Francofonia dos JO2016, Rhodnie Désir tem como missão traçar a ponte entre o passado e a atualidade usando seus dois aliados: a re-criação polirrítmica coreográfica e a realização de um Web-documentário.

Ressaltamos que essa ação esta relacionada a um percurso visando 40 paises de agora até 2023!

O BOW´T TRAIL: um verdadeiro desafio! Em quatro semanas, a senhorita Désir se inspira no gênio criativo dos povos africanos e afrodescendentes para re-criar integralmente sua obra original BOW´T (2013).

Esta última, apresentada mais de 25 vezes na África, na América do Norte e nos Caribes, abordava o destinos e caminhos psíquicos vividos pelos humanos migrantes ou deportados.

Em 2016 prossegue com o  BOW´T TRAIL (BOW´T, a obra, TRAIL, o caminho).

Em cada um dos 40 países onde ela deseja fazer escala, a coreógrafa se concentra sobre os motivos da resistência que resultaram em uma rica herança polirrítmica (Blues, Jazz, Samba, Reggae…).

Quanto ao Brasil, relembramos que ele foi o ultimo pais a abolir a escravidão em 1888 e a maior terra de deportação das Américas (4 a 5 milhões de pessoas).

AS ETAPAS DO BOW´T TRAIL

Como ela fez na Martinica em janeiro passado, no Brasil ela se cerca de dois músicos de renome: Carlos Negreiros e Jovi Joviniano.

Durante 40 horas, em estúdio, ela descobre as rítmicas ancestrais do país, parentes do Samba, da Capoeira, do Jongo, do Candomblé…, para criar.

Paralelamente, ela encontra pesquisadores especializados (historiadores, antropólogos, capoeiristas, etnomusicólogos…) e participa de aulas de dança para alimentar sua pesquisa e sua compreensão da cultura local. Em suma: ela se torna um canal de transmissão para traduzir a essência do seu propósito, no que se tornará a nova obra solo e coreográfica de 50 minutos:

BOW´T-Brasil.

A história sobre o BOW´T TRAIL O BOW´T TRAIL visa retraçar, acordar, reconhecer e valorizar a riqueza do aporte determinante dos povos africanos e afrodescendentes na diversidade cultural do mundo.

De fato, se durante 400 anos, a história foi marcada pelas deportações massivas associadas ao trafico negreiro. Os atos de resistência frente às injustiças resultaram na multiplicação do gênio criativo dessas nações, que tiveram que se recriar constantemente.

Nasceram a Capoeira, o Samba, o Jongo, e outras expressões musicais e de dança;

Tantos vocábulos artísticos que alimentaram o molde fértil de educação para as gerações atuais e futuras.

PRESERVAR O PROCESSO E A MEMÓRIA PELO DIGITAL

Ao mesmo tempo, o BOW´T TRAIL visa a preservar a memória e realçar essa historia.

Já podemos ver exemplos na página do projetos, que tem a parte de memorização digital a cargo da realizadora, Marie-Claude Fournier (Mes États*Nordiques / TV5, Prix Gémeaux 2013) e de Clark Ferguson que atuará com o titulo de diretor de fotografia. Acesse a página do projetos

PRÊMIOS E RECONHECIMENTOS LIGADOS AO PROJETO

Além dessa missão especial durante os Jogos Olímpicos, a coreógrafa recebeu o Grand Prix des Lys de la Diversité du Québec (categoria Relève-2016), pelo engajamento social do BOW´T TRAIL.

Seu projeto se inscreve também nos anais da ” Décennie de reconnaissance internationale des peuples d’ascendance africaine des Nations Unies (2014-2023).

Recebeu o label da Rota da Escravidão da UNESCO e tem o apoio da Comissão canadense da UNESCO.

SITE DO PROJETO : http://www.bowttrail.com //

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