“No Brasil, minhas duas medalhas de ouro valem lata”, afirmou Adhemar Ferreira da Silva ao fim da vida.


 

ADHEMAR FERREIRA DA SILVA – São Paulo – BrasilAdhemar Ferreira da Silva

fonte: página no Facebook ” História Preta Fatos&Fotos

Primeiro Bicampeão Olímpico do país, criou “A Volta Olímpica”, escultor, adido cultural na Embaixada de Lagos, Nigéria. Advogado e Ator.

“Achei a palavra atleta bonita decidi que queria ser um”

Adhemar nasceu em 29 de setembro de 1927, em São Paulo. Filho único de um ferroviário, Antonio Ferreira da Silva, e de uma lavadeira, Augusta Nóbrega da Silva, Adhemar era um negro magro, com pernas que ocupavam 1,08 metro em um corpo com 1,78 metro de altura. Além de ser o único atleta a ganhar para o país duas medalhas olímpicas de ouro em duas edições consecutivas dos Jogos, ele foi também o precursor do tripé vencedor do salto triplo brasileiro, que inclui os recordistas mundiais Nelson Prudêncio (1968) e João Carlos de Oliveira, o João do Pulo (1975).

Sua primeira competição foi no Troféu Brasil em 1947, obtendo a marca de 13,05 metros. É pentacampeão sulamericano e tricampeão pan-americano (1951, 1955 e 1959). Venceu o campeonato luso-brasileiro, em Lisboa em 1960. Foi dez vezes campeão brasileiro, tendo mais de quarenta títulos e troféus internacionais e nacionais.

Adhemar não conseguiu um bom resultado nos Jogos de Londres, ficando apenas em 14º lugar. Mas nas Olimpíadas de Helsinque, na Finlândia, em 1952, quando ele entrou na pista para disputar o salto triplo, não imaginava bater o recorde mundial que na época era de 16 metros, muito menos repetir o feito por quatro vezes na mesma tarde. Saltou 16,05 m, 16,09 m, 16,12 m e 16,22 m. Pela primeira vez, um atleta deu uma volta olímpica na pista, para ser aplaudido de perto pelo público. Antes da prova, ele pediu à cozinheira finlandesa, que conhecera, um prato especial para sua volta: bife com salada. Ao voltar, Adhemar encontrou o prato e um bolo com a inscrição “16,22”.

O Criador da Volta Olímpica

O Brasil esperou 32 anos para celebrar um novo campeão olímpico e ele veio no salto triplo. Adhemar Ferreira da Silva entrava para a história do esporte olímpico do Brasil e inaugurou a dinastia do país que durou 28 anos. Adhemar ganhou a medalha de ouro na prova e quebrou três vezes o recorde mundial. Após a prova ele retribuiu o carinho do público finlandês e deu uma volta pelo estádio olímpico agradecendo o apoio. Surgia assim ‘A Volta Olímpica’

Adhemar costumava dizer que “o homem, quando vem ao mundo, não sabe para o que vem ou para onde vai”. E que por isso, graças ao esporte, ele havia ido longe. “Consegui escapar das drogas e da violência”, comentou.

Não era só um atleta de ponta, quebrou recordes em todos os sentidos. Um atleta-Intelectual, falava 6 idiomas fluentemente. Depois da consagração nas Olimpíadas, estudou Direito na Universidade do Brasil e Educação Física na Escola do Exército (ambos os cursos concluídos em 1968) e Relações Públicas na Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero (1990). Foi locutor da Rádio Panamericana, atual Jovem Pan, de São Paulo e jornalista do Última Hora, também na capital paulista. E até ator, na peça Orfeu da Conceição (1960), de Vinicius de Moraes, e no filme Orfeu do Carnaval, que ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes e o Oscar de Melhor Filme em língua não-inglesa em 1959. Chegou também a exercer a função de adido cultural do Brasil em Lagos, na Nigéria, entre 1964 e 1967.

Curiosidades:
– Em seu retorno ao Brasil, o jornal A Gazeta Esportiva, de São Paulo, promoveu uma subscrição pública para dar ao campeão olímpico uma casa de presente. O Comitê Olímpico Brasileiro, no entanto, advertiu Adhemar de que se ele aceitasse a homenagem poderia comprometer sua carreira olímpica, pois aquilo caracterizaria profissionalismo. O jornal teve, então, que devolver o dinheiro dado a cada um dos contribuintes. Em 1953, nova polêmica: funcionário público de São Paulo, Adhemar teve um pedido de licença para competir no Chile, negado pelo prefeito Jânio Quadros. Acabou viajando assim mesmo, mas perdeu o cargo em um processo administrativo.

Apesar de todos os seus feitos, Adhemar se sentia magoado com a falta de reconhecimento brasileiro. Ainda assim, mesmo com toda a glória internacional, quando morreu, internado em um hospital com problemas pulmonares, no dia 12 de janeiro de 2001, aos 73 anos, Adhemar ainda reivindicava o reconhecimento em seu próprio país.

“No Brasil, minhas duas medalhas de ouro valem lata”, chegou a dizer a VEJA, às vésperas da Olimpíada de 1996, quando a revista reuniu atletas brasileiros do passado e do presente para a foto da capa da edição especial dos Jogos daquele ano.

Aos 66 anos, recebeu o título de “Herói de Helsinque”

Fontes – compilados parcialmente:

http://veja.abril.com.br/…/1-adhemar-ferreira-da-silva.shtml

Anúncios

Um pensamento sobre ““No Brasil, minhas duas medalhas de ouro valem lata”, afirmou Adhemar Ferreira da Silva ao fim da vida.

  1. Pingback: Reflexão sem cólera | Mamapress

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s