Disco Voador está pronto para decolar em Niterói


disco voador 2Fonte: O Globo, Design Rio, 09/maio

No ano em que completa duas décadas de inauguração, o Museu de Arte Contemporânea (MAC), projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, está passando por uma reforma que promete devolver ao prédio o antigo viço e garantir mais resistência ao edifício, um dos ícones de Niterói. Na revitalização, estão sendo resgatados alguns detalhes da construção, como uma iluminação submersa, assinada por Peter Gasper, e instalados equipamentos que deixarão ainda mais à vista a irretocável paisagem da Baía de Guanabara, para quem passa pelo Mirante da Boa Viagem: as grades de metal que cercavam o espaço foram substituídas por vinte e quatro painéis de vidro.
Tombado na sexta-feira pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o museu passou 15 meses em obras e reabrirá no início de junho com quatro exposições e um desfile de moda. Amanhã, os tapumes que escondem o “disco voador” desde outubro serão retirados:
– O MAC é obra de um dos maiores gênios da arquitetura mundial e da arte, mas precisávamos dotá-lo de infraestrutura e acessibilidade compatíveis com a sua importância internacional – explica o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, garantindo que as mudanças ressaltarão a beleza do edifício, sem interferir no conceito idealizado por Oscar Niemeyer.disco voador 3
PROTEÇÃO CONTRA A AÇÃO DO TEMPO
Durante a execução da obra, a ideia foi lançar mão de novos revestimentos e tipos de material que vão proteger o museu da ação do tempo. O prédio recebeu, por exemplo, pintura com tinta PVA branca lavável, que têm partículas de microcerâmica, antimofo e antibactérias.
Segundo a prefeitura, esta é a primeira grande obra no MAC em 20 anos. A falta de manutenção periódica havia deixado marcas que os visitantes percebiam: o carpete cinza tinha pequenos rasgos que causavam tropeços, os banheiros estavam malcuidados e sem acessibilidade, e os vidros da fachada estavam com rachaduras.
O museu também ganhará uma nova recepção e uma lojinha com produtos de arte.
– Não havia problema grave de estrutura, mas descobrimos rachaduras e imperfeições. Quando retiramos o carpete, por exemplo, o piso estava todo desnivelado – conta a arquiteta Ana Paula Simões, responsável por fiscalizar a obra, que custará R$ 7 milhões (R$ 6 milhões da prefeitura e R$ 1 milhão do Governo Federal).
Entre as melhorias, está a nova sinalização, com grafismos geométricos simples, como círculos e triângulos, numa referência ao próprio conceito do “disco voador”. A informação estará em português, inglês e espanhol, nas cores da logomarca do museu: preto, cinza e bordô. A rampa vermelha também foi reformada. Para retirar a tinta antiga, a pista foi fresada, polida e, depois que as imperfeições foram corrigidas com cimento, ganhou nova camada de vermelho berrante, com partículas antiderrapantes.
A iluminação em LED do museu será uma atração à parte: como ocorre em outros monumentos do estado, ele também poderá mudar de cor, conforme a ocasião. O projeto também devolverá as lâmpadas para o espelho d’água.
– Peter Gasper havia desenhado um projeto em que as lâmpadas ficavam dentro do lago. Mas elas queimavam. Com a reforma, isso foi corrigido – comenta André Diniz, diretor da Fundação de Arte de Niterói.
Localizado na Avenida Almirante Benjamin Sodré, o MAC foi inaugurado em setembro de 1996, depois de cinco anos em obra. Com desenho futurista, a estrutura tem quatro pavimentos e acesso principal por uma rampa. Na construção, erguida por 300 operários, foram consumidos 3,2 milhões de metros cúbicos de concreto. O monumento, com 50 metros de diâmetro, suporta ventos de até 200 km/h.disco voador 1
ACERVO TERÁ GESTÃO COMPARTILHADA
No acervo do museu estão guardadas obras de arte contemporâneas do século XX, incluindo 1.200 peças da Coleção João Sattamini. Após a reabertura do espaço, todo o material será renovado e terá gestão compartilhada, com atividades integradas entre o Solar do Jambeiro e o Museu Janete Costa, ambos em Niterói.
O MAC fica a 500 metros de um outro bem tombado pelo Iphan: a Ilha de Boa Viagem, que abriga a Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem e as ruínas de um pequeno forte, erguido entre 1690 e 1702. A construção servia como ponto de observação para a defesa do litoral e o controle de navegação na Baía de Guanabara.
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