O racismo sofisticado da Europa chega ao Brasil


Por Marcos Romão

Tem três dias que chegou às nossas mãos o vídeo-propaganda de um novo “MONSTRUÁRIO 2016”, que pretende ser uma crítica contra as Olimpíadas no Rio de Janeiro feita pelo comediante Rafucko no centro cultural Hélio Oiticica na zona sul do Rio de Janeiro.

Conversei com a equipe do Sos Racismo Brasil, e com vários grupos e pessoas inbox, sobre a situação grave que vivem os jovens negros no Brasil, sobre como a sociedade não se interessa e agora surge um comediante com ares de esquerda e contra o “sistema”, com um “MONSTRUÁRIO”, em que o escárnio com toda uma população, com as vítimas dos esquadrões da morte e da violência policial, suas famílias e amigos é o tom, a palavra e a ideologia da aceitação da violência genocida como natural, e que pode se transformar em um produto para o mercado da morte de forma “divertida”.

Só conheço isto da Europa, onde se grupos nazistas vendem, clandestinamente é claro, bonecos negros para espetarem e relaxarem ao descarregarem seus ódios.

Já posso imaginar, matadores de esquadrões da morte comprando de presente para seus filhinhos sandálias havaianas, com pretinhos estampados para serem pisados.

A nova direita européia, já não se parece com aqueles trogloditas nazistas de filmes americanos. Hoje andam na moda cool, fazem piadas e estão nas redes sociais. Sofisticaram-se e fazem charges alegres de árabes e negros sendo mortos, ou menosprezam as culturas não europeias dizendo que seus profetas são assassinos.

Mas a dor de cabeça e o asco que sinto ao ver e analisar este vídeo, que me lembra depoimentos escabrosos de criminosos que banalizaram seus atos nos campos de concentração da II Guerra Mundial, felizmente vai durar pouco. Não preciso escrever muito. A juventude negra está se levantando e botando a cara prá fora e a boca no trombone.

O articulista Robin Batista escreve  em seu artigo, “A dor negra e periférica como souvenir da esquerda branca“:

“Essa exposição transborda insensibilidade e mostra como a violência policial contra pretos e pobres virou uma carta discursiva escondida na manga dessa esquerda branca, um verdadeiro produto, em todos os sentidos. Fazer uma performance humorística dessa natureza, tratando esse tema tão complexo e doloroso de forma tão vulgar, não é apoiar a causa de quem sofre esses problemas, mas reproduzir um discurso fácil de uma esquerda que já banalizou tanto o genocídio negro nesse país que não tem nenhum problema em falar dele, pelo contrário, até fala fazendo piada. A esquerda branca ainda não vê o povo negro como sujeito vivo, que sente e que pensa. Portanto, pode-se tratar de suas dores de qualquer forma. Parece até que os brancos de esquerda sentem prazer em falar desses problemas, é como se eles se redimissem de sua participação nisso, naturalizando a questão de forma grotesca para banaliza-la e, assim, esconder suas responsabilidades. Agora, imagine se colocassem miniaturas de Judeus num forno e saíssem por aí vendendo como se fosse “arte”? O fato de a esquerda branca enxergar esses dois casos com dois pesos mostra como ela não leva o racismo a sério (porque é sua beneficiária).”

A advogada Laura Astrolábio e meu velho amigo e militante do movimento negro Jose Ricardo de Almeida, me informam que vai acontecer uma manifestação de protesto no Centro Cultural Helio Oiticica.

Estou em paz. Estão sendo agressivos e escarnecedores mas nossa gente está reagindo à altura! Estamos juntos!

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Um pensamento sobre “O racismo sofisticado da Europa chega ao Brasil

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