Racismo da Guarda Municipal armada de Campinas


Nota da Mamapress, aos recebermos do fotógrafo Carlos Junior,  este vídeo feito pelo irmão de Henry Paulino, da vítima de racismo praticado pela guarda municipal de Campinas, consultamos o corpo jurídico do Sos Racismo Brasil. Constataram que em toda a ação existe um constrangimento ilegal da pessoa humana.

Hery Paulino sendo algemado pelo guarda Guzmão

Hery Paulino sendo algemado pelo guarda Guzmão

O  fato de terem retirado Henry de um estabelecimento público, onde ele, o irmão e o enteado eram os únicos negros, e o levarem algemado para uma delegacia, também poderia caracterizar ato de racismo imputável na lei Caó.
Por sorte Henry Paulino teve o socorro imediato do advogado Dr. Eginaldo , seu conhecido, que veio de outra cidade para acompanhá-lo nos depoimentos na delegacia, local em que ficou claro, não ter havido um procedimento correto no atendimento do caso, ao colocarem a vítima da violência policial racista, como autor de algum crime, o ameaçando de prisão e exigindo uma fiança de 5 mil reais.

A Mamapress manifesta, aqui que este não é um caso isolado, que em vários municípios em que deram armas e poder de polícia a guardas municipais, ações racistas como estas se repetem. Um dos exemplos de arbítrio e discriminação racial foi o caso da prisão do também ativista contra a discriminação racial, Dudu, no Mato Grosso do Sul. Leia mais a respeito

A tendência de vários municpios no Brasil, armarem seus guardas municipais e lhes darem poder de polícia, vemos como algo extremanente perigoso e estimulador de atos racistas violentos e até fatais contra a população negra, indígena e pobre do Brasil.

É hora de repensar!

A seguir o vídeo e o depoimento de Henry Paulino no Facebook

Sou Henry Paulino, venho de uma família negra, militante e ativista da cidade de Campinas, onde meu trabalho se constitui principalmente na área cultural da cidade, sou formado em comunicação social, trabalhando com diversos artistas de diversos segmentos. Sou militante e ativista do movimento negro, membro do conselho municipal da comunidade negra de Campinas, e servidor público, atuando na secretaria de cultura a 12 anos.
Neste momento, sinto-me no dever informar o que houve realmente em relação a atitude da GM (Guarda Municipal de Campinas), para que dúvidas não pairem a respeito do ocorrido e muito menos da minha dignidade, que luto com todas as forças para preservar.

No dia 12 de março de 2016 (sábado) por volta das 14h, como de costume, eu e meu irmão James Paulino fomos ao Terminal Central de Campinas, que conta com estrutura para comércio, lojas, salão de cabeleireiro e etc., levando meu enteado, com 13 anos de idade, para o corte de cabelo, no salão que frequento há vários anos.

O garoto (meu enteado) havia cortado o cabelo, eu estava sentado numa cadeira, em um dos boxes aguardando a minha vez, quando presenciei um guarda municipal de arma em punho, circulando pelo local, ele veio em minha direção encostando a arma em meu pescoço, determinando que eu levantasse. Nesta hora questionei do que se tratava e o informei que também sou servidor público e que conheço os superiores dele. O GM Aragão, esse é o nome que ele ostenta, muito agressivo, disse que era para levantar porque “ele estava mandando”. Tudo isso na frente de um grande número de pessoas que estavam no local e da criança que estava comigo. Não vi motivo algum para tal postura, e pedi a ele que chamasse seu superior, ocasião em que o mencionado GM Aragão, solicitou reforço, tendo sido imediatamente atendido com a chegada de, pelo menos, 15 guardas municipais, prontos para enfrentamento e com armas letais e não letais, conforme se vê nas imagens.

Enquanto o GM Aragão clamava pelo reforço, pedi a um amigo que, com meu celular, filmasse o ocorrido, o que, também, reforçou a agressividade do GM Aragão, todavia sem sucesso pois que parte do ocorrido foi documentado em vídeo e áudio, no qual não se nota qualquer ato violento, ameaçador ou algo que o valha; bem ao contrário, o que se vê é a humilhação, constrangimento, ofensa a minha dignidade, a colocação em risco de um número incontável de pessoas presentes, e etc, com a desnecessária utilização de algemas, que, ao que sei só é permitido nas hipóteses de situações extremas, que não era o caso e as imagens dizem por si só.
O que chama atenção é que na fila de espera para o corte de cabelo só estavam duas pessoas negras, eu e meu irmão, e infelizmente não é surpresa nem novidade para nenhum jovem negro, que as abordagens são dirigidas e mais ostensivas justamente contra nós negros e negras, fato este lamentável, mas corriqueiro para a corporação militar em geral, caracterizando mais uma vez o absurdo de gravidade maior: a DISCRIMINAÇÃO RACIAL,

Pois bem, fui levado algemado ao plantão policial, e lá exigiram que assinasse alguns documentos, oportunidade em que, mais um fato ilegal foi praticado, vez que não fui autorizado a solicitar a presença de um advogado, muito embora meu irmão James, que estava comigo o tempo todo, manteve contato com o Dr. Eginaldo Marcos Honorio, de Jundiaí, que prontamente se dirigiu até Campinas e ao exame do Termo Circunstanciado que foi lavrado, postei minha assinatura e assumindo o compromisso de comparecer ao Judiciário assim que chamado.

Minha indignação é porque combato a discriminação racial, luto contra preconceito, enfim contra o racismo propriamente dito, e lamentavelmente senti na pele o que é ser algemado, especialmente sem dever nada a ninguém, pelo simples fato de um guarda municipal despreparado e com recorte racista, notar em mim uma ameaça e quis medir forças em desrespeito até, a tudo o que lhe foi ensinado em treinamento específico, se é que o fez, pois deixa transparecer que não, ou se o foi, não aprendeu nada, posto que enquanto servidor público tem o dever institucional de preservar a vida e ordem.

Ainda estou assustado com o comportamento, apesar de confortado pelos Familiares, Amigos e Amigas e pelo Dr. Eginaldo fico imaginando aqueles e aquelas que não tem instrução alguma são submetidos a esse tipo de humilhação. Custo, inclusive, acreditar que esse seria o treinamento dispensado aos guardas municipais, até porque conheço vários e muitos agem de forma totalmente diferente com cortesia, respeito e energia somente quando necessário.

Por fim, estamos adotando as providencias necessárias, até antes do chamamento ao Judiciário, junto à Corregedoria da Guarda Municipal de Campinas, junto a Secretaria Municipal de Cooperaão nos Assuntos de Segurança Publica entre outros para apuração e instauração de sindicância contra os atendentes da ocorrência, em especial contra o GM Aragão, que inegavelmente, agiu em total desconformidade com o Estatuto do Servidor Público, contra as normas elementares de segurança e tudo o mais.

Agradeço as mensagens de conforto, apoio e aguardem que tão logo tenha mais notícias os manterei informados.

Todos e todas sabem que sou da Paz e sempre serei e lutarei por ela.

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