O COMEÇO DO FIM


Transições anestesiadas

Transições anestesiadas

por Eduardo Papa***

Eduardo Papa

Eduardo Papa

Penso que o discurso patético de lula hoje na sede do PT, marca uma mudança na trajetória de sua estrela, com a repetição da mesma catilinária cansativa de perseguição das elites aos pobres e repleto de bravatas, que a essa altura soam ridículas. A estrela do PT e de seu líder iniciaram o caminho da decadência.
O telejornal vespertino da Globo já demonstrou a dimensão do linchamento que começou, o PT vai experimentar o mesmo processo que o velho PDT enfrentou com Brizola, processo que aliás eles não fizeram nada para deter, ao contrário participaram de maneira oportunista esperando ganhar com o espólio do meu velho caudilho no Rio.
A chamada à mobilização do partido e da militância dos movimentos sociais é um senhor tiro no pé. Talvez o pernambucano citado no discurso, para o qual ele arrumou uma dentadura e a extensa clientela dos esquemas políticos e sindicais que controlam, ainda tenham folego para uma resposta inicial, mas esse chamado à manifestações de apoio pode ser algo como a pífia proposta do Collor quando estava para cair chamando o povo a ostentar verde e amarelo.
Ao contrário quem ganha um novo gás é a extrema direita cujas manifestações estavam mortinhas.
Fazer coincidir a “condução coercitiva” do Lula, com a autorização para processar o Cunha. foi uma jogada genial, coloca todos mais ou menos no mesmo patamar ante a opinião pública. O próximo passo é a Dilma que vai ter que rebolar para escapar da degola, vai sobrar para o Renan Calheiros e que não se animem muito os tucanos, pois não parecem destinados a voar muito alto, enrolados em seus próprios problemas e bastante desgastados. O fim do ciclo petista marcará também o ocaso de seu inimigo siamês.
Com a economia destruída, recessão, inflação e um descontentamento popular crescente, está formado um cenário bem parecido ao final do governo Sarney, resta saber quem será o “caçador de marajás” de 2018, quem o capital vai apresentar para substituir o modelo que está acabando?
Virá uma repaginada pós moderna com a Marina, Natura e cia?
Virá um troglodita oriundo da seara de bolsonaros e felicianos? Quem sabe?
Muita água ainda tem para rolar, mas o perigo é o mesmo que na época da ascensão de Collor, pois com uma crise açoitando suas costas os eleitores ficam desorientados, presas fáceis para alternativas messiânicas que surgem de última hora com grande apoio midiático.

***Eduardo Papa é professor da rede pública e ativista do movimento social no Rio de Janeiro

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