Acarajé, baianos, lava-jato, república do Galeão e Gregório Fortunato


Por Marcos Romão

Salvador, Bahia - Baiana Anelita Conceição Viana, vendedora de acarajé, foto internet

Salvador, Bahia – Baiana Anelita Conceição Viana, vendedora de acarajé, foto internet

Delegados e juízes da Lava-jato devem estar vivendo uma grande crise de identidade. Não apareceu até agora nenhum “neguinho” ou “neguinha” para prender.

Fernando Baiano

Fernando Baiano

À exceção do “Japa”, todos os investigados algemados e todos os delegados e juízes algemadores, mais parecem Clark Kent em produção de Hollywood dos anos 60. São todos super brancos.

Desta vez, ao contrário dos anos 50, não apareceu nenhum Gregório Fortunato, negro guarda-costas de Getúlio, que encarnou todo o mal das almas pretas, para os racistas da época, e foi preso pelos insubordinado oficiais da República do Galeão.

Mas brasileiro é criativo, acharam no delator marrom meio pálido, Fenando Baiano, o preto que faltava. Mas para não dar na vista, resolveram dar o nome “Acarajé”, à operação que tem como um de seus principais  acusados , alguém que vem da Bahia negra. Baixe o pano.

Nota da Mamapress:

Abaixo a nota de protesto do O Coletivo de Entidades Negras (CEN)

NOTA DE REPÚDIO AO NOME “OPERAÇÃO ACARAJÉ” DA POLÍCIA FEDERAL

O Coletivo de Entidades Negras (CEN), organização nacional do Movimento Negro que tem, entre outros temas, a defesa das religiões de matrizes africanas, vem a público apresentar seus mais veementes protestos e repúdio à operação da Polícia Federal batizada de Operação Acarajé. Nada justifica a escolha deste nome e exigimos sua imediata alteração.

O acarajé é alimento sagrado para as pessoas que, em todo o país cultuam os Orixás. Há pouco tempo, na Bahia, o acarajé foi objeto de disputa jurídica entre o povo de santo e os evangélico-pentecostais que queriam rebatizá-lo de bolinho de Jesus para, assim, poder comercializá-lo.

O povo de santo venceu a pendenga apresentando a sacralidade do alimento que é intimamente relacionado à Orixá Oya. Nosso repúdio vem no sentido do total desrespeito religioso a um elemento sagrado do Candomblé, desrespeitando assim, de forma acintosa, toda a tradição e história dessa religião no Brasil.

Afirmamos que Orixá e o povo de santo nada tem com a roubalheira que assola o país. O que repudiamos é ver nossa religiosidade vinculada a uma operação para prender bandidos. Isso, para nós e toda nossa comunidade religiosa, é inaceitável.

Coordenação Nacional do CEN

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