Neguinho do Samba: O samba-reggae. A escola popular Olodum


Neguinho do Samba durante a gravação do Clip com Michael Jackson em salvador

Neguinho do Samba durante a gravação do Clip com Michael Jackson em Salvador

por Marcos Romão

Neguinho do Samba ou Antônio Luiz Alves de Souza, 1955-2009 morreu prematuramente de saúde, ou para escurecer melhor a história, faleceu depois de voltar com dores no peito do ambulatório médico onde lhe prescreveram calmantes, como de praxe, ao invés de ser encaminhado para exames que constatassem a urgência de tratamento. São incontáveis o número de amigas e amigos negros que deixei para trás na travesseia dos 50 anos de idade. Morreram prematuros do desleixo no atendimento à nossa população, negra principalmente.

Ao publicar no Cultne Acervo em 2010. o vídeo clipe dos bastidores da produção do clipe da música “They don´t really care about us”, de Michael Jackson, na Bahia, com participação especial do Olodum gravado em 02 de fevereiro de 1996 por Adauto e Vik para Enugbarijô Comunicações, Asfilófio Filho, o Dom Filó, deve ter vislumbrado a importância de uma “imprensa” negra, para que toda uma história da cultura Brasileira nunca fosse esquecida.

Dos anos 70 para cá, primeiro algumas pessoas e agora milhares de negras e negros no Brasil e no mundo. “fazem” uma outra imprensa, que retrata um mundo que influencia todas as culturas, mas que não aparece nas telas e nas letras da grande imprensa brasileira. Todos seguem o Jornal Quilombo, lançado no final dos anos 40. Hoje com as possibilidades de registros onlines, o Movimento Negro revela-se um baluarte no Movimento Socia, ao no trazer sem grandes recursos, um acervo para todos, do que recolheu-se de informações nos últimos 50 anos, e que se não fosse o “nós por nós”, ficaria como uma história esquecida, ou no máximo contada como “folclore” por pesquisadores brancos.

Neguinho do Samba emerge de todo um caldeirão cultural cozinhado no Pelourinho e nas periferias de Salvador. É Ilê ya ê, é Muzenza, é Olodum e tantos outros centros de cozinhamento e produção cultural do novo pelo povo e para o povo.

Lino de Almeida, Vovô, Cristina Ramos, João Jorge, Bira Reis, e não vou aqui escrever todos os nomes para não cometer falhas, foram exemplos de pessoas que conheci nas décadas de 70/80, em minhas “visitas políticas” à Salvador, como ativista negro, que permitiram politicamente o crescimento e explosão de vida, do já nascido gênio musical Neguinho do Samba. Como Neguinho, tem muitos outros e outras que hoje estão fazendo sucesso pelo mundo afora, mas principalmente estão vivos, num país em que “Eles não cuidam de nós”.

Conheci Neguinho do Samba em meados dos anos 80, mas foi somente tempos depois do sucesso mundial de “Eles não cuidam da gente/They Don’t Care About Us” com Michael Jakcson, foi que tivemos a oportunidade de conversar sossegados por uma hora. Com a jornalista alemã Nina Hellenkemper, o sequestramos numa tarde calma de meio de semana no Pelourinho e o levamos para uma igreja vazia. Lá com um gravador DAT da rádio alemã, que era o último tipo prá época, entrevistamos Neguinho do Samba e seu atabaque.
Neste momento mágico ele nos revelou o segredo do Mestre que revolucionou a batida do samba, que hoje inspira todas as escolas de samba e “batidas musicais” do Brasil e do mundo, e “representeou” ao samba, a sua agressividade perdida com a bossa nova.

Perguntado sobre que energia é essa, que tira do couro do atabaque a criação do novo ancestral? Neguinho respondeu na lata, com a sua famosa economia de palavras:

” Isto é conversa para boi dormir, esse negócio de energia, o negócio é bater e tirar o som. Isto aqui é couro de boi, boi que a gente come, só isso”. (Escute a partir do minuto 6:20)

Entrevistamos o Neguinho do Samba quando ele já havia saído do grupo para ajudar na fundação da “Banda de Mulheres Dida”, onde “Dida” significa, ” o poder da criação. Neguinho do Samba era uma espécie de Che Guevara visionário na miríade musical baiana. Não sossegava nem os pés nem as mão, era um Mestre da revolução permanente e passou antes de morrer o seu bastão para as mulheres, e hoje podemos ver Bandas de Mulheres nas Oropas, Franças e Bahias seguindo a trilha de Neguinho do Samba. São os milagres da vida, para quem nunca primou em vida por ser pouco machista.

Um pouco de seu histórico internacional de Neguinho do Samba, que não gostava de sair da Bahia, mas o mundo vinha até ele.

Metade do mundo musical passou em Salvador a partir da década de 80, Paul Simon foi também encontrar esta magia simples com Neguinho do Samba:

Jimmi Cliff rodava por lá o tempo todo:

 

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