A Zika pré-condenada na imprensa alemã: esqueceram o subjuntivo


Comentário de   Gabor Paal & Susanne Paluch

Tradução Marcos Romão

Quando jornalistas noticiam sobre um caso criminal, é o dever usar o conjuntivo – pelo menos até a sentença. Enquanto não há criminosos – apenas “suspeitos”.

Infelizmente, muitos jornalistas são por demais relaxados quando se trata de epidemias globais, tais como o vírus Zika: Conjecturas são apresentados como fatos verdadeiros de forma repetida, e quase sempre em tom histérico.

Está longe de estar esclarecido o quanto os agentes patogênicos realmente são perigosos para grávidas; não sabemos se e qual a frequência que o vírus provoca a deformidades no feto enquanto está no útero. A maioria dos virologistas acreditam sim, que Zika, em alguns casos, é responsável pela chamada microcefalia – ou seja, que os bebês de mães infectadas nascem com cabeças muito pequenas e deficiência mental e intelectual.

4.180 casos suspeitos haviam sido notificados pelas autoridades de saúde brasileiras inicialmente. Casos de suspeitas que se frise – mas apenas alguns noticiários apontaram para o fato de serem “suspeitas”. Teve até relatos de algumas agências de notícias que a partir de 4.000 casos de suspeitas, transformaram rapidamente em 4.000 bebês doentes.

Alexander Kekulé

Alexander Kekulé

O virologista Alexander Kekulé avisou com antecedência sobre o “Conto dos 4000 bebês deformados”; em um comentário on-line no jornal Die Zeit, ele apelou para a calma.

Enquanto isso, apesar do Brasil ter desmentido centenas de casos – os meios de comunicação simplesmente ignoraram. Da mesma forma,, não publicaram o fato de que, até agora foram detectados em apenas 17 crianças com má-formação no nascimento, que o vírus da Zika pode ser comprovado.

O que eu senti falta na maioria das notícia, foi uma avaliação crítica dos números: Quase ninguém noticiou que os médicos do Brasil estão atualmente em estado de alarme e passaram a notificar o nascimento de crianças saudáveis, que apresentam pequenas cabeças. Além disso, o ultra-som usado normalmente no útero é considerado propenso a erros.

Mesmo os números comparáveis supostamente seguros de anos anteriores é bastante digno de discussão: Existiriam cerca de 150 crianças com microcefalia antes da epidemia Zika, dizem os relatórios. Mas, até recentemente, não existia no Brasil a exigência de notificação médica para microcefalia – provavelmente há um elevado número de casos não notificados.

Se comparado com os números dos EUA, existiria no Brasil, mesmo sem Zika, anualmente várias centenas, possivelmente, até mesmo significativamente mais crianças nascidas com esta má-formação rara. Além de defeitos genéticos e álcool e abuso de drogas e desnutrição podem causar deformidades.

Portanto, não é nem mesmo certo que tenha havido um aumento dramático de crianças doentes – e aí está o ponto fulcral sobre este tema. Exatamente em 28 de janeiro, um artigo publicado na “Nature” apontou: ” Curiosamente, não aparecem na imprensa alemã em nenhum lugar, as preocupações e dúvidas listadas por especialistas latino-americanos.

Espero que nos próximos noticiários, exista um pouco mais de ceticismo, inclusive com números oficiais – e que os jornalistas retornem ao subjuntivo, quando se trata de suspeitas ainda não confirmadas.

Margaret Chan

Margaret Chan

Mas a Organização Mundial da Saúde respondeu exageradamente sobre a epidemia Zika. Os guardiões da saúde em de Genebra estão sob enorme pressão, que foi demonstrada na rápida proclamação de uma emergência global.

Com a Ebola, a OMS hesitou e sua tática de empurrar problemas com a barriga ficou sob bombardeio maciço. Por isso agora com a Zika, tudo tinha que acontecer muito rápido – muito rápido.

É claro, a busca deve ser concentrada na busca por uma vacina. E é importante combater de forma sustentável, o mosquito “tigre egípcio” que transmite o vírus Zika. Mas para isto não precisa de nenhuma emergência de saúde global.

Dias antes da proclamação da OMS, os Estados Unidos e o Brasil já haviam entrado em acordo para o desenvolvimento conjunto de uma vacina; Também começou um controle do mosquito em grandes áreas.

Pelo menos um efeito positivo poderíamos ter do “Modus Pânico”, acionado pela OMS:

Talvez seja graças a campanhas mundiais, que finalmente o mosquito tigre egípcio será controlado. Mosquito que transmite também o dengue e febre amarela, que causam dezenas de milhares de mortes.

Estas doenças tropicais ameaçam muitas mais pessoas do que o vírus Zika – Este é o fato que está completamente esquecido devido à excitação dos últimos dias.

Exército Brasileiro

Exército Brasileiro

Nota da Mamapress: Subjuntivo para jornalista também existe no idioma português.

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