Nem tudo que não é proibido é correto. José Dirceu: Um depoimento diverso do “Nada a declarar”, cunhado por Armando Falcão.


Depoimento de José Dirceu na íntegra.

por Marcos Romão

foto da internet

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Considero que independente das opiniões diversas, este vídeo  é um documento inovador na forma que traz ao público em geral, informações em fonte primária, que mostra em parte,  como funcionaram os mecanismos e as relações de poder em um período da história de nossa República, que não é muito diferente dos períodos anteriores e atual.

Acostumados que estão, os cidadãos  da nação, em só tomarem conhecimento de decisões tomadas ou julgadas pelos articuladores e operadores do poder, considero o depoimento de José Dirceu, um excelente precedente para compreensão e julgamento por parte do público, não só de suas ações individuais, como também de todo o círculo de poder, que decidiu e decide os destinos do país.

Este depoimento público é uma inovação desde o famigerado “NADA A DECLARAR”, cunhado pelo de triste memória, falecido ministro da justiça na ditadura civil – militar, Armando Falcão.

É experiência dos povos, que falar de um passado silenciado, que opera no presente, é sempre difícil da primeira vez. A Alemanha levou 45 anos para iniciar, com a queda do muro, ao abrir todos os arquivos, a conversar sobre o seu verdadeiro passado. A Argentina, nossa irmã e vizinha levou menos tempo para botar para fora todos os podres acumulados durante e após a ditadura militar.

O depoimento público e viralizado de José Dirceu, é algo novo no Brasil. Um político com trânsito no poder, fala e ao vivo.    Não são memórias ditadas para um jornalista.

Sem pré – julgamentos, considero este ato em si, este depoimento, um início do descascamento da tinta de uma parede de uma casa chamada Brasil, que está abandonada e em estado precário. Muita gente à direita e à esquerda, tem o que falar em nossa “República do Silêncio”.

Ao ler as memórias de Geisel, na série de livros sobre a ditadura, escrito por Elio Gaspari, Zuenir Ventura comentou:  “Éramos inocentes e não sabíamos”.

Ele se referia ao total desconhecimento que todo o povo brasileiro, inclusive seus intelectuais e jornalistas de oposição, tinha das lutas internas de poder dentro da ditadura civil – militar.

Com este depoimento, para o bem o para o mal, nenhum de nós poderá dizer, não sabíamos. E a inocência ou a culpa passa a ser uma responsabilidade política coletiva. É assim numa democracia. tudo que se cala é suspeito e, inocência só se prova à luz do dia. Nas ditaduras, todos saem culpados do porões com luz fosca.

Somos uma república silenciada desde 1889, esquecemos de abrir a boca em 1988. Corrupção, compadrio, patrimonialismo, enriquecimento ilícito, violência nas cidades, intolerâncias e racismo, cresceram de forma epidêmica em nossa república, através do jeitinho silencioso operado e consentido desde cima até embaixo.

Vejo neste depoimento a chance de cada brasileiro botar as cartas na mesa. É um início. Só isto. Mas pode ser um salto quântico para compreensão que todos temos responsabilidade por nosso país, que nem tudo que não é proibido é correto e, que não podemos passar procuração, nem dar cheque em branco, por simpatias e expectativas, de que alguém irá fazer o melhor por nós.

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