Morre Mauro Dias, Niterói dos 70 e Brasil de hoje perdem um pensador iconoclasta


 

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por Marcos Romão

Conheci o Mauro Dias nas Rodas de Poesia de Niterói nos anos 70. Ele era sempre um pouco mais velho que nós, apesar de não parecer(só hoje sei que ele é 4 anos mais velho que eu). Mauro tinha um fleugma no olhar, e se me lembro fumava como se portasse uma piteira, que não agradava à esquerda clássica que frequentava o cinema da Uff, os bares universitários e as rodinhas “mais revolucionárias” no sentido clássico. Creio que era sua atração pelo novo que o fez se aproximar da turma, de “desbundados” que despontou na Uff e periferia nos anos de chumbo.

Esta é uma parte de minha memória do meu amigo Mário Dias. Estou com você em Niterói e tomarei um chá em sua homenagem onde era o Pé de Pato, na rua Miguel de Frias. Asé!

O anúncio de sua morte saiu na Folha de São Paulo

Nome importante da crítica musical brasileira, o jornalista Mauro Dias morreu neste domingo (31), aos 66 anos, em São Paulo, onde morava.

Ele sofria de câncer de esôfago e estava internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital Dom Antônio de Alvarenga, no bairro do Ipiranga, segundo a mulher, Cristina Vecchio.

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Em uma carreira de quase 40 anos dedicada à música, Dias trabalhou para os jornais “Última Hora”, “O Globo” e, por cerca de 15 anos, para o “O Estado de S. Paulo”, onde permaneceu até 2004. Em seus textos, sempre procurou dar espaço a artistas independentes.

“Se eu comento o disco novo de Caetano Veloso, nada muda na vida (ou na obra) de Caetano Veloso. Se eu comento o disco, por exemplo, de Ilana Volcov (…), ajudo a torná-la um talento indiscutível, um pouco mais conhecida do que ela é”, escreveu em seu blog, em 2010.

Foi assim também em seus últimos anos, quando se dedicou à produção musical e à já extinta loja Mauro Discos. na Barra Funda. No lugar, dava preferência a trabalhos de músicos de pouca repercussão. “Chegavam lá com caixinhas de CDs debaixo do braço. Se ele ouvisse e gostasse, vendia”, conta Cristina.

Frequentadores podiam ouvir os discos em discmans espalhados pela loja e assistir a shows em um palco batizado de Mauro Noites —como também era chamado o jornalista, por causa de seus hábitos noturnos.

Costumava negar, lembra a mulher, avaliações pessimistas sobre a música brasileira. “Os talentos estão aí, a gente é que não sabe procurar”, dizia.

Dias deixa quatro filhos e duas netas. O velório será no fim da tarde desta segunda-feira (1º), no cemitério da Vila Mariana, e a cremação na Vila Alpina, nesta terça (2), às 11h.

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Um pensamento sobre “Morre Mauro Dias, Niterói dos 70 e Brasil de hoje perdem um pensador iconoclasta

  1. Grande Mauro Dias, não comprava vitrola /toca discos sem antes ouvir em que tom a madeira soava. Fleumático, ponderado, com aquele cigarrinho desgraçado na boca, via meus desenhos por traz da fumaça ,com olhar de sábio dizia – debochado e com muito carinho : “você é meu ilustre ilustrador”.

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