A tortura saiu dos porões no Rio de Janeiro.


A tortura saiu dos porões no Rio de Janeiro.
Por Marcos Romão

Grafiteiros agredidos na Saara prestaram depoimento nesta quinta-feira Foto: Caio Barbosa / Agência O Dia

Grafiteiros agredidos na Saara prestaram depoimento nesta quinta-feira
Foto: Caio Barbosa / Agência O Dia

As milícias tomaram conta do centro e da zona sul do Rio de Janeiro. (Nas outras regiões já são donas faz tempo).
Nos últimos meses temos recebido notícias preocupantes, sobre o comportamento da guarda municipal do Rio de Janeiro e seu trabalho conjunto, com seguranças e vigilantes com financiamento privado, em que a maior parte dos engajados são policiais em seus dias de folgas.
Criou-se com isto uma situação em que ninguém mais sabe quem é quem, quando circula de dia ou de noite pelo centro e zona sul da cidade.
Tem duas semanas 2 conhecidos meus, negros, que moram no Flamengo, se depararam com uma situação digna de interior do faroeste.
Os dois voltavam às 4 da tarde de uma caminhada no aterro, quando um carro da guarda municipal, quase os atropelou ao subir na calçada.
Eles reclamaram e a veraneio cheia de homens parrudos, deu marcha ré em direção a eles com os pneus cantando.
Esqueci de dizer, um dos meus amigos tem mais de 50 anos e o outro passa dos setenta e tem dificuldade de caminhar. São de classe média, um trabalhador e outro aposentado.
Depois de escutarem, “o que que tá pegando”, vindo de vozes por trás de cassetetes balançando das janelas da veraneio, resolveram sair pela tangente calados e foram ao comando da guarda dar queixa.
Quando lá chegavam, os “seguranças educados” estavam estacionados na porta. O “chefe” prometeu apurar, apesar dos “guardas” educados estarem ali pertinho e não ser necessário apurar nada, apenas chamá-los.
Meus amigos voltaram para casa com a certeza que estavam diante de um bando de capangas sem comando, e que escaparam de uma boa, por estarem à luz do dia.
Notícias que saem nos jornais são mais desabonadoras ainda. Uma advogada negra é destratada na 5ª DP, por defender uma uma pessoa ameaçada pela “Lapa Presente”. Outro advogado é torturado também na 5ª DP depois de ser “capturado” pela PM e Guarda municipal.
A sensação que todos temos é que o perigo vem exatamente de quem nos deveria proteger do perigo.
Agora temos a tortura escancarada de três jovens (não precisamos nem dizer a cor), filmada e distribuída nas redes sociais via whatsapp, por milicianos, que até agora não temos informações se fazem parte dos quadros da polícia oficial.
Depois do assassinato de 5 jovens com 111 tiros em Costa Barros, uma comissão de negros representantes de entidades negras do RJ, esteve com o governador Pezão para cobrar o controle de sua polícia e suas variantes. Estive também presente.
O governador falou que estava ciente da gravidade da situação e que convocaria a sociedade civil e até o bispo para fazer uma cruzada contra a violência. Já lá se vão semanas e ficamos surdos diante de tanto silêncio por parte das autoridades.
Quem passa no centro do Rio durante o dia, da Uruguaiana até o Saara, e vê guarda municipais, comandados por pessoas em roupas civis, roubando ou achacando camelôs, pois as “apreensões” oficiais não tem controle, chega também à conclusão que o prefeito Eduardo Paes deixou os bichos soltos e também pode imaginar que o que fazem diante de testemunhas durante o dia, deve ser muito mais terrível durante a noite.
Todos os órgãos públicos e privados de segurança dizem que não tem responsabilidade pelas ocorrências de violência de seguranças, vigilantes, pms, milicianos, policiais civis, ou de gente que é tudo isto ao mesmo tempo, ou seja, policial, segurança, vigilante, miliciano e acima de tudo BANDIDO com a proteção e beneplácito do Estado.
Agora tem um vídeo, que pasmem, foi feito por eles, os torturadores mesmos para mostrarem para suas esposas, filhos, parentes e amigos e dizerem:
“Olha aí, minha gente como é divertido o meu trabalho. Olha aí como é gostoso torturar e porrar quem passa pela minha frente. Eu posso matar quem olhar pra minha cara!”.

Tortura durou uma hora Jovens tiveram corpos pintados com tintas spray e foram agredidos com barra de ferro Foto: Reprodução Vídeo

Tortura durou uma hora
Jovens tiveram corpos pintados com tintas spray e foram agredidos com barra de ferro
Foto: Reprodução Vídeo

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