Ela quis me matar com facão. Ela gritava: “Preto no meu prédio não mora”.”Todo preto tem que morrer”.


Claudia da Silva Chaves, de 47 anos, é uma pessoa de paz, não gosta de falar de racismo, em depoimento para o jornal Extra, Cláudia afirma, “que nunca dei confiança pra esse tipo de coisa, eu sou mais que isso. Fico até chateada com esse sensacionalismo sobre racismo, acaba desviando a atenção da violência maior que está no mundo. Mas fiquei de saco cheio de ser sempre essa mesma história.”

A atitude cordata e até desavisada sobre o racismo e atuação de pessoas racistas atualmente no Brasil, quase lhe custou a vida no início do ano de 2016.  Ela agora acusa a moradora do apartamento abaixo, Clarice Barbosa Petereit, de 61, de tê-la atacado com um facão tentando matá-la, além de ter proferido ofensas raciais no que foi de fato uma tentativa de assassinato racista.

Cláudia relata em gravação para a televisão e também enviada em áudio para o Sos Racismo Brasil, que a vizinha a atacou com um facão, e que se ela não tivesse levantado o braço, ela teria sido atingida no pescoço, pelo golpe desferido por sua vizinha, Clarice Barbosa Petereit, com um  facão de cortar cana. Segundo Cláudia, foi graças à sua amiga de moradia Lisa Berardo, que a defendeu, que não aconteceu uma fatalidade.

agressora 9

Agressão racista em Ipanema-foto mamapress-privado

Para sua amiga Luisa Berardo,  que morava com ela e  se mudou temendo pela própria vida, o que aconteceu foi uma tentativa de assassinato premeditado: “Ela se vestiu a caráter, como uma guerreira armada de facão de cortar cana, e foi prá cima de Cláudia gritando que “preto tem que morrer”.

Para Luisa, foi graças a um esforço sobre-humano que ela conseguiu que a faca que estava na mão da agressora caísse no chão, pois ela continuava a atacar Cláudia já caída.

“O atendimento da polícia foi todo errado” relata Luisa, “pois os policiais que chegaram chamados pelos vizinhos não foram os mesmos que as acompanharam ao hospital, onde foram atendidas pelo policiais no local como agressoras e não como vítimas”.

Claudia relatou que já faz um tempo em que a vizinha agressora apesar de morar no térreo, largava frequentemente  seu lixo na sua porta no terceiro andar. “No dia primeiro foi a gota d´água, peguei o lixo deixado pela vizinha Clarice na minha porta, e levei lá prá porta dela. Foi quando ela subiu aos gritos de “preto tem que morrer”, empurrou minha porta  entrou na minha sala com um facão na mão e me atacou. Levantei os braços e fui ferida na mão.
Luisa Berardo complementou, dizendo que a agressora Clarice Barbosa Petereit, já dentro do apartamento de Cláudia,  depois de tê-la ferido, também a feriu no braço com o facão, enquanto tentava defender Cláudia.

Luisa Berardo prosseguiu, “foram momentos de terror dentro de casa, Clarice Barbosa Petereit cortou o fio do telefone e gritava, que elas iam morrer sem testemunhas”. “eu então me agarrei nela enquanto Cláudia se esvaia de sangue no quarto, e o facão caiu e eu chutei para longe. Corri para estancar o sangue que jorrava da mão de Cláudia e a Clarice gritava, “me dá meu facão”. Cláudia desesperada, precisando de socorro e já quase desmaiando, chutou o facão para que Clarice fosse embora.

O relato de Luisa prossegue: “Quando Clarice Barbosa Petereit saiu, ela ainda embarreirou a porta do apartamento com um armário muito pesado que estava no corredor do lado de fora e só depois de muito esforço nós duas conseguimos sair do apartamento”.

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Luisa Berardo disse para a Mamapress que foi racismo o tempo todo. Que quando elas chegaram embaixo do prédio para buscarem um táxi, a agressora já lá estava demonstrando prazer em ver as duas no desespero pois nenhum táxi parava e a ambulância chamada pelos moradores, não chegava. Alegou também que a polícia as tratou como agressoras e que enquanto ela aguardava no hospital Miguel Couto por sua amiga ferida e também para ser tratada pelo corte que também recebeu, veio um cabo que tentou lhe dar voz de prisão.

O Depoimento de Luisa Berardo para a Mamapress:

Meu nome é Luisa Rabelo Iglesias do Bomfim, tenho 29 anos e no dia 1 de janeiro quando estava voltando para casa da praia após o ano novo me deparei com lixo por todo corredor do prédio em que residia com a minha amiga Claudia da Silva Chaves e sua família no bairro de Ipanema na Rua Alberto de Campos numero 136 apt 301.

Entrando em casa Claudia me vira nervosa e fala que novamente a vizinha de baixo jogou lixo na nossa porta e que não aguentava mais, quando eu estava varrendo o lixo da escada a vizinha me aparece paramentada para matar, com um facão de munição.

A vizinha começou a nos  atacar fisicamente e verbalmente com frases como: “Preto no meu prédio não mora” e “todo preto tem que morrer” e ” lixo que todo preto merece “.

Claudia foi atingida no pulso um corte profundo e eu no braço. Quando tentava socorrer a minha amiga ensanguentada e quase desfalecendo ali na minha frente. Clarice a vizinha não me soltava e falava que só iria me soltar se ela saísse com o facão com ela que eu havia conseguido tirar de sua posse.

Claudia desesperada chutou o facão de volta para que Clarisse pegasse e esta ainda dentro de nossa casa desconectou os fios do telefone, e quebrou o telefone, não satisfeita ela ainda derrubou um armário para embarreirar a passagem falando que iríamos morrer ali sem socorro!

Consegui abrir a porta e afastar o armário para descer com a Claudia que sangrava muito, saímos do prédio e ao pressionar os pulsos da Claudia.

A polícia chegou ao local avisada por vizinhos. Clarice do lado de dentro do prédio assistia a tudo com muito sangue frio. Nunca vou esquecer a face dela de satisfação ao ver a Claudia desfalecendo ali.

A polícia nos colocou na viatura para correr para o Miguel Couto. Enquanto isto Clarice estava  indo para a delegacia prestar queixa contra nós.

Ao chegar na delegacia perguntei se ela estava presa sendo que foi flagrante e fui comunicada que ela foi por livre espontânea vontade para a delegacia e que não teve flagrante.

A polícia ficou me acompanhando para todo lado no Miguel Couto como se nós fôssemos as culpadas e não a senhora Clarice.

Eu quase recebi voz de prisão enquanto minha amiga estava quase morrendo numa sala médica. Eu não tive o tratamento adequado como tomografia e,  meu braço que precisava de pontos nem isso teve.

Clarice se auto cortou e foi ao Copa d´Or, para em seguida prestar queixa na delegacia do idoso.

Minha amiga passou por duas cirurgias no pulso e corre o risco de perder o movimento dos dedos.

Eu saí do prédio não moro mais lá, temo pela vida da minha amiga e de sua família, porque uma coisa é certa, Clarice não é louca. Ela sabia o que estava fazendo e pela veste paramentada já estava planejando isso!

Estou com a meu ligamento torcido, sinto dores na coluna uma cicatriz horrível no braço e minha amiga dores terríveis no pulso e Clarice continua livre para fazer o que quiser e bem entender!

 

 

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