Corpo de Antônio Pompêo será sepultado em Rio Preto, SP.


Nota da Mamapress

A militante negra Dulce Pereira, natural de Rio Preto, terra de Antônio Pompêo, está em contato com a Mamapress.

Ela nos informou que está desde ontem com a família de Pompêo, participando em nome de todos os seus amigos e amigas e do Movimento Negro do Brasil, no apoio à família na organização do enterro de Antônio Pompêo.

Todos nós nos sentimos confortados pela presença de Dulce Pereira em Rio Preto e,  nos despedimos deste grande pessoa humana, que foi o militante negro, ator, artista plástico e propulsionador de mudanças nas relações raciais do Brasil. Mudanças para melhor, que ele mesmo não pode gozar, pois os inovadores costumam ser punidos por sua revolta contra o status quo do racismo à brasileira, com o ostracismo que lhes impedem de trabalhar.

Artistas negras e negros, que hoje têm um espaço de trabalho, mesmo que mínimo, na grande mídia e televisão , têm muito a agradecer a homens e mulheres como Antônio Pompêo, que passaram sua vida profissional lutando contra o apartheid que domina o meio televisivo e artístico no Brasil e por isso foram sacrificados.
No Rio de Janeiro, está sendo organizada uma homenagem de 7º dia para Antônio Pompêo. Manteremos nossos leitores informados.

O Diário da Região, da cidade de Rio Preto, noticiou o acontecimento.

O corpo do ator Antônio Pompêo será sepultado em Rio Preto, sua terra Natal, na manhã desta quinta-feira, dia 7, no Cemitério São João Batista.

Antônio Pompêo

Antônio Pompêo

A informação foi confirmada ao Diário pelo irmão do ator, o aposentado Oscar Pompeo. O ator, que foi encontrado morto em seu apartamento em Guaratiba, zona oeste do Rio de Janeiro, na tarde de terça-feira, será enterrado no jazigo da família, junto da mãe, Sebastiana Pompeo.

Segundo o irmão do artista, não haverá velório, mas sim uma breve cerimônia antes do sepultamento, prevista para às 8 horas. O aposentado disse que ainda não há informação sobre a causa da morte. O corpo do ator deve ser transladado para Rio Preto ainda nesta noite. Ele foi encontrado depois que uma vizinha e amiga estranhou o seu sumiço desde o fim de semana e acionou a Polícia Militar. “Ainda não caiu a ficha, era meu irmão caçula, sempre pensei que seria ele quem iria me enterrar. Infelizmente aconteceu o inverso.”

Pompêo, que tinha 62 anos, começou a carreira artística no teatro amador, ainda na juventude, em Rio Preto. Depois, seguiu para São Paulo. O artista fez inúmeros trabalhos no cinema e na TV. Atuou em novelas, como “O Rei do Gado”, “Mulheres de Areia” e “Fera Ferida”, e minisséries. Um de seus personagens mais marcantes no cinema foi Zumbi, no filme “Quilombo”, de 1984, dirigido por Cacá Diegues.

Seu último trabalho na TV foi em 2012, em “Balacobaco”, na TV Record. O artista também teve um importante trabalho de militância no movimento negro, sendo um dos nomes que ajudaram a abrir as portas para atores negros na dramaturgia brasileira. No Facebook, foram várias as manifestações de pesar de amigos, familiares, colegas de trabalho e admiradores.

“Antonio Pompêo morreu. Um dos mais brilhantes e fundamentais atores brasileiros na árdua batalha pela consolidação e valorização da arte negra no país sai de cena para também virar constelação lá no infinito. Para a nossa tristeza (e não supresa), a perda é noticiada de forma tímida e pouco relevante. Nos principais telejornais nem uma única menção sequer. Nos sites e portais de notícias, registros protocolares. Antônio Pompêo, para que não nos esqueçamos, foi um dos que alicerçaram o caminho para que nomes como Thaís Araújo e Lázaro Ramos pudessem brilhar hoje como protagonistas de novelas e séries de TV”, escreveu o jornalista e pesquisador carioca Vagner Fernandes.

“Grande artista, grande rio-pretense, ex-funcionário da antiga Folha de Rio Preto, excelente ativista pelos direitos sociais dos negros brasileiros”, declarou o poeta rio-pretense Manoel Messias Pereira.

“Pompêo foi um grande ator mal aproveitado. Não teve o grande reconhecimento que merecia e acho que morreu de tristeza. Tínhamos uma relação que não tinha nome. Eu era namorada, mãe, madrinha, tudo ao mesmo tempo. Pompeo foi um grande amigo, companheiro, irmão… Meu amigo estava recluso, deprimido com a falta de oportunidades de trabalho… Essa é a realidade”, escreveu na noite de terça-feira a atriz Zezé Motta.

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