Tributo à Joel Rufino dos Santos


Historiador Joel Rufino dos Santos-foto Januário Garcia

Historiador Joel Rufino dos Santos-foto Januário Garcia

Tributo ao historiador e militante do Movimento Negro Joel Rufino dos Santos, produzido pelo Cultne. O singelo audiovisual tem imagens de Vik Birbeck, Ras Adauto e Filó Filho, texto do escritor Nei Lopes, narração de Carlos Alberto Medeiros e performance de dança de Murah Soares. A iniciativa partiu da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro quando na oportunidade o vídeo foi exibido durante o evento de entrega aos contemplados com o Prêmio Afro Fluminense de 2015 em Madureira, na Casa de Jongo da Serrinha em dezembro de 2015, zona norte da cidade do Rio de Janeiro.

TEXTO DE NEI LOPES
“A literatura produzida por afrodescendentes no Brasil vem tanto de escritores que construíram/constroem obra reconhecida mas di­vor­cia­da de ­suas ori­gens ancestrais, quanto de outros que utilizaram/utilizam sua criação como arma ou instrumento na luta contra o racismo e a exclusão. Estes são aqueles escritores “cujo discurso penetra nas brechas e fissuras do Sistema”, como escreveu o próprio Joel Rufino, na apresentação do livro A lei do Santo (Rio, Ao Livro Técnico, 2000), de Muniz Sodré.
E mais: nestes, cujo fazer literário parte de um compromisso político e existencial, a escrita há de trazer as marcas do sofrimento que a discriminação lhes causa ou causou, conforme acentuou alhures a afro-americana Toni Morrison, citada pelo antologista Eduardo de Assis Duarte em mensagem a nos dirigida. Pois a escrita de Rufino pertence a este naipe.
Então, se acaso lhe for perguntado sobre um “Nobel” entre os grandes escritores afrobrasileiros de hoje, diga que ele existiu, sim. Múltiplo. No corpo preto e franzino de um velho menino do subúrbio carioca.
E se for mesmo inevitável buscar nossas referências lá fora, digam que no pensamento deste inexcedível Joel conviveram em paz as energias de George W. Williams, o primeiro grande historiador afro-americano, e Carter G. Woodson, o pai da História negra em seu país; mais as de W.E.B. Dubois, o luminar da intelectualidade negra no século 20; de Richard Wright, pioneiro do romance de denúncia contra o racismo; James Baldwin, Amiri Baraka… E diversos outros.
Por isso, Joel Rufino, recentemente falecido, já é uma grande saudade.”

JOEL RUFINO DOS SANTOS
É filho de pernambucanos,e nasceu no ano de 1941 em Cascadura, subúrbio carioca. Desde criança se encantava com as histórias que a sua avó Maria lhe contava e as passagens da Bíblia que ouvia. Junto com os gibis, que lia escondido de sua mãe, esse foi o tripé da paixão literária do futuro fazedor de histórias. Seu pai também teve um papel nessa formação, presentando-o com livros que Joel guardava em um caixote.Já adulto, foi exilado por suas idéias políticas contrárias à ditadura militar então em vigor no país. Morou algum tempo na Bolívia, sendo detido quando de seu retorno ao Brasil (1973).

Doutor em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde lecionou Literatura, como escritor tem extensa obra publicada: livros infantis, didáticos, paradidáticos e outros. Trabalhou como colaborador nas minisséries Abolição, de Walter Avancini, transmitida pela TV Globo (22 a 25 de novembro de 1988) e República (de 14 a 17 de novembro de 1989). Além disso, já ganhou diversas vezes o Prêmio Jabuti de Literatura, o mais importante no país.

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