APARTHEID PRESENTE NO FLAMENGO. RACISMO VIROU “SOFRER CONSTRANGIMENTO”.


por Vik Birkbeck

Preta com Tablet não pode ser vista na zona sul carioca

Preta com Tablet não pode ser vista na zona sul carioca

Ontem a minha sobrinha Nathália, que acabou de fazer 18 anos foi assistir o jogo de bola do namorado no Aterro e fazer umas imagens no tablete já que ele queria enviar para um time. Ela assiste esse jogo frequentemente.

O jogo tinha acabado – uma turma grande de jovens conversando, relaxando.

Aí que vem policiais do Aterro Presente e mandam que somente ela e o namorado – únicos negros da turma – fiquem de pé para serem revistados – bolsos, pertences, documentos são revirados.

Nathália perguntou porquê estava sendo revistada – e tiveram a coragem de dizer para ela que ela “tinha o perfil de uma ladra atuando no Aterro”. Para Vitor, um pouco distante dela, disseram a mesma coisa.

Queriam saber porquê e como ela teria um tablete (numa capa velha toda surrada).

O policial falou para ela que ela tinha obrigação de andar com identidade “para não sofrer constrangimentos” …

No dia 8 de dezembro Ébano Gama foi revistado pela Lagoa Presente que dizia para ele que “era pra melhorar a sensação de segurança de quem ”frequenta” a Lagoa.”

SEGURANÇA DE QUEM, CARA PÁLIDA? SER NEGRO É TER PERFIL DE LADRÃO???

Vale lembrar que o Aterro é um dos pouquíssimos espaços públicos “democráticos” restantes da Zona Sul – enquanto isso na sua corrida para embranquecer as praias, a Prefeitura infernalizou ainda mais, a vida de milhares de trabalhadores ao exxtinguir linhas de ônibus que já existiam há décadas ligando a Zona Norte à Zona Sul.

É gritante que todo esse racismo ostensivo dirigido especificamente contra jovens, num momento em que estão surgindo muitos jovens negros ativistas, acadêmicos, artistas, pensadores, em todos os espaços.

Porque justamente agora que aparece uma juventude crítica com vontade explícita de mudar essa sociedade construída em cima do privilégio de poucos e o massacre de muitas.

Operação Lapa Presente - Urbano Erbiste / Agência O Globo (31/07/2015)

Operação Lapa Presente – Urbano Erbiste / Agência O Globo (31/07/2015)

Enquanto isso, na favela torturam, espancam, aleijam e matam, nos espaços “nobres” fingem ser civilizados, como se fosse “normal”.

Nota da Mamapress:
Os dois casos relatados são de filhas, sobrinhos e parentes de pessoas próximas a todos nós. Toda família que tenha membros negros no seu seio, tem uma história para contar. Moradores negros da zona sul carioca, de todas as idades, homens e mulheres de todos os gêneros, nos relatam vivências de CONTRANGIMENTO RACIAL todo tempo, até quando entram e saem de casa.

Esta sensação climática de violência racial contra negros que moram ou visitam a zona sul do Rio, seja para trabalho seja para lazer, aumentou desde que a prefeitura do Rio, em parceria com o governo do estado, firmou um convênio  com a FECOMÉRCIO (Federação do Comércio do Estado do Rio). para que os comerciantes financiassem a formação de “seguranças privadas” utilizando PMz em folga ou reformados.

No lançamento do primeiro programa de “segurança” na Lapa, agora estendido a outros bairros sulistas, pago por comerciantes, que oficializa a PP( propina policial) paga por comerciantes, para terem uma segurança privilegiada nas zona norte e baixada. O  o capitão PM Leonardo Laurindo de Oliveira, um dos responsáveis pelo planejamento operacional do projeto, disse:

— Daremos instruções teóricas e, depois, o grupo, já uniformizado, fará um treinamento em campo para ver como é abordagem e o tratamento que deve ser dado ao cidadão — SAIBA MAIS

O que as população negra está vivenciando nestes bairros é o diametralmente oposto aos princípios de cidadania igualitária. Negras e negros que circulam por estas regiões “nobres”, estão sendo ostensivamente convidados a não visitarem os locais de lazer, e se por lá moram que fiquem assistindo televisão em casa, pois assim evitam para si e seus filhos SOFREREM CONSTRANGIMENTO RACIAL, ordenado pelo prefeito higienizador étnico da cidade.

Hoje mesmo domingo natalino, o time da Mamapress, vai prestar solidariedade ao Quilombo do Sacopã, um enclave negro na República da Lagoa, Ipanema e Leblon.

Vamos cheios de documentos como certidão de nascimento, nota de compra da máquina fotográfica há 20 anos atrás e etc. Queremos evitar sermos constrangidos, pelas novas “patrulhas raciais” que circulam pela zona sul carioca. Será que é suficiente. Ou teremos que arranjar um título de sócio da Hípica?

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