“Surge nec mergitur”, quer dizer: ” Apareça, não se esconda”. Ou quando Conselho de Defesa do Negro foi falar com Pezão


“Surge nec mergitur”, quer dizer: ” Apareça, não se esconda”.
Era a frase da bandeira da Revolta dos Búzios na Bahia em 1798.

Fui convocado ontem pelo recém-eleito Conselho de Defesa do Negro do Estado do Rio, para em reunião com o governador Luiz Fernando Pezão para expor o assunto atual e  mais premente da pauta negra do RJ, que são as reivindicações da coletividade negra para o fim das segregações, violência policial e matanças generalizadas contra os jovens negros sem fardas ou com fardas no estado, assim como o fim do medo e do terror em que vivem dos habitantes das favelas e bairros periféricos e, que atinge toda a sociedade de nosso estado do Rio de Janeiro.

Vivemos numa crise econômica e social que atinge a todos de nosso estado, tanto na áreas de saúde, como de educação, assim como na segurança pública. Desemprego em massa na indústria e comércio e funcionários públicos sem receber seus salários.

Isto é lá uma hora adequada para falar com o governador sobre a morte de jovens negros?

Poderiam perguntar ao Conselho de Defesa do Negro, Cedine-RJ.

Conversar com o governo do estado, que tem a responsabilidade em última instância, pelo que está acontecendo?

Ingenuidade, diriam alguns.

Acontece que a crise se abate diretamente sobre os jovens negros, os últimos a conseguirem um emprego e os primeiros a perdê-los na primeira marola econômica. E estamos vivendo um Tsunami econômico, ético e moral.

Sem empregos, ou empregos precários, os jovens negros se tornam o alvo privilegiado das batidas policiais e, são as vítimas prediletas das incursões “pacificadoras”,  demonstrado no alto índice de autos de resistência registrados, onde os mortos tem balas nas costas e sinais de terem sido antes brutalizados por torturas antes de morrerem.

Antes de um Conselho de Defesa de Negros, somos mães e pais em defesa da vida de nossos filhos e filhas e de filhas e filhos de nossos parentes, amigos e vizinhos. Nós os queremos vivos com ou sem crise!

A tal da crise está colocando nossos meninos e meninas diretamente na linha de fogo.

As pessoas negras vivem 24 horas do dia em estado de emergência ou sítio.
Precisamos mostrar nossas caras, partir para conversamos e nos confrontarmos diretamente com que tem o poder de definir as políticas de segurança do estado.

Já não é mais hora de convescotes, aulas e workshops para reeducar policiais ou receber explicações de secretários de segurança, quando não há vontade política de mudar o curso das matanças.

Quem pode defender nossa cidadania somos nós. E quem pode mandar parar a matança é o representante maior do estado, no caso o governador.

A proposta do Conselho de Defesa de dos Negros, sobre o respeito aos direitos humanos que foi recebida pelo governador, é simples:

Partir do governo uma discussão com sociedade civil, já tão desconfiada e curtida de dores na pele e mortes prematura de seus filhos e filhas.

Nós negras e negros não podemos esperar que a crise acabe e vamos continuar nos manifestando e nos defendendo.

Aqui fiz um relato pessoal de uma reivindicação coletiva. Ouvi pessoalmente com os presentes, a intenção do governador em conversar com a sociedade civil, suas minorias majoritárias, seus líderes religiosos, representantes de favelas e comunidades e de instituições civis.

Não é uma questão de acreditar ou não no governador, pois sei que é uma situação extremamente complicada, resolver a questão da violência enraizada em uma sociedade já tão dividida e, que a política do confronto policial e racial reina já há quase uma década.

Mas ao acompanhar as manifestações nas ruas e nas redes sociais, a dor e o grito dos parentes das vítimas e dos jovens que não querem ser os próximos a serem executados, tenho a convicção que só um engajamento de toda a sociedade, dará um basta a esta violência e a cultura de elogio à morte que impera em nossa sociedade e até agora tem sido incentivada pelas políticas de segurança do Estado. saiba mais

Ao sair do encontro, evitei participar das sessões de fotos oficiais de grupos que visitam governadores. Mas fiz questão que o conselheiro do CEDINE José De Andrade, fotógrafo parceiro da Mamapress, me fotografasse em um aperto de mão com o governador, para demonstrar antes de mais nada que confio nos jovens que me deram a palavra, não para falar de mim, mas dos desejos de meu povo.

Como cidadão mostro a cara e o compromisso com a defesa e apoio a todos os jovens negros em perigo. Como cidadão espero que o representante maior do poder de estado, decida proteger todos os cidadãos sem exceção.

Que o Conselho de Defesa do Negro do Estado do Rio de Janeiro faça jus ao nome e a luta de todos nós!
‪#‎marcosromãoreflexoes

Luiz Fernando Pezão e Marcos Romão

Luiz Fernando Pezão e Marcos Romão

 

 

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