Impressões de Guerra na Cidade de Deus


Por Rosiane Rodrigues
Vista aérea da Cidade-Deus-1957

Vista aérea da Cidade de Deus-1957 foto da internet

Impressões de guerra: Agora cedo, ao voltar para casa (tivemos que dormir na casa de uma amiga, porque a polícia fechou a principal rua da Cidade de Deus.

O que era para ser uma comemoração de amigas tornou-se angústia) vi uma favela de luto.

Uma das crianças assassinadas (o menino de 11 anos) era filho do moço que toda quarta-feira montava uma barraca de peixe. Há anos ele e a família trabalham ali, ao lado do Prezunic.

Ontem, na hora dos disparos, estávamos a poucos metros do local e as informações chegavam desencontradas. Foi muito tiro. Da janela do apartamento víamos vários carros do Choque e da PM que fechavam e circulavam pela estrada. Os filhos e amigos ligavam apavorados, pedindo pra gente não sair.

Vindo para casa, está manhã, passei pelo lugar onde aconteceu a tragédia.

A barraca de peixe não está mais. Na birosca ao lado, um pequeno aglomerado de pessoas. O burburinho das ruas nao existe. Só há silencio. A favela está quieta. Poucas mulheres apressadas vão em direção ao mercado.

Passo pela rua pensando sobre a dor de perder um filho numa data como está, nessas condições. São esses episódios que destroem qualquer esperança, qualquer família, qualquer ser humano.
Para quem vive esse tipo de violência cotidiana, este não será um feliz natal. Será, no máximo, um natal possível.

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