Porque devemos “aguentar” Dilma até 2018


por Dojival Vieira

 

Antes que as hienas de plantão se manifestem, me adianto para informar a meia dúzia de leitores que ainda não perderam a paciência de ler o que escrevo até o fim: sou contra o “impeachment” da Presidente Dilma Rousseff.

Mas, por razões diametralmente opostas as levantadas pelo governismo, inclusive pelos negros chapa-branca, como sempre apostos para a defesa de qualquer governo desde que lhes caiam as migalhinhas que a Casa Grande costuma reservar aos dóceis.

Não me entusiasma o “Fica Dilma”, nem tampouco o “Não vai ter golpe”. São palavras de ordem vazias, cujo único poder e função é animar claques. Pagas e sob encomenda, algumas delas.

Sou contra o “impeachment” porque esse Governo – com as regras de eleições fraudadas desde sempre pelo mercado – foi “eleito” para um mandato de 4 anos. Se a eleição representou o maior estelionato eleitoral de que se tem notícia na história da política brasileira, cabe às vítimas – todos nós , o povo brasileiro – ficarmos mais atentos e ter mais responsabilidade com o voto, que numa República é sempre instrumento dos cidadãos para a mudança, mas que nesta, dominada pelo mercado, se transformou em puro instrumento de compra e venda, exercício de ilusionismo.

Está aí o resultado.

Não que a alternativa à Dilma fosse diferente. Não seria. Uma eventual vitória do senador tucano Aécio Neves seria o mais do mesmo, porque esse modelo político eleitoral, partidário e de governança, iniciado em 1.995 por FHC e continuado por Lula e Dilma, esgotou-se. Nada mais tem a oferecer. Nem a dizer.

Dilma perdeu as condições de governabilidade antes de tomar posse porque comprovadamente mentiu. Na campanha acusava o seu adversário das maldades, que ela própria se encarregou de fazer.

Daí, a sensação de desalento, de desamparo, de frustração, de raiva – o que explica seus índices baixíssimos de popularidade aferido nas pesquisas de todos os institutos, menos de 8% de aprovação.

Os defensores do “impeachment” – gente que inclui de cidadãos bem intencionados aflitos com a situação econômica, com o descontrole da inflação e o aumento do desemprego (já atinge a 20% dos jovens), à extrema direita saudosa da ditadura militar – querem encerrar o mandato da Presidente na ilusão de que um Governo dirigido por Michel Temer possa encerrar o pesadelo.

Puro engano.

A repetição de um governo de transição com Temer (um espécie de Itamar Franco fora de tempo e lugar), é puro ilusionismo. Um Governo Temer faria exatamente o mesmo que Dilma faz: jogar o custo da crise – criada por uma política econômica errática e pela privatização do Estado pelo grupo que governa há 13 anos, como evidencia a escandalosa corrupção exposta pela Operação Lava-Jato.

Para nós, os cidadãos que sofremos o peso da crise, há apenas uma saída: aguentar até o fim esse governo catastrófico, atolado em escândalos e corrupção – ainda que ao custo do aprofundamento de todos os desastres que vem por aí. É preciso chegar até o fundo do poço – e isso ainda não aconteceu, segundo todos os analistas – para daí nos reerguermos com energias, alternativas e ideias novas. É o preço a pagar.

Na vida e na Democracia – mesmo nesta precária – é assim: paga-se, às vezes caro como é o caso, por decisões equivocadas.

Além de arcar com as consequências, todos os que não abandonaram as bandeiras na luta por um país decente, por uma Democracia digna desse nome e por uma República (que seja res pública e não res privada), tem muito o que fazer até 2018: construir uma alternativa verdadeiramente de esquerda, com participação e protagonismo populares, que não se confunda com esse esquerdismo oficial que nos governa e que nada tem de esquerda e que está fadado a sofrer uma fragorosa e acachapante derrota em 2.018.

Como, aliás, já antecipam as derrotas do kirchnerismo, na Argentina, e a mais recente, do chavismo, na Venezuela, sob a chefia do hilário e caricato Nicolás Maduro. O lulismo, no Brasil, fechará o ciclo em 2.018. Todos (as) os (as) que acreditaram nos enganamos: o lulismo nunca foi de esquerda.

 

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4 pensamentos sobre “Porque devemos “aguentar” Dilma até 2018

  1. Porque todos que são contra o impedimento de Dilma Roussef não mostram claramente as verdadeiras origens do conluio que se propõe a correr com Dilma e o PT do Planalto, coisa que vêm maquinando desde que a Presidente se candidatou `reeleição!
    Não existem pedaladas fiscais, nem qualquer outro movimento ciclista que configure um crime, todos os cidadãos melhor informados sabem disso e já explicaram à Nação que se trata de golpe sujo de indivíduos muito criminosos que ficam na sombra segura, comandando laranjões como Aécio Neves, Zé Serra, Eduardo Cunha,Gilmar Mendes, Sérgio Moro emuitos outros que não aparecem tanto na mídia fajuta. E Lula que tem feito? Umas aparições pouco mostradas pela mídia feita com os golpistas, falando sempre a mesma ladainha cansativa que o impedimento é golpe. É golpe sujo, nós sabemos, mas o Povo em geral embarca na lavagem cerebral das redes de TV.
    É necessário fazer um grande movimento nacional contra os golpistas e o PT já deveria ter começado isto!

  2. É resolveram tirar a Dilma. Não acho ela uma maravilha, mas já está determinado pelas forças que mandam no país .A Globo chegou ao requinte de ter uma vinheta para o impeachment.

  3. Pela primeira vez devo discordar do amigo cuja posição nesse caso me parece contraditória. Não encontrei no post nenhuma justificativa para manter Dilma (o PT) no governo. Propor sua permanência sem justifiicá-la me causou muita estranheza.

    Contudo, o mais me surpreendeu foi o amigo, um jurista, omitir, compketamente as fortes razões jurídicas que se configuram nesta profunda crise que vivemos e, paralisando o país impôem uma solução que, não é outra senão a interrupção contra este governo, que se tornou um estorvo para todos.

    Ninguém tem condiçóes de prever quem governará no lugar de Dilma. Temer, provavelmente pode ser impedido lgo a seguir. Os dois na linha imediata ídem, por envolvimento com a falcatruas. Infelizmente, a única solução à vista, previsível, seria a impugnação da candidatura ou a renúncia.

    O fato é que nós, os eleitores não soubemos ler a conjuntura que se agravava no ano passado e demonstrava a necessidade de tirar o PT do poder o quanto antes. Perdemos um ano de nosso precioso tempo.

    Manter Dilma no poder até 2018 é uma posição indefensável, injustificável em todos os termos, a esta altura. É como penso.

    Abs

    • Se com Dilma acham o governo ruim, quem colocariam no seu lugar? O Michel Temer, pau mandado do Zé Ribamar Costa, vulgo Sarney, o maior ladrão que o País conheceu? Ou escolherão no lindo naipe de grandes vigaristas e ladrões que transitam nos palácios em Brasília?
      O governo de Dilma é assim tão ruim? Os chineses e os russos não têm essa opinião!

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