O xixi de um neurocientista negro e o racismo à brasileira


por marcos romão

Publicado originalmente em 30.8, no meu perfil do facebook, em comentário sobre que tipo de situação racista aconteceu com o neurocientista Carl Hart em São Paulo.

Carl Hart 2015

Carl Hart 2015-foto internet

Não vi o Carl Hart, em nenhuma das entrevistas dadas, minimizar o problema/incidente ocorrido com ele em um hotel de São Paulo e que ganhou manchete nacional.
Nas duas entrevistas que ele deu, ele apenas coloca em seu ponto de vista a dimensão do incidente ocorrido com ele, e a dimensão e gravidade da questão racial brasileira.
As interpretações das mídias é que ficaram ao gosto do freguês/jornalista.
O Globo interpreta com a manchete, “ Neurocientista nega ter sofrido discriminação racial em hotel“, o blog “Justificando” iniciou a série de “interpretações”, dizendo que ele foi “barrado” no hotel, afirmação que depois o blog atenuou.
Temos neste incidente além do fato racista em si, que foi o comportamento de um segurança que ele nem percebeu, o “antirracismo solidário”, mas precipitado do blog “Justificando”, ao colocar o Carl como vítima de uma coisa que não aconteceu da forma descrita como “barrado” e, o “racismo de apagamento dos fatos” típico da nossa mídia”, que antes de ir fundo em qualquer apuração, escreve de cara a velha frase,” não houve discriminação”.
Carl relata sua surpresa ao sair do banheiro, quando foi abordado por pessoas que vierem lhe pedir desculpas.
Neste momento deve ter acendido o sinal de alarme que todo negro possui em qualquer lugar do mundo, quando acontecem casos relacionados com a sua cor. Para ele foi uma coisa pequena, um “pequeno incidente”, disse o cientista.
Para um negro brasileiro que circule nesta áreas nobres, isto não teria acontecido, pois acostumados que estamos com o racismo à brasileira, teríamos falado antes com o porteiro ou recepcionista, ou cumprimentado qualquer cão de guarda e feito um sinal de que estávamos apertados e por isso estávamos com pressa para fazer xixi, pois somos domesticados no Brasil a antecipar e evitar problemas que envolvam “impedimentos” raciais.
Ao contrário de minimizar o problema, creio que conscientemente, Carl demonstrou o racismo estrutural e onipresente do Brasil. Onde nós negros e negra temos sempre que pensar duas vezes onde e quando vamos mijar nas áreas nobres das cidades brasileiras.

Anúncios

2 pensamentos sobre “O xixi de um neurocientista negro e o racismo à brasileira

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s