Carl Hart: Não penso muito sobre esse incidente. Me preocupa é que existe agora a mesma quantidade de ofensas nessa sociedade, contra cidadão negros dessa sociedade.


por marcos romão.carl hart 1

Após a notícia que o neurocientista Carl Hart teria sido barrado, notícia que inclusive a Mamapress comentou,  página Fluxo no Youtube  divulgou um vídeo/entrevista em que Carl esclareceria a situação. O Globo replicou  o material do “Fluxo”, com a manchete “ Neurocientista americano nega ter sofrido discriminação racial em hotel“.

Nas duas matérias Carl Hart releva o fato acontecido consigo e,  o considera de menor importância, além de afirmar  que o entrevistador do Blog Justificando, teria tirado suas declarações do contexto, associando erradamente o incidente acontecido, com o que falou em sua conferência. Assim como o que falou para o repórter sobre o que percebeu sobre as situação de isolamento em que os negros no Brasil.

O blog que publicou a matéria inicial, postou a entrevista feita com Carl Hart falando sobre o incidente ocorrido na entrada do hotel.

Como a nossa preocupação na Mamapress é esclarecer o máximo possível os/as nossos leitores/as, e sabedores de que tudo que tenha a ver com noticiar sobre racismo no Brasil, tem que se pisar em ovos, pois nem tudo é o que parece, e o que é, dão sempre um jeito de deixar de ser. Para nós o que está claro é que Carl Hart não foi barrado na entrada do hotel Tivoli Mofarrej. O que lá se passou ele mesmo em entrevista conta.

Trazemos assim os dois vídeos para que nosso/as leitores/as possa tirar suas conclusões:

Palavras de Carl Hart no vídeo da entrevista para o Blog Justificando:

“Quanto ao incidente no hotel, nem eu mesmo sei o que aconteceu quanto ao incidente no hotel.

Quando eu entrava no hotel, eu fui direto ao banheiro , pois estava chegando de uma longa viagem.

E aparentemente um do seguranças achou que eu não pertencia ao local.

Mas imediatamente outras pessoas avisaram ao segurança, mas eu continuei caminhando. E aí, depois que conversaram com esse segurança, as pessoas vieram se desculpar pelo incidente.

As pessoas estavam injuriadas. Não estavam felizes com o que aconteceu, mas para mim foi um incidente relativamente pequeno, quando eu penso no que acontece nesta sociedade todos os dias. Essa sociedade conseguiu efetivamente isolar a população negra. E eles fazem isto todos os dias.

Quanto a mim, as pessoas vieram me ajudar e cuidaram deste incidente. antes mesmo que eu me sentisse atingido.

Aquilo foi pequeno na minha vida.Não penso muito sobre esse incidente.

O que mais me preocupa é que existe agora a mesma quantidade de ofensas nessa sociedade, contra cidadão negros dessa sociedade.

Por exemplo em todos os espaços que voçê mencionou, todos os espaços que frequentamos, como aquela conferência, existiam poucos negros lá. Existem poucos negros nas universidades, na classe média, na política, seus políticos.

O Brasil tem 50% de afrodescendentes mas eles estão isolados. Esta é uma preocupação para mim.

Eu acho que consigo lidar com as coisas que acontecem comigo. Mas porque eu sou quem sou. Eu já escrevi um livro, já fiz coisas que me tornaram reconhecido. E isto não é nada demais.

É mais importantes nos preocuparmos com os cidadãos comuns dessa sociedade. Então se eu consigo chamar atenção para o que eles sofrem todos os dias, isto é muito mais importante.”

O vídeo da entrevista para a página “Fluxo”

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