“Não vamos ser mortos e mortas sem reagir”


Texto e fotos: Fabiana Guia, da redação do Correio Nagô

Imagens: Rosalvo Neto

III Marcha contra o Genocídio do Povo Negro mobiliza jovens de Salvador

A politica combativa de repúdio ao racismo e genocídio da população negra da campanha Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto, mobilizou a população para mostrar nas ruas a revolta pelos casos de brutalidade nas ações policiais, como a chacina do Cabula, a morte de Geovane Mascarenhas e de muitos outros negros de periferia, na tarde da última segunda-feira (24) e juntou o povo negro, jovens em sua maioria, que caminharam pelo centro da capital baiana, na III Marcha Internacional Contra o Genocídio do Povo Negro. Estavam presentes também vítimas da violência.

Veja o vídeo da marcha

Do Largo dos Aflitos à Praça da Piedade, cerca de cinco mil pessoas marcharam em um filão puxados pelos integrantes da “Campanha Reaja”, que formavam uma barreira uniforme, vestidos de luto, em memória aos negros violentamente assassinados pelas investidas policiais, não só em Salvador, como também, em outras partes do Brasil. Uma multidão que entoava protestos com as temáticas bases da Campanha, como o fim da militarização, o repúdio à PEC 171, que versa sobre a redução da maioridade penal de 18 anos para 16, durante todo o percurso.

Os gritos de ordem eram liderados pelo fundador da campanha, o advogado e ativista do Quilombo X, Hamilton Borges. De cima de um mini trio elétrico, ele entoava o comandos como: ‘Povo forte, marchem!’, ‘Chega de chacina, eu quero o fim da polícia assassina’, ‘ Não acabou, tem que acabar. Eu quero o fim da Policia Militar’. Hamilton disse não acreditar na igualdade que apenas homens brancos fazem. “Precisamos tomar as ruas com as pessoas que estão aqui. Irmãs, irmãos, parentes de vítimas desse modelo que tem aqui a sua máquina de moer gente preta. E sabemos disso depois do massacre do Cabula. O governo convocou alguns pretos para promover a dancinha da igualdade”, completou Borges, após a execução do hino da União Africana, que deu inicio ao percurso.

Ao final do percurso, em frente à sede da Secretaria de Segurança Pública, os organizadores da marcha continuaram o protesto contra a violência policial. “Nossa vida, as vidas negras não estão à venda. Estamos aqui por nossa conta. Não vamos ser mortos e mortas sem reagir”, garantiu a militante Andreia Beatriz, fazendo a chamada dos representantes da Campanha nas cidades do interior baiano, em outros estados do Brasil e, ainda, dos países como Colômbia, Áustria e Estados Unidos presentes no ato.

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