Jorge da Silva, uma ótica negra sobre racismo e segurança pública: “Nós temos um modelo Macabro”.


Por Marcos Romãojorge da silva 2

“O racismo é uma questão política”, afirma o professor Jorge da Silva, “existe um grande perigo em cairmos só nas denúncias do racismo individual. A empregada impedida de entrar pelo elevador social, a apresentadora negra de  tv sendo xingada nas redes sociais”. Para Jorge da Silva nestes casos até os racistas mais conservadores, se indignam com o racismo e postam sua solidariedade com a pessoa discriminada.

Na opinião de Jorge, isto acontece desta forma porque interessa aos racistas como forma de esconder o racismo estrutural, de que fatos racistas como estes acontecem todo dia em todos os prédios do Brasil.

Pode-se falar da apresentadora da Tv Globo que foi discirminada, mas todos se esquecem ou não sabem que quem determina toda a linha editorial  da rede Globo, chama-se Eli Kamel, um declarado opositor das cotas para negros, prossegue Jorge da Silva.

Causa um alvoroço na sociedade o fato do negro Joaquim Barbosa ter ascendido à presidência do STF, com elogios de toda a sociedade, mas ninguém fala que com sua saída, o STF recuperou sua cota racial histórica de 100% de brancos em sua composição. Porque é natural, por que sempre foi assim, porque é assim nossa estrutura racial brasileira, é o que nos relata Jorge com sua longa experiência no studo e combate ao racismo.

Mas Jorge da Silva não para por aí, em só falar das elites brancas que dominam o país, vai mais fundo e crítica a postura de negros que acham que só porque são negros, podem tecer teses sobre o racismo, sem estudar como o racismo funciona e suas origens históricas no Brasil desde a mentira da lei do ventre livre.

“Racismo e segurança não são questões jurídicas e sim políticas, quem faz as leis e determina quais e como serão executadas, não são os negros.

Governadores , secretários de seguranças e  deputados tem repetido ao longo de nossa curta história democrática, que bandido bom é bandido morto, que mulher negra é fábrica de bandidos ou como disse o secretário Beltrame, ao comparar vida de pobres e negros mortos logo após a matança de 19 pessoas no Complexo do Alemão, “que não se pode fazer omelete sem quebrarmos os ovos.”

Neste vídeo temos uma pequena e profunda aula de história e de política brasileira.
Repetindo o que Jorge da Silva diz, aos poucos a sociedade brasileira vai descobrindo que o racismo é uma questão a ser resolvida de forma política. Só falta conhecimento e vontade.

Cultne esteve presente no plenário da CAARJ/OAB com imagens e edição de Filó Filho, registrando a palestra do professor Jorge da Silva que discorreu sobre “Segurança Pública” com casa cheia na sua maioria jovens de várias áreas, em especial a área de Direito.

Jorge Da Silva é Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto da mesma Universidade. Nascido e criado no hoje chamado Complexo de Favelas do Alemão, no Rio, serviu antes à Polícia Militar, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos / RJ.

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