Poeta é algemado e preso por declamar na terra de Castro Alves: ” Negro intelectual? Teje preso por desacato!” Repetia o PM.


Recebemos na via Facebook a seguinte denúncia sobre truculência policial em Salvador:

ENQUANTO A POESIA FOR UM DESACATO, DESACATAREI – SOU POETA!

Por Vinicius Brasilino.vinicius vitalino

Hoje (02/08) por volta da 4h da manhã, na praia do Porto da Barra, sofremos mais uma ação de truculência da PM-BA. Estavamos em um lual, mais de 200 jovens cantando, fazendo rimas e recitando poesias quando em um determinado momento avistamos os policiais abordando aqueles que ali estavam, abordando leia-se: dando pancadas de cacetetes, chutes, derrubando as poucas barracas que estavam lá.
Eram 4 policiais armados para 200 jovens, quando eles detiveram o primeiro jovem fomos questionar a atitude dos respectivos homens da lei, questionar a forma equivocada e violenta de abordagem, pois eles sequer solicitaram nossa documentação na abordagem.
Eles então, com todo o tipo de despreparo, solicitaram para eu afastar-me da viatura, deram uma porrada no meu peito e me empurraram, após este ato, eu olhando nos olhos deles falei: “vocês estao me violentando”. Repeti por três vezes e um deles então rebateu “Vocé é intelectual”.
Eu no mesmo momento recitei o poema que estavamos recitando antes da ação, neste instante um dos soldados colocou a algemas em meus braços, dando-me ordem de prisão por DESACATO.
Solicitei aqueles senhores (assim que tratei a todo momento) que apontassem onde estava o desacato ou o desrespeito proferido contra eles e um deles novamente respondeu ” você é intelectual, por isso vai detido”.
A truculência não acabou por ai, me colocaram no camburão, com mais 5 jovens e ainda adicionaram spray de pimenta.
Pararam em um Departamento Policial na Barra e depois ficaram dando voltas na cidade até chegar na Central de Flagrantes do Iguatemi.
Ainda algemado solicitei que retirassem as algemas pois estas estavam me machucando, um deles disse que deixou a chave na outra guarnição.
Dentro da delegacia não acabou as ameaças, mas mesmo assim a todo o momento questionei e solicitei que apresentassem ao delegado qual o desacato proferido.
Quando o Delegado apareceu, solicitou que eu declamasse o poema e perguntando se éramos artistas de rua, rindo conosco da bizarrice que ele tinha se deparado naquela ação policial.
Depois de meia hora na delegacia convenci o escrivão de livrar-me das algemas, aproveitei e recitei pra ele também.
Enquanto isso mais dois jovens também foram detidos por filmar ação, estes além do crime de desacato tiveram o celular formatado para que não houvesse provas contra a PM. A dona do celular, uma jovem negra, pedagoga, foi xingada varias vezes de “piranha e vagabunda”.
Tentaram nos intimidar por todo instante na delegacia da policia civil, mas por hora nenhuma abaixamos a cabeça e demonstramos medo, a nossa reação foi justamente para mostrar que eles estiveram a todo o momento errados.
No BO eles relataram que o lual estava regado a drogas, para querer ter respaldo, mas não havia consumo de drogas ilícitas e nem eles aprensetaram na delegacia as respectivas drogas.
Tentaram nos amedrontar, nos intimidar e nos constranger como fazem com a maioria da juventude Salvador a fora.
Por fim esqueci de dizer, entrei no camburão algemado e recitando, resistindo e reagindo. E enquanto minha poesia for desacato continuarei desacatando.

Vou deixar aqui a poesia para que reflitam

MELODRAMA

O braço não é mais do lasso
É o passo
O piso e o risco
E o passo não é mais preto
É falso
Mas não sou eu?

Em cada canto
O desencanto
O sustento e o medo
É que te torna cada vez mais hipocondríaco
Veja!

A rua não é mais sua
É do vento
É do tempo
É de quem quer que seja
Veja

O braço
O passo
O canto e a rua

Fique atento
Fique na sua
Pois tudo pode mudar!

Não queres falar?
Não fale
Não queres gritar?
Não grite
Mas preste a atenção e tome muito cuidado
QUERER É PODER
E só vc pode.

Olhar bem o corpo e o copo
Olhar o lodo e a lama
Sentir o Amor e o ódio
Sentir a frieza e o drama

Só vc pode…
O corpo e ocopo
O lodo e a lama
O amor e o odio
A frieza e o drama.

10/08/2010 – Vinicius Brasilino.

Amanhã vou a Corregedoria da PMBA apresentar queixa contra estes policiais, e torcer para que não fique impune.

A juventude não tem direito de desenvolver sua cultura e lazer, mas nós continuaremos lutando em defesa dos nosso direitos.
Foi com esta alegria expressa na foto que dentro da delegacia contestamos a bizarrice da PM.
E ainda pedi o dinheiro da passagem do busão ao delegado, afinal nós estavamos ali por um erro do estado.
Agradeço ao Delegado pela forma em que agiu para entender o caso, a formação de fato é algo fundamental para a melhoria da atuação das policias.
Oito da manhã já estavamos liberados!

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